
Volume 1 - Capítulo 34
A Virtude do Demônio
Assim que entraram na vila propriamente dita, não demorou muito até que Arc parecesse ter avistado um pequeno prédio com a frente aberta, com algumas outras carruagens e cavalos dentro.
— Precisamos ir lá — O garoto disse ao Diabrete, que fez o seu melhor para fazer isso corretamente, parando bem em frente à estrutura, antes que um homem se aproximasse deles com um sorriso brilhante.
— Bem, como posso ajudá-lo, senhor? — O Homem alto e musculoso perguntou, e Arc começou rapidamente a falar, gaguejando um pouco.
— E-Erm, nós estamos… queremos… — Ele começou a falar, ficando quase infinitamente quieto no final, batendo na perna do Diabrete enquanto fazia isso para dar-lhe o sinal de começar a falar.
— Nós- — O Diabrete começou, como Arc tinha planejado, mas o jovem garoto rapidamente o interrompeu.
— Espera, v-você disse que eu podia fazer isso! Nós queremos colocar a carruagem e os cavalos no estábulo! — Arc exclamou, tentando falar com entusiasmo e nervosismo ao mesmo tempo, e o homem parado ao lado da Carruagem riu suavemente e acenou com a cabeça com um sorriso.
— Claro, por quanto tempo vocês pretendem ficar? — O Homem perguntou, antes que o Diabrete falasse lentamente. Eles já tinham falado sobre essas coisas enquanto estavam a caminho da vila, então o Diabrete só precisava expressar a conclusão a que chegaram.
— Uma noite. — Ele disse com uma voz clara, e o homem assentiu lentamente com a cabeça.
— Tudo bem, isso será apenas uma moeda de cobre grande, por favor. 5 cobres pelo espaço, e 5 pela ração que daremos aos cavalos. Fechado? — O homem explicou, e o Diabrete assentiu lentamente e pegou o saco na sua cintura, tentando tirar o pequeno pacote de moedas que lhe disseram ser a moeda de que o homem estava falando.
Era bastante confuso para o Diabrete, havia três tipos diferentes de moedas, e cada uma delas tinha então novamente uma versão pequena, normal e grande dela. Era um pouco estranho, mas não era difícil de entender para uma criatura inteligente como o Diabrete. E assim, ele abriu lentamente o pequeno pacote de um punhado de moedas de cobre e as deu ao homem.
Cada moeda parecia ter um buraco no meio, e o normal era que puxassem um pedaço fino de corda por cada buraco para amarrar algumas das moedas juntas para manuseá-las mais facilmente. A corda que essa tinha podia simplesmente ser puxada uma da outra para abri-la e se fecharia quando cada extremidade fosse segurada perto uma da outra.
Era algo legal para brincar, mas o Diabrete foi informado de que não deveria fazer isso na frente das pessoas. De qualquer forma, após dar a moeda de cobre grande ao homem, ele deu uma olhada nela e depois assentiu lentamente com a cabeça.
— Perfeito. Vocês podem vir a qualquer momento se quiserem pegar algo da sua carruagem, mas me avisem antes. — O Homem explicou e então começou a tirar os cavalos da frente da carruagem e a levá-los para dentro da estrutura aberta, enquanto o Diabrete e Arc seguiam para a parte de trás, onde as outras crianças já estavam saindo, Rudy carregando a cesta com o bebê do Diabrete, e Sammy carregando Leon, como sempre.
— O que devemos fazer primeiro? — Rudy perguntou, e antes que o Diabrete pudesse fazer uma sugestão, o homem que comandava os estábulos se aproximou deles.
— Ah, sugiro que vão direto para a pousada primeiro, é mais barato se vocês pegarem um quarto durante o horário regular. — Ele explicou enquanto começava a levar o segundo cavalo para dentro dos estábulos, e quando voltou a apontar um pouco mais abaixo da rua, ele informou: — É um dos maiores prédios aqui, então não é difícil de achar. Se precisarem comprar alguma coisa, há uma loja de variedades diretamente em frente também. Eles têm basicamente tudo que vocês precisam lá — O homem apontou, e o Diabrete assentiu lentamente com a cabeça enquanto as crianças agradeciam ao homem por sua ajuda.
Diabrete se certificou de que tinham tudo o que precisavam da carruagem e fechou a porta, antes que o homem começasse a puxar a carruagem para longe.
— Então vamos fazer isso — Arc disse com um sorriso enquanto basicamente liderava o grupo na direção que o homem estava apontando, enquanto o Diabrete ficava na retaguarda do grupo, agarrando sua adaga por baixo da roupa caso alguém os atacasse. Era um pouco mais difícil enxergar do que o habitual, devido à máscara, então o Diabrete tinha que estar preparado para qualquer coisa, e ele não confiava em nenhuma dessas pessoas aqui.
Desde que chegaram aqui, o Diabrete estava tendo uma sensação estranha. A princípio, o Diabrete pensou que era a mesma sensação do Repelente de Monstros, mas o Diabrete se acostumou com isso até que rápido, deixando para trás uma sensação estranha diferente, como se alguém estivesse olhando para o Diabrete por trás o tempo todo, respirando em seu pescoço.
Mas sempre que se virava, o Diabrete nunca via ninguém, mas isso deixava o Diabrete nervoso. Para sua sorte, ele não estava se sentindo tão cansado, depois da sua evolução, ele estava enérgico e podia se concentrar em muitas coisas, então tinha certeza de que poderia ficar acordado essa noite para garantir que ninguém os atacasse enquanto estavam dormindo.
De qualquer forma, por enquanto, o grupo entrou no prédio que o homem parecia estar falando antes e rapidamente se dirigiu para a primeira pessoa que viu, sentada atrás de uma mesa, apenas sorrindo para eles.
— Bem-vindos! Como posso ajudá-los? — A Mulher perguntou, e o Diabrete rapidamente se pronunciou antes que Arc pudesse fazê-lo. Ele já esteve em uma pousada antes, então meio que se lembrou de como isso funcionava.
— Queremos um quarto por uma noite. — O Diabrete disse, e a mulher acenou com a cabeça com um sorriso, enquanto as crianças olhavam para ele surpresas.
Embora ele estivesse longe quando alugaram o quarto, ele precisou esperar perto das mesas enquanto faziam isso, então o Diabrete decorou algumas coisas do que as pessoas lá diziam.
— É para já. Vocês querem um quarto para todos vocês, ou dois quartos separados um ao lado do outro? — A Mulher perguntou, e o Diabrete respondeu mais uma vez.
— Um quarto para todos nós. — Ele disse relativamente rápido. Quando as crianças dormiam, faziam isso juntas na pequena carruagem ao mesmo tempo, então um único quarto maior seria bom.
Mais importante ainda, o Diabrete queria garantir que pudesse observar as crianças todas de uma vez. Seria muito mais difícil se tivesse que descobrir como vigiar dois quartos ao mesmo tempo.
— Tudo bem, então é um quarto com cinco camas… Podemos dar berços para os bebês de graça, senhor. — A Mulher disse com um sorriso e um piscar de olhos, e o Diabrete acenou com a cabeça em resposta.
— Obrigado. — Ele disse, afinal, aprendeu que era isso que deveria fazer quando as pessoas faziam algo por ele, e parecia que as camas para Leon e o bebê do Diabrete não estavam normalmente incluídas.
— Isso vai ficar apenas 14 Cobres, por favor! — A mulher disse a ele, e o Diabrete acenou lentamente com a cabeça e pegou as moedas devagar, tentando pensar em quais moedas deveria usar.
Uma moeda normal valia 10 moedas pequenas, e uma moeda grande valia 10 moedas normais. Então isso significava que, se ela quisesse 14 moedas de cobre, o Diabrete precisava de… uma moeda grande e quatro normais. Lentamente, o Diabrete tirou essas e então as deu para a mulher. Era bastante difícil calcular isso, mas o Diabrete de alguma forma aprendeu a fazer isso com números pequenos com Avalin, e o resto meio que tentou descobrir enquanto usava seus pontos de atributos, especialmente os últimos.
Ele ainda tinha 20 das subidas de nível, e ganhou 10 como bônus após evoluir, então os usou como um pouco de prática também, distribuindo-os entre Inteligência, Percepção e Agilidade, porque essas pareciam ser os atributos mais importantes do Diabrete no momento.
Então, após entregar à mulher as cinco moedas diferentes, ele recebeu uma chave com uma pequena etiqueta numerada em sua extremidade.
— Seu quarto é o de número 19, bem no final do corredor do segundo andar. — Depois que a mulher disse isso, o Diabrete acenou com a cabeça e se virou lentamente em direção à escada, esperando que as crianças fossem na frente novamente. Depois que subiram as escadas rangendo um pouco e ao longo do corredor, o Diabrete deu a chave para Arc e o deixou destrancar a porta, porque ele não entendia como funcionava, antes que todos entrassem no quarto.
A primeira coisa que Arc e Clementine fizeram foi correr para as camas e se jogar nelas, felizes.
— Aaargh! Uma cama normal! Finalmente! — Arc exclamou com uma risada feliz, pressionando sua cabeça no travesseiro, enquanto Clementine apenas espalhava todo o seu corpo em uma cama diferente. Nervosamente, Sammy e Rudy olhavam para o Diabrete, que simplesmente acenou com a cabeça para eles. Sammy lentamente entregou Leon ao Diabrete, que colocou sua adaga na pequena mesa no canto e segurou o jovem que estava apenas rindo agora, enquanto Rudy colocava a cesta com o outro bebê no chão.
E então, os dois correram para algumas camas também, enquanto o Diabrete foi deixado para entreter os dois bebês por um tempo. Parecia que tal coisa desnecessária era importante para eles, então o Diabrete decidiu apenas os deixar aproveitar por um tempo. Eles voltariam para a carruagem amanhã de manhã, afinal.
Apenas alguns minutos depois, o Diabrete ouviu uma batida na porta e, cautelosamente, virou-se para Sammy para dizer a ela para pegar Leon novamente, enquanto o Diabrete rapidamente pegava sua adaga e a escondia debaixo de sua capa, enquanto abria lentamente a porta.
— Olá, senhor. Trouxemos os berços para os bebês! — Um dos dois homens disse, e lentamente, o Diabrete acenou com a cabeça e abriu espaço para que os dois homens entrassem com os dois berços com rodinhas, antes de fixá-los no lugar para que não pudessem se mover.
Alguns minutos depois, os dois homens já tinham saído novamente, e o Diabrete deu uma olhada nos dois berços um pouco confuso.
— Por que são diferentes das nossas? — O Diabrete perguntou, e Arc lentamente se levantou e as examinou.
— Bem, são para bebês… para não poderem sair rastejando no meio da noite e se machucarem. Né? — Arc perguntou enquanto se virava para Sammy com um olhar questionador, e ela acenou lentamente com a cabeça.
— Sim, exatamente — Ela disse, mas o Diabrete ainda estava confuso, e achou que este era um momento tão bom quanto qualquer outro para perguntar sobre algo que ele queria perguntar fazia tempo.
— Por que o Leon e o meu são menores que vocês? Por que não podem falar? E por que as crianças são menores que as outras pessoas? — O Diabrete perguntou, e Arc olhou para ele confuso.
— Huh? O quê…? Bem… eu não sei o porquê, Leon e a garota, que precisamos nomear em algum momento, vão crescer e ficar mais fortes e ser crianças como nós, e nesse ponto seremos mais como essas “outras pessoas”, mais altos e mais fortes — Arc explicou ao Diabrete, tentando colocar em palavras da melhor forma que podia, antes que o Diabrete acenasse lentamente com a cabeça em entendimento.
— Tipo uma evolução? — Ele perguntou, e Sammy suspirou lentamente em resposta e balançou a cabeça, murmurando algo.
— Mais ou menos, mas não exatamente. Nós crescemos constantemente até sermos adultos, e mesmo assim ficamos mais velhos e mais enrugados, sabe? Não é o mesmo com os monstros? — Sammy perguntou, mas o Diabrete estava bastante confuso com esse conceito, balançando a cabeça.
— Eu já nasci desse jeito.
…