O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 210

O Grande Sistema Demoníaco

*Ring* *Ring* *Ring*  

“Lasanha fresca com queijo extra para a Mesa 3! Os Gregories precisam disso rápido!” 

“Fonte de chocolate e Foie gras para os Rivers na Mesa 12!” 

*Ding* *Ding* *Ding* 

“O Refogado está finalmente pronto! Preciso que levem esse troço pra outro lugar pra ontem, preciso de mais espaço!” 

“Deixa comigo.” Uma voz arrogante e confiante, porém, levemente nervosa de um garoto respondeu, mas foi abafada pelos outros sons da sala. O garoto correu para pegar o refogado, trombando com vários serventes no caminho, o que fez com que todos o olhassem com ódio nos olhos, já que quase derrubaram as comidas que estavam carregando. 

“O que caralhos aquele pirralho pensa que está fazendo… Ele está indo na direção oposta da circulação… A gente praticou isso tantas vezes, porra, que mal conseguimos dormir, como que ele ainda está errando isso?” 

“É… Eu quase dei um tapa na cara dele, ele quase me fez derrubar a comida. Se eu perder meu emprego por causa dele, eu juro por deus que não respondo por minhas ações…” 

Os fracos sussurros pela sala, que deveriam ser completamente inaudíveis por causa da cozinha barulhenta e agitada, alcançaram os ouvidos do garoto, o fazendo xingar a si mesmo internamente por sua estupidez. 

Cerrando os dentes antes de respirar fundo, ele decidiu continuar forçando seu caminho através da infinita onda de serventes, pois já estava quase em seu destino. O garoto fez seu melhor para evitar todos em seu caminho enquanto escutava os cochichos agressivos dos seus colegas. 

“Obrigado!” Ele disse com um sorriso no rosto, rapidamente pegando o prato antes de ir pelo mesmo caminho até a saída enorme da cozinha cara. 

No entanto, mesmo estando indo na direção certa, ele ainda estava esbarrando nas pessoas aqui e ali, quase derrubando a comida em alguns momentos. Ele estava tendo uma certa dificuldade em acompanhar o passo e postura de todos que pareciam tão perfeitos como robôs. 

E então, assim que chegou na porta onde era mais espaçoso, ele se deu leves tapinhas nas costas internamente antes de recuperar o folego, concentrando sua visão na saída. 

“O que pensa que está fazendo novato?! Aquilo foi a cena mais horrível que vi em toda minha vida! Aqui não temos espaço para erros como aquele! Especialmente no aniversário do Mestre! Na próxima vez que fizer algo assim, vai ser a sua cabeça que estará no prato! Ouviu?!” Uma voz forte e máscula, transbordando de vigor, ecoou pela cozinha ampla e vermelha, inundada de serventes e cozinheiros que tentavam agilizar os preparativos ao máximo. Sua raiva estava direcionada no mesmo garoto alto de cabelos pretos e olhos verdes, que parecia muito estabanado, não conseguindo seguir o protocolo corretamente. Quase como se estivesse tirando uma com a cara de todos de proposito. 

“Eu sinto muito, senhor! É-É meu primeiro dia sob muita pressão e minha primeira vez numa cozinha tão cheia…” O garoto respondeu, nervoso, tentando recuperar seu equilíbrio na onda de serventes indo e vindo, com comidas deliciosas em ambas as mãos enquanto andava perfeitamente. 

“Foi por isso que treinamos! Já esqueceu de tudo, é? Você não foi ruim na orientação, então o que deu em você?!”  

“S-Sinto muito, senhor! Não acontecerá novamente! Eu só quebro sob pressão… por isso que foi tão fácil no treino.” Ele murmurou de volta, tentando achar alguma confiança para olhar para a figura demoníaca do chefe líder nos olhos.  

Com um suspiro fundo, o chefe líder dobrou as mangas do seu uniforme vermelho e, com um punho de ferro, apoiou-o tranquilamente no ombro do recém-chegado.  

“Escute bem, garoto. Eu sei que você tem o apoio do seu pai em tudo isso e sei que você trabalhou duro para conseguir a posição que está agora, mas se você não conseguir fazer as coisas direitos, eu vou ter que te demitir… Essa é sua última chance, beleza? Ah, e se você envergonhar eu e o resto da equipe, não vou hesitar em destruir a sua vida e da sua família… Fui claro?”  

O sussurro do chefe líder arrepiou o garoto por inteiro e suor começou a escorrer de seu rosto, enquanto sua mão direita tremula quase derrubou a comida que segurava.  

“Sim, senhor! Entendi completamente! Isso nunca acontecerá de novo!” O garoto gritou, endireitando as costas e tentando reforçar sua determinação.  

“Maravilha! Agora volte a trabalhar e não gaste meu tempo outra vez!” Ele disse com uma voz gentil e com um sorriso no rosto, que logo foram substituídos por uma expressão irritada e os gritos iguais de um banshee.  

Assentindo com uma expressão seria no rosto, o garoto imediatamente deu meia volta e andou confiantemente pela saída com graça no andar, com a comida ainda segura em sua mão. 

Com um suspiro longo e cansado, o chefe colocou a mão em seu rosto enrugado, limpando todo o suor acumulado da testa, que definitivamente não era apenas por causa dos fogões.   

‘Meu deus, agora deu pra contratar qualquer um é? Com idiotas assim trabalhando para mim, ainda estou impressionado que ainda tenho cabelo e ainda serem pretos… Eles vão me matar um dia desses, eu juro.” Ele pensou com os olhos fechados, logo os abrindo apenas para ver um outro problema maior.  

“Ei! O que pensa que está fazendo!?” Ele berrou, uma veia visível pulsante aparecendo em sua testa, gritando com alguém que, acidentalmente, havia derrubado uma lata de sal em uma das comidas mais caras que tinham para cozinhar naquele dia, arruinando-a por completo.  

O garoto de cabelos pretos entrou no corredor amplo e vermelho da mansão, portando-se com confiança, ignorando completamente as expressões e palavras de desprezo de muitos de seus colegas, seguindo logo atrás deles como se soubesse o que estava fazendo e para onde ia.  

‘Ahhh! Aquele lugar é um inferno! Como que as pessoas sobrevivem naquilo por mais de cinco minutos?’ Jayden pensou, lembrando da experiência horrível que teve na cozinha.  

Embora soubesse se safar de quase todos os tipos de cenários, ela ainda estava tendo dificuldades nesse ambiente ao ponto de quase ter estragado tudo.  

Olhando de fora, tudo parecia um completo caos, como se todos estivessem andando sem rumo. No entanto, ao olhar de perto, claramente dava para perceber que tudo estava extremamente organizado. Um erro de uma pessoa, poderia arruinar ritmo de todos também, tornando o ambiente estressante e tóxico.  

Na verdade, para uma pessoa de fora e que não tinha ideia do que estava fazendo, ela conseguiu se portar e se safar da situação até que bem. Ela foi extremamente sortuda por ter ganhado uma segunda chance e não ter sido demitida ali mesmo. Parte disso, é provavelmente porque a pessoa que resolveu se transformar tinha o status mais alto que a maioria dos serventes novatos.  

Isso a fez questionar se era assim que a cozinha e a equipe funcionavam em sua própria mansão e na de seus pais, já que ela nunca se dera ao trabalho de verificar a cozinha ou os aposentos dos criados, sequer uma vez, por nunca ter havido necessidade.  

Essa foi sua primeira e última vez transformando-se em servente, só iria fazer isso de novo em último caso. Ela nunca soube que os criados passavam por tantas dificuldades e que o ambiente de trabalho deles era tão tóxico.  

Isso a fez sentir uma certa simpatia por eles, ao se lembrar de todas às vezes em que os maltratou e descontou sua raiva neles por não ter mais ninguém com quem conversar. Tal atitude, sem dúvida, desmotivava e dificultava muito a vida deles, já que eram forçados a servir a uma patroa infantil, ingrata, arrogante e mimada, que os menosprezava e não reconhecia o esforço que dedicavam ao serviço.  

No entanto, Preston Hemmingwood, o criado em quem ela se disfarçou, era uma pessoa por quem ela não tinha nenhuma simpatia.  

Ao contrário da maioria dos outros criados, ele era um homem que exalava arrogância por todos os poros, um completo peso morto, vulgar, que assediava as muitas e belas criadas da Família Reid como se fossem sua propriedade. Elas permaneciam caladas e suportavam o assédio dele sem protestar. Ele era um completo escroto, alguém que, por alguma razão, fazia o sangue dela ferver de ódio, pois quase a lembrava de seu antigo eu.  

Desde que chegou à mansão Reid e observou os arredores, Jayden foi capaz de presenciar e ouvir as atitudes repugnantes dele. Sua percepção sensorial ampliada superou a longa distância, permitindo que ela o visse descarregar um caminhão na porta dos fundos com a ajuda de algumas moças que ele assediava e de homens que, calados, zombavam de seus atos sem intervir. Isso o fez o alvo ideal para o disfarce, visto que ele era exatamente o tipo de pessoa que lhe dava mais prazer eliminar: sugando a vida deles e colocando-os em seus devidos lugares.  

Esse foi o motivo do porquê ela não ficou brava ou sequer piscou quando experienciou os olhares e sussurros agressivos vindo em sua direção, porque sabia que o dono desse corpo merecia isso tudo. 

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