A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 261

A Virtude do Demônio

— Você acha que ele merece outra tentativa? Depois de tudo o que ele fez? — O mago elfo perguntou e o humano vestido de forma estranha deu de ombros.

— Por que não? Nós temos os meios e sejamos honestos, será melhor se ele sobreviver a isso do que morrer dessa forma.

— … Elabore. — O Rhida respondeu e o homem suspirou enquanto os outros olhavam para ele. Ele atravessou a sala e de repente se inclinou sobre Edward, que ainda estava parado ali, congelado no tempo.

— Qual é, não ajam como se não soubessem do que estou falando. Sabem por que estamos aqui, não sabem? Ele pode possuir uma lasca, mas é do mesmo tamanho de um oficial —. Olhe para ele! Ele é um Demônio, com uma lasca de um — dentro dele. É até mesmo tem uma criança do mesmo lugar que eu. Isso não é insano? Seria divertido assisti-lo um pouco mais, certo? E bem, o fato de que ele talvez seja capaz de assumir o título de Rei dos Monstros também é curioso, né? Faz um tempo desde que tivemos alguém com duas lascas em seu corpo.

O Rhida olhou de volta para Eiro, e o humano vestindo armadura falou dessa vez.

— Eu voto para deixá-lo viver.

Com um escárnio, o mago olhou para o guerreiro.

— Quando isso se tornou uma votação?

— Agora, é claro. — O homem vestido de forma estranha ressaltou. — Eu também voto para dar a ele outra chance.

— Eu não.

— Eu também não. — O Elfo e o Rhida responderam sem rodeios. — Não seria melhor reiniciar isso? Embora seja interessante ter alguém com uma lasca de um — nele, não importa no fim. Podemos deixá-lo morrer e passar a lasca para outra pessoa mais merecedora. Nós não tivemos nenhuma palavra a dizer desta vez.

— Mas é este o ponto. — O homem exclamou. — Tentamos por tanto tempo reunir todas as lascas em uma forma, mas falhamos todas as vezes! Mas, pela primeira vez, por que nao deixamos o destino fazer seu trabalho? Talvez essa seja a escolha certa, afinal. Que tal apostarmos nesse tipo de coincidência uma vez? Dar dons às pessoas é ótimo e tudo mais, mas nem todos são dignos de receber dons. Acho que esse Demônio é mais do que digno. Quero dizer, olhe para ele.

Com um suspiro, o Rhida encarou Eiro.

— Percebe o quão irônico é você falar sobre não dar dons, embora isso seja a única coisa pela qual é conhecido?

— Oh e pelo que você é conhecido? Por rastejar entre as árvores e se cobrir de lama.

— É um método válido de disfarce!

— Claro que é, cara. — O homem com roupas estranhas disse. — Vamos lá, vocês dois. Não acham isso excitante? Talvez tudo o que precisamos é que algo saia um pouco de controle uma vez. O que acham?

O Elfo e o Rhida olharam um para o outro por um instante, voltando depois sua atenção para Eiro. Agora, todos estavam olhando para ele.

— Você me convenceu. Vamos tentar de novo. Se essa for a escolha errada, ele será deixado para morrer cedo ou tarde de qualquer forma. Mais alguns anos não vão prejudicar muito nossa causa, vão?

— Exato! — Parecia que todos os quatro estavam na mesma página, até mesmo os dois que eram contras concordando em ‘dar outra chance para Eiro’. O homem vestido de maneira estranha caminhou até Eiro e deu um tapinha em sua testa carbonizada.

Com um sorriso amplo no rosto, o homem deu um passo para trás enquanto retirava algo de sua mochila. Era uma moeda pequena, preta como breu, a qual ele colocou no chão na frente de Eiro.

— É claro, não estamos te dando um dom. Você ainda tem que trabalhar por conta própria. Se não consegue superar pelo menos isso, então isso era tudo que você poderia fazer no fim. Agora… Não desaponte este apostador na sua frente.

Subitamente as quatro figuras na frente de Eiro desapareceram em uma névoa, uma névoa que era assustadora e parecida com aquela da qual as notificações eram feitas. O tempo continuou devagar, enquanto Eiro escutava uma lâmina sendo desembainhada.

Era James, que tentava afastar Edward de Clementine.

— Bavet, o que diabos é isso?! Você disse que a luta já havia acabado!

O slime permaneceu atrás do grupo, ainda com uma expressão vazia.

— Eu… disse isso? — Ele murmurou e James cerrou os dentes enquanto puxava o ombro de Clementine. Era óbvio que James era o que mais sofria com a aura emitida por Edward, pois parecia prestes a vomitar, mas ele lutou contra isso. Isso fez Eiro se sentir aliviado por ele ser seu companheiro.

Depois do despertar de James, os outros pareceram ter se libertado desse estado de paralisia. Rudy pulou no Demi-Lich e tentou afastá-lo, mas Edward desviou para o lado e chutou o garoto para longe, empurrando-o pela sala com um único movimento. A parede até mesmo quebrou um pouco.

Krog, James, Arc e Gobo balançaram qualquer arma que tinham na direção de Edward, mas tudo o que aconteceu a seguir foi o Demi-Lich se mover para o lado e empurrar Arc, o mais fraco dos quatro lutadores corpo-a-corpo, na direção dos outros, derrubando-os. Eles ainda estavam parados perto do batente da porta, afinal, então não tinha muito espaço para atacar e desviar.

O único que conseguiu fazer isso foi James, que balançou suas adagas na direção de Edward, mas, antes que suas lâminas chegassem até o Morto-Vivo, o Demi-Lich puxou seu próprio corpo de forma estranha e chutou James, que ainda estava no meio do ar, lançando-o para o lado. Assim que James acertou o teto, mãos etéreas saíram da criatura e o seguraram no lugar.

— Sabe, mesmo que eu não esteja contaminado pelas energias necromânticas, ainda posso usar necromancia. Possuo muitos mais truques na minha manga além do que mostrei para você. — Edward disse com um leve sorriso na face. Eiro olhou para o Morto-Vivo parado ali, com os olhos abertos à força.

Tudo estava indo para o inferno, tudo estava acabando.

— Pa-Papai…? — Avalin abriu seus olhos depois que um pouco da pressão emitida por Edward foi aliviada. Com um sorriso, o Demi-Lich olhou para a garotinha segurada por Sammy, que ainda estava afetada pelo seu próprio medo.

— Não se preocupe, garotinha. Ele vai parar de sofrer em breve.

Devagar, Edward levou a mão até Avalin e olhou nos olhos dela.

— Oh… Então é assim que você conseguiu Chamas Sagradas tão fortes. Interessante.

O Demi-Lich tentou encostar no rosto de Avalin, em seus olhos mais especificamente, mas Sammy conseguiu fazer algo. Todo o seu corpo estava tremendo, mas ela conseguiu.

— Não encoste nela! — Ela exclamou e a mão do Morto-Vivo congelou.

— Oh? Que interessante… — Ele murmurou. — Você possui um domínio da verdade dentro de você, um bastante poderoso. Bem, no fim, palavras são palavras, não há muito que você possa fazer sobre isso. Acho que não posso pegá-la por ora. Então vamos começar com você.

— Não! Que tal, você mor- — Sammy começou a proferir a frase que Ele havia proibido, mas, antes que conseguisse, Edward estalou os dedos. Uma massa sombria apareceu atrás de Sammy e assim que as sombras sumiram, tudo o que restava era um esqueleto animado usando suas mãos para manter a boca de Sammy fechada à força.

— Acho que não, mas devo admitir, isso é muito melhor do que eu esperava. Conseguiria criar bonecas muito belas de vocês. — Edward comentou enquanto Avalin o encarava, com lágrimas se acumulando em seus olhos.

— Não… Pare com isso… Não os machuque… — Ela exclamou. Avalin balançou os braços com medo e bateu na mão de Edward enquanto fazia isso. De imediato, quando fizeram contato, parte da carne do Morto-Vivo desapareceu, queimando instantaneamente.

— … Hein? — Ele murmurou. — Isso… não é o que eu esperava.

Eiro conseguiu escutar algo quebrando. Era a madeira. O objeto que Jura fez para manter a energia sagrada de Avalin selada estava começando a rachar.

— Isso é bastante desagradável, garotinha. Tenho certeza de que não quer machucar mais ninguém, certo? — Edward perguntou, mas Avalin só continuou debatendo seus braços, dificultando para que Sammy a segurasse. Apesar de que as mãos esqueléticas a segurando estivessem começando a queimar.

— Pare, pare, pare, pare! Deixe todo mundo em paz, seu malvado! Leve-me até meu papai! Me mostre o papai! — Ela exclamou, lágrimas escorrendo por seu rosto.

O coração de Eiro, que mal batia mais, doeu com essa visão. Esse era o limite. Ele não poderia permitir que tudo isso acontecesse com aquelas com quem se importava. Eiro raspou a mão pelo chão, ou pelo menos o que sobrou dela… Ele mal conseguiu movê-la, e a fez tremer um pouco.

— Eiro… — Nelli murmurou enquanto olhava para o Demônio que conhecia há tanto tempo quase morrer, mas Gondos percebeu outra coisa. Ele percebeu que uma moeda apareceu na frente do Demônio do nada. Percebeu que mais ninguém, nem mesmo Edward, era capaz de vê-la. Assim, percebeu o que estava ocorrendo e o que Eiro queria fazer.

Sem hesitar, apontou isso para Nelli. A Náiade olhou para os olhos de Eiro, pelo menos para o que restava deles. Ela olhou para o Demônio quase morto e, sem um momento de hesitação… ela afundou nas costas de Eiro, através das Chamas Sagradas.

Eiro ganhou um pouco de massa, o suficiente, por pouco, para Eiro segurar a moeda parada na sua frente. O Diabrete fechou a mão ao redor da moeda e jurou ter conseguido ver um homem vestido de forma estranha sorrindo para ele no canto da sua visão.

Então, na frente dele, Eiro viu notificações aparecerem.

[Você recebeu um Dom Arcano, a <Ficha de Habilidade>]

[A <Ficha de Habilidade> será trocada automaticamente por uma Habilidade Única]

[Habilidade Extra Desbloqueada – Empoderamento]

[Habilidade Extra <Empoderamento> foi absorvida pela <Ficha de Habilidade>]

[Em vez de uma habilidade única, uma habilidade lendária será construída]

[A Habilidade Lendária <Demônio Supremo> foi construída]

[A Habilidade <Demônio Supremo> interagiu e fortaleceu momentaneamente sua habilidade <Memória de um Estudioso>]

[Seu corpo agora será reconstruído ao que era em sua memória mais recente.]

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