A Virtude do Demônio

Volume 2 - Capítulo 105

A Virtude do Demônio

Pouco depois da discussão terminar e a Dama, assim como suas Filhas, desaparecerem novamente, Eiro estava se preparando para voltar para casa, bastante cansado. Ele parou para conversar com algumas pessoas, pegar comida de graça em algumas barracas e pegar o Cartão da Guilda de Arc, com Tom.

Quando estava para sair realmente da cidade, para ser capaz de tirar sua máscara e comer algumas das coisas que recebeu, um homem muito irritante apareceu atrás dele.

— Eiro! — Rumia disse com uma carranca franzida. O demônio virou na direção dele e, com um tom presunçoso, balançou a cabeça.

— É Lorde Eiro para você, camponês. — Ele riu, brincando com o fato de que a Dama do Inverno praticamente ordenou que Rumia fizesse tudo o que Eiro pedisse, e o homem em si apenas cerrou os dentes e olhou para ele.

— Não fale comigo dessa maneira. Não importa o que a Deusa disse, você ainda é um herege e será julgado por seus pecados quando tudo isso acabar.

— Claro, claro. Se me der licença, tenho alguns bebês que preciso sacrificar para o senhor do submundo. Até mais. — O Demônio disse e subiu nas costas de Lugo e acenou inocentemente para Rumia e seus homens enquanto saía. Felizmente, nem mesmo Rumia não era burro o suficiente para realmente pensar que o que Eiro acabou de falar fosse verdade.

E assim que Eiro teve certeza de que não havia ninguém por perto, removeu sua máscara e finalmente começou a se deliciar com os lanches que ganhou.

— Você realmente sabe comer, huh…? — Nelli perguntou enquanto o observava, e o Diabrete olhou para ela com uma leve carranca.

— Eu sei que está apenas em Iniciante, mas eu tenho a habilidade Comilança, sabia? — Ele comentou, e o Espírito olhou para ele com uma carranca.

— Certo, onde exatamente você conseguiu isso mesmo? — Ela questionou, e Eiro engoliu a pasta de comida que acabara de fazer e olhou para ela.

— Quando eu comi três outros Diabretes, imediatamente depois de ser capturado por um grupo de aventureiros. Eu mencionei isso, não é? — O Demônio apontou e lentamente balançou a cabeça quando viu a expressão chocada de Nelli. — Me desculpe, você estava lá dentro com Jura… bem, deixa para lá. Por alguns dias, eu tinha que comer mais do que o meu corpo conseguia realmente suportar para conseguir energia suficiente para quebrar a Propriedade que alguém colocou sobre mim. — Eiro explicou, enquanto mordia um espetinho de carne.

— É mesmo…? — Nelli perguntou com um sorriso irônico. — Eu provavelmente deveria ter esperado esse tipo de coisa, para ser honesta. — Ela disse, aceitando, desde que não havia razão para se preocupar com isso no fim. Por enquanto, eles apenas tinham que voltar para casa.

As próximas horas foram como praticamente qualquer outra viagem para a cidade ou voltando de lá, com Eiro lendo até que chegassem em casa, e assim que realmente chegaram lá, o Demônio entrou na casa para se aquecer apropriadamente, já que tinha que cavalgar através da neve por tanto tempo. Seu corpo não estava frio, ele apenas ficava mais letárgico, e isso era um pouco desconfortável para ele.

— Voltei! — O Demônio disse com um sorriso brilhante, entrando na casa na escuridão, enquanto todos sentados ao redor da mesa brincavam com algumas cartas, e olharam para o Diabrete com seus próprios sorrisos, que Eiro jogasse o Cartão da Guilda para Arc. — Aqui está. — Ele riu, e Arc olhou animado para a fina peça de metal.

— Uau, isso é tão maneiro! Obrigado! — Arc exclamou, Eiro riu e sentou-se em uma das cadeiras livres, lentamente usando Magia de Fogo para se aquecer um pouco de dentro para fora.

— Aconteceu alguma coisa enquanto estive fora? — Eiro perguntou, mas parecia que tudo ocorreu normalmente. E isso era algo com que ele ficou bastante feliz. Esperançosamente, eles poderiam viver de forma normal por mais nove meses.

Eiro conseguiu sentir o ar envolver o seu corpo enquanto corria pela floresta, usando sua Magia de Vento para aprimorar seus movimentos o máximo que conseguia, ao mesmo tempo que usava Magia de Terra para, pelo menos, mudar ligeiramente o terreno para sua vantagem. Por exemplo, agora, ele estava criando um tipo de rampa para conseguir um caminho mais alto do que o que a marionete estava.

Ao longo dos últimos meses, Eiro se tornou capaz de pegar o manequim basicamente metade das vezes em que praticavam, embora nunca conseguisse completar a uma hora que precisava como requerimento para passar pela segunda metade da tarefa de Corrida Livre.

Esperançosamente, isso mudaria hoje. Eiro tentou o seu melhor para manipular caminhos que o manequim usaria, ao mudar sutilmente o ângulo de como ele estava correndo para fazer o fantoche ir em outra direção, e agora, o boneco estava em um lugar onde Eiro conseguia pegá-lo e, facilmente, escapar pela rota que ele sabia que o permitiria construir uma distância considerável entre eles.

Eiro pulou e usou Magia de Vento para amortecer sua queda bem quando o manequim estava pulando entre uma pequena brecha no chão e tocou ligeiramente nas costas do boneco, fazendo com que o modo trocasse imediatamente e Eiro se tornasse a presa e o fantoche, o caçador.

O manequim ainda tinha que parar e se virar, e mais importante, encontrar Eiro, que pulou na abertura no chão da floresta para usá-la como um bom ponto de partida, correndo pela abertura estreita ao empurrar o seu corpo para fora, colocando um dos seus pés na parede, e o outro na outra parede.

Por ora, ele estava correndo pela floresta com o manequim bem atrás dele, mas se Eiro quisesse completar uma hora completa como a presa, tinha que aumentar ainda mais a distância entre eles. Sua Magia de Vento dava a ele um pouco de vantagem sobre o fantoche, que tinha técnicas e um físico superiores, provavelmente conseguiria aumentar a distância, se continuasse correndo linha reta por uma hora, mas esse não era o objetivo da tarefa.

Ele deveria usar o ambiente da melhor forma possível e, para isso, reuniu sua mana e manipulou a terra sob seus pés para aumentar a força do seu pulo para conseguir chegar nos galhos das árvores acima dele, enquanto a terra se achatava novamente quando sua mana era removida do chão. Eiro fez o seu melhor para pular de galho em galho o mais rápido possível, mudando de direção ao usá-los como elevações o máximo que conseguia.

E isso continuou por toda a hora, embora, quando o último minuto começou, parecesse que o manequim estava para pegá-lo, mas Eiro estava correndo sem parar em direção a um certo local: o lugar onde a Dama do outono apareceria amanhã. Nesse local, ventava muito perto dessa hora. Isso o ajudava a usar sua Magia de Vento mais proficientemente e usou isso para conseguir o último impulso para se afastar do manequim, com um pulo longo para o espaço aberto à sua frente, embora o fantoche estivesse escorrendo em direção ao lugar em que ele pousaria.

Mas, assim que o fantoche estava para encostar no Diabrete, a hora foi concluída, e o manequim deu um passo para o lado e olhou para Eiro, que estava ocupado celebrando sua vitória.

— Tome isso, seu pedaço de sucata! — Eiro gritou, e bateu em seu corpo para se livrar da poeira e sujeira que grudou nele, até que alguém lhe estendeu algo. A ficha de Corrida Livre, que o manequim havia acabado de retirar do seu peito.

— Bem, obrigado. — Eiro disse com um sorriso, e colocou a ficha em sua Tesouraria, enquanto descobria, estranhamente, que conseguia armazenar as quatro fichas ao mesmo tempo, e olhou para o fantoche com um sorriso.

— Vamos voltar para casa e finalmente completar as outras três tarefas, certo? — O Demônio sugeriu, começou a caminhar enquanto alongava seu corpo adequadamente depois de correr por tanto tempo.

— Consegui aumentar minha habilidade até esse ponto, huh? — O Diabrete murmurou enquanto olhava para uma das linhas em seus status, ao mesmo tempo que caminhava.

– [Corrida Livre (Aprendiz) Nv. 13]

— Bem, ainda não sou tão bom se comparado ao manequim em si… — Eiro sorriu ironicamente. Claro, ele pode ter conseguido dessa vez, mas as técnicas do fantoche ainda estavam muito, muito acima das de Eiro. Apesar de isso fazer sentido, considerando que essas técnicas vinham de alguém que levou sua habilidade de Corrida Livre ao grau de Mestre.

Ele queria completar cada tarefa pelo menos uma vez, começando a viagem para o lugar em que as habilidades de Sammy e Leon teriam seus selos removidos, mas essa, obviamente, não era a última vez em que ele tentaria completar a tarefa.

Vencer uma vez não significava que ele subitamente era tão bom como um mestre. Ele apenas teve sorte com o seu planejamento. Tinha que ser capaz de derrotar o manequim facilmente para ser capaz de dizer que estava no mesmo nível de um Mestre, desde que o próprio fantoche provavelmente não estava nem perto de tão bom quanto um Mestre de verdade seria, e isso ainda estava muito longe. Felizmente, o manequim conseguia comprimir o seu corpo em um espaço pequeno para que Eiro conseguisse armazená-lo em sua bolsa com bastante facilidade.

De qualquer forma, o Demônio não tinha muito tempo para relaxar, já que ainda tinha que derrotar as tarefas de Maestria com Adagas, Maestria de Combate Corpo a Corpo e Percepção.

E logo, o Diabrete chegou ao topo da colina onde sua casa estava, e onde todos estavam praticando um pouco, já que não havia muito melhor para se fazer.

Eles já haviam abatido alguns dos animais para provisões e vendido o resto, com exceção de dois cavalos, e suas coisas já estavam empacotadas para a viagem que começaria depois de amanhã.

Eiro se sentia um pouco mal por deixar para trás tanta madeira incrível que tinha no porão, mas isso era algo com que ele teria que viver. Ele já tinha que deixar todos os seus livros, pois não havia muito espaço na carruagem que construiu durante os últimos meses. Ele não poderia fazê-la muito grande, senão os cavalos não conseguiriam puxá-la, e ela acabou sendo apenas grande o suficiente para comportar confortavelmente as crianças e as coisas mais importes de que precisava, assim como todas as provisões e itens similares.

E agora que estavam perto de partir, todos estavam apenas tentando passar o tempo e se livrar do nervosismo, desde que não saíam fazia quase sete anos. As quatro crianças mais velhas estavam todas com quinze anos agora e inscritas na Guilda, embora ainda não tivessem conseguido receber suas classes, já que, por alguma razão, o homem da igreja com o cristal de mudança de classe não veio nesse verão.

Bem, eles certamente passariam por uma cidade durante o caminho e conseguiriam suas classes na igreja de lá, isso não era um problema.

Enquanto as crianças praticavam com suas armas, Eiro apenas retirou a ficha de Maestria com Adagas de sua Tesouraria e segurou as duas adagas de madeira para prática, com que ele e o manequim sempre lutavam, e jogou uma delas para o fantoche, se preparando para a luta.

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