
Volume 4 - Capítulo 438
A Virtude do Demônio
Eiro sentou-se na cama. Conseguiu descobrir mais quatro por cento dos significados das palavras no tomo, chegando a um ponto em que conhecia um terço das palavras usadas nele.
Enquanto continuava sentado, tentando pensar por um tempo, ouviu alguém se aproximar do seu quarto.
— Entre — disse ele quando a pessoa estava prestes a bater na porta, e conseguiu ouvir um suspiro.
— Sei que bater na porta é completamente desnecessário para você, mas poderia pelo menos fingir que tem uma rotina normal? — perguntou Ariella enquanto entrava no quarto, e Eiro deu de ombros, ainda sentado na cama, com o corpo parcialmente coberto pelo cobertor.
— Claro, se é o que quer. Deixarei você bater da próxima vez — respondeu Eiro. — De qualquer forma, precisa conversar sobre alguma coisa?
Normalmente você não vem me ver essa hora do dia.
— Ah, sim… queria falar com você sobre algo. Basicamente… não é necessário que Hannah e eu continuemos vivendo aqui, é? Não tem aparecido mais nenhum Caçador de Mortos-Vivos por aqui, e quanto mais eu entendo suas habilidades, mais eu sei que, caso encontremos um inimigo que não eu não consiga derrotar, você estará lá para nos ajudar — explicou Ariella, e Eiro fechou os olhos enquanto respirava fundo.
— Se você realmente quiser ir embora, pode ir. Mas eu não tenho problemas com você ficando pelo tempo que quiserem. Temos muito espaço, afinal — comentou o Demônio. Ariella parou na frente da cama e virou levemente a cabeça para o lado para quebrar o contato visual com ele.
— Eu entendi, mas… — murmurou ela, e Eiro sorriu.
— Não se preocupe, eu entendo. Porém, pelo menos, me deixe garantir que o lugar que vocês duas ficarão é seguro, acho que posso escanear o perímetro um pouco mais rápido que você.
— Obrigada, eu agradeço muito — a Nefilim acenou a cabaça, e os dois ficaram em silêncio por um tempo, até que Ariella olhou para Eiro de forma um tanto estranha. — Você não vai sair da cama?
— Claro, mas desde que você me disse que eu não deveria andar nu enquanto você está aqui, achei melhor não fazer isso por enquanto — respondeu Eiro, e Ariella ergue as sobrancelhas.
— O-Oh, então você está… Certo, vou te deixar em paz então…
Ariella rapidamente saiu correndo do quarto, e Eiro jogou o cobertor para o lado, saiu da cama e foi até o armário, pegando algumas roupas limpas.
Depois de se vestir, saiu do quarto e desceu as escadas, onde as crianças já estavam reunidas, sentadas, aguardando para irem à Academia.
Olhou para elas com um sorriso no rosto.
— Vocês já tomaram café da manhã? — perguntou, e as criança se viraram para ele e assentiram. Embora parecessem um pouco preocupados com alguma coisa.
— Sim, mas…. O que aconteceu noite passada? Avalin procurou você pela casa toda, mas não conseguiu te encontrar… Eu tive que contar uma história para que ela conseguisse dormir — explicou Sammy a Eiro, que olhou para sua filha e coçou o pescoço.
— Sobre isso… Foi um pequeno contratempo no meu treinamento, não acontecerá de novo, não se preocupe — explicou a elas, antes de notar um dos monstros servos limpando a mesa onde as crianças provavelmente haviam sentado para comer mais cedo. — Erm, na opinião de vocês, os monstros estão fazendo um bom trabalho?
— O quê? Por que você está mudando de assunto, pai? — riu Arc. — Quero dizer, eles estão bem, mas estávamos falando sobre como nós não vimos você o dia todo depois que as aulas acabaram. Estávamos preocupados, até que Bavet nos disse onde você estava — comentou Arc, e Eiro olhou para ele com um leve suspiro.
— Sinto muito. Como eu disse, não acontecerá de novo. Foi algo bastante imprevisível, já que eu estava trabalhando com Magia Arcana. Ela funciona de forma muito diferente dos outros tipos de magias, então o efeito que teve na minha mente na câmara de infusão também foi bastante inesperado. Para mim, se passou apenas um segundo, mas algumas horas se passaram. Então, não vou usar a câmara de infusão dessa forma tão cedo, então esse tipo de coisa não acontecerá. Mas prometo falar com todos vocês sempre que eu chegar em casa, ontem foi um pouco… difícil para mim, no geral — Eiro desculpou-se com as crianças, que se entreolharam lentamente. Elas entediam que ele falava sério, embora isso ainda não tenha resolvido uma das questões que haviam feito.
— Acho que todos nós aceitamos suas desculpas, mas não somos os únicos com quem você tem que se desculpar. Estamos acostumados com você sumindo às vezes — comentou Rudy, olhando para o pai. O Demônio acenou a cabeça enquanto respondia.
— Também vou me desculpar com Avalin. Porém, por enquanto, todos vocês se preparam para irem para a Academia enquanto eu lado isso. Rudy, lembre-se que hoje você tem que entregar seu projeto — disse o Demônio enquanto se virava lentamente, e Rudy suspirou baixinho enquanto os quatro se levantavam de seus sofás.
—
— Não! — gritou Avalin, com Eiro parado na frente do quarto dela. — Eu não quero mais te ver!
Ele olhou para a superfície de madeira na sua frente. Podia sentir Avalin do outro lado da porta, batendo o pé no chão com bufos de raiva. Eiro esfregou a ponte do nariz, um pouco preocupado, enquanto tentava de novo.
— Avalin, me desculpa, mas foi um acidente. Eu prometo que não vai acontecer de novo — Eiro tentou reassegurar a garota do outro lado da porta, enquanto Leon aproveitava para dormir mais. Ele se virou algumas vezes já que Avalin estava o incomodando, mas esse não era exatamente o maior problema que Eiro estava enfrentando agora.
Em vez disso, ele percebeu que o sorriso de Avalin parecia ter aumentado um pouco do outro lado do quarto, como se tivesse ficado animada com algo.
— Eu vou… te perdoar se você me trouxer… — murmurou Avalin, Eiro já sabia onde ela queria chegar com isso.
— Oh não… — murmurou nervoso o Demônio, enquanto a garotinha continuava dizendo ao pai as condições para perdoá-lo.
— Se você me trouxer o máximo de doce que eu conseguir comer! — exclamou ela, e Eiro soltou um gemido profundo, mas silencioso.
— Tudo bem, mas só se você me prometer não reclamar quando se sentir mal depois. Tudo bem? — respondeu Eiro, e Avalin cruzou os braços.
— Eu não prometo nada!
— Avalin…
— Nada!
Eiro fechou os olhos enquanto respirava fundo.
—Tudo bem. Você pode comer quantos doces quiser, e eu até deixo você reclamar se sentir mal. Tudo bem? Vai abrir a porta agora?
— Okay! — exclamou Avalin com um grande sorriso no rosto enquanto abria a porta. Eiro entrou e se ajoelhou na frente dela para ficar na mesma altura da garota.
— Eu trago os doces mais tarde. Por agora, deixe-me desculpar de novo. Eu… — disse Eiro, mas, naquele momento, notou uma coisa. Virou a cabeça na direção de Leon. Não havia percebido até então, pois vinha praticando para não ficar focando intensamente nas outras pessoas, especialmente depois que Ariella disse que isso era bastante inapropriado, então não tinha percebido até fosse óbvio.
Eiro levantou-se com um pulo e caminhou até Leon, puxando o cobertor de cima dele.
— H-Huh? O que foi…? — perguntou Leon cansado e, sem hesitar, o Demônio o encarou profundamente.
— Seu cheiro está diferente… — comentou o Demônio. — Por que o seu cheiro está diferente…?
— Meu cheiro? Mas eu tomo banho todo dia… — murmurou Leon, levantando-se devagar, e Eiro imediatamente segurou a cabeça do menino. Ele podia sentir o fluxo sanguíneo se intensificando em certas partes. O Diabrete encarou fundo os olhos de Leon e percebeu uma pequena mudança.
— Seus olhos estão mudando… a cor deles, pelo menos… — disse em voz alta. Os olhos de Leon sempre foram escudos, praticamente tão negros quanto seus cabelos. Mas agora, era diferente. Eles estavam brilhando um pouco. O cabelo de Leon também, começou a crescer muito mais rápido do que antes, e não só estava mais comprido, também estava muito mais grosso que o normal.
Eiro levantou o corpo do garotinho e o virou. Pressionando levemente o centro das costas dele, enviou um leve pulso de mana para que tentasse entender todas as mudanças ocorrendo no corpo do seu filho.
— Uma concentração de mana e fluxo sanguíneo na parte inferior da coluna dele… É semelhante ao que ocorreu comigo… Leon, está crescendo uma cauda em você — disse o Demônio, um tanto confuso. Mudanças dentro do corpo de um Homem-Besta só deveriam acontecer na puberdade. Então, por que estava acontecendo com esse garoto de oito anos?
…
Nota da Equipe
{{LoresB: Será que finalmente saberemos mais sobre a raça/linhagem de Leon?}}