
Capítulo 1
MEU AMOR EM PARIS
Paris, França — 1984
A manhã ainda estava começando quando o céu de Paris ganhou tons acinzentados. Uma garoa fina cobria as ruas, fazendo as pedras das calçadas brilharem sob a luz dos postes.
Os cafés começavam a abrir suas portas. Pelas janelas, era possível ver pessoas tomando café enquanto liam jornais impressos. O som dos carros passando pelas avenidas misturava-se ao barulho distante do metrô e às conversas dos parisienses.
Naquela Paris dos anos 1980, não havia celulares ou mensagens instantâneas. As pessoas marcavam encontros por telefone fixo, escreviam cartas e procuravam oportunidades de trabalho nos jornais.
Em meio àquela cidade movimentada, um jovem ômega chegava para começar uma nova vida.
🌿 Flor
Flor tinha 19 anos e vinha de uma família humilde do interior da França.
Sentado próximo à janela do trem, ele segurava uma pequena mala marrom contra as pernas. Dentro dela estavam poucas roupas, alguns objetos pessoais e uma fotografia da família.
Flor observava Paris pela janela, tentando esconder o nervosismo.
Ele tinha uma aparência delicada, quase angelical. Seus cabelos caíam suavemente ao redor do rosto, e seus olhos demonstravam uma mistura de inocência, esperança e preocupação.
Vestia roupas simples, escolhidas mais pela praticidade do que pela moda: uma camisa clara, calça escura, um casaco simples e sapatos já bastante usados.
A beleza de Flor chamava atenção naturalmente, mas ele nunca havia considerado isso algo importante.
Para ele, naquele momento, havia apenas uma preocupação.
Conseguir um emprego.
Ajudar sua família.
E construir uma vida digna.
O trem finalmente diminuiu a velocidade.
Flor apertou a fotografia dentro da mão.
FLOR: — Paris…
Ele respirou fundo.
FLOR: — Eu realmente estou aqui.
Quando o trem parou na estação, Flor pegou sua mala e desceu.
🚉 A chegada
A estação estava cheia.
Pessoas caminhavam apressadas carregando malas, pastas e jornais. Alguns trabalhadores seguiam para seus empregos, enquanto turistas procuravam informações.
Flor ficou parado por alguns segundos, observando tudo.
Era completamente diferente do interior.
Ele ouviu anúncios pelos alto-falantes e viu placas indicando as diferentes plataformas.
Flor segurou firme sua mala.
FLOR: — Primeiro preciso encontrar um lugar para ficar.
Ele tirou do bolso um pequeno papel onde havia anotado um endereço.
O problema era que aquele endereço não era exatamente uma residência.
Era apenas o contato de uma pensão que ele havia encontrado através de um anúncio de jornal.
Flor caminhou para fora da estação.
Paris o recebeu com movimento, barulho e uma quantidade enorme de pessoas.
Táxis passavam pelas ruas. Ônibus transportavam trabalhadores. Bicicletas circulavam entre os carros.
Nas bancas, revistas e jornais estavam expostos lado a lado.
Flor parou diante de uma delas.
Seus olhos percorreram as manchetes e, principalmente, os classificados.
Ele precisava encontrar trabalho.
📰 Procurando uma oportunidade
Mais tarde, Flor entrou em um pequeno café.
O lugar tinha mesas redondas, cadeiras de madeira e grandes janelas voltadas para a rua. Uma televisão ligada no canto transmitia um programa matinal, enquanto um rádio tocava música baixinho.
Flor pediu apenas um café e um pão.
Sentou-se perto da janela e abriu o jornal.
Começou a procurar os anúncios.
FLOR: — Recepcionista…
Passou o dedo pela página.
FLOR: — Auxiliar de cozinha…
Continuou procurando.
FLOR: — Serviço de limpeza…
Ele anotou alguns endereços em um pequeno caderno.
Flor tomou um gole do café e olhou para a rua.
Seu rosto ficou sério.
FLOR: — Eu vou conseguir.
Ele precisava acreditar nisso.
🏠 A dificuldade de começar
Depois de sair do café, Flor caminhou durante boa parte da manhã.
A mala começou a pesar.
Paris era linda, mas também era cara.
Flor percebeu rapidamente que o dinheiro que tinha levado não duraria muito.
Quando finalmente chegou à pensão indicada no anúncio, conversou com a proprietária.
MADAME CELINE: — Você tem dinheiro para pagar a primeira semana?
Flor abaixou os olhos.
FLOR: — Tenho apenas o suficiente para alguns dias.
A mulher suspirou.
MADAME CELINE: — Então precisa encontrar trabalho rapidamente.
FLOR: — Eu vou encontrar. Prometo.
Madame Celine observou o jovem por alguns segundos.
MADAME CELINE: — Há um quarto pequeno no segundo andar. Não é luxuoso.
Flor olhou para a escada.
FLOR: — Para mim está perfeito.
🌙 Uma noite em Paris
Naquela noite, Flor estava sentado na pequena cama do quarto.
O ambiente era simples.
Uma cama estreita, uma pequena mesa, um armário antigo e uma janela que permitia observar parte das luzes da cidade.
Flor abriu sua mala.
Colocou a fotografia da família sobre a mesa.
Ficou olhando para ela durante alguns segundos.
FLOR: — Eu vou ajudar vocês.
Ele passou a mão sobre a fotografia.
FLOR: — Mesmo que seja difícil.
Flor então se levantou e abriu a janela.
O ar frio entrou no quarto.
Ao longe, Paris continuava acordada.
Carros atravessavam as avenidas. Pessoas conversavam nas calçadas. As luzes dos cafés permaneciam acesas.
Flor observou aquela cidade enorme.
Ele ainda não sabia, mas sua chegada a Paris mudaria completamente sua vida.
E, em algum ponto daquela mesma cidade, um homem extremamente rico também terminava sua noite.
Um homem que ainda não fazia ideia de que, muito em breve, encontraria Flor.
Seu nome era Antonie.