
Volume 2 - Capítulo 225
O Grande Sistema Demoníaco
Avilia acalmou sua alma, aguardando com paciência no subespaço, naquele lugar escuro e vazio da mente de Moby. Ela não podia evitar se sentir ansiosa ao pensar no que estava para acontecer e no que ela estava prestes a descobrir.
Moby tinha completado a parte dele, e agora era a vez dela.
De braços cruzados, flutuando no ar em posição de pernas cruzadas, Avilia esticou os braços esperando pela fera que invadiria seu território a qualquer momento.
E como esperado, nem um segundo depois, uma luz ofuscante surgiu e iluminou o subespaço sombrio com um magnífico brilho roxo, que consumiu tudo em seu caminho.
Uma besta saiu do brilho estelar. A sensação de seu poder e aura irradiava por cada canto do lugar, mas Avilia mal a notou devido à sua fraqueza.
A criatura era sem dúvida um gato, ou melhor, um gatinho crescido que parecia peculiarmente grande, atingindo um quarto da altura de um humano médio. Sua pelagem roxa, quase transparente, brilhava intensamente com a luz que vinha por trás. Seus olhos vermelhos eram visíveis, mesmo através das pálpebras fechadas e transparentes, com um brilho poderoso e profundo, com correntes do espaço-tempo escorrendo para fora junto com a maioria de suas articulações.
Transbordando elegância, graça e uma sutil superioridade, o filhote desceu flutuando até o solo. Sua cauda roxa brilhante abanava enquanto ele pousava no chão, coçando a cabeça com as patas traseiras antes de lamber sua pelagem.
A cena parecia quase como o que havia acontecido da primeira vez, dando-lhe flashbacks que ela imediatamente ignorou e voltou a se concentrar.
Respirando fundo, Avilia suprimiu seu poder até por volta dos 20.000.
Não queria assustá-lo e repetir o mesmo erro da outra vez. Ela se orgulha da sua lábia e nas habilidades de negociação, manipulação e conseguir informações. Tais habilidades a tiraram de enrascadas mais vezes do que podia contar, e ela seria condenada se um simples gatinho a fizesse de gato e sapato.
Avilia descruzou os braços, abaixando as mãos ao lado do corpo, e flutuou na direção do filhote, que ainda estava de costas, sem notar sua presença.
“Hmm… pelo visto temos um convidado no meu território… Como vai, estranho, é um prazer te conhecer. Passar o tempo sozinha aqui me deixa um pouco solitária, então fico feliz com a companhia.” Avilia se apresentou, tentando começar uma conversa e fazendo seu máximo para não parecer muito intimidadora.
O gato se espantou, tremendo de dentro para fora, pois não tinha ideia de quem estava em seu território sagrado e como conseguiu se aproximar sem ser descoberta. No entanto, não se importava, pois quem quer que fosse, pagaria miseravelmente por suas ações. Tinha ordens para cumprir e não podia se distrair com os caprichos de uma criança fantasma na mente do garoto que estava controlando. Essa era uma probabilidade que lhe havia sido informado.
“Tola insolente! Você está sendo muito arrogante para alguém que soa como uma garotinha! Este não é lugar para você! Como se atreve a chamar meu aposento sagrado de seu território? Você está implorando pela morte! Eu irei-“ A voz inesperadamente grave do gato foi abruptamente cortada assim que ele se virou para ver quem ele presumia ser um simples fantasma de uma garotinha.
Contudo, o que viu, era algo muito diferente do que imaginava…
Era uma mulher humanoide. Sua pele branca e clara e sua silhueta atraente não atraíram o olhar da criatura, mas sim o olhar frio e indiferente em seus olhos roxos e pupilas vermelhas, que fizeram um arrepio correr por seu corpo. Chifres cresciam de sua cabeça e suas asas estavam abertas entre suas costas e o cabelo roxo e sedoso.
Embora não sentisse nenhum poder vindo da pessoa à sua frente, alarmes de perigo ecoavam sem parar em sua mente e seu corpo inteiro o impulsionava a calar a boca e fugir. Quase como se fosse um instinto primário em sua mente, pois sabia exatamente o que estava enfrentando. O pavor era tanto, que sua pelagem sedosa murchou e seu corpo inteiro tremia, enquanto soltava um grito de terror.
*EEEK*
“DEMÔNIO! FIQUE LONGE!”
“Ahh!”
O filhote soltou outro guincho, seus olhos arregalando-se ainda mais enquanto ele instintivamente colocava o rabo na frente da boca, como se estivesse impedindo-se de falar mais. Medo e arrependimento estavam presentes naqueles olhos arregalados, percebendo que havia relevado demais…
Ao ouvir aquelas palavras e notando a pressa com que a criatura tentou esconder o que disse, fez com que a postura de Avilia mudasse, percebendo que o gato estava escondendo algo. Confiante de que a culpa não era de sua atuação, ela agora o olhava com um brilho mortal nos olhos, em vez de sua expressão casual e habitual de antes.
“O que você disse… Demônio? Explique-se agora, antes que eu mesma force a resposta de você. E marque minhas palavras, você irá sentir a pior tortura que poderia imaginar entre os Três Mundos. Esqueça tudo que saiba sobre dor, a dor que irá sentir se não me responder vai ser em outro nível.”
Avilia removeu o supressor que ela havia colocado, fazendo com que seu poder voltasse ao original, inimaginavelmente mais alto, quase que incalculável ainda sim era consideravelmente mais fraco do que em seu auge, sua aura sufocava e preenchia tudo ao seu redor enquanto ela caminhava lentamente em direção ao gatinho em sua frente, que agora estava completamente irreconhecível lutando para poder respirar, seu corpo tremia mais que o normal, sua pelagem tinha se tornado um roxo apagado em vez da sua cor profunda e exuberante habitual, e a aura obscura que rodeava todo seu corpo e cauda estavam desaparecendo, ele caiu sentado no chão, com os olhos cheios de medo e pavor, enquanto observava a ceifadora sombria da absoluta miséria caminhando lentamente em sua direção.
“EU DISSE PRA FICAR LONGEEEE!”