
Volume 3 - Capítulo 180
A Virtude do Demônio
— Glat. Costas eretas. — Eiro disse, segurando o ombro da espadachim Hobgoblin, empurrando-a para trás enquanto pressionava a parte inferior das costas dela. Como ela parecia se ajustar a isso muito rápido, o demônio continuou.
— Sagit. Mão no queixo. — Ele disse à arqueira, certificando-se de que a mão que ela segurava a corda do arco estivesse posicionada corretamente.
— E você, Gobo… — O Demônio olhou para a postura do Hobgoblin e tentou ver se havia algo de errado com ele em particular, e então sorriu satisfeito. — Um bastão de combate era perfeito para você, hein? — Eiro murmurou. — Bem, vocês cinco, continuem fazendo isso até voltarmos. — Eiro disse para eles, e os cinco Hobgoblins não pareciam questionar, seguindo o comando do Demônio.
Ao ver que esse era o caso, Eiro fechou a entrada da caverna que ele e os outros estavam usando como uma pequena base e então colocou Avalin e Leon nas costas de Lugo.
— Podemos ir? — Krog perguntou impaciente, ansioso para partir, e Eiro assentiu.
— Uhum, lidere o caminho. Assumirei quando estivermos lá fora de novo.
O grupo saiu da vila Goblin e foi na direção do ninho das aranhas que os seguiram. Durante o caminho, Krog questionou sobre algo que parecia bastante curioso.
— Sabe, sobre aquela coisa de manipulação de Força Vital… — Ele começou. — Quanto tempo demora para chegarmos ao ponto em que você está agora?
Após pensar um pouco, Eiro olhou para os outros para ver como estavam. Eiro os instruiu a concentrarem a Força Vital em suas pernas e costas para isso, pois tornaria a caminhada um pouco mais fácil. Ao mesmo tempo, isso permitiu que entendesse quão bem eles conseguiam manipular a Força Vital neste ponto.
— Hm… acho que mais algumas horas, talvez. — Eiro comentou. — Mas esteja ciente de que, com minha habilidade de Estudioso, sou capaz de reviver quase instantaneamente qualquer coisa que já fiz, como se estivesse fazendo de novo no mesmo momento, então consigo compreender quais erros cometi e onde posso fazer alterações para melhorar. Nos estágios iniciais, não é necessário fazer treinamentos físicos para aumentar o controle sobre sua Força Vital, afinal.
Com uma expressão confusa, Krog começou a desacelerar.
— Espera, então por que eu estava carregando aquela porra de rocha pesada durante nosso caminho para cá? Você disse que era para ajudar no meu treinamento de manipulação.
— Sim, eu disse, e provavelmente foi o caso. Disse que não é necessário fazer treinamento físico, não que ele seja inútil. Meu método não é viável para alguém como você. — Com essa explicação, Eiro olhou para Jess e James. — Para esses dois, fez sentido. Mostrei para Jess um método de treinamento similar ao treinamento de manipulação de mana que a fiz fazer. E James só tinha que preencher a prótese de forma correta, porque é difícil manipular a força vital dos outros. Pensei que essa era uma boa prática que cumpria suas necessidades individuais.
— Sei… Você está me chamando de idiota por usar esse tipo de treinamento? — Korg murmurou, já que foi isso que compreendeu do que Eiro disse, e o Diabrete negou com a cabeça, irritado.
— Apesar do fato dessa questão ser idiota, não, não acho que você seja idiota, mas entre todos aqui, você é aquele com menor talento para qualquer tipo de conjuração ou manipulação de magia, como a maioria dos guerreiros como você. E não há nada de errado com isso, mas como manipulação da Força Vital é muito parecida com a manipulação de mana, tenho certeza de que você sofreria com esse método. Em vez disso, usamos um método diferente para você que está funcionando bem, desde que você teve um progresso similar ao de Jess e James. — Eiro explicou. — Pare de reclamar, é irritante.
Parecia que Krog compreendeu o que Eiro disse, então acabou bastante satisfeito, embora isso tenha deixado outra pessoa nervosa.
— Na verdade, por que estou aprendendo a manipular minha Força Vital? Você quer que eu comece a lutar? Quero dizer, tipo… bater nos outros com meu cajado ou algo parecido? — Jess perguntou bastante nervosa e Eiro balançou a cabeça, percebendo que havia esquecido uma parte muito importante sobre o combate usando Força Vital.
Sem hesitação, mordeu seu dedo indicador para fazer um pouco de sangue escorrer, congelando-o e o transformando em uma garra. Olhou para Lugo e o fez parar, e depois fez James, Jess e Korg se reunirem ao redor dele.
Ele agarrou o braço de cada um deles e os furou levemente com a garra.
— É assim que funciona normalmente, certo? Um de dano a cada um de vocês, como uma leve picada de agulha. É um dano que se recupera quase imediatamente. — Eiro explicou, furando os braços dele de novo. Dessa vez, entretanto, usou sua Força Vital na sua garra e a inseriu nos outros durante a perfuração.
— O quê…? Causou cinco de dano? — James perguntou com uma carranca e Eiro assentiu.
— Uhum. Para aumentar o dano que causei em vocês, precisei usar um pouco da minha Força Vital. Custou cerca de 10 de vida para cada um de vocês. Isso significa que é algo bastante perigoso em combate, já que custa mais do que retorna, mas é algo que pode mudar o rumo da batalha. — Eiro explicou para eles e então começou a caminhar de novo para explicar o restante enquanto se moviam.
— Esse tipo de coisa definitivamente é útil, mas não é possível para a maioria dos combatentes corpo a corpo, pois Vida é o maior recurso deles em uma luta, e como é difícil encontrar uma boa maneira de usar essa habilidade sem anular o dano que sua arma normal causaria, já que precisa de uma parte do seu corpo para isso, por exemplo, sangue. É diferente para os magos, contanto que você consiga manipular água, também consegue usar esses tipos de ataque. É por isso que você também está aprendendo, Jess.
— Então… em vez de querer que eu comece a lutar contra as pessoas à curta distância, deseja que eu corte minha mão e sacrifique minha própria vida para causar mais danos?
— Sim e não. É um último recurso, na verdade. Como eu disse, pode mudar o rumo de uma batalha. Você não precisa mudar o rumo de algo que já está fluindo ao seu favor. — Eiro respondeu. — Isso, e ser capaz de usar mais força física do que os outros esperariam, também é muito útil em muitas situações. No caso de alguém tentar te dominar quando não estiver esperando. Já ouvi falar sobre esse tipo de coisa, o que é um grande motivo para que eu ensine isso para minhas meninas.
— Certo… — James respondeu com um sorriso irônico, enquanto olhava para Avalin e Leon nas costas de Lugo, enquanto ela olhava ao redor, animada, como se fosse a primeira vez que abrisse os olhos. — Uma garota como essa, correndo por aí com força desproporcional… Parece certo.
Com um sorriso, Eiro prosseguiu e olhou para frente. Estavam se aproximando do ninho de aranhas, então escolheu encerrar o assunto por agora.
— De qualquer forma, para uma semana de prática, eu diria que o progresso de todos vocês é muito bom. Vão em frente e mostrem esse progresso. Estamos perto. — Eiro disse, e de fato demorou alguns minutos para encontrarem a primeira prova de que o Demônio estava certo.
Teias de aranha estavam espalhadas pelas árvores e era quase impossível caminhar sem ter algum tipo de contato com elas. Inúmeras aranhas pequenas e inofensivas caminhavam pelas árvores, e Eiro conseguiu perceber as primeiras aranhas grandes, os monstros, aproximando-se. Assim, olhou para Leon.
— Certo, em vez da sua aura vermelha, tentaremos o mesmo com a preta, okay? — Eiro perguntou e observou Leon fechar os olhos. Passo a passo, Eiro conduziu o menino por tudo isso e logo sentiu arrepios na sua pele.
As pequenas aranhas no chão já estavam evitando Lugo, então parecia estar funcionando. Teriam que ajustar um pouco para que as aranhas não acabassem atacando Avalin, Leon e Lugo, mas ainda se aproximassem de Jess, James e Krog. De qualquer forma, estariam caminhando a uma pequena distância um do outro, mas ainda era uma prática muito útil para Leon.
Essas habilidades eram muito úteis, contanto que Leon conseguisse controlá-las. Elas ainda eram perigosas, mas Eiro confiava que seu filho não ficaria descontrolado sem motivos, então estava tudo bem.
— Vocês três, daqui em diante, não os ajudarei a menos que suas vidas sejam ameaçadas. Não os ajudarei a encontrar o caminho até o ninho, ou avisarei sobre os inimigos. Só façam o seu melhor. — Eiro anunciou, e como os três já estavam prontos para isso, assentiram com a cabeça e se prepararam para o combate, enquanto Eiro fazia seu melhor para, pelo menos, distrair as crianças para que não tivessem que ver lutas como essa o dia todo.
Logo, as primeiras aranhas se aproximaram e foram eliminadas muito pelo trio, que trabalhava junto. Poderia ter sido um pouco mais rápido do que Eiro eliminou as aranhas no penhasco, noite passada.
De qualquer forma, o fato de que as aranhas foram mortas significava que Jess, James e Krog ganharam atenção para todo o grupo e o trio continuou lutando. Eles permaneceram surpreendente quietos, pois conseguiam se comunicar sem palavras, como se tivessem algum tipo de laço telepático.
Era muito impressionante e Eiro podia dizer que depois de uma hora, todos subiram de nível pelo menos uma vez. James, na verdade, conseguiu duas vezes. No começo, Eiro pensou que, com dois braços, James era muito maior do que se recordava, mas notou que ele estava se esforçando demais.
Ele estava lutando contra como se tivesse dois braços, mas não era bem assim. James não estava mais acostumado a lutar assim, mas ele mesmo não percebeu. Para Eiro, parecia que essa subjugação seria muito interessante.