A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 440

A Virtude do Demônio

Eiro folheou os livros na sua frente, finalmente um pouco mais relaxado. Agora que havia descoberto que, apesar de não ser particularmente natural ou normal, o que acontecia com o corpo de Leon era absolutamente tranquilo, e ele não acabaria ferido a longo termo. Tudo o que tinha que fazer era descobrir de qual tribo Leon era, já que a fase de maturidade costumava variar bastante dependendo da tribo dos Homens-Besta.

Isso tinha muito a ver com fato de seu ‘guardião espiritual’, o animal em que a tribo deles era baseada, ser herbívoro, carnívoro ou onívoro. Claro, como eram diferentes de animais, os Homens-besta não tinha que se preocupar em ter uma dieta unilateral.

Um Homem-Besta carnívoro conseguia comer frutas e vegetais com tranquilidade, mas ainda necessitavam de muita mais carne em sua dieta enquanto passavam pela fase de maturidade, caso contrário, poderiam adoecer.

Então, Eiro tinha que descobrir em qual dessas três categorias Leon se encaixava. Precisaria reduzir a quantidade de carne que ele ingeria ou aumentar a quantidade de carne ou manter sua dieta como estava, caso fosse de uma tribo onívoro.

Em sua mente, Eiro já havia repassado todas as informações que sabia sobre as diferentes tribos, mas, felizmente, havia outros livros aqui que ele ainda não havia lido que poderiam preencher qualquer informação que faltasse.

Em particular, o livro sobre o comportamento específico das tribos durante sua fase de maturidade foi útil, por razões óbvias. Através dele, Eiro seria capaz de descobrir a qual tribo Leon pertencia simplesmente pela forma como ele agia. Assim esperava, pelo menos.

Assim que terminou de analisar cerca de metade das informações de Homens-Besta reunidas aqui na biblioteca, ele olhou para Nelli. — Por acaso você não sabe como determinar com exatidão a qual tribo Leon pertence, certo? Algum método que você possa ter esquecido até então?

— Não, desculpa. Homens-Besta são raros por aqui, só encontrei alguns até agora. No entanto, se você tiver tempo, poderia viajar para os continentes do sul. Homens-besta são tão comuns quanto Humanos lá — comentou Nelli, e Eiro suspirou fundo.

— Eu sei, eu sei. Mas, infelizmente, não tenho tempo agora. Na verdade, talvez daqui a seis meses, quando o torneio do herói terminar, mas, até lá, não.

Hmm… Embora… — murmurou o Demônio, começando a ter uma ideia do que poderia fazer.

— Não há nenhum teste que eu possa fazer para descobrir a tribo de alguém… entretanto, o que eu posso fazer é revirar uma sepultura — comentou o Demônio, e Nelli levantou as sobrancelhas, confusa.

— O que exatamente você quer dizer?

— Pois é, como isso vai te ajudar? — questionou Sarius, tão confuso quanto a Náiade. Eiro cruzou os baços, olhando para eles.

— Sete anos atrás, quando eu conheci as crianças, eu matei o cara que foi contratado para levá-las até a capital sagrada. Eu… arranquei a pele dele, por motivos óbvios, considerando minha natureza naquela época, e simplesmente me desfiz das roupas e malas que ele carregava consigo. Sei que não havia nenhuma informação sobre as crianças na carruagem que usavam naquela época, mas talvez houvesse algo na bagagem daquele cara que pudesse me dizer mais… — comentou Eiro. — De qualquer forma, vou para aquela região em breve, dependendo do crescimento do meu grupo até lá. Parece que eles estão indo muito bem, mas teremos que ver.

— Então você não está mais surtando? — perguntou Nelli, e Eiro sorriu para ela.

— Pelo menos não tanto. Agora que eu sei que Leon ficará bem, estou muito, muito relaxado.

— Só que você vai ter que dar para Avalin muito mais doces do que queria — adicionou Gondos, e Eiro riu baixinho.

— Eu não quero dar nenhum doce para ela. Eles são ruins para ela, e farão com que ela fique super agitada, o que significa que não vou poder deixá-la sozinha. Pelo menos ela vai dormir bem depois da queda inevitável de energia que sentir — respondeu Eiro, levantando-se e se esticando. Levou o resto dos livros que estava na sua frente à prateleira e saiu da biblioteca. Sua primeira aula começaria logo, afinal.

Ao sair da biblioteca, os guardas posicionados ali ficaram claramente confusos. Eles não o viram entrar, e não era como se ele fosse o tipo de pessoa que não perceberiam, com sua aparência bastante única. Mas como Eiro tinha permissão para entrar na biblioteca sempre que quisesse, não houve nenhum problema, mesmo que, de alguma forma, tivessem esquecido da presença dele já dentro.

Eles o cumprimentaram como se nada tivesse acontecido, enquanto Eiro caminhava apela Academia de forma relaxada. Ele havia se assustado tanto mais cedo, que logo se acalmou ao perceber que não havia motivo para entrar em pânico.

O Demônio entrou na sala onde sua primeira aula aconteceria e sentou-se na mesa na frente. Levaria mais cerca de vinte minutos até que os alunos chegassem, então isso significava que poderia usar esse tempo para preencher o dicionário de Linguagem Antiga com as palavras que conseguiu decifrar noite passada.

Basicamente tinha que copiar as informações do dicionário em sua mente. Enquanto o fazia, prestou atenção em especial a algumas palavras que conseguiu descobrir. ‘Informação’, ‘Status’ e ‘Sistema’. Certamente não eram palavras que Eiro esperava encontrar, mas aqui estavam. Exibiu um leve sorriso ao ter uma ideia. Não parecia ser o tipo de magia que conseguia conjurar com qualquer um de seus elementos.

Em vez disso, era provável que precisada usar um elemento que era baseado em ‘conceitos’ e ‘conhecimento’. Precisaria usar Magia Arcana.

Especialmente já que parecia haver uma similaridade assustadora entre a composição das mensagens do sistema e a Magia Arcana. De forma alguma significava que eram a mesma coisa, mas eram próximas. A Magia Arcana estava a um passo da mana, e o que compunha as mensagens do sistema estava a mais um ou dois passos de distância. Eiro tinha certeza disso.

Isso significava que talvez pudesse criar um feitiço para acessar o sistema de outra pessoa, um feitiço que poderia usar para descobrir informações que nem mesmo a outra pessoa conhecia diretamente, se o aprimorasse o suficiente. Se tivesse sorte, poderia até descobrir um modo de aprender a qual tribo Leon pertencia.

Então, elaborou uma lista de prioridades com os tópicos que precisava testar para descobrir a qual tribo Leon pertencia.

Uma opção seria analisar as mudanças para tentar chegar à uma conclusão. Outra seria encontrar informações sobre Leon entre os itens que Eiro enterrou perto da capital do Império Sagrado. A terceira seria criar um feitiço que pudesse dizer a qual tribo ele pertencia. A quarta seria viajar para o continente no sul e comparar o cheiro de Leon com os de outros Homens-Besta. Por último, simplesmente esperar que conseguisse descobrir a verdade conforme Leon amadurecia.

Assim, como era uma das poucas coisas que podia fazer por enquanto, Eiro começou a criar o cântico em potencial e o círculo mágico para o feitiço de coleta de informações. Não demorou muito para que terminasse, e quando o fez… quis testá-lo. Levantou a mão e falou o feitiço, usando um elemento que causaria relativamente pouco dano e substituindo por ar todas as partes que definiam o elemento.

Não levou muito até que terminasse de alterar o feitiço e o cântico, e estendesse a mão enquanto começava a desenhar, proferindo-o.

Uma rajada de vento surgiu por trás de Eiro, enquanto o Demônio direcionava o vento para um dos objetos dispostos ao longo da parede. Este em particular era um vaso. Instantes depois, algo entrou na mente de Eiro, como uma informação sussurrada, transmitida a ele sem palavras. Foi semelhante a quanto uma habilidade dava informações a ele que ele não tinha como obter. Supôs que era aí que entrava o aspecto de ‘sistema’ do feitiço, nesta versão específica.

Talvez não fosse tão inútil assim, embora este feitiço só tenha dado informações sobre a aparência e materiais utilizados no vaso e em sua pintura. Ele até conseguiu ter uma ideia de qual era a idade do vaso. Podia ser uma boa ferramenta para Eiro expandir sua percepção além do que normalmente era capaz, mas só isso. Não fazia exatamente o que ele queria. Talvez nem mesmo a versão de Magia Arcana fizesse, mas valia a pena tentar. Tinha outras opções caso isso não funcionasse, afinal.

Enquanto pensava nisso, os primeiros estudantes entraram na sala. Eiro os cumprimentou e guardou suas coisas enquanto aguardava que os outros alunos chegassem. Assim, era hora de começar sua primeira aula do dia.

…

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