
Volume 2 - Capítulo 215
O Grande Sistema Demoníaco
Os dois serventes as seguiram, ficando um ou dois corredores atrás, pois conseguiram prever que o destino seria o quarto de Abby.
De vez em quando, eles tiravam algumas fotos, só de no caso Preston tentar fazer algo com a senhorita.
No entanto, não perceberam nada de errado, além de Preston andar na frente com uma boa distância dela, com as costas eretas. A boca deles nem se moviam enquanto andavam pelos corredores e não conseguiam achar nenhum sinal de algo suspeito. E por sorte, ninguém mais apareceu ou se não teriam sidos descobertos.
Não muito tempo depois, eles finalmente chegaram numa certa porta antiga e suja. Essa porta, por algum motivo, estava em péssimas condições comparadas com as do lado, e logo reconheceram que era os aposentos de Abby, que não tinha sido arrumado ou sequer limpado. Isso apenas mostrava a falta de amor que seus pais tinham por ela.
Espiando pela borda do corredor, assistiram intensamente Preston abrir a porta para ela, curvando-se antes de fechar a porta assim que Abby entrou no quarto.
Os dois homens respiraram fundo, sabiam que mesmo o quarto sendo velho, ele ainda teria um cristal de som que não permitiria nenhum som escapar do cômodo.
Agora, tudo que precisavam fazer é esperar e não sair batendo portas, já que com certeza a porta estaria trancada. Eles precisam ser pacientes e aguardar, porque Abby poderia ter vindo tomar um banho ou apenas no banheiro, para fazer os dois levaria menos de 20 minutos. Então, assumindo que ela não está constipada ou algo do tipo, se ela demorasse mais que isso, então os dois arrombariam a porta.
Enquanto esperavam em completo silêncio, com câmera em mãos e verificando a hora diversas vezes, começaram a sentir como se o tempo tivesse ficado devagar. Em suas mentes, os minutos pareciam horas e começaram a pensar se algo estava acontecendo por de trás daquela porta. Suor escorria pelos seus rostos enquanto faziam seus melhores para manter a calma e compostura, sussurrando entre si para passar o tempo e acalmar os nervos.
No entanto, não muito depois, para suas surpresas, ouviram um barulho de maçaneta mexendo, vindo da mesma porta em que Abby e Preston entraram. Parando totalmente o que estavam fazendo, encararam a maçaneta em choque e nervosismo.
Quando a porta lentamente se abriu, viram Preston saindo do quarto com seu sorriso de sempre, curvando-se para Abby que logo o seguiu.
Quando olharam a hora, viram que passou apenas três minutos, tempo insuficiente de Preston fazer algo ou tirar vantagem de Abby. E julgando pelo jeito calmo de Abby, reforçou ainda mais isso, fazendo ambos se esconderem novamente enquanto se olhavam suspirando e com sorrisos de alívios, por Abby estar bem.
Ela provavelmente só veio usar o banheiro, o que explicaria o pouco tempo passado.
Porém, lá no fundo, embora não quisessem admitir, sentiram um pouco de desapontamento. Parte deles queria muito que Preston tentasse algo contra Abby, levando-os a invadir e salvar o dia, sem dúvida virando heróis nos olhos dos Reids. Mas, infelizmente, esse não foi o caso. E, agora, tinham que se obrigar a fazer Preston parecer bem e a defendê-lo, dizendo que ele não estava presente porque fora chamado para escoltar a jovem senhorita pessoalmente.
Era uma sensação estranha, queriam sentir felicidades pela nova senhorita gentil deles, mas a maldade em seus corações sempre estariam ali.
No entanto, para eles era um sentimento já acostumados a sentir, que nem sequer sentiram e apenas continuaram com suas vidas, pensando que fazia parte de quem eles eram.
“Muito bem, senhorita, vamos regressar para a festa, seus pais devem estar a espera.”
“Sim, claro.”
As duas vozes vindo do outro lado do corredor os acordou de seus pensamentos, os fazendo correr silenciosamente para que não fossem descobertos.
Depois de andarem por alguns segundos, indo para a direção que aqueles dois com certeza não iriam, finalmente se sentiram seguros o suficiente para falar. Agora, eles estavam em um corredor sujo apenas usados pelos empregados e serventes, ninguém de status estaria ali ou desejaria sequer estar ali.
“Estou grato que a senhorita está segura, grato por saber que até um escroto como aquele sabe seu lugar. Acho que nos preocupamos por nada.”
“É, acho que tem razão, e agora vamos ser repreendidos pelo Chefe.”
“Nhe, está tudo bem, só estamos alguns minutos atrasados ao invés da meia hora que pensamos que seria. Então só usarmos alguma desculpa esfarrapada. Tudo que importa é a segurança da senhorita Abby.”
“Sim, apesar de que uma recompensa e ter colocado aquele lixo em seu devido lugar teria sido bem melhor.” Um deles disseram, fazendo ambos rirem.
“Nunca achei que a senhorita Abby fosse uma pessoa tão gentil assim. É como se ela fosse um caso aparte dentro de todos os nobres que já tive que lidar, até mesmo das famílias menores que já trabalhei.”
“Concordo, acho que valeu a pena no final, haha.”
“Sim, se tivesse sido a senhorita Emilia naquela situação, não tenho certeza se teria reagido da mesma forma.”
“Te entendo, e estou com você, cara.”
De repente, assim que essas palavras saíram de suas bocas, sentiram uma sensação esquisita no estômago, seguida de arrepios. Os corpos começaram a estremecer e suas pernas e dentes começaram a bater mais rápido que um vibrador, enquanto suor frio escorria pelos rostos.
Enquanto começavam a olhar freneticamente para a frente para tentar entender que diabos estava acontecendo, apertando o coração em agonia profunda no peito, todo o corredor escureceu. As luzes carmesins que brilhavam no teto e nas paredes foram apagadas de uma só vez, preenchendo sua visão com pura escuridão. Eles nem sequer conseguiam mais se ver, fazendo com que o pânico, o temor e a ansiedade se elevassem ao máximo, enquanto suas mentes circulavam em pensamentos.
Não tinham dúvidas, a sensação de morte pairava pelo ar… A sensação de uma intenção de matar fria e suave inundou todos os seus sentidos, dificultando até a respiração. As pernas começaram a falhar, a força do corpo se esvaiu, assim como a resistência mental e a força de vontade, e eles caíram de bunda no chão. Somente o som do tremor intenso e da respiração pesada preenchia o ar, pois nenhum dos dois encontrava forças para soltar sequer um único ruído.
De repente, o ruído sutil de uma chama suave acendendo soou nos ouvidos deles, seguido pela risadinha baixa de uma menininha, enquanto o cheiro de fogo e queimado tomava o ar.
Com os dentes tremendo incontrolavelmente, eles respiraram fundo, na mais longa inspiração de suas vidas, e reuniram toda a sua força física e mental para se virar e encarar a situação. O esforço foi tanto que a pressão nas mandíbulas, forçada pelo cerramento, chegava a criar pequenas rachaduras nos dentes.
No momento em que seus rostos de puro horror se viravam lentamente, a primeira coisa que avistaram foi uma pequena chama carmesim. Ela queimava com um calor intenso, dançando de forma monstruosa no ar.
Aquela chama relativamente pequena, acesa na mão direita da garota, era mais do que suficiente para distinguir os traços do rosto, dando-lhe uma tonalidade vermelho-demônio no rosto… A luz mostrava o sorriso de uma verdadeira aberração, com os olhos radiantes a penetrar suas almas e a boca aberta num sorriso de caçadora, como se estivesse prestes a devorá-los como uma fera.
Era o rosto frio, mas divertido, de um demônio absoluto, um semblante que eles reconheciam, mas que não conseguiam processar ao mesmo tempo. Nunca que iriam imaginar que aquela pessoa pudesse estar ali, devido ao ambiente sujo e desprezível da área restrita aos serviçais.
Eles queriam falar, ajoelhar-se para pedir perdão e implorar por suas vidas, mas, por mais que tentassem, seus corpos paralisados pelo pavor e suas mentes confusas impediam qualquer movimento. Foram forçados a manter o olhar fixo nas fendas ardentes da pessoa que os dominava. A sensação era de que, quanto mais a olhavam, mais suas forças vitais eram devoradas e roubadas, restando-lhes pouquíssima energia para se manterem despertos.
“Sabe, eu estava pegando um atalho e não pude deixar de ouvir suas palavras… Então… Garotos… Será que poderiam repetir o que acabaram de dizer? Eu posso ter ouvido errado, então só estou aqui para confirmar…”