
Volume 1 - Capítulo 28
A Virtude do Demônio
Lentamente, com um sorriso no rosto, Arc deu um passo em direção ao Diabrete.
— Viu? Ele não é tão ruim assim. Tudo o que fez foi se defender. Teríamos feito o mesmo, não? — O menino perguntou enquanto se virava lentamente para as outras crianças ao lado do Diabrete, antes mesmo que o Diabrete sentisse um ar frio se aproximando de sua garganta.
— Dito isto, eu pessoalmente não tenho escrúpulos em agir assim, Sr. Diabrete. Eu pessoalmente não me importo que você venha conosco, pelo contrário, você provavelmente é mais forte do que todos nós no momento e pode nos proteger, mas estamos em maior número. Apenas três de nós, já basta para machucá-lo, e lembre-se. Até você precisa dormir alguma hora. — Arc disse com um sorriso, usando a adaga que o Diabrete deixou cair tão impensadamente no caminho para a carruagem para agarrar a criança nos braços.
Lentamente, parecia que Arc estava empurrando a lâmina na garganta do Diabrete, embora, na verdade, estivesse apenas a tocando um pouco. Somente se algum deles se movesse rapidamente é que isso realmente cortaria o Diabrete. O Diabrete tinha que descobrir uma maneira de se defender agora, dominar essa criança e depois se livrar dela. De alguma forma, ele não tinha vontade de matar nenhuma dessas crianças, mas se o ameaçassem desse jeito, ele não teria escolha, certo?
Mas antes que o Diabrete pudesse tomar uma decisão, Arc já puxou a Adaga para longe da garganta do Diabrete e agarrou-a pela lâmina, segurando o cabo na direção do Diabrete.
— Não se preocupe, na verdade, não sei como usar isso muito bem — Arc disse rindo, antes que o Diabrete continuasse a encará-lo e puxasse rapidamente a cesta ao lado dele para mais perto com o pé antes de colocar a criança em seus braços de volta nela, e então pegou lentamente a adaga de Arc novamente.
— Diabrete não mata crianças. Crianças não matam Diabrete. — O monstro vermelho disse com um olhar furioso, enquanto pegava a adaga e a colocava no saco pendurado ao lado de seu quadril, e Arc acenou com a cabeça com um sorriso.
— Tudo bem, então espero que você confie em mim o suficiente para não se sentar ao meu lado enquanto estou dirigindo a carruagem enquanto esfaqueia minha perna — Arc disse ao Diabrete, e falou com um sorrisão no rosto, quase nenhuma animosidade incluída nele, algo que o Diabrete realmente não esperava: — Você não me feriu, mas drenou um pouco da minha vida, então seria ótimo se você parasse de fazer isso ou acabarei inconsciente mais cedo, ou mais tarde. Não queremos isso, queremos? — O menino perguntou antes de voltar para a carruagem, mas o Diabrete tinha mais alguma coisa que ainda queria saber.
— Por que dor não? — Ele perguntou ao menino, e ele olhou novamente para o monstro atrás dele.
— Ah, verdade! Bem, se vamos ficar juntos por um tempo, acho que deveríamos nos conhecer melhor e nos apresentarmos adequadamente. Tenho certeza de que todos estão com fome, então vamos fazer isso enquanto comemos, hein? — Arc sugeriu e entrou na carruagem e, nesse ponto, o Diabrete mais do que apenas acenou com a cabeça alegremente.
Se fosse sobre comida, ele já tinha preparado mais do que o suficiente. Essas crianças com certeza deviam estar com fome, então o Diabrete precisaria dividir sua comida também, não? Querer compartilhar era um sentimento que ele não sentia há muito tempo, ele sentiu isso pela primeira vez quando matou aquela ave esquisita na pilha de gravetos e depois deu para Avalin, mas ele não esperava sentir isso com todas essas crianças inúteis.
Então, o Diabrete rapidamente entrou na carruagem e pegou seu saco de carne cozida, colocando-o alegremente na frente das crianças.
— Comam! — Ele exclamou, e embora Rudy, Clementine e Sammy parecessem com muita fome e quisessem pegar um pouco, Arc sabia realmente de onde vinha aquela carne.
— Ah, desculpa, senhor Diabrete. Não podemos comer essa comida! — Arc explicou, mas as outras três crianças olharam para ele desapontadas.
— Hã? Por que não? É carne! — Rudy exclamou faminto, já tentando estender a mão em direção a ela, mas foi rapidamente parado por Arc, que simplesmente agarrou o braço do outro garoto com força.
— Eu disse que não podemos comer essa carne. Essa carne vem de… algo que nos matará se comermos. Eles vão conseguir nos rastrear pelo cheiro e nos caçar onde quer que estejamos. Isso só se aplica às pessoas, no entanto, então monstros podem comer… — Arc explicou, e o Diabrete apenas olhou para ele confuso enquanto pegava um dos pedaços de carne e começava a comê-lo, e por que por que ele não iria? Era apenas carne, mas Clementine olhou para o Diabrete com inveja.
— O quê? Por que o Sr. Diabrete pode comer e nós não? — Clementine perguntou enquanto cruzava os braços, mas Arc apenas colocou a mão no topo de sua cabeça e esfregou-a, algo que fez o Diabrete parar por um momento, mas logo continuou comendo normalmente, enquanto as crianças entravam na carruagem e pegavam alguma outra comida que o Diabrete lembrava que Avalin, Thomas e James sempre comiam, pão.
Mas o Diabrete não se importou, no fim, apenas as crianças saíram perdendo, enquanto comiam, e o Diabrete tentava descobrir por que ele se sentia tão calmo com coisas que queria matar apenas algumas horas atrás. De repente, Arc começou rapidamente a falar novamente.
— Certo, vamos começar nossa introdução. Vamos primeiro com Rudy, de novo. Você se importa? — Arc perguntou enquanto se virava para o outro garoto à sua direita e balançou a cabeça lentamente.
— … Eu não ligo… então, me chamo Rudy… Também devemos explicar nossas habilidades? — Rudy coçou a bochecha enquanto se virava para Arc, que apenas acenou com a cabeça com um sorriso calmo.
— Tudo bem… eu tenho uma habilidade única, chamada de ‘Defesa Perfeita’, a habilidade de defesa mais forte já conhecida… Isso torna quase impossível que ataques abaixo de uma certa quantidade de dano me machuquem… eu não posso acidentalmente me machucar também, porque nenhum dano pode passar pela minha pele. E então, eu tenho ‘Ataque Impossível’. Isso me torna literalmente incapaz de atacar qualquer coisa. Não consigo nem machucar uma mosca… — Rudy disse em um tom de reclamação enquanto empurrava pão garganta abaixo, e o Diabrete parou de comer por um instante.
Essa primeira habilidade parecia muito útil, e o Diabrete queria aprendê-la de alguma forma, mas a segunda habilidade era realmente inútil. Isso simplesmente transformava o Rudy em nada além de um escudo. O Diabrete queria perguntar como conseguir a primeira habilidade, mas Sammy começou a falar em seguida.
— Meu nome é Samantha, mas todos me chamam de Sammy. Minha habilidade única é ‘Verdade do Mentiroso’.
— Todas as pessoas que ouvem minha voz acreditam no que eu digo como uma verdade absoluta, mas eu não consigo controlar isso de jeito nenhum… Às vezes, até eu mesmo acredito, inclusive… mas agora a habilidade está selada, então está tudo bem! — Sammy exclamou com uma expressão um tanto presunçosa. Também parecia um tanto útil, mesmo que muito irritante se não pudesse ser controlado. Isso poderia ser resolvido simplesmente ficando quieto, então o Diabrete não se importava com essa condição e queria adquirir essa habilidade de alguma forma. E em seguida, olhou para Clementine, que parecia também querer falar.
— Me chamo Clementine… Minha habilidade única é… S-Status… Ah, certo, é ‘Consumidor de Dano’. Isso me permite curar qualquer ferimento sem problemas, então me avise quando estiver machucado! — Ela explicou ao Diabrete e imediatamente ele acenou com a cabeça com entusiasmo. Isso certamente seria útil para ele! Que bom que não a matou! Embora, então, ele tenha aprendido algo mais sobre essa habilidade.
— Sem problemas.
— Não é exatamente preciso, no entanto. Basicamente, ela fica com fome de ferimentos e, sempre que passa muito tempo sem comer um, ela precisa satisfazer essa fome. Mas quando ela faz isso, ela assume o ferimento em seu próprio corpo. Ela não é danificada por isso, mas ainda sente a mesma quantidade de dor, então por favor, não confie demais nela. — Arc acrescentou, então o Diabrete apenas olhou para a jovem surpreso, antes de Arc falar novamente com um suspiro: — A dela é provavelmente a mais única que existe… — Ele murmurou baixinho, antes de apontar para a criança pequena que Sammy estava segurando em seus braços.
— E esse pequenino aqui é o Leon, ele tem duas Habilidades Únicas também. Acho que elas deveriam ser ‘Amado por Monstros’ e ‘Temido por Monstros’. Mas se os dois estiverem ativos ao mesmo tempo, os monstros enlouquecem e acabam atacando e matando tudo o que veem. Ambos estão selados agora, obviamente. — O menino explicou com uma risada fraca, antes de cruzar os braços com outro grande e largo sorriso.
— E eu sou Arc, o mais velho do grupo! Também tenho duas habilidades únicas, uma é ‘Resistência a Emoções Negativas’ e a outra é ‘Resistência a Dor’! A primeira inclui coisas como Raiva, Tristeza, Medo, e assim por diante, então estou basicamente feliz na maior parte do tempo! Bem, exceto quando estou um pouco sobrecarregado como antes, hehe… — Arc admitiu com um sorriso irônico, antes de apontar para sua perna onde estava a lesão. — E, obviamente, a Resistência à Dor me torna bastante resistente à dor! Não totalmente, mas pequenos cortes como esses são tranquilos de aguentar — Enquanto o menino explicava isso, o Diabrete só tinha que admirar essas duas habilidades que ele tinha. Elas definitivamente seriam úteis para o Diabrete! Ele sob qualquer circunstância precisava aprendê-las!
— Como eu faço? — O Diabrete perguntou curioso, e as quatro crianças olharam confusas para o Diabrete, e Sammy coçou lentamente sua bochecha. Ela ainda parecia bastante assustada, como as outras crianças que conseguiam registrar o que estava acontecendo, diferente do pequeno Leon, ou que conseguiam registrar o próprio medo, diferente de Arc, como o Diabrete acabou de aprender, mas devido à ajuda do menino mais velho, pareciam ter se acalmado um pouco.
— Como você consegue habilidades únicas? — Sammy perguntou, tentando esclarecer o que o Diabrete queria dizer, e o monstro acenou rapidamente com a cabeça porque era exatamente isso que estava perguntando, e Rudy cruzou os braços.
— Você não pode aprender Habilidades Únicas. Você simplesmente nasce com elas ou não. Todos nós nascemos com nossas habilidades — O gordinho apontou, e o Diabrete olhou para ele confuso.
— Diabrete não aprende as habilidades? — Ele perguntou, e Rudy acenou com a cabeça.
— Não, pelo menos habilidades únicas, não. — Rudy respondeu franzindo a testa e simplesmente caiu no chão sem qualquer hesitação de uma forma que teria machucado qualquer pessoa normal, mas o próprio Rudy aparentemente estava bem, afinal, assim como disse, não poderia sofrer nenhum dano.
Mas triste porque não conseguia aprender essas habilidades, ele olhou para todas elas e perguntou sobre outra coisa que elas disseram.
— O que é selado? — O Diabrete perguntou, e Sammy coçou levemente a bochecha enquanto seu rosto ficava vermelho, puxando a manga para cima para mostrar desenhos pretos, bem como gravuras semelhantes a cicatrizes por toda a pele.
— Este é um selo… pode impedir você de usar suas habilidades. As minhas e as de Leon eram muito perigosas, então foram seladas — Sammy explicou calmamente, e Rudy suspirou com um aceno de cabeça enquanto continuava comendo seu pão.
— Eles tentaram selar minha habilidade de ‘Ataque Impossível’ também, mas não conseguiram danificar minha pele… — Ele disse irritado, antes de Arc apenas rir um pouco para tentar melhorar um pouco o clima, e então olhou para o Diabrete e a criança na cesta ao lado dele.
— Bem, agora que todos nos apresentamos. É a sua vez, Sr. Diabrete?
…