
Volume 2 - Capítulo 226
O Grande Sistema Demoníaco
Avilia ignorou os gritos de socorro do gatinho e continuou a andar lentamente em sua direção, pois tudo o que via era um pedaço de carne que sabia mais do que devia. Ela quase retornou aos seus instintos de Lorde Demônio, que devorava tudo em volta com sua aura. Seu olhar penetrante era dez vezes mais terrível do que qualquer inferno, fazendo-o sentir como se seu espírito estivesse sendo arrancado e despedaçado à força por dentro. Sem mencionar que seu instinto interior, quase gravado em seu ser, gritava com cada pedacinho de sua existência para que ele caísse fora de todas as maneiras possíveis.
“Se tem valor a sua vida, é melhor começar a falar, vira-lata…” A voz demoníaca de Avilia, agora distorcida, ecoou por todo o subespaço, causando calafrios profundos no filhote e fazendo o subespaço vibrar e estremecer como se tivesse acontecendo mil tremores de uma vez, um evento que o gatinho nem sabia ser possível.
“EU DISSE PARA VOCÊ FICAR LONGE DE MIM, SUA HEREGE!” O gatinho gritou novamente, enquanto começava a se arrastar lentamente com a pouca energia que lhe restava no corpo, o que fez a ira de Avilia crescer ainda mais ao ver suas ameaças e ofensas tratadas como se fossem piadas.
Ao se arrastar para longe, o filhote virou-se e formou uma esfera de energia desconhecida nas patas, e em um ato de pânico, a jogou direto no rosto de Avilia. Quase como um covarde joga areia nos olhos de seu adversário.
Apesar de ser uma forma de mana tão pura que ela nunca tinha visto nada parecido antes, o ataque ainda era dolorosamente lento e fraco, exatamente como ela esperava. Ela deixou o golpe acertar em cheio seu rosto só para provar seu ponto e poder saborear o desespero no olhar do espírito.
Quando o ataque a atingiu em cheio no rosto, nem sequer diminuir sua velocidade. No entanto, para sua surpresa, ela sentiu uma pequena ardência na testa onde o ataque acertou, mas que sumiu no segundo seguinte. Ela apenas ignorou o ocorrido como não fosse nada e continuou caminhando em direção ao gatinho que ainda não tinha desistido.
Apesar de tudo o que estava acontecendo e do claro estado de terror, ele ainda se recusava a falar por alguma razão estranha. Avilia sentiu isso quase como um insulto direto, por tratada dessa maneira por um ser tão inferior. A essa altura, não tinha certeza se a criatura estava tirando uma com a sua cara ou se havia algo a impedindo de falar.
A criatura continuou rastejando, lançando olhares para a encarnação demoníaca do puro terror que ainda andava atrás dele, amaldiçoando a si mesmo.
A única saída conhecida do subespaço estava extremamente longe, e o demônio atrás dele certamente não o deixaria escapar. Mesmo que tentasse se teletransportar, o demônio seria, sem dúvida, de alguma forma mais rápido. Assim, para proteger a si mesmo e a informação que possuía, só restava uma coisa a fazer…
Por instinto e sem hesitação alguma, compreendendo totalmente o peso de suas ações, ele fechou os olhos e levantou a pata, ainda murcha, no ar. Suas garras se alongaram enquanto ele fazia o que tinha que fazer para sobreviver…
Bem atrás dele, Avilia estava vendo tudo o que estava acontecendo, e um sorriso perverso surgiu em seu rosto, pois ela não pode deixar de se divertir com as tentativas fúteis e a falsa esperança da sua presa. A situação era incrivelmente irritante, mas estaria mentindo se falasse que não era divertido de ver. Ela não se sentia essa excitação já tinha anos…
“Casulo Anti-Morte.”
Com um simples movimento de seu pulso e um brilho em suas pupilas vermelhas, ela encantou naquela mesma voz apática e sobrenatural de um ser superior.
E antes que se desse conta, o corpo inteiro do gato foi consumido por uma aura roxa, o envolvendo por completo.
No instante em que as garras do gatinho se aproximavam de seu corpo em uma velocidade rápida, elas pararam no meio do caminho. Isso o fez abrir os olhos apenas para ver sua pata sendo detida à força por uma leve aura roxa, da qual não conseguia se libertar.
Quando olhou para cima, deu de cara com a própria morte, sorrindo e andando com a mesma aura opressora e aparência horrível. Seu corpo tremeu ainda mais e lagrimas começaram a escorrer em seu rosto, enquanto gritava igual um banshee.
“AHHHH NÃO CHEGA PERTO DE MIM!”
Novamente, em mais uma tentativa, a criatura ergueu sua pata e direcionou para o coração, mas, como antes, foi parado pela mesma aura roxa que envolvia seu corpo. Isso fez com que o filhote se desesperasse ainda mais, olhando de volta para o demônio que estava cada vez mais próxima.
O pânico em seu coração aumentou e então, resolveu fazer uma coisa ainda mais dolorida, mas ainda assim sendo uma opção melhor do que viver.
Em um piscar de olhos, a criatura abriu a boca para morder com tudo a sua língua e engolir depois… Porém, mais uma vez, sua tentativa fora inútil. Seu dente foi parado a centímetros de distância pela mesma aura, e até mesmo tentando com todas as forças, nada funcionava. O pavor, panico e terror em seus olhos cresceram e sua respiração começou a ofegar, ao mesmo tempo que seu coração começou a acelerar.
“POR QUE EU NÃO CONSIGO MORRER?! ME DEIXA MORRER, DESGRAÇA! ARGGHH!” Ele exclamou, frustrado com suas tentativas inúteis.
*Slash*
*Slash*
*Slash*
“POR QUÊ! POR QUÊ! POR QUE EUU!?” Continuando com suas tentativas, um rio de sangue caiu de seus olhos. A criatura estava sentindo como se estivesse vivendo um pesadelo, perdendo a sanidade e se recusando a desistir de suas tentativas de suicídios. Avilia assistia tudo isso com uma mistura de emoções em seu sorriso largo.
Em mais uma tentativa, o gato tentou perfurar o coração, mas, diferente de antes, sua mão foi parada antes mesmo de começar. Seu corpo ficou imóvel, quase como se estivesse sendo segurado por correntes invisíveis, e seus gritos cessaram no subespaço, já que sua garganta estava, agora, sendo segurada com força.
O corpo da criatura foi levantado no ar por alguma força desconhecida e levado para perto de Avilia, por um simples movimento do pulso da mulher. Agora, sendo obrigado a encarar aqueles olhos roxos, que mais pareciam vórtices infinitos, as lagrimas de sangue caiam ainda mais e seus olhos perderam o brilho avermelhado, quase ficando cinzas. O filhote tentava seu máximo para gritar, mas não conseguia.
“Cesse essas suas tentativas fúteis, você está parecendo um demente! Sua vida e morte agora estão sobre as minhas mãos… Você parece nem um pouco afim de cooperar… Então que seja… Você cavou a própria cova… Ou seja, tudo que preciso fazer, É OBRIGÁ-LO!” Avilia disse com uma expressão fria, mas que ainda sim continha excitação enquanto olhava para a expressão aterrorizada do filhote diante de si.
A criatura conseguiu fechar os olhos, aceitando seu destino.
A última coisa que viu, foi um flash de luz roxo vindo dos olhos da mulher e sua mão lentamente indo até sua cabeça, bloqueando a visão do gato.
A mão esquerda de Avilia agora segurava a cabeça do espírito de gato, fazendo certeza com que não a esmague, mas apertando do mesmo jeito.
Com um sorriso no rosto, ela começou a transferir energia demoníaca para o cérebro do gato, conseguindo navegar perfeitamente para onde queria com precisão.
Não havia nada que poderia se esconder da sua magia demoníaca, a verdade logo seria revelada, até mesmo se a mente da pessoa tiver sido alterada.
Era agora o momento da verdade… O momento onde leria a mente da criatura, para saber o segredo que tanto queria esconder e como que sabia sua origem como demônio. E por que estava tão aterrorizada ela, mesmo tendo sido gentil e suprimido sua aura.
“É agora…” Avilia murmurou para si mesma em antecipação, vasculhando a mente do gato como se estivesse respirando.
No entanto… Assim que estava prestes a entrar, a única coisa que conseguiu ver foi um flash de luz branca antes de ser jogada para for a… E o corpo que antes estava segurando, havia sumido da sua mão.
Abrindo os olhos em choque e raiva, ela assistiu ao corpo do gatinho roxo aos poucos desaparecer e se transformar em pó branco brilhante, mesmo fazendo de tudo para interromper o processo…
“MAS QUE CARALHOOO!”