A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 370

A Virtude do Demônio

— Você se recorda de que sou centena de anos mais velho que você, não é, criança? — Lognir perguntou enquanto olhava para o Demônio na sua frente. Eiro deu de ombros em resposta.

— Ei, se não quer me ajudar, então tudo bem, mas é melhor perguntar e ser negado do que não tentar, embora de qualquer forma você fosse ajudar — Eiro comentou sem pestanejar.

Lognir cruzou os braços com um aceno lento.

— Isso é de fato verdade. Irei ajudá-lo, mas gostaria de saber o motivo por trás disso. Por que você quer espalhar rumores sobre um necromante poderoso estar preso aqui?

Eiro encarou o Dragão e sorriu.

— Porque eu quero atrair outro necromante para cá.

— Mas isso não atrairia os necromantes até aqui, como também aqueles de natureza sagrada. Clérigos do domínio da vida e necromantes são inimigos naturais — Lognir apontou. — E não é por acaso.

— Sei disso, mas não é como se um clérigo de segunda categoria fosse capaz de fazer algo contra a Rainha dos Mortos-Vivos — Eiro explicou e Lognir estreitou as sobrancelhas.

— Você deseja chamar essa criança até aqui? Está com vontade de morrer?

— Não exatamente. Só preciso da ajuda dela para uma coisa, isso é tudo, além disso, ela é uma amiga de Armodeus e meu falecido mestre, então acho que conseguirei falar um pouco com ela, mas estou surpreso. Você a conheceu pessoalmente?

— Não, mas essa criança criou muitos problemas com os quais tive que lidar no passado — Lognir explicou. — Mas, como quiser, vou te ajudar desta vez, mas, em retribuição, você deve alguns favores para mim. Os retribuía quando se tornava o Rei dos Monstros.

Eiro riu e acenou a cabeça.

— Claro, farei qualquer coisa que quiser. Ainda assim, obrigado pela ajuda, Lognir. Realmente aprecio isso.

— Não seja tão emotivo, criança. Já disse que vou te ajudar — com isso, o corpo de Lognir se transformou de volta para sua forma original e levantou-se do chão, criando fortes ventos ao seu redor. — Voltarei depois de espalhar rumores por algumas cidades próximas. Por favor, ajude Solomon enquanto eu estiver longe.

— Claro, esse era o plano de qualquer forma — o Demônio acenou para Lognir e o observou desaparecer à distância, então se virou para cuidar de Jess por enquanto. Tinham que descobrir quais assuntos Jess precisava aprender. Agora era hora de ensiná-la.

Após alguns dias, surpreendente, James, Jess e Krog já haviam feito bastante progresso. Aqueles em que era mais visível eram James e Krog. A constituição física bruta de Krog melhorou e a vida do Elfo da Luz havia aumentado em cerca de 30 pontos.

À medida que a sabedoria bruta de Jess aumentava, sua mana também aumentava em cerca de uma dúzia de pontos. No geral, era um número pequeno, mas havia um progresso claro a ser observado.

Agora que os três haviam se acostumado ao novo treinamento, Eiro poderia deixá-los praticar sozinhos e poderia resolver outros assuntos, o que era necessário. Era o primeiro dia de aula de verdade das crianças, afinal.

— Vocês dois, escutem a simpática moça, tudo bem? — Eiro perguntou, com um sorriso no rosto, falando com Leon e Avalin. Com a ajuda de Bavet, já havia se transformado em sua versão humana para que pudesse falar com a empregada que havia contratado por meio da ajuda de Solomon.

Foi ela quem cuidou dos dois quando eles moraram por uma semana no castelo, então já a conheciam e Eiro poderia deixá-los aos cuidados dela sem problemas. Claro, se algo acontecesse, Jess, James e Krog também estariam aqui para intervir.

— Pai, vamos lá — Arc resmungou alto enquanto as crianças esperavam perto da porta e o Diabrete virou a cabeça e assentiu.

— Só um segundo — Eiro respondeu. Abraçou rapidamente seus dois filhos mais novos e saiu pela porta. A carruagem que utilizariam já estava preparada na frente da mansão. Eiro e os outros se sentaram, mas o Demônio acenou para Leon e Avalin mais uma vez enquanto eles continuavam parados na porta, tristes por Eiro estar saindo.

Mas a viagem em si foi bastante normal. Eiro teria preferido voar até lá, mas, como era o primeiro dia de aula, haveria muito mais foco em como as pessoas se apresentavam do que mais tarde no semestre. Então, por ora, ele tinha que se apresentar da maneira que os nobres espectadores gostariam, fingindo ser um nobre.

— Qual é a primeira turma que você irá ensinar? — Sammy perguntou, curiosa. Eiro pensou por um instante e recordou do seu cronograma.

 Hoje, ainda não darei nenhuma aula, só amanhã. Por agora, devo participar de algumas aulas que outros professores darão. Ouvir falar que as aulas para iniciantes, intermediários e avançados são misturadas.

— Eu também escutei isso. Para que iniciantes e intermediários possam aprender com estudantes avançados — Rudy adicionou e Eiro acenou a cabeça.

— Tentarei assistir à aula de vocês, mas só sou responsável pela de Arc e Clementine.

Rudy, Sammy e Felix compreendiam a situação, claro. Principalmente Rudy e Sammy ficaram com um pouco de ciúmes, mas, no fim, ficariam bem.

Logo, os seis chegaram ao castelo e a porta foi aberta por um membro do corpo docente da academia. Não um professor, mas uma das pessoas que cuidavam do prédio em si.

Eiro permitiu que as crianças saíssem primeiro e depois também saiu. Ele vestia um terno formal que Solomon preparou. Era a primeira vez que vestia algo do tipo, mas era muito incomum para ele.

— Você não disse para Solomon que posso mudar sua armadura para fazer com que pareça um terno? Por que teve que vestir isso? — Bavet questionou, sussurrando na orelha de Eiro. O Demônio olhou para frente e falou com Nelli, para que ela pudesse responder por ele. Havia muitas pessoas olhando para ele, mesmo que pudesse falar em voz alta.

— É simples — a Náiade disse. — Porque Solomon já tinha o terno pronto naquela época e, aparente, porque há algumas funções especiais adicionadas ao próprio terno.

Bavet resmungou para si, o que era uma sensação muito estranha para Eiro, mas o Diabrete foi capaz de ignorar enquanto prosseguia. Eles passaram pelas grandes portas para entrar na escola e tiveram que se separar.

— Todos vocês vão para suas turmas. Tenho que encontrar com o primeiro professor que acompanharei na sala dos professores — Eiro disse e as crianças fizeram como pedido. Só Felix tinha que segui-lo.

Como Felix era surdo, ele teria aulas especiais com um membro especial do corpo docente, o qual também teria que encontrar na sala dos professores hoje.

Eiro virou a cabeça em direção ao jovem e começou a falar com ele, claro, utilizando linguagem de sinais.

{Você está nervoso?}

{Nervoso? Um pouco.} Felix respondeu com um sorriso irônico. {Quero dizer, nunca frequentei uma escola antes. Vou me destacar como um polegar machucado, não vou?}

Eiro olhou ao redor, notando que algumas estudantes femininas olhavam para o jovem ao seu lado com curiosidade.

{Eu também acho, apesar de que é provável que por um motivo diferente do que você acha.} Eiro riu.

{Não se preocupe, você será capaz de se encontrar com os outros durante os intervalos e eu me certificarei de que ninguém possa te intimidar.} Eiro sorriu. {Você é basicamente minha família, afinal. Como outro filho, ou um genro, para ser mais específico.}

Felix parou de caminhar e encarou Eiro com olhos arregalados. Enquanto respondia, suas mãos tremiam nervosa.

— Não sei do que você está falando.

{Claro que não. Não se preocupe, eu confio em você. Sei que você cuidará de Sammy. Só… você sabe, mantenha suas mãos longe dela até que ela esteja pronta.}

{P-Poderíamos não ter essa conversa em público?}

{Oh, por que muita gente aqui sabe linguagem de sinais?} Eiro riu enquanto ele e Felix entravam na sala dos professores. Os professores que já estavam reunidos aqui começaram a encarar os dois, já que ambos eram desconhecidos.

Entretanto, como Felix já havia conhecido seu professor particular antes, rapidamente se aproximou e o cumprimentou.

— E você é Eiro, eu presumo? — alguém caminhou até Eiro de trás dele e o Demônio se virou com um aceno. Este homem vestia um terno formal, mas também tinha um broche com as mesmas cores que a divisão de combate físico da escola.

— Você seria Kristoph Garling? — Eiro perguntou e o homem na sua frente acenou a cabeça, surpreso.

— De fato sou. Por favor, me chame de Kristoph.

— Não se importe se eu aceitar sua proposta.

Com um sorriso, Kristoph acenou com a mão em direção à porta.

— Acho que seria uma boa ideia mostrar os arredores para você antes das aulas comecem. Vou mostrar a área da divisão de combate por enquanto. Não temos tempo suficiente para um tour completo, afinal.

— Obrigado, isso seria muito apreciado — Eiro respondeu e seguiu Kristoph para fora da sala. Ficou feliz que esse homem era tão aberto. O Diabrete também não conseguia sentir nada sobre ele, então aparentava ser um homem legal. Alguns dos outros naquela sala não teriam sido tão legais.

— Primeiro, qual é o seu estilo de combate preferido? — Kristoph perguntou e Eiro respondeu.

— Eu tenho um estilo meio ‘ladino’, acho que se pode dizer. Meu estilo de combate principal é o combate rápido com duas adagas, mas uso tudo o que posso em uma luta. Magia, o ambiente, truques, qualquer coisa. Receio não saber o nome específico do meu estilo de combate com adaga, entretanto, também não sei como se chama meu estilo de combate corpo a corpo. Meu professor era bastante reservado sobre isso, por algum motivo — Eiro explicou e Kristoph levantou as sobrancelhas, curioso.

— Oh, você não conhece os nomes, hein? Bem, isso me deixa com ainda mais curiosidade. Se importaria de ter um breve sparring para os estudantes mais tarde? É quase uma tradição exibir esse tipo de coisa no primeiro dia de aula.

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