
Volume 1 - Capítulo 52
A Virtude do Demônio
Enquanto o Diabrete olhava para a figura do corpo de um Senhor em colapso, uma série de notificações apareceram.
[Dano letal causado ao Senhor da Luxúria]
[Você subiu de nível!]
[Você subiu de nível!]
…
…
…
[Você subiu de nível!]
[Você tem 28 pontos de atributo não utilizados]
[Você matou um dos experimentos de <O Diabo>]
[<O Diabo> não gostou disso]
O Diabrete se virou lentamente e olhou para o número de demônios, ainda amontoados em volta de Arc. Parecia que mesmo que eles não tenham morrido, eles ainda foram atingidos pelo menos momentaneamente, e como tal eles tinham que primeiro se recuperar do Dano causado a eles antes que pudessem se mover.
O Diabrete os agarrou onde pôde e os puxou para longe do corpo de Arc, antes de agarrar o jovem garoto pelo braço para puxá-lo para longe. Claro, a primeira coisa que o Diabrete fez foi usar o pano branco para dar a Arc algo para se cobrir, ele rapidamente esfregou um pouco do sangue em seu corpo antes de colocar suas roupas de volta. Ele não queria cheirar mal ao sangue nojento deste Senhor quando voltasse para os outros, foi por isso que ele tirou suas roupas naquele momento.
Quando tinham tudo o que precisavam consigo, o Diabrete simplesmente pegou a mão de Arc antes de puxá-lo para fora do beco e rapidamente se dirigiu para a rua grande mais próxima, embora os prédios parecessem começar a desabar lentamente.
Neste ponto, a torre do Senhor da Ganância havia desabado completamente sobre a cidade abaixo, e pelo que o Diabrete podia ver à distância, o mesmo aconteceu com as torres do Senhor do Orgulho e da Inveja. A cidade do Senhor da Gula ainda parecia estar de pé, pelo menos comparada às outras, mas ainda havia muitas coisas diferentes acontecendo lá. E a torre do Senhor da Preguiça ainda tinha apenas alguns pedaços faltando, embora estivesse tudo bem de outra forma.
E por alguma razão, essa visão de caos por todo esse lugar, que era tão cruel com ele e com as crianças, o encheu de alegria, e o Diabrete pôde simplesmente continuar puxando Arc em direção à cidade humana à distância.
A maioria dos demônios ao redor dele parecia estar praticamente imperturbável com o que estava acontecendo na cidade ao redor deles, e continuaram fazendo o que já estavam fazendo antes, enquanto o Diabrete apenas os olhava com desdém e continuava com o garoto, antes de finalmente chegarem ao portão da cidade e passarem por ele.
Parecia que muitos dos humanos que viviam aqui tinham saído para as ruas novamente em resposta aos altos sons de caos que cercavam a cidade, e eles estavam especialmente olhando para o Diabrete enquanto ele caminhava pelas ruas com uma criança chorando a tiracolo.
, o gordo e preguiçoso Guarda que os deixou entrar na cidade com a carruagem antes parou o Diabrete. Sem mencionar as roupas cobertas de comida que ele estava usando, sua expressão era exausta e horrorizada enquanto ele caía de joelhos na frente do Diabrete.
— O-O que está acontecendo?! Eu pensei que, enquanto mantivéssemos nosso lado, vocês todos ficariam aqui! Vocês sabem quantas pessoas sacrificamos por voc… — O Guarda exclamou, mas antes que pudesse terminar, tinha a adaga do Diabrete em seu peito.
— Ah, então foram vocês mesmo que fizeram os Senhores aparecerem? — O Diabrete perguntou, e o jovem magro e nervoso que estava com o Guarda Gordo imediatamente correu até ele.
— V-Você, o que está fazendo?! — Ele exclamou, e o Diabrete lentamente enfiou a Adaga mais profundamente no coração do Guarda, apenas olhando para o jovem.
— É isso que eu gostaria de saber. Por sua causa, eu quase perdi as crianças, perdi meu dedo e quase morri várias vezes. E tudo isso só para vocês se divertirem um pouco? — Quando o Diabrete perguntou isso, ele puxou a adaga do peito deste Guarda e a empurrou de volta para seu corpo, bem através de seu olho.
[Dano letal causado a Eric Kirks]
Quando o corpo redondo e pesado caiu no chão, o jovem ao lado dele caiu para trás e apenas olhou para o Diabrete com medo.
— O-O quê… Vá embora, por favor! Não nos machuque! Você o matou, então estamos quites, certo? — O jovem perguntou, seus joelhos tremendo violentamente enquanto ele tentava se acostumar com essa sensação horrível.
— Claro. — O Diabrete disse com um sorriso, afastando-se ao lado do corpo do Guarda com Arc, que parecia estar se acalmando lentamente, e o jovem e os espectadores olharam para o Diabrete confusos, e o próprio jovem Demônio apenas olhou para o céu em direção à “lua” vermelho-escura, vendo que ela estava quase no horizonte.
O Diabrete rapidamente levou o garoto para a Pousada enquanto todos na cidade se afastaram quando o viram. Poucos momentos depois, o Diabrete abriu a porta da Pousada e entrou, encontrando rapidamente as crianças amontoadas entre duas das camas.
— Estamos de volta. — Ele disse, e imediatamente as crianças levantaram a cabeça e olharam para as duas figuras na porta, pulando de uma vez e correrem em direção a elas, antes que uma delas apontasse mais uma coisinha.
— Senhor… sua… sua mão está… — Sammy murmurou baixinho enquanto olhava para ela, e o Diabrete se virou lentamente para dar uma olhada.
Além do sangue escorrendo do ferimento mal fechado onde seu dedo estava, o Diabrete basicamente não tinha um único pedaço de pele intacto ali, pois tudo foi lentamente queimado pelo tecido sagrado, pelas Pedras Mágicas de Energia Sagrada ou pela combinação explosiva de três Pedras Mágicas diferentes.
O Diabrete sofreu muito dano durante a noite e, embora a maior parte dele sempre tenha se recuperado, havia atualmente 200 de Saúde faltando constantemente e que não foram recuperados novamente.
— Não se preocupe, — O Diabrete disse claramente, antes de olhar ao redor da sala. —, peguem tudo o que puderem carregar, voltaremos para a Carruagem. — Ele anunciou, caminhando lentamente até alguns dos livros espalhados pela sala, antes de pegá-los com a mão esquerda. Ele mal conseguia mover a direita no momento.
As crianças, uma após a outra, ajudaram e escolheram pegar alguns dos outros livros antes de seguirem o Diabrete para fora enquanto ele se dirigia para os Estábulos.
Lá, não demorou muito para encontrar o dono dos estábulos, a quem eles rapidamente pediram para levar a carruagem para fora. Claro que ele ficou surpreso ao descobrir que o homem que ele havia conhecido antes era na verdade um Demônio, mas na maior parte do tempo, ele não parecia muito chocado em fazer seu trabalho.
Quando as Crianças entraram novamente dentro da Carruagem, o Diabrete sentou-se lentamente na frente e tentou se lembrar do que exatamente Arc sempre fazia e o que lhe foi dito antes quando eles entraram na cidade e o Diabrete assumiu, e ele tentou, de alguma forma, dirigir a Carruagem em direção ao Portão mais próximo, e a lua vermelho-sangue se pôs além do horizonte, antes que a Cidade Demoníaca simplesmente desaparecesse em um flash no momento em que a primeira luz do sol do dia atravessou o mundo.
O Portão na frente do Diabrete também mudou de volta para aquele pelo qual o Diabrete passou ao entrar aqui, mas ainda tinha outra coisa que queria fazer aqui. Ele saiu da carruagem e foi direto para o prédio que estava ao lado dele, que ainda tinha a porta quebrada da noite passada. O Cadáver do Tenaga-Jin já tinha desaparecido, no entanto.
E enquanto o Diabrete estava ali, outra pessoa caminhou até ele novamente: era o jovem de antes, que estava aparentemente muito chocado ao ver o Diabrete ali parado por algum motivo.
— Como vocês ainda estão aqui?! Vocês, Demônios, desaparecem toda manhã! — Ele exclamou, e o Diabrete assentiu com a cabeça.
— Esses demônios? Sim. Eu? Não. — O Diabrete apontou e lentamente se aproximou do jovem, enfiando a lâmina do ‘Três de Espadas’ diretamente em sua perna, cortando-a para fazê-lo cair no chão, fazendo o mesmo com a outra perna também, para garantir que ele não conseguisse se levantar.
— Agora, você falou sobre ficarmos quites, não foi? — Ele perguntou, lentamente se aproximando do jovem gritando antes de agarrá-lo pelos cabelos, arrastando-o para dentro da Livraria. Isso na verdade era muito exaustivo e doloroso até mesmo para o Diabrete, porque ele tinha que usar as duas mãos, e uma delas estava completamente fodida no momento.
Uma vez lá dentro, o Diabrete ficou na frente do jovem e manipulou o ‘Três de Espadas’ para cortar um pouco seu peito. Claro que ele estava sendo fortemente ferido agora, e isso certamente continuaria por um tempo, mas por enquanto, o jovem não morreria desse ferimento ainda, pelo menos era o que ele esperava.
Afinal, ele estava fazendo isso por um motivo muito específico.
Tendo aberto seu peito, o Diabrete simplesmente enfiou uma de suas últimas Pedras Mágicas de Fogo naquela ferida, tão fundo quanto pôde, até que ela alcançasse o coração do homem.
O Diabrete mais uma vez se machucou queimando os dedos na pedra, que estava sendo mantida ativa pelo corpo do homem, enquanto as chamas penetravam seu ser e começavam a queimá-lo até as cinzas, usando os livros ao seu redor como combustível para espalhar o fogo.
Satisfeito pelo fato de que o homem ainda não havia morrido, o Diabrete saiu da livraria e sentou-se novamente na frente da carruagem, dirigindo-a para fora da cidade, que tinha começado a pegar fogo atrás dele.
O Diabrete não tinha certeza de onde deveria estar indo agora, e não sabia o que fazer em seguida. Ele ainda tinha aquela vontade de levar a Sacerdotisa para algum lugar, mas estava muito mais fraco do que antes, então o Diabrete estava pensando em talvez não fazer isso. Talvez eles devessem simplesmente ir para algum lugar e viver lá pacificamente. Isso soava bom o suficiente, não é?
Por enquanto, o Diabrete apenas parou a carruagem a cerca de uma hora de distância, o que parecia longe o suficiente daquela cidade, bem ao lado de um pequeno lago, e caminhou até a parte de trás da carruagem para abrir a porta.
— Vocês podem sair agora. — O Diabrete disse a eles, e, nervosas, as crianças fizeram o que ele mandou, colocando os pés no chão frio à sua frente.
— Tudo está de volta ao normal agora, certo? — Rudy perguntou nervosamente enquanto agarrava seu braço, e o Diabrete lentamente assentiu com a cabeça em resposta. — Está sim. — Ele respondeu, e as crianças lentamente começaram a relaxar, antes que o Diabrete apontasse para o lago.
— Vamos nos limpar.
Com um aceno, eles seguiram o Diabrete até o pequeno corpo de água, e o Diabrete colocou sua mão na água, e enquanto esperava uma picada dolorosa, o que ele encontrou foi bem diferente… ele não sentiu nada. Sangue escorria para fora de seus ferimentos em sua mão, mas o Diabrete não sentiu nada. Confuso, ele lentamente empurrou seus dentes contra seu braço para ver se sentia alguma dor, e logo apenas se afastou quando percebeu que sentia.
Com um leve suspiro, o Diabrete olhou para a água, antes de Arc sentar-se diretamente ao lado dele.
— Você… ainda não tem um nome, certo? — Ele perguntou, e o Diabrete balançou a cabeça lentamente.
— Eu não tenho. — O Diabrete respondeu, antes de perceber que as outras crianças, Sammy carregando Leon, e Rudy carregando a Sacerdotisa, também caminhavam atrás dele.
— Nos podemos lhe dar um nome? — Sammy então perguntou, e o Diabrete assentiu.
— Vocês podem. — O jovem Demônio disse, olhou para a esquerda enquanto Clementine se sentava ao lado dele.
— Nós acabamos de pensar em um… — Ela admitiu, e Rudy falou lentamente e nervosamente também.
— Você nos salvou… se machucou por nós… por isso que só pudemos escolher um nome para você… — O jovem disse calmamente, e o Diabrete continuou olhando para a água, enquanto Arc falava novamente.
— O nome do primeiro Herói… — ele murmurou: —Eiro.
…