A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 171

A Virtude do Demônio

— Benção? O que você quer dizer com bênção? — Krog perguntou enquanto olhava para o padrão no peito de Eiro, que havia se espalhado para cobrir quase seu torso todo. Jess olhou para ele, como se fosse enlouquecer.

— Você não sabe o que uma bênção é? É algo que só pode ser dado por seres de poder extremo! Por exemplo, Rainhas e Reis dos Espíritos, ou Divindades!

— Nesse caso, foram ambos, aparente. — James falou, inclinando sua cabeça na sua mão enquanto cruzava as pernas, e Jess o encarou confuso.

— O que- O que você quer dizer?

— Não sei, ontem à noite ele me disse que recebeu a bênção de um Espírito e de uma Dama, que suponho ser uma deusa. — James disse e Eiro acenou com a cabeça.

— Exatamente. Fui abençoado pela antiga Rainha Náiade, assim como pela Dama do Inverno. Ela não é um espírito nem uma deusa de verdade. Bom, é uma Deusa da Natureza, mas isso é apenas um nome para elas, eu acho? Ela é a encarnação do Inverno, é isso.

Jess encarou o Demônio em silêncio e ele abaixou sua camisa, inclinando as costas contra a cadeira.

— De qualquer forma, é isso. Não tenho maneiras de contatá-las, seja a Rainha Náiade, seja a Dama do Inverno. — Eiro comentou. — Agora, próxima pergunta. — O Diabrete sugeriu e James falou antes que Jess pudesse começar a reclamar e dizer que queria saber mais sobre as bênçãos.

— Por que você é assim? Monstros não são… caras legais que cuidam de crianças. E o mesmo com esse slime, ele parece muito civilizado se comparado a slimes normais.

— Ah, esse cara? É simples. Ele foi criado em um lugar onde sua monstruosidade foi selada por toda a sua vida. Acho que isso tornou possível que ele não tivesse ódio direto pelas pessoas. — Eiro sugeriu, embora não tivesse certeza, e o slime em questão adicionou.

— Sim, não tenho um grande ódio pelas pessoas. Em vez disso, ele se espalhou de forma que tenho um pouco de ódio por tudo. Agora, me dê alguma coisa para comer, seu pedaço de mer-

Com um estalar de dedos, Eiro congelou a camada externa do corpo do slime, impossibilitando que ele se movesse.

— Desculpa por isso. Agora, em relação a mim… — Eiro começou. — Não é algo que eu possa divulgar agora. Tudo o que direi é que não sou um demônio comum, ou até mesmo um monstro normal. Primeiro, sou uma variante. Segundo, nasci mais inteligente, mas com um físico inferior se comparado a outros Diabretes.

— Hm. Recordo disso. — James comentou, e a seguir Korg perguntou de novo.

— Então, diga-nos por que você está aqui, afinal, quer nos matar? — O guerreiro perguntou, mas Eiro suspirou incomodado e balançou a cabeça.

— Não os matarei, se vocês não revelarem nada sobre o que e quem sou eu. Foi apenas uma coincidência, ou talvez o destino, que me trouxe aqui. Sou um conhecido do Rei, e para enviar minhas crianças para a Academia com o apoio de Solomon e para me fortalecer enquanto estou aqui. — Eiro explicou e Jess, que deixou de lado sua curiosidade pelas bênçãos, falou.

— Então, isso não era apenas um rumor? Você está aqui com o apoio do Rei? E por que você quer se tornar mais forte? Para aquele torneio que as pessoas estão dizendo que você participará?

— Sim, e não. Sim, estou aqui com o apoio do Rei, e não, não quero me tornar mais forte para o torneio. Só acho que não custa nada fazer um favor para Solomon, mas não… Quero me tornar mais forte por outros motivos. Também não falarei que razões são essas, mas posso dizer uma delas: para proteger minhas crianças. — Eiro disse e depois se levantou da cadeira, caminhando até o centro da sala.

— Falando em força, vamos começar. Quero ver o que vocês podem fazer. — O Diabrete disse enquanto olhava para o trio.

— Você quer que nós lutemos contra você? — Krog questionou com uma risada enquanto se levantava, e Eiro assentiu.

— Sim, mas não se preocupe, não serei muito duro com vocês. Não usarei nenhuma magia ou armas, apenas combate corpo a corpo. Bem, pelo menos quando estiver indo contra Korg e James, seria um pouco injusto ir contra uma maga com minha velocidade. Jess, contra você será uma simples partida de conjuração do seu tipo e não farei uso de Nelli nem Gondos. — Eiro explicou para eles e, com um rosnado irritado, Krog se levantou e caminhou até o Demônio.

— Está bem, eu vou encher sua boca de socos, então você vai parar de ser tão mal-educado conosco. — Krog disse e parou na frente de Eiro, com as mãos na frente do seu corpo. — Vamos lá, lute comigo. Sou muito bom em combate corpo a corpo, sabia?

— Sério? Mas naquela época você lutava com uma espada grande, e agora tem dois machados com você. Não acha que deve usá-los?

— Lutar contra um homem desarmado com armas? Hah, quem você acha que eu sou? — Krog zombou, como se tivesse sido insultado pela sugestão dele, e o Diabrete olhou para o chão com um resmungo.

— Isso é muito honroso da sua parte, mas você só pode fazer esse tipo de ação quando é mais forte que seu oponente. Agora, vá em frente, pegue esses machados e lute comigo, como se quisesse me matar. — Eiro disse e Krog estremeceu em resposta.

Enquanto cerrava os dentes, o guerreiro caminhou em direção à mesa e pegou os dois machados que deixou apoiados contra ela.

— Não me culpe se perder uma mão ou duas.

— Uhum. — O demônio respondeu, assumindo sua postura. Uma mão fechada em um punho e próxima ao seu peito, enquanto a outra estava aberta e apontada na direção de Krog.

— Ataque. — O Diabrete disse e Krog continuou cerrando os dentes ao ouvir o pedido. Com um golpe rápido, avançou na direção de Eiro e balançou ambos os machados na direção do solo de uma vez. Eiro não precisou desviar muito. Ele só teve que ficar calmo, pressionar sua cauda contra o corpo dele e esperar pelo momento em que Krog começaria a puxar os machados de novo. Depois de desviar dos dois machados, esse instante chegou e o Demônio pulou e pisou nos dois machados.

O leve impulso dos machados, movidos pela força de Krog, impulsionou Eiro o suficiente para permiti-lo pular sobre o ombro de Krog. Ele segurou a garganta do homem e se balançou ao redor até que conseguisse pressionar seu pé no centro das costas de Krog, enquanto segurava a parte inferior do queixo dele.

Assim, quando Eiro empurrou o queixo de Krog e pressionou as costas dele, o guerreiro perdeu o equilíbrio devido ao movimento dos seus machados, que o puxava. Quando começou a perder o equilíbrio devido à parte superior do seu corpo, instintivamente tentou compensar com suas pernas.

Nesse instante, Eiro já havia escorregado e segurado Krog pelo pescoço por trás, enquanto usava o momento da queda para chutar a parte de trás dos joelhos dele. Como esteve focando apenas em suas pernas depois de perder o equilíbrio, agora que isso não era mais uma opção, Krog caiu de costas. Claro que Eiro conseguiu se esquivar e segurou no estômago de Krog por trás com suas pernas, enquanto envolvia seus braços ao redor do pescoço dele, para prendê-lo de forma que fosse difícil escapar.

No começo Krog lutou contra Eiro para tentar se libertar, mas logo desistiu e bateu no chão algumas vezes para mostrar que havia cedido, já que não conseguia falar agora.

O Demônio afrouxou seu aperto e se levantou, esticando a mão para Krog, que estava esfregando seu pescoço depois de ser solto.

— Viu? Me subestimou um pouco, hein? — Eiro disse com um sorriso, enquanto ajudava Krog a se levantar, e o guerreiro acenou.

— … Sim, subestimei, é claro… Só… como você fez isso? Tem certeza de que não usou magia ou algo do tipo?

— Não usei ainda. Tudo o que usei foi uma técnica de combate corpo a corpo que me ensinaram. De qualquer forma, no geral, você parece ter um controle muito bom sobre seus machados. Pode haver alguns problemas de equilíbrio aqui e ali, mas sei como consertá-los. Essa técnica só foi possível porque era um duelo, normalmente você teria Jess e James para cobrir suas costas, mas se eu fosse você ainda faria algum treinamento baseado em percepção e inteligência para aumentar a sua velocidade de reação. Porque se você tivesse reagido rápido o suficiente, poderia ter parado o movimento dos seus machados para que não me impulsionasse, dificultando que alcançasse aquela posição. — Eiro começou a explicar.

— Mas, vamos lutar de novo daqui a pouco. Só queria me livrar dessa mentalidade de: ‘não me subestime’, que você tinha. — O Diabrete explicou e Krog olhou para ele um pouco envergonhado, enquanto pegava seus machados.

Antes que Eiro percebesse, Jess parou na sua frente.

— Minha vez! — Ela disse, na verdade, bastante animada de poder ver o Demônio utilizar magia de novo, e Eiro olhou para ela com um aceno.

— Certo. Como você conjura sua magia?

— Bem, como tenho esses dois para lutar na minha frente, aproveito para desenhar círculos mágicos, mas na verdade sou bastante talentosa com todos os quatro elementos básicos, então algumas vezes tento conjurá-los diretamente… — Jess admitiu e Eiro assentiu.

— Entendi. Certo, então em vez de um duelo comum, esse será um confronto de conjuração rápida. Você começa a desenhar qualquer círculo mágico que desejar, e eu tentarei terminá-lo primeiro. — O Demônio disse e Jess olhou para ele com um aceno lento. Isso parecia impossível, mas muito sobre este Diabrete parecia impossível, então ela não deveria se precipitar.

— Certo, então vamos pegar nossos cajados e começar.

—Já estou com meu cajado. Aliás, Nelli, Gondos forneçam alguns materiais. Apenas no caso de ser um feitiço que necessite um dos quatro elementos… — Eiro disse, retirando o gerador de faíscas da sua Tesouraria e acendendo uma chama que fez flutuar na frente deles, enquanto fazia com que Jess pudesse controlar uma pequena parte das chamas.

— Aqui, agora você tem tudo. — O Demônio explicou, mas Jess olhou confusa para ele.

— Mas… erm, onde está o seu cajado?

— Hm? Oh, certo. Toda a minha mão direita é um cajado, mas não se preocupe, só usarei um dedo para ser justo.

— … Oi…?

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