
Volume 3 - Capítulo 160
A Virtude do Demônio
— Bem-vindo. Você é o Sr. Eiro eu presumo. — Um homem com um terno preto e cabelo preto penteado para trás disse com uma leve reverência quando Eiro desceu das costas de Lugo. O demônio assentiu.
— Sou eu. Estou aqui para devolver a carruagem e os dois Arias para o Rei e, se possível, também gostaria de falar com ele. — O Diabrete explicou e o homem continuou sorrindo.
— Receio que isso seja algo bastante difícil de construir. Sua Majestade está bastante ocupada. Se não for de importância imediata, sugiro que você espere alguns dias e informaremos quando você pode falar com ele.
Com um leve resmungo, Eiro o encarou de volta.
— Tenho uma dica do que aconteceu com o príncipe quando ele foi atacado. Isso é ‘importância’ suficiente para você? — O Diabrete perguntou sem rodeios e o homem arregalou os olhos.
— Presumo que sim. Então, por favor, venha comigo. Aquelas crianças na carruagem também podem vir com você embora tenham que esperar em outro cômodo. — O homem explicou a Eiro enquanto olhava para a carruagem.
E então assobiou alto.
— Crianças, venham. Vamos entrar. — Eiro disse e a porta da carruagem se abriu para revelar Sammy. Logo atrás dela estavam Avalin e Leon em sequência Clementine, Rudy e Felix. Eiro ficou bastante surpreso que Leon estava tão animado. Ele parecia um pouco mais animado com tudo, depois que teve seus selos removidos. Talvez eles tivessem algum efeito ruim no corpo dele então?
De qualquer forma o único que estava nervoso era Felix, que virava a cabeça freneticamente para todos os lados, um tanto ansioso.
— A-Agora, motorista, por favor, siga o cavalariço até lá. — O homem instruiu a seguir. Ele parecia surpreso com a quantidade de crianças que Eiro tinha embora o Demônio tenha o encarado com um olhar penetrante. Claro, isso estava escondido embaixo da sua máscara, mas parecia que o homem ainda havia percebido em alguma extensão.
— Esse ‘motorista’ é o meu filho. Faça o cavalariço dirigir a carruagem por conta própria, por favor, mas não entre na carruagem, nós a limparemos depois.
— Perdoe minha insolência, Sr. Eiro. — O homem exclamou mas o Diabrete apenas suspirou leve.
— Não se preocupe com isso, só não deixe que isso aconteça de novo. — Eiro respondeu e começou a subir as escadas que levavam à entrada de fato para o interior do castelo.
Quando Eiro chegou ao topo das escadas as portas largas foram abertas por alguns servos dentro do castelo e o Demônio entrou sem hesitação. Uma vez dentro, o homem também os seguiu e se colocou na frente de Eiro.
— Agora, se as crianças puderem seguir essas empregadas, agradeço. Prepararemos chá e doces enquanto elas esperam. — Ele explicou e Eiro acenou para as crianças, dizendo que para elas estava tudo bem embora tenha acenado para Sammy vir na direção dele.
— Mentir nem sempre é ruim. — Ele sussurrou na orelha dela e Sammy olhou confusa para ele. Este era o ‘sinal’ que Eiro havia dito para ela antes. Desse modo ele disse que ela deveria ser cuidadosa e usar sua habilidade se precisasse. Ela conseguia se acalmar em situações perigosas, afinal.
Simplesmente dizendo ao agressor: ‘Você não quer lutar conosco’ ela poderia transformá-los em pacifistas. Como tal, Eiro decidiu deixar a proteção de todos para ela.
— Certo… — Ela respondeu e seguiu as empregadas junto dos outros enquanto Eiro foi liderado escadas acima do outro lado do corredor pelo homem que os cumprimentou antes.
— Se me permite, por que você disse aquilo para aquela garota? — Ele perguntou e Eiro suspirou.
— Um daqueles garotos não é meu filho. Aquele com o cabelo ruivo e capuz. Ele é um amigo muito ‘próximo’ dela, Sammy, se é que me entende. Eles tiveram uma pequena briga e queria dizer para ela que não deveria ficar muito brava. — Eiro disse. — Amor jovem, hein? — Ele adicionou e o homem acenou a cabeça.
— Ah… Entendo. — Ele respondeu, mas Eiro sabia que isso não o convenceu. Ele ainda tinha suspeitas.
Um pouco depois Eiro se deparou com uma porta grande que foi aberta por dois guardas reais. Do outro lado do cômodo estava sentado Solomon Sigurd Skyhart em seus trajes reais, sorrindo quando Eiro entrou no salão.
Pensando que toda essa situação era ridícula, Eiro atravessou a sala para parar na frente do homem sentado no trono.
— Oi. — Eiro disse. — Prazer conhecê-lo. — O Demônio adicionou e Solomon riu leve.
— Haha, Sr. Eiro, o que você está falando? É bom revê-lo e ver que é tão bem-humorado como sempre. — Ele disse e o Diabrete o encarou.
— Do que você está falando? Nós nunca nos conhecemos antes. — Eiro disse e Solomon o encarou.
— O quê?
— Ei, eu não te pedi para me levar até o Rei? É legal que tenha me trazido até um ilusionista, esses tempos estive interessado em magia de ilusão, mas não gosto de desperdiçar meu tempo. — Eiro comentou e o homem diante dele, que ele presumiu ser o mordomo-chefe ou algo parecido, zombou em resposta.
— Você acha que nós levaremos o sucessor de um dos maiores traidores do mundo ao Rei desse país? — Ele questionou e nesse momento Eiro percebeu como os outros servos neste lugar estavam agindo. E não apenas os servos, como os cavaleiros e até mesmo a atitude do falso rei. Esse cara tinha uma posição muito alta neste lugar.
Mas Eiro não se importava com essas coisas.
— Então, você não deseja escutar a informação que tenho sobre o ataque do príncipe, afinal?
— Claro que queremos. Eu esperava que você fosse tão simplório que seria enganado por algo desse tipo, mas parece que foi um erro de cálculo da minha parte. Quero que diga para nós tudo o que sabe, sem olhar para sua Majestade, mas bem… Acho que teremos que fazer isso dessa forma. Não planejei isso, mas… você percebe que estamos com as suas crianças, não?
— Você não precisa dizer. — Eiro respondeu. — De qualquer forma, toda essa situação acabará em breve. — O Diabrete disse e olhou para a porta que ainda estava aberta.
Então entrou no salão o verdadeiro Solomon, vestido em vestes bastante confortáveis, mesmo que não fossem elegantes, enquanto Nelli flutuava ao lado dele.
— O que está acontecendo aqui?! — Ele questionou com um tom bravo e logo avistou Eiro parado no centro do salão. Ele viu o homem assustado olhando para a porta e o falso rei no outro lado do salão.
— O que eu te disse, Jordan? Não importa que conexões ele tenha, este homem é meu benfeitor! Não deixarei que você o desrespeite! — Solomon exclamou e correu pelo cômodo para chegar a Eiro, segurando as mãos dele. — Eu o saúdo aqui em meu domínio, Eiro! Me desculpe por esse tratamento. Por favor, venha comigo para um lugar mais apropriado onde possamos falar em paz.
— É bom te ver novamente, Solomon, mas vamos esperar um pouquinho. Eles devem chegar a qualquer momento. — Eiro respondeu e continuou olhando para a porta enquanto o homem na sua frente, Jordan, aproveitou a oportunidade para intervir.
— M-Mas sua Majestade, você não pode confiar neste homem! Não consegue ver como ele anda? Nem um único pedaço da sua pele é visível! Ele-
— Perdoe nossa intrusão. — Uma voz calma e baixa disse, interrompendo o que Jordan que falava. Era uma das empregadas que liderou as crianças anteriormente, as trazendo de volta.
— O que vocês estão fazendo aqui? Eu pensei ter dito para mantê-las presas naquela sala! — Jordan exclamou e a empregada olhou confusa para ele.
— Mas… não deveríamos trazer essas crianças de volta para o pai delas? — A empregada perguntou confusa e Jordan simples a encarou com uma expressão ainda pior.
— Certo, agora nós podemos ir. — Eiro disse para Solomon com um sorriso enquanto Avalin corria até ele.
— Papai, eles prometeram doces, mas não nos deram nenhum! — Ela exclamou e o Diabrete olhou para ela com uma leve risada enquanto a segurava.
— Não se preocupe, podemos conseguir alguns deles outra hora.
— Mas…
— Você, por favor, prepare algo para nós e essas crianças comermos. Levem comida para o meu escritório, por favor. — Solomon disse com um tom de comando enquanto olhava para a empregada, que se curvou e acenou antes de se virar e fazer o que foi dito.
— Agora, siga-me, Eiro. — O Rei disse. Eiro olhou para suas crianças. Com um sorriso direcionado para Sammy ele disse:
— Viu? Dessa forma, tudo correu sem ninguém se machucar ou muitos problemas. — Eiro disse para ela e Sammy acenou devagar.
Ela tentava permanecer em silêncio o máximo possível, mas Eiro tentava ensiná-la de que, dependendo de como fosse, usar a habilidade era a melhor forma de sair de uma situação desfavorável. Ela parecia hesitante em usá-la, no entanto, graças a sua experiência quando criança.
De qualquer forma o grupo seguiu o Rei pelo castelo e foi liderado até o escritório dele. Para a felicidade de Eiro, o local era cheio de livros. O lugar parecia um paraíso para ele, se tivesse que ser honesto.
— Por favor, sentem-se, todos vocês. — Solomon disse com um sorriso enquanto apontava para os sofás no centro da sala, ao redor de uma pequena mesa enquanto ele mesmo se sentava na escrivaninha no fundo, oferecendo o assento oposto a ele para Eiro.
O Demônio soltou Avalin e pediu para ela se sentar no sofá ao lado de Sammy e Clementine e se sentou na cadeira que foi oferecida.
— Então, apesar de não ser o principal motivo para eu estar aqui, eu te devo um favor por me emprestar a carruagem e os Arias. Assim, conseguimos concluir nossa jornada muito mais rápido do que jamais antecipei. Por isso que irei te contar o motivo para saber que o Três de Espadas não foi a arma usada para ferir o seu filho. — Sem hesitação, Eiro explicou.
Surpreso, o Rei assentiu.
— Por favor! Eu confio em você, mas ter uma prova pode remover qualquer dúvida que tenho.
Eiro esticou a mão para frente e retirou uma pequena carta dourada da sua tesouraria, segurando-a para que Solomon conseguisse vê-la e, antes que ele conseguisse reagir, Eiro ativou a carta. Cinco anéis apareceram ao redor dos dedos do Demônio e formaram lâminas flutuantes ao seu lado, conectadas por fios finos.
— O motivo para isso é que o Três de Espadas esteve sob minha posse pelos últimos sete anos. — O Diabrete disse em um tom claro e Solomon arregalou os olhos em confusão.
— Então… então não pode ter sido o Três de Espadas… mas não existem tantas cartas que tenham tais efeitos… Efeitos que fazem o usuário enlouquecer dessa forma. — Solomon murmurou e Eiro apenas o encarou e disse sem pestanejar.
— E se aquele professor não tivesse enlouquecido, e sim criado caos de propósito?