
Volume 4 - Capítulo 367
A Virtude do Demônio
— Do que você está falando? — Eiro perguntou com um sorriso irônico e Nelli cruzou os braços enquanto olhava para o Demônio com suspeita. — De jeito nenhum. Só estou curioso sobre ela.
A Nefilim, na frente de Eiro, o encarou um pouco confusa. Ela não conseguia ver Nelli, afinal. Eiro soltou um suspiro profundo e estalou os dedos, fazendo a Náiade aparecer na frente deles.
— Eu estava falando com ela, não comigo mesmo. Não sou tão louco.
— Isso aí, ele está mais para um maníaco assassino — Sarius também apareceu ao lado deles, enquanto Gondos se revelava. Eiro encarou a Salamandra, mas não pôde negar o que disse.
— De qualquer forma… — o Diabrete começou —, não parece que você possui intenções hostis contra mim e é uma das criaturas mais fortes, além dos Nobres, que já encontrei.
A Nefilim deu um passo para trás quando o escutou mencionar os Nobres. Ele disse que havia encontrado e sobrevivido a eles? Claro, Eiro parecia forte, mas não forte o suficiente para isso.
— O que exatamente você é?
— Hm, não acho que você precise se preocupar com isso. Apenas saiba que não tentarei lutar com você, contanto que não tente lutar comigo — Eiro explicou. Parecia que a Nefilim ficou muito aliviada com isso. Ela tentava não demonstrar, mas ele percebeu de qualquer forma.
Ele não sabia por que ela estava tão nervosa. Pelo que conseguia dizer, eles estariam equilibrados se lutassem com tudo. Como havia dito, essa Nefilim era a criatura mais forte além dos Nobres que encontrou nos últimos anos.
— Mas, além disso… — Eiro começou —, que tal, em vez de um tratado de não agressão, nos aliarmos?
— Uma aliança? — a mulher questionou e Eiro acenou a cabeça.
— Sim, aliança. Nos ajudarmos. Você me ajuda a concluir meu objetivo atual e eu ajudo você a alcançar o seu.
— Depende. Qual é o seu objetivo atual? — a Nefilim perguntou. Eiro sorriu de volta para ela e respondeu sem hesitar.
— Quero assumir essa organização. Assim que isso acontecer, receberei um influxo considerável de informações a partir do sistema que eles construíram, o que ajudará a encontrarmos quem você está procurando.
— Sério? Realmente acha que é possível encontrar a Sacerdotisa Sagrada após dominar essa organização? Sou a Letra C, o que significa que consigo quase todas as informações que eles têm a oferecer. Não acho que tenham alguma pista da localização dela ou até do seu sequestrador.
Eiro o encarou por alguns segundos em silêncio.
— Você está procurando pela Sacerdotisa Sagrada?
— Sim, estou. Espero que ela consiga me ajudar. Há um inimigo que preciso matar e, embora minha própria Energia Sagrada possa feri-lo, também estou em desvantagem. A Sacerdotisa Sagrada não tem essa desvantagem. A única razão para ela existir é derrotar criaturas como ele — a Nefilim explicou. Eiro se virou devagar e se aproximou de uma das cadeiras próximas. Sentou-se ali e olhou para o chão enquanto soltava um resmungo profundo.
— Qual o seu nome? — Eiro perguntou baixinho e a Nefilim olhou surpresa para ele.
— Ariella. E você?
— Eiro. Certo, Ariella, deixe-me adivinhar. O inimigo que você quer derrotar é <O Diabo> — o Demônio suspirou e Ariella acenou a cabeça, bastante surpresa.
— Sim, exato… Não achei que isso estivesse tão claro.
— Não, está mais do que claro. Agora, também sei qual era a vibe estranha que senti de você. E não, não quero dizer o seu artefato, é um item fraco utilizado para disfarçá-la como uma pessoa; não estou interessado, tenho meus próprios meios para isso. O que quero dizer é a maldita marca que você recebeu de <O Diabo>.
— Mas como você — Ariella o encarou e Eiro levantou a cabeça.
— Você não percebeu que eu também tenho uma conexão com <O Diabo>? Ou minha natureza profana está atrapalhando seus sentidos?
— Acho que você está esquecendo que a sua percepção é a melhor que existe — Nelli comentou, tentando lembrá-lo, já que as palavras dele foram bastante severas.
— Certo. Certo, para esclarecer: não irei te ajudar a encontrar a Sacerdotisa Sagrada, não importa o que aconteça. Entretanto, irei-
— Então não há a necessidade para aquela ‘aliança’, há?
— Deixe-me terminar — Eiro respondeu após ser interrompido de forma súbita pela Nefilim. — Por coincidência, seu objetivo também se alinha com um dos meus objetivos futuros. Também quero matar <O Diabo>.
—
Eiro saiu do subterrâneo do quartel-general da organização e olhou para a etiqueta em sua mão. Agora exibia a Letra D. Havia tido um duelo falso com Ariella e a derrotou, elevando um pouco o seu rank, mas ainda não o suficiente para superá-la. Pelo menos por ora.
Mas não era isso que importava; como a quarta pessoa de mais alto rank dentro da organização, Eiro estava bem próximo do seu objetivo. Parecia que, assim que você entrasse no top cinco, receberia permissão para falar com o ‘líder’ da organização.
Eiro utilizaria esse direito para contatar o líder e depois tentaria matá-lo de algum modo. Conseguiu formar algo como uma aliança com Ariella, então ficou feliz com isso.
— Oh? Com o que está sorrindo? — Nelli perguntou com um sorriso no rosto. Eiro virou a cabeça na direção dela com o que era um rugido saindo de sua boca.
— Não estou ‘apaixonado’ por ela. Só estou um pouco curioso, só isso.
— Oh, por favor, você teria matado qualquer outra pessoa se tivessem dito que queriam encontrar Avalin!
— Sim, mas posso usar a ajuda dela para matar <O Diabo>, sabe disso! — Eiro comentou e Nelli cruzou devagar os braços.
— Não é como se fosse tentar lutar com ele antes de você mesmo se tornar um Nobre. Neste ponto, nós dois sabemos que você teria chances contra <O Diabo>. Ele é um estrategista, não um lutador. Você é ambos.
Eiro não queria admitir, mas Nelli estava certa. Ele não tinha ideia do porquê queria manter Ariella por perto, mas algo como uma ‘paixão’ ser o motivo soava insano. Por agora, o Demônio decidiu começar a espalhar as cartas com rumores sobre um necromante forte com habilidades únicas que fabricou para atrair a curiosidade da ‘Rainha dos Mortos-Vivos’.
Havia muito acontecendo atualmente. Parecia que alguns dos eventos que Eiro queria que acontecessem acabariam se sobrepondo quando acontecessem. Bem, antes disso, ainda tinha tempo para fazer o que quisesse.
Eiro caminhou pela cidade até encontrar um bom lugar de onde pudesse voar e voltar para casa.
Pousou dentro do seu próprio escritório e depois saiu dele. James estava por perto, imaginando que Eiro voltaria em breve.
— Algo errado? — o Diabrete perguntou enquanto retirava sua capa e máscara e James encarou os olhos de Eiro.
— Nós somos inúteis.
— … meio severo, não acha? — o Demônio suspirou. — Vocês são muito úteis.
— Será que somos? Não é como se estivéssemos perto do seu nível de poder. Não sabemos como você faz isso, mas você continua se tornando mais forte, cada vez mais rápido — James comentou. — Você é incomparavelmente mais forte agora do que quando nos encontramos naquela cidadezinha naquela época — James apontou e continuou o encarnado. Eiro sabia em que ponto ele queria chegar agora.
— Sabe que não vai ser fácil, certo? — o Diabrete questionou. James o encarou de volta, sem ficar surpreso que Eiro soubesse o que ele queria pedir.
— Já estamos nos matando de tanto trabalhar. Um pouco mais não mudará muito.
— Hah, certo. Se eu for treinar ativamente vocês, vão desejar nunca ter disso isso — o Demônio sorriu e James acenou com a cabeça.
— Mesmo assim, por favor, nos ajude. Nós nos sentimos mais inúteis do que nunca.
— Claro. Reúna os outros, preparem-se e nós nos encontraremos lá fora daqui a uma hora. Vou me encontrar Armodeus por um instante — Eiro disse e James respondeu com um aceno. Ele se virou e saiu, irritado pelo fato de ter pedido para Eiro ajudá-los de novo.
— Você não disse que queria ajudar a treiná-los ainda mais de qualquer forma? — Gondos perguntou, curioso e Eiro deu de ombros.
— Claro, mas se for ele quem pedir, isso é ainda melhor. Só preciso preparar os métodos adequados um pouco mais rápido do que o esperado.
— Métodos adequados? Ah, quer dizer aquela coisa que está colaborando com Armodeus? — Nelli perguntou curiosa e Eiro assentiu.
— Sim, parece que está indo muito bem. Magia de Natureza é real, se você trabalha com muita madeira, hein?
— Claro que é. O que você esperava? — Nelli disse, presunçosa sobre isso. Eiro sorriu de leve em resposta e entrou no quarto que, nesta altura, se tornou a oficina de Armodeus.
— Ah, perfeito! Me ajude um pouco, tá? Não sou bom com magia, então não consigo manipular isso muito bem — Armodeus exclamou quando Eiro passou pela porta. Ele olhava para uma armadura feita de madeira com um leve tom de roxo. Bem, mais do que uma armadura, era melhor descrevê-la como um tipo ‘traje’. Afinal, não deveria proteger ninguém e eram peças feitas apenas para serem presas a diferentes partes do corpo.
Eiro pegou uma parte. Era pesada, mas isso não importava por ora. Inseriu sua mana na madeira e a manipulou, fazendo com que a madeira ficasse leve em vez de mais pesada que aço.
— Honestamente, os materiais que você me deu para trabalhar são sempre incríveis. Fui capaz de fazer coisas que nunca sonhei antes!
— O quê? Isso é uma ideia tão única assim? — Eiro riu. Armodeus olhou para ele com um aceno.
— Claro que é! Essas coisas podem deixar qualquer um dez vezes mais pesado do que o normal, sabia?
— Apenas dez vezes?
— Bem, é provável que mais do que isso, como eu disse, ainda não tive a chance de testá-las —o Anão Ancião explicou e Eiro sorriu… Pelo menos, agora, poderia utilizar alguns dos itens para treinamento.