
Volume 2 - Capítulo 161
O Grande Sistema Demoníaco
Assim que Moby saiu da arena e entrou no corredor da escola que estava lotado pelos alunos fracos, chamou imediatamente a atenção de todos, o que levou alguns recuarem de forma automática, devido ao medo. Moby suspirou fundo ao ver a cena, antes de iniciar uma corrida em um passo constante até o refeitório, fazendo certeza de que não iria trombar com ninguém no meio do caminho.
O almoço só durava por uma hora, então teria que ser rápido.
Enquanto corria pelos corredores, percebeu que os olhares não eram apenas naquela parte da escola; os olhares o seguiam por todo lugar que passava, e os alunos sempre saiam do caminho quando viam ele se aproximar, algo que já esperaria que acontecesse. O susto foi tanto que alguns chegaram a apertar o peito ao ver Moby passar correndo por eles, sem nem terem percebido sua presença antes. Só depois soltaram um suspiro aliviado e enxugaram o suor do rosto.
Contudo, dentre os olhares de terror e desconforto, havia alguns sorrisos gentis na multidão. As ações de Moby salvar o careca de Rank E de manhã já havia sido espelhado por todo canto da escola, especialmente entre os alunos mais fracos. A notícia foi uma surpresa para todo mundo, muitos pensam que foi apenas uma mentira ou que estava tramando algo. Na escola, apenas poucas pessoas são genuinamente boas, uma delas, sem dúvidas, era ninguém menos do que Alex Hart.
A ideia de Moby estar no lado deles, parecia ser uma ilusão muito boa para ser verdade. Todos pensaram que a única explicação plausível era que Moby estava manipulando todos para confiarem nele. Essa era de mais longe, a opinião mais popular.
Porém, o outro lado também existia.
Alguns acreditam que Moby fez o que fez por pura bondade no coração. Afinal de contas, ele também já havia sofrido bullying e tinha sido tratado mal por ser um Rank F, isso antes de ganhar seu Talento, o que fazia Moby simpatizar com a situação deles. Sem mencionar que Alex Hart é colega de quarto dele, que provavelmente deve ter lhe influenciado e inspirado para usar seus poderes para proteger os outros.
Esse pequeno grupo via Moby como um herói, não, messias, que veio salvá-los dos alunos de rank altos, egoístas, sedentos por poder, quase como abusadores demoníacos.
Obviamente, Moby não percebeu esses tipos de olhares, que eram muito poucos e difíceis de encontrar em meio à multidão. Em vez disso, Moby bloqueou tudo e se concentrou em chegar na cafeteria o mais rápido que podia, enquanto examinava cada pessoa baixa para ver se algum deles poderia ser Ray. Ele não tinha a menor ideia que seu plano inicial estava funcionando bem debaixo do seu nariz.
Chegando perto do refeitório, Moby viu uma parede de alunos bloqueando o caminho dele, sem nenhuma brecha para poder passar. É claro que Moby poderia muito bem escolher o caminho mais fácil e pular por cima de todos, mas Moby tinha um outro plano em mente…
No final do bloqueio, um estudante baixinho de cabelo rosa encarava um estudante muito mais alto e magro de cabelo preto. Suas mãos estavam firmemente apoiadas em um armário enquanto ele se preparava para dar um soco. Era como a cena mais clichê de intimidação possível.
Moby nem piscou duas vezes ao ver a cena, não era estranho uma pessoa bem mais alta ser intimidada por alguém que tinha metade do seu tamanho. Talvez, se fosse cem anos antes de descobrirem sobre os Talentos, isso seria extremamente bizarro, mas agora, diferença de tamanho não valia nada em frente a poder absoluto.
Moby sorriu, sabendo que poderia usar essa situação a seu favor, correndo direto na direção do valentão, sem diminuir o passo.
“Paga logo os seus $50 diários, ou vou te arrebente-“ O valentão baixinho disso, pronto para socar o garoto mais fraco em sua frene, antes de repente, sentir uma dor imensa em seu rosto, sua mandíbula completamente quebrada enquanto era lançado pelo chão, como se fosse uma bola de futebol. Vários alunos se esquivaram do corpo inconsciente, com expressões de medo, choque e admiração olhando para Moby, depois dele ter feito isso tão facilmente e indiferentemente.
[ Alerta do Sistema! ]
[ Você ganhou 2.000 XP por derrotar um inimigo de baixo Rank C ]
“Saia do meu caminho, otário! Se cuida, garoto! Tomara que ele não te incomode de novo!” Moby falou casualmente enquanto corria rapidamente pelo local, o garoto o olhando com uma mistura de choque e admiração, sem palavras para sequer agradecê-lo adequadamente.
‘Nossa, nem mesmo um obrigado… acho que estou agindo de forma errado a respeito disso.’ Moby pensou, suspirando fundo e refletindo que poderia ter feito ambos, um caminho para passar e mostrado seu “lado gentil” pra escola toda.
Moby balançou a cabeça, empurrando esses pensamentos profundos da sua mente assim que chegou no refeitório, bem mais rápido do que havia esperado que conseguiria, pois achava que seria parado ou chamado no seu caminho para cá, por sorte, esse não foi o que aconteceu.
‘Pensando nisso, desde o início da escola, essa é minha segunda vez que realmente entrei no refeitório.’ Moby pensou, olhando ao redor do lugar familiar, mas ao mesmo tempo não familiar.
O refeitório era bem grande, quase no tamanho de um campo de futebol, para poder acomodar todos os alunos do primeiro ano da escola; não parecia nem um pouco vazio, mesmo depois de muito primeiranista morrer no primeiro teste. O cômodo inteiro era quase todo branco, com um piso de mármore inexplicavelmente limpo, apesar do número enorme de estudantes que estavam lá dentro, comendo nas longas mesas metálicas. Apenas olhando para as pessoas sentadas em cada mesa, era evidente ver a divisão entre todos os alunos. A maioria dos estudantes eram divididos por suas gangues ou poder, enquanto uma pequena minoria parecia sentar-se junto por ter interesses em comuns.
Moby caminhava casualmente, observando a área e fazendo o possível para manter um perfil discreto e se misturar à multidão. Felizmente, as poucas pessoas que notaram sua presença ficaram quietas e não comentaram nada, com medo de deixá-lo bravo se fizessem um alarde sobre isso. Mas, infelizmente, ele não conseguiu encontrar nenhum sinal ou pista sobre a localização de Ray. Extremamente desapontado, Moby volta para a entrada do refeitório, para poder continuar a busca.
“E-E aí! Moby, meu velho amigo! Quanto tempo não nos falamos!” Uma voz nervosa, porém, familiar surgiu bem atrás dele.
Ao se virar para ver quem era, Moby reconheceu um rosto familiar: um garoto de altura mediana, olhos vermelhos, cabelos pretos com alguns fios brancos quase imperceptíveis. Sua pele pálida exibia leves sinais de envelhecimento, o que o fazia parecer mais velho do que era, certamente resultado do último encontro entre eles.
Não era ninguém menos do que Travis Ligmus, o único sobrevivente do seu time da primeira prova.
Logo atrás dele, estavam dois homens intimidadores, levemente peludos e com um olhar carrancudo, como se estivessem prontos para atacar a qualquer momento. Observando os relógios que usavam, Moby percebeu que eram ambos de classe B, entre média e alta, o que não o preocupou muito, já que ele estava confiante de que poderia derrotá-los mesmo com um pouco de dificuldade.
“Quem você está chamando de velho amigo? Pra começo de conversa, nós nunca fomos amigos! Se não tiver nada de importante para dizer, vaza! Estou com pressa!” Moby disse, indiferentemente, sem nem piscar os olhos.
Os dois homens ao lado de Travis levantaram as sobrancelhas surpresos, trocaram olhares e, em seguida, voltaram a atenção para ele com uma expressão feia e desconfiada. Travis soltou uma risada nervosa, mexendo nos polegares, enquanto encarava o chão com um medo e nervosismo intensos, engolindo a saliva com dificuldade enquanto gotas de suor começavam a escorrer pelo rosto.
Pelos gestos e maneirismos dos dois, Moby conseguiu deduzir o que provavelmente tinha acontecido, soltando um suspiro interno. Era bem possível que fossem membros de gangue que tinham se convencido de que ele e Travis eram próximos durante o exame ou, talvez, que Travis os tivesse convencido disso para melhorar sua relação com eles. No entanto, Moby acreditava mais na primeira hipótese, já que Travis sabia muito bem que Moby não gostava dele.
“Hahaha! Que cara é essa? É claro que estava brincando! Precisa de ajuda com alguma coisa?” Moby perguntou, sua atitude mudando completamente ao fingir que era brincadeira, o que fez Travis olhar para ele com felicidade nos olhos, diferente da sua expressão depressiva de antes.
“Hahahaha! Claro! Não iria ser você, se não brincasse assim!” Travis disse, indo na onda das palavras de Moby, fazendo os dois garotos atrás deles suavizarem as expressões.
“Bem, só vim aqui lhe oferecer a chance de entrar na melhor e mais honrada gangue de toda a escola! A Gangue Zexis! Nosso líder até escolheu você como terceiro no comando, caso entre imediatamente. E ninguém nunca foi oferecido isso antes! É uma oportunidade única! Então, o que me diz?” Travis perguntou, com grandes expectativas nos seus olhos nervosos.