A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 419

A Virtude do Demônio

— Não, acho que não. Faz décadas desde que falo com ele — Armodeus respondeu. Eiro suspirou fundo, bastante desapontado por não ser capaz de encontrar o homem com tanta facilidade, quando lembrou de outra coisa.

— Armodeus… quantos anos você tem mesmo? — perguntou o Demônio e o Anão Ancião cruzou os braços.

 Perto dos trezentos. Parei de contar, mas por quê, rapaz?

— Bem, por acaso o nome desse ‘garoto’ é Merlin? — assim que Eiro mencionou esse nome, Armodeus levantou as sobrancelhas.

— Sim, rapaz! Era esse! Como você sabia?

— Porque esse “garoto” agora é um velho que trabalha para a Academia. Ele é o líder dos departamentos de magia — explicou Eiro. — Isso não pode ser mais considerado uma coincidência, pode?

— Não tenho certeza se isso é apenas uma coincidência. Ele é bastante obcecado com magia, então faz sentido que busque um lugar como a Academia, que é um ponto de encontro para todos os tipos de magias — comentou Armodeus. Eiro assentiu a cabeça com um sorriso.

— Bem, mais importante, eu tenho acesso a alguém que estudou o arcano.

Após isso, os dois continuaram conversando mais um pouco sobre Merlin, para que Eiro pudesse mostrar a ele que conhecia este Anão Ancião. Se Eiro conhecesse um velho amigo dele, então talvez ele estivesse mais disposto a discutir sobre tópicos incomuns. Embora, pelo que saiba sobre o velho, ele parecia feliz de falar sobre magia com qualquer um que quisesse ouvir. Isso o tornava um excelente professor na escola, pelo menos na opinião de Eiro.

Logo, Armodeus saiu da sala e voltou para sua oficina para começar os preparativos para as dúzias de artefatos artificiais que teria que fazer. Eiro terminou seu chá e depois saiu da mansão, onde já podia ver algumas pessoas treinando juntas. James, Krog e Ariella. Isso era perfeito, Eiro tinha que falar um pouco com ela de qualquer forma. Aproximou-se da Nefilim, que parou de treinar ao ver que o Demônio se aproximava dela.

— Parabéns. Ouvi dizer que você teve sucesso ontem à noite e ainda ganhou uma bela recompensa por isso — disse Ariella com um sorriso e Eiro acenou a cabeça.

— Sim, isso é verdade. Ainda não é meu nome oficial, mas você está olhando para Eiro Jura Daemonherz agora.

— Um demônio nobre, hein? Bem, tecnicamente você já é um, mas isso não vem ao caso — comentou a Nefilim. — Então… você quer transformar Hannah em <A Morte>?

— Sobre isso… não sei se eu quero mais. Especialmente porque ela é apenas uma criança. Ela tem uma alta chance de ter sucesso porque Hannah é uma boa combinação com a Carta, mas, ao mesmo tempo, ainda é… as habilidades que vêm com a carta podem ser perigosas para uma criança. Se ela continuar subindo de nível, talvez evolua algumas vezes… se sua maturidade e inteligência aumentarem e ela ainda quiser ser <A Morte> nesse ponto, eu a apoiarei com prazer, mas, por ora… é mais provável que isso a transforme da garota que é agora em outra pessoa.

Ariella ouviu a explicação de Eiro. Ele contou sobre as habilidades que <A Morte> possuía e quais partes delas eram por conta da Carta em si. Por agora, era muito arriscado entregá-la para ela, embora Eiro ainda se certificaria de manter a Carta segura de algum modo.

Eles até explicaram a situação para a própria Hannah. Como ela não estava muito animada com a ideia em primeiro lugar, não se importou, embora, durante a última semana, a ideia parecesse lhe agradar mais, conforme observava a forma como Eiro agia ao redor dos outros. Ele era um monstro, mas ainda agia com gentileza com as pessoas ao seu redor. Então, ela acabou escolhendo aceitar a sugestão de Eiro; se algum dia quisesse se tornar <A Morte> no futuro, Eiro lhe entregaria a carta.

Até lá, Eiro teve uma ideia. Usou seu conhecimento básico em artes de selamento e começou a meditar. Visualizou outro cômodo dentro de si. Não a livraria, mas a Tesouraria desta vez. Eiro viu as prateleiras com livros, mesas com objetos diversos. Pequenos objetos aleatórios que quase esqueceu. Com o tempo, a quantidade de coisas que conseguia manter dentro de si aumentou muito.

Então, caminhou até a parede no outro lado do cômodo, passou os dedos por ela e, assim que o fez, cortes apareceram na parede, depois desapareceram. Eiro passou os dedos pelo espaço vazio ao longo da parede, criando um certo padrão, como se desenhasse um círculo mágico. Era um espaço cúbico, grande o suficiente para conter apenas alguns objetos pequenos. Quando terminou, a visualização do que acabou de criar apareceu. Um cofre seguro. A porta se abriu devagar e Eiro pegou a carta <A Morte> da mesa, colocando-a no cofre. Fechou a porta, puxando a maçaneta para garantir que não abrisse com tanta facilidade.

Mas, assim que a porta do cofre se fechou, ele parou de sentir a ‘rejeição’ dentro dele, vinda daquela carta. Ao mesmo tempo, ainda conseguia abrir o cofre com algumas imagens complexas em sua mente, como uma combinação que ninguém seria capaz de copiar, já que apenas a mente inesquecível de Eiro seria capaz de lembrar de sua natureza complexa. Assim, deveria ser capaz de abrir o cofre e pegar a carta sempre que quisesse, mas ela não poderia ser ‘roubada’ dele e muito provavelmente não desapareceria. Talvez assim que ganhasse um certo nível de poder, também devesse tentar colecionar todas as Cartas do Arcano Maior… e entregá-las apenas para monstros em quem confiasse que não faria coisas horríveis com elas.

Entretanto, por ora, isso era suficiente. Eiro abriu os olhos, deixando sua Tesouraria e levantando-se do chão. Olhou para Hannah e sorriu.

— Não se preocupe, como eu disse, quando você estiver pronta, pode me pedir.

A jovem acenou a cabeça em resposta, e Eiro se virou para olhar para os dois membros do seu grupo praticando.

— Agora, precisa verificar outra pessoa também — disse o Demônio.

Junto com Hannah, Eiro entrou. Enquanto a garota ficava na sala de estar com Clementine e Sammy, Eiro pulou por uma das passagens secretas e logo se encontrou na biblioteca. Ali, pôde ver Jess sentada no chão, com uma montanha de livros a cercando.

A velocidade com que ela lia aumentou, e Eiro já se certificou várias vezes de que ela estava absorvendo a informação em vez de apenas olhar para as páginas sem ler as palavras. Isso mostrava que os valores dos status dela estavam aumentando e Eiro ficou animado por ver isso.

Pegou uma das garrafas de água que mantinha aqui para Jess e a entregou para ela.

— Vamos lá, faça uma pausa — disse o Demônio. A mulher levantou a cabeça e, como se em transe, olhou para Eiro. Quando ele entregou a garrafa para Jess, ela bebeu rápido e depois a colocou ao lado.

— Obrigada… — respondeu ela e Eiro levantou as sobrancelhas, surpreso.

Parecia que ela estava conseguindo reagir normal de novo. Assim que a cabeça de Jess retornasse ao normal, graças ao aumento em seus atributos, isso significaria que ela havia evoluído muito e poderia continuar se aprimorando. A mesma situação valia para os outros, assim que chegassem ao nível que estavam antes do treinamento começar, então essa era uma prova direta da melhoria deles. Eles continuariam treinado para se aprimorar ainda mais e, quando atingissem um certo nível de aprimoramento, Eiro os levaria para caçar de novo.

Devido à pressão que suas áreas que mais precisavam de melhoria sofriam, ao subirem de nível, esses atributos específicos aumentariam mais, em especial porque todos tinham classes que favoreciam muito o crescimento nessa direção. Antes que eles começassem seu treinamento, o Demônio se certificou de que escolhessem classes de alto nível pela primeira vez, para que os acréscimos em seus atributos fossem maiores de qualquer forma.

De qualquer forma, lenta mas constantemente, esses três se tornavam cada vez mais fortes. Talvez alcançassem Eiro muito em breve, ou nunca, considerando a taxa de melhoria do Demônio, mas estava tudo bem. Nenhum deles relembrem se importava em ser ‘o mais forte’, eles só se importavam em ter força suficiente, força para fazer aquilo que os motivou a virarem aventureiros em primeiro lugar, para viver, para proteger aqueles ao redor deles ou encontrar a felicidade. E com a ideia de aprimorar seus poderes, Eiro abriu seu status. Olhou para o número de pontos de atributos que tinha disponível e não pôde deixar de sorrir.

Neste momento, para Eiro, também era hora de uma pequena atualização.

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