O Grande Sistema Demoníaco

Volume 2 - Capítulo 162

O Grande Sistema Demoníaco

Obviamente, Moby não agiu de boa com Travis por pura bondade do coração, ele apenas fazia o que o beneficiaria. Ele não da a mínima para ninguém que não faça parte do seu círculo de amigos. 

As verdadeiras intenções de Moby era manter Travis perto, numa coleira como seu cachorro leal, um peão que poderia usar para extrair informações valiosas da gangue Zexis, sem o transformar em um demônio, reduzindo a chance de fracasso e removendo um estresse enorme de no caso do garoto for descoberto ou trair ele, o que levaria sobre o seu segredo ser descoberto. 

Se eles descobrissem que Moby e ele não estavam de boa. É capaz que o garoto seja substituído, ou, pior, ser expulso da gangue por não ser útil e por gastar o tempo deles; ambas são opções que Moby não queria que acontecesse. 

Travis era alguém que ele já havia dormido por força, Moby traumatizou o garoto na prova. Ele duvida muito que o garoto o trairia, depois do que fez com ele, o que deixa ele fácil de ser manipulado e uma fonte de informações de graça. 

Se a gangue o expulsar, Moby perderia um peão importante, forçando-o gastar tempo para procurar um espião substituto, que duvidava que seria metade eficaz, já o grupo pensava que Travis e Moby eram amigos ou algo do tipo, transformando-o no perfeito mensageiro entre ambos. 

E mesmo se falasse para o novo espião fingir que eram amigos, a gangue perceberia muito rápido que seria uma armadilha ou esquema de algo. 

Mas mesmo depois de todos esses fatos, Moby não tinha nenhuma opção a não ser recusar, nem pensar que ele iria se afiliar com alguma gangue. Ele não submete a ninguém e jamais permitira ser mandado ou receber ordens desses escorias desprezíveis.  

“Sinto muito, Travis, mas tenho que recusar. Não tenho planos em me juntar a nenhuma gangue. Não é sobre você, é que só quero ser independente, sabe? Sem ressentimentos, né?” Moby disse com um sorriso largo, recusando a oferta de Travis. 

Ao ouvir a resposta de Moby, os olhos já inquietos de Travis ficaram ainda mais desconfiados, desviando-se para o chão, antes de engolir em seco.  

“Ei, garoto! Como assim você recusou? Você entende a honra que está sendo oferecido? Eu ralei muito nessa gangue por meses e apenas cheguei no rank 12, e você vem e recusa o terceiro assento? A merda do seu cérebro está funcionando ou só está sendo arrogante ao ponto de estar cego?!” Um dos caras atrás de Travis gritou, com o rosto ficando vermelho de raiva com uma veia visível pulsando na sua testa. O grito atraiu a atenção das pessoas ao redor, formando um círculo envolta dos quatro, alguns até pegaram seus celulares para gravar o que estavas sem dúvidas prestes a acontecer. 

“Garry! Acalme-se, não viemos aqui para lutar! Ele é muito forte! Você está indo contra as ordens! Se as coisas não funcionassem, deveríamos ignorar e voltar para reportar!” O outro cara disse, tentando segurar o amigo. 

“Você é um puta de um covarde é? Nós podemos facilmente derrotá-lo se nos unirmos! Você ouviu como ele recusou tão indiferente a…” O garoto bravo disse, antes de parar bruscamente no meio da frase. 

“Não tenho tempo para joguinhos agora, não consegue perceber que estou com pressa?” Moby disse, friamente, seus olhos se tornando em fendas mortais de um roxo brilhante, fortalecendo seus braços e pernas com pura energia demoníaca enquanto o tempo parecia diminuir de velocidade ao redor dele. 

Com apenas um passo, Moby desapareceu de onde estava, deixando uma pequena rachadura no chão de mármore, parecendo que ele apenas sumiu dali como um vulto nos olhos dos espectadores. No instante seguinte, o som de dois golpes pesados fora ouvido antes de Moby reaparecer logo atrás dos dois garotos bombados, que começaram a cair de cara no chão, seus olhos revirados até a cabeça, não deixando nada mais do que branco, causando a multidão de estudantes rir e comemorar. 

Mesmo que estavam distraídos, com apenas dois golpes simples, os dois garotos grande e marombeiros de rank B foram facilmente derrotados. Pelas expressões do povo, a maioria não estava surpreso, afinal de contas, eles sabiam sobre a capacidade de luta de Moby, sem contar que o nível de poder dele era mais alto que do oponente. Era apenas natural que ele ganhasse, mas, da mesma forma, foi um ótimo entretenimento que deixou muitas pessoas animadas. 

Assim que viu o que acabou de acontecer, Travis sentiu uma sensação familiar e assustadora percorrer todo o seu corpo… A atmosfera era muito familiar… Seu corpo inteiro começou a tremer de medo, mal conseguindo se mover, e seus dentes batiam incontrolavelmente. 

Travis lentamente e hesitantemente, se virou para olhar de onde esse sentimento horrível estava vindo. Ele viu o rosto de um verdadeiro demônio, um sorriso enorme nos lábios, os olhos arroxeados encarando intensamente sua alma e com uma pressão enorme emanando dele. Travis ficou com mais medo ainda e suas pernas se tornando em gelatinas, caindo de bunda no chão e fazendo seu máximo para não mijar nas calças. 

A visão desagradável do demônio diante dele fez seus pesadelos ganharem vida, revivendo-se repetidamente em sua mente, como se uma onda esmagadora de TEPT o tivesse atingido.

 

Por um segundo, ele foi completamente lembrado do porquê prometeu para si mesmo que nunca se meteria com Moby Kane, caso não quisesse que acontecesse o que aconteceu na prova novamente ou pior… 

“Ei! Travis! Quero ter uma conversa rápida com você… Me siga…” Moby disse com um enorme sorriso amigável no rosto, estendendo a mão para ajudar Travis a se levantar, seus Olhos do Pecado ainda estavam ativados, fazendo-o parecer que iria arrastá-lo para os fundos do inferno. 

No entanto, não importando o quanto estava com medo, ele tinha que aceitar. Do contrário, ele temia por sua segurança e vida, e, se morresse, como poderia arranjar dinheiro para salvar sua mãe? 

O fato por si só foi mais do que suficiente para fazer Travis fortalecer sua determinação o suficiente para seguir em frente e agarrar as mãos de Moby enquanto o puxava de volta para seus pés agora um pouco menos trêmulos. 

“Me siga.” Moby disse com um sorriso, andando para fora da multidão de alunos. Travis assentiu com a cabeça antes de segui-lo, fazendo seu máximo para parecer o mais confiante possível, causando com que todos se dispensassem e voltassem para o que estavam fazendo antes, como se nada tivesse acontecido. Ignorando os dois garotos inconscientes no chão, como se fossem obstáculos, ninguém estava a fim de chamar algum professor ou de levá-los para a enfermaria, já que não era nada da conta deles. 

O professor supervisor que estava do outro lado do refeitório conseguiria ajudá-los quando tiver a chance. 

Moby levou Travis para o fundo da escola, um lugar onde sabia que não estaria ocupado, permitindo que ambos conversassem livremente. 

Como já não estavam mais sob os olhos do público, Moby podia finalmente parar de fingir. Agora que ele implantou na cabeça de todos que ele e Travis eram amigos, Travis estaria seguro, já que a gangue iria definitivamente mantê-lo como uma ferramenta útil. No entanto, Moby sabia muito bem que seu plano poderia voltar contra si mesmo, se a gangue entender de forma errada, pensando que ele e Travis eram mais próximos do que aparentavam ser. Isso resultaria em Travis ser mantido como refém até o momento de Moby ir salvá-lo, algo que definitivamente não tinha intenção nenhum de fazer, o que acabaria com Travis sendo deixado de lado e abandonado.  

Mas, Moby estava disposto em apostar que o primeiro cenário que aconteceria, ou não iria dar em nada. 

No momento, o objetivo de principal de Moby e do porquê chamou Travis para conversar, era para tentar achar o máximo de informação possível sobre a localização de Ray e se Zexis tinha alguma coisa haver com o porquê dele não estar respondendo. 

É claro que Moby poderia simplesmente forçá-lo a permitir que ele acessasse sua mente. Porém, ele precisaria de permissão explícita dele para que fosse algo voluntário, sem contar que todo o processo levaria tempo demais. 

Em momentos assim, ele desejava ter mais pontos em mente… Um status que vem negligenciando há muito tempo, visto que não dava nenhum aumento de poder. Mais pontos em mente, permitiria que ele manipulasse e controlasse mais pessoas, algo que só estava vendo valor agora. Há mais poder do que só força bruta. Essa realização o levou a decisão de começar a investir mais no atributo mental, colocando mais pontos de status nele, acreditando que isso seria muito vantajoso no futuro. 

Por enquanto, Moby precisa confiar nos seus instintos de que Travis seria verdadeiro com ele, e mesmo se for enganado, ainda tinha uma forma para fazê-lo falar e se manter 100% leal, Moby sabia das fraquezas dele… Desde que Zexis não o ofereça uma oferta melhor, algo que duvidava que seria o caso, então estaria completamente de boa. 

E, mesmo se fosse traído ou seus planos forem descobertos, não seria de muito importância, pois não havia revelado nenhuma informação importante para o garoto. Moby só queria usar Travis pelo máximo de tempo que der, algo que sabia que não iria durar para sempre. 

“Ok, garoto, sem fingimento agora. Eu apenas agi amigável para salvar sua pele, porque você ainda tem utilidade…” 

“S-sim, senhor! Estou ciente disso!” 

“Você não me traiu, traiu?” 

“Nem em um milhão de anos!” 

“Ótimo! Agora tenho duas perguntas simples, qual informação você tem sobre Ray Gwane? A Zexis tem alguma coisa a ver com a localização dele?” 

“Sinto muito, mas não tenho a menor ideia de quem está falando…” 

Travis disse com olhos cheios de honestidade, fazendo Moby duvidar de que estava mentindo. Contudo, Moby não era idiota, sabia muito bem o quão fácil era mentir. 

“Tem certeza de que não sabe?” Moby perguntou mais uma vez, ativando seus Olhos do Pecado, olhando para Travis como um predador pronto para comer seu almoço. 

“S-Sim, t-tenho c-certeza.” Travis respondeu, com a voz tremula, recuando na parede atrás dele e fechando os olhos, para não ter que olhar a figura assustadora que é Moby. Isso o fazia relembrar da primeira vez que se conheceram, rezando para Deus que não se repita o que aconteceu antes. Travis sentiu como se tivesse perdido décadas de vida, apenas pelo medo e estresse daquele incidente. 

“Um milhão de dólares agora, se me falar alguma informação útil sobre ele. Não estou brincando…” Moby disse com confiança na voz. 

Moby sabia a fraqueza de Travis, a ambição dele: dinheiro. Dinheiro para pagar as contas do hospital da sua mãe, que tinha uma doença desconhecida. Para ele, nada era mais importante. E, de seus 16 milhões de dólares, esses um milhão seriam bem usados para manter a lealdade de Travis. Dependendo do jeito que Travis responderia, ele saberia… 

Ao ouvir as palavras ‘um milhão de dólares’, a cabeça de Travis virou uma bagunça de pensamentos. 

Um milhão de dólares era uma quantia absurda de dinheiro, e iria ser mais que o suficiente para pagar as contas do médico da mãe dele. Travis tinha a sensação de que Moby não estava brincando e estava sendo 100% serio. Do fundo do coração, ele queria muito esse dinheiro. Mas, infelizmente, para isso, ele teria que mentir para Moby sobre saber onde estava esse tal de ‘Ray Gwane’, o que era algo que não conseguiria fazer. 

Travis não era burro. Sabia que se mentisse, não acabaria muito bem para ele. Pois, assim que a mentira fosse descoberta, ele seria caçado não importando para onde iria. Sua morte já estaria selada antes mesmo de poder pagar pelas contas da sua mãe. 

Além disso, se ele mentisse agora, significaria que estava mentindo sobre a primeira pergunta e com isso, não receberia o dinheiro caso fosse só fosse um teste. 

Ou, Moby só transferiria o dinheiro depois de confirmar se era verdade, e não antes. E, Travis não estaria em posição de exigir nada. 

Por mais que recusar um milhão de dólares doesse muito, ele não tinha outra opção além de fazer isso… 

“Sinto muito, mas eu realmente não sei onde ou quem é esse tal de Ray… Nunca me atreveria a mentir para você, independentemente de quanto dinheiro estivesse em jogo…” Travis disse, tremulo, mas com a voz firme. 

“Entendi… pelo agora sei que estava sendo honesto comigo… Que tal fizermos um acordo? Te pagarei bem pelas suas informações e serviços de espionagem. Seja lá quanto Zexis te paga, eu te pagarei o dobro. O que acha? Estou contratando você, pois seria muito imoral te fazer trabalhar de graça, não? Sua mãe precisa do dinheiro, não é? Mas, apenas saiba que tenho meus jeitos de saber se estiver mentindo, e se eu descobrir, então a vida da sua mãe seria o menor dos seus problemas…” Moby disse, com um sorriso diabólico, oferecendo-o uma proposta que ele não poderia recusar, apertando ainda mais a coleira em volta do pescoço do garoto. 

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