18LOH

Capítulo 75.00001

18LOH

Esse capítulo é especialmente dedicado a “explicar” o Jogo de Self Kill Cycle (Ciclo de Auto-Matança) para aqueles que não entenderam exatamente o que aconteceu. Se você não tem interesse nisso, bastar pular para o capítulo seguinte. Esse texto vai ser grande, inclusive ele é uma tradução direta de um documento que já explicava essa façanha do Chen Ran. Felizmente não é nada difícil de entender.

PROLOGO:

Chen Ran e os outros participantes foram divididos em duas equipes como parte da 3ª Fase da Instância de 1 Estrela. Cada equipe era liderada por um Jovem Herdeiro e uma Jovem Herdeira. Para determinar o vencedor, em cada rodada ambos escolhiam um participante para se enfrentar em um cenário de jogo virtual, apostando fichas em seu representante.

O primeiro jogo foi classificado pelo sistema como Extremamente Difícil. Em equipes opostas, Chen Ran e Geng Hao decidiram se enfrentar, enquanto o Herdeiro e a Herdeira apostaram uma ficha cada em seus respectivos participantes.

INTRODUÇÃO:

O objetivo deste jogo virtual é obter o maior número de eliminações. Uma quantidade limitada de outras versões da dupla surgirá naquela sala a cada intervalo de 5 minutos. A sala está conectada a uma cópia idêntica de si mesma, e assim sucessivamente. Essas câmaras/salas são independentes, o que significa que as Habilidades do Matador de Mentirosos usadas em uma delas não afetam as demais.

Essas versões falsas possuem o mesmo intelecto e as mesmas memórias dos originais até o momento em que entraram neste jogo virtual. No entanto, cada novo grupo de cópias é criado a partir do grupo anterior. Ou seja, se uma geração de cópias acreditar ou transmitir uma mentira, as cópias subsequentes também carregarão essa mesma informação falsa. Além disso, as cópias produzidas replicam o estado físico que os originais possuíam antes de entrarem no jogo.

Nenhum deles pode ferir outro sem utilizar seu Matador de Mentirosos. Contudo, as versões originais podem ser mortas pelas cópias falsas, e vice-versa. Todas as versões são movidas pelo instinto de sobrevivência e autopreservação (as cópias não desistirão apenas por não serem as originais).

Assim, para vencer o jogo, Chen Ran precisa obter uma pontuação maior que a de Geng Hao, evitar ser morto por outras versões de si mesmo e, ao mesmo tempo, elaborar um plano robusto o suficiente para eliminar as inúmeras versões futuras de si próprio. Ele consegue isso por meio de uma combinação de vantagem do primeiro movimento, ocultação de informações, enganação em múltiplas camadas e da exploração de suas próprias fraquezas.

ENTRANDO NO JOGO E OBRIGANDO AS VERSÕES SUBSEQUENTES A CRIAR UM CICLO DE AUTO EXTERMÍNIO:

Assim que Chen Ran e Geng Hao aparecem dentro do mundo virtual, Chen Ran percebe imediatamente que se trata de uma realidade virtual através da seguinte linha de raciocínio:

Quando entraram pela porta marcada como Extremamente Difícil, viram duas cadeiras.

Depois que ambos se sentaram nelas, despertaram nesta sala, que se parecia com a primeira câmara da instância de uma estrela antes das alterações que haviam feito originalmente.

Também havia cadeiras na segunda câmara, e sentar nelas transferia memórias e consciência para o corpo da outra pessoa. Porém, isso não aconteceu aqui.

Então, por que a instância exigiria sentar-se em uma cadeira como etapa intermediária em vez de simplesmente conectar as duas salas diretamente?

Com isso, ele conclui que estão em um mundo virtual. A sala em que se encontram possui estantes de livros, mesas e uma porta. Ao perceber que não há temporizador nem objetivo aparente, conclui que algo deve acontecer naquela sala; caso contrário, sua existência seria desnecessária. Por isso, sugere que Geng Hao espere.

Cinco minutos depois, o Falso Chen Ran A e o Falso Geng Hao A materializam-se na mesma sala. Antes mesmo de os Geng Haos entenderem o que estava acontecendo, ambos os Chen Rans já haviam deduzido que outra leva apareceria dali a cinco minutos. Os dois tiveram exatamente a mesma ideia ao mesmo tempo: eliminar os futuros Chen Rans e Geng Haos que surgiriam depois, para que a competição permanecesse apenas entre eles.

Eles ainda não conheciam as regras, mas já haviam concluído que o jogo deveria envolver matar suas outras versões, pois não havia qualquer outro tipo de quebra-cabeça presente. Também presumiram que a próxima sala após aquela porta seria uma réplica exata da atual, assim como a seguinte e todas as demais.

No entanto, os dois Chen Rans decidem simultaneamente fazer com que o terceiro e o quarto Chen Ran criem um ciclo de autoextermínio por conta própria, expondo informações de uma forma que os convenceria a agir dessa maneira, permitindo que alcançassem o mesmo nível de compreensão que eles.

Eles nem sequer discutem o plano. Chen Ran apenas pergunta:

“Você vai”

E o Falso Chen Ran A responde: “Tudo bem.”

O plano elaborado por ambos era o seguinte:

Colocar um livro na mesa principal contendo a mensagem: “Mate quem aparecer na sala, não importa quem você veja.”

Esse passo serviria para criar uma hostilidade inicial entre os grupos subsequentes, tornando-os desconfiados de suas próprias versões e incapazes de cooperar eficientemente. Além disso, ajudaria os próximos Chen Rans a conectar as pistas deixadas e deduzir as regras do jogo da mesma forma que eles haviam feito.

Na sala seguinte, deixar outro livro na mesa principal contendo a mensagem: “Este é um mundo virtual, uma sala interconectada infinitamente. A cada cinco minutos, um Chen Ran e um Geng Hao nascerão. Quando vir este texto, rasgue-o imediatamente e devolva o livro à sua posição original.”

Depois disso, eles seguiriam para a próxima sala. Essa mensagem aumentaria ainda mais a desconfiança entre as versões seguintes. Também os levaria a concluir que existe pelo menos uma versão falsa deles à frente, juntamente com a versão verdadeira. Além disso, desempenharia um papel importante na construção do ciclo de autoextermínio.

Enquanto elaboravam esse plano, ambos os Chen Rans sabiam exatamente qual seria a linha de raciocínio dos próximos Chen Rans que chegariam, pois as pistas deixadas haviam sido projetadas especificamente para conduzi-los àquelas conclusões.

Quando os Falsos Chen Rans B e C, juntamente com os Falsos Geng Haos B e C, surgem posteriormente na primeira sala, isso resulta em um impasse entre os grupos B e C, já que nenhum deles consegue matar o outro. Ambos os Chen Rans já haviam chegado às mesmas conclusões que Chen Ran verdadeiro e o Falso Chen Ran A: a cada cinco minutos surgiria uma nova cópia, e a condição para vencer dependia da eliminação das outras versões antes que elas eliminassem a original e a substituíssem.

Os Falsos Chen Rans B e C percebem que a primeira mensagem foi escrita por Chen Ran. Afinal, não havia mais ninguém além de Chen Ran e Geng Hao.

Porém, o Falso Chen Ran C, que apareceu cinco minutos após o Falso Chen Ran B, suspeita que Chen Ran B seja o verdadeiro Chen Ran fingindo estar confuso para induzi-lo a mentir.

Essa suspeita surge após a seguinte fala de Chen Ran B:

“As informações na mesa provavelmente foram deixadas por… Chen Ran. Isso significa que talvez sejamos cópias. Mas, já que ninguém está mentindo, como matamos?”

O Falso Chen Ran C percebe que Chen Ran B utiliza expressões cuidadosamente escolhidas para evitar mentiras, como “provavelmente” e “talvez”. Ele raciocina que o verdadeiro Chen Ran certamente já saberia que a única forma de matar alguém seria fazê-lo mentir. Por isso, considera a possibilidade de que o verdadeiro Chen Ran tenha escrito o livro e esteja se passando por Chen Ran B para induzir alguém a mentir.

Os quatro, desconfiados uns dos outros, seguem para a segunda sala em busca de pistas e encontram o segundo livro deixado pelo grupo do Chen Ran verdadeiro e do Falso Chen Ran A.

Isso faz com que o grupo C passe a desconfiar ainda mais do grupo B.

Percebendo isso, o Falso Chen Ran B admite que a mensagem foi realmente deixada por Chen Ran, mas não por ele.

Como o Falso Chen Ran B passa a falar de forma direta e inequívoca, a suspeita diminui. Ambos os Chen Rans então concluem que deve existir pelo menos outra cópia de Chen Ran junto do verdadeiro Chen Ran para que ele tenha conseguido deduzir as regras do jogo.

Com incontáveis cópias destinadas a surgir depois deles, restam apenas dois caminhos:

  1. Seguir diretamente para as próximas salas e tentar matar o verdadeiro Chen Ran e as outras cópias, que talvez estejam cooperando temporariamente com ele para eliminar as versões subsequentes.
  2. Criar um mecanismo de autoextermínio que leve as futuras versões a matarem umas às outras por conflitos internos. Depois disso, eliminar o Chen Ran falso à sua frente e então confrontar o verdadeiro Chen Ran.

Eles escolhem a segunda opção pelos seguintes motivos:

  1. Já perderam a vantagem temporal devido à existência de um verdadeiro Chen Ran à frente deles. Além disso, desperdiçaram tempo desconfiando uns dos outros, esclarecendo suspeitas e tentando entender o que estava acontecendo.
  2. Se matarem o verdadeiro Chen Ran imediatamente, o jogo pode acabar. Nesse caso, como o sistema decidiria qual dos vários Chen Rans falsos assumiria a consciência do verdadeiro Chen Ran no mundo real? Eliminar os demais aumentaria suas chances de serem o substituto escolhido.
  3. O surgimento de mais Chen Rans poderia desestabilizar completamente qualquer plano. Eles sabem exatamente o quão habilidoso Chen Ran é em virar uma situação desfavorável a seu favor.

Tanto o verdadeiro Chen Ran quanto o Falso Chen Ran A já haviam previsto essa linha de raciocínio dos Falsos Chen Rans B e C, pois deixaram as pistas justamente para direcioná-los à escolha da segunda opção.

MENTIRAS EMOCIONAIS

Ambos os Falsos Chen Rans B e C imediatamente tentam enganar os Falsos Geng Haos B e C para fazê-los revelar uma mentira emocional. Eles já sabiam que Geng Hao estava sob pressão desde a primeira sala da instância, e que os acontecimentos recentes o haviam levado ao limite psicológico.

Depois que o Falso Chen Ran B revelou aos Falsos Geng Haos que poderia haver mais de um verdadeiro Chen Ran à frente deles, ambos os Falsos Chen Rans B e C chegam ao mesmo plano simultaneamente: tentar provocar uma mentira emocional dos Falsos Geng Haos B e C.

Os objetivos eram:

Testar se as versões falsas eram cópias das versões falsas anteriores ou diretamente de suas versões originais.

Impedir que os Falsos Geng Haos interferissem em seus planos.

O Falso Chen Ran B muda abruptamente de assunto e pergunta aos Falsos Geng Haos se as habilidades do Matador de Mentirosos também são replicadas em suas cópias.

De repente, os dois Falsos Chen Rans B e C apontam suas armas para Geng Hao e dizem simultaneamente:

“Vocês dois se lembram, minha habilidade se chama: Reino Eterno!”

Os Falsos Geng Haos, que sempre tiveram medo de Chen Ran e de sua inteligência, também apontam suas armas para os Chen Rans e apertam o gatilho.

Mas as armas falham.

Nenhum comando de “Você Mentiu” havia sido pronunciado.

Geng Hao puxou o gatilho porque raciocinou da seguinte forma:

Para usar uma habilidade, a pessoa precisa sacrificar uma Oportunidade de Julgamento Garantida.

Em outras palavras, ela abre mão de uma oportunidade de apontar uma mentira.

Geng Hao sabe que a habilidade de Chen Ran se chama Reino Eterno.

Ao ouvir aquelas palavras, conclui que Chen Ran havia sacrificado uma oportunidade de mentir.

Como só existem Chen Rans e Geng Haos naquele local, se Geng Hao não mentiu, então Chen Ran necessariamente teria mentido para ativar sua habilidade e deixado de julgá-la.

Porém, os Chen Rans não haviam utilizado nenhuma habilidade.

Eles apenas declararam uma informação verdadeira.

Como resultado, ambos os Geng Haos ficam furiosos ao perceber que foram levados ao pânico sem motivo.

Incapazes de controlar a própria raiva, os dois dizem:

“Seu bastardo, você me enganou.”

Entretanto, os Falsos Chen Rans B e C não eram bastardos. Portanto, essa declaração constitui uma mentira de caráter emocional

No mesmo instante, ambos os Geng Haos são mortos a tiros.

Após isso, Chen Ran observa que, por aqueles homens terem levado uma vida criminosa antes de chegarem ao inferno, era muito mais difícil para eles controlarem suas emoções e manterem a compostura sob pressão.

FAZENDO O CHEN RAN D MENTIR

Para colocar em prática todo o plano do ciclo de autoextermínio, os Chen Rans nem sequer precisam discutir a estratégia entre si, pois Chen Ran sempre conhece sua própria linha de raciocínio.

O Falso Chen Ran C se esconde na primeira sala, onde os Chen Rans e Geng Haos aparecem, enquanto o Falso Chen Ran B ocupa a segunda sala.

O plano do Falso Chen Ran era simples. Como o comportamento de Chen Ran sempre segue uma estratégia de agir rápida e decisivamente para acumular vantagens, levá-lo a assumir uma premissa errada o faria seguir uma linha de raciocínio incorreta e agir com base nela.

  1. O Falso Chen Ran B se esconde na segunda sala. O Falso Chen Ran C pega o cadáver de um dos Geng Haos mortos e se esconde na primeira sala.
  2. Assim que o Falso Chen Ran D e o Falso Geng Hao D se materializam, o Falso Chen Ran B abre ligeiramente a porta e utiliza sua habilidade do Matador de Mentirosos, Reino Eterno.

O efeito da habilidade Reino Eterno é anular qualquer habilidade de Matador de Mentirosos já ativa e impedir o uso de novas habilidades desse tipo naquela sala durante uma hora.

Para ativá-la, o Falso Chen Ran B abre mão de sua Oportunidade de Julgamento Garantida sobre o Falso Geng Hao D.

O simples fato de a habilidade funcionar reforça a hipótese dos Chen Rans: as versões falsas são cópias das versões falsas anteriores e herdam seu atributo de “mentiroso”. Em outras palavras, como o Falso Geng Hao C havia mentido anteriormente, o Falso Geng Hao D também herda essa condição, mesmo sem ter pronunciado nenhuma palavra.

Sempre que uma habilidade do Matador de Mentirosos é usada, a sala mergulha temporariamente na escuridão, deixando todos cegos. Trata-se de um fenômeno comum do inferno, criado para indicar que uma habilidade foi ativada.

  1. A primeira sala fica completamente escura.

Quando as luzes retornam, o Falso Chen Ran C revela sua presença juntamente com o cadáver do Falso Geng Hao para o Falso Chen Ran D e o Falso Geng Hao D.

  1. O Falso Chen Ran C finge estar tão surpreso quanto o Falso Chen Ran D.

Ambos afirmam ser Chen Ran.

Então, o Falso Chen Ran C pergunta ao Falso Geng Hao D se o aparecimento de outra cópia seria resultado da habilidade de Matador de Mentirosos de Geng Hao.

Como tudo aconteceu durante a escuridão, ninguém sabe quem ativou a habilidade.

  1. Os dois Chen Rans pressionam o Falso Geng Hao D para provar que ele não foi o responsável pela ativação.

Após negar, Geng Hao tenta usar sua habilidade diante deles.

A arma cai.

Nenhuma habilidade é ativada.

  1. Tanto o Falso Geng Hao D quanto o Falso Chen Ran D percebem que estão sob os efeitos do Reino Eterno.

Nesse instante, o Falso Chen Ran C atira repentinamente no Falso Geng Hao D antes que qualquer um consiga reagir.

  1. Os acontecimentos seguintes levam o Falso Chen Ran D exatamente à linha de raciocínio planejada pelo Falso Chen Ran C.

Ele conclui:

  1. Como o Falso Chen Ran C conseguiu matar o Falso Geng Hao D, ele realmente existe e não é uma ilusão.
  2. Falhar ao usar uma habilidade não é considerado mentira. Porém, como o Falso Chen Ran C conseguiu matar Geng Hao, isso significa que o Falso Geng Hao D já havia mentido anteriormente.
  3. Se Geng Hao já havia mentido, por que não conseguiu ativar sua habilidade?
  4. A sala ficou escura antes, indicando que uma habilidade foi usada.
  5. Portanto, a conclusão lógica seria que o Falso Chen Ran C utilizou Reino Eterno para bloquear a habilidade de Geng Hao.
  6. Para usar Reino Eterno, é necessário abrir mão de uma oportunidade de julgamento.
  7. O Falso Chen Ran D não havia mentido.
  8. O Falso Geng Hao D já estava morto.
  9. O cadáver do outro Geng Hao já havia morrido anteriormente.

Conclusão do Falso Chen Ran D

Ele chega à seguinte conclusão:

O Falso Chen Ran C e o Geng Hao morto devem ter mentido anteriormente.

Isso levou a um confronto em que Chen Ran matou Geng Hao antes da chegada deles.

O Falso Chen Ran C ainda carrega essa mentira.

Ele ativou Reino Eterno abrindo mão da oportunidade de julgar a si mesmo.

Entretanto, o Falso Chen Ran D ainda pode julgá-lo pela mentira cometida.

  1. Convencido disso, o Falso Chen Ran D aponta sua arma para o Falso Chen Ran C.

O Falso Chen Ran C então começa a agir de forma convincente, fingindo medo e dizendo coisas como:

“Você não deveria matar suas próprias versões.”

Além de outras justificativas.

Essa atuação reforça ainda mais a convicção do Falso Chen Ran D.

  1. Por fim, o Falso Chen Ran D declara:

“Você mentiu.”

E tenta atirar no Falso Chen Ran C.

Porém, o julgamento falha.

Ao fazer uma acusação incorreta, o próprio Falso Chen Ran D se torna um mentiroso.

O erro ocorreu porque:

  1. Ele desconhecia a existência de múltiplas versões de Chen Ran.
  2. A atuação do Falso Chen Ran C foi perfeita.
  3. Os Falsos Chen Rans B e C exploraram completamente a vantagem de informação e de tempo que possuíam.
  4. Chen Ran tem o hábito de agir rapidamente quando acredita ter certeza de que alguém mentiu. Por isso, não analisou profundamente as regras específicas do jogo virtual nem questionou por que o Falso Chen Ran C revelaria voluntariamente sua própria “mentira” ao usar a habilidade.

Com isso, o Falso Chen Ran C elimina o Falso Chen Ran D, que agora se tornou um mentiroso.

O resultado final é exatamente o desejado pelos Falsos Chen Rans B e C: todas as versões futuras de Chen Ran e Geng Hao herdarão o atributo de mentirosas, tornando possível que continuem matando umas às outras indefinidamente, perpetuando o ciclo de autoextermínio planejado desde o início.

PREPARATIVOS

Com isso, os Falsos Chen Rans B e C agora podem fazer com que todas as futuras versões de Chen Ran e Geng Hao se matem mutuamente, já que todas carregarão o atributo de terem mentido. Por isso, eles passam a deixar instruções ordenando que qualquer pessoa que apareça na sala seja morta imediatamente.

No entanto, o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A já haviam previsto isso e deixado o primeiro livro com a mensagem:

“Mate quem aparecer na sala, não importa quem você veja.”

Assim, os Falsos Chen Rans B e C avançam para a segunda sala, destroem a pista deixada pelo verdadeiro Chen Ran e devolvem o livro à estante.

Isso garante que:

  1. As futuras versões tentarão matar as versões subsequentes assim que elas aparecerem.
  2. Caso deduzam que versões anteriores já as fizeram mentir e, portanto, as tornaram vulneráveis às versões A, B e C que ainda não haviam mentido originalmente, elas hesitarão em avançar para as próximas salas e perseguir as versões anteriores.
  3. Mesmo que avancem para a sala seguinte e percebam que ela é idêntica à anterior, assumirão o pior cenário possível: que as salas são infinitas. Isso fará com que gastem ainda mais tempo planejando seus próximos passos.
  4. As versões subsequentes levarão tempo para compreender completamente tudo o que aconteceu. Antes que consigam formular contramedidas, o conflito entre o verdadeiro Chen Ran, o Falso Chen Ran A e os Falsos Chen Rans B e C já terá sido resolvido.

Agora, os Falsos Chen Rans B e C se preparam para confrontar as outras duas versões.

Ambos deduzem que o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A se estabeleceram na terceira sala enquanto os grupos B, C e D lutavam entre si.

Eles também concluem que, como só conhecem o nome da habilidade de Geng Hao — descoberta quando Geng Hao tentou provar que não havia sido ele quem utilizou uma habilidade —, o verdadeiro Chen Ran certamente tentará usar isso contra eles.

A habilidade de Geng Hao se chama: Três Avanços, Dois Recuos.

Isso leva os Falsos Chen Rans B e C a concluir que o verdadeiro Chen Ran manterá Geng Hao vivo para utilizá-lo em seus esquemas e enganações.

Além disso, essa conclusão também indica que o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A haviam previsto com precisão como os Falsos Chen Rans B e C enganariam o Falso Chen Ran D. A previsão era tão exata que eles puderam antecipar que o Falso Chen Ran utilizaria sua habilidade do Matador de Mentirosos ao mesmo tempo em que impediria o Falso Geng Hao de usar a dele.

Pode-se inferir isso porque o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A sabiam perfeitamente que os Falsos Chen Rans B e C desconheciam os efeitos da habilidade de Geng Hao.

Após discutirem todas essas possibilidades, os Falsos Chen Rans B e C seguem para a próxima sala, preparados para o confronto final contra o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A.

REALIDADE E ILUSÃO/FANTASIA

Vemos o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A apostarem um cigarro no resultado do plano. Como o verdadeiro Chen Ran vence a aposta, podemos inferir que ele foi capaz de antecipar o comportamento dos Falsos Chen Rans B e C durante o confronto.

O plano utilizava os efeitos da habilidade do Matador de Mentirosos de Geng Hao: Três Avanços, Dois Recuos.

Os verdadeiros efeitos da habilidade são os seguintes:

  1. Quando uma pessoa é atingida por essa habilidade, para cada três ações que realiza, as duas últimas são revertidas, de modo que apenas a primeira permanece inalterada.
  2. Por exemplo, se eu quisesse acariciar meu cachorro em quatro etapas:
  3. Me abaixar.
  4. Estender a mão.
  5. Tocar o cachorro.
  6. Fazer carinho nele.

Após ser afetado pela habilidade, as etapas 2 e 1 seriam revertidas depois da terceira ação. Assim, eu tocaria o cachorro, retiraria a mão e permaneceria apenas abaixado.

  1. Se uma ação exigir apenas uma ou duas etapas, ela não é afetada pela habilidade.
  2. Depois que três ações são realizadas e duas são revertidas, uma alucinação/ilusão é ativada.
  3. Essa alucinação faz a pessoa visualizar algo que subconscientemente acredita que acontecerá. Por exemplo, se eu acreditar que o cachorro abanará o rabo depois que eu o acariciar, então, mesmo que eu apenas tenha tocado nele antes da reversão, eu verei uma alucinação dele abanando o rabo, apesar de nunca ter feito carinho de fato.
  4. Essas alucinações podem ser distinguidas da realidade porque não possuem emoções ou sensações associadas a elas.
  5. Quando uma pessoa fala três frases consecutivas — A, B e C —, para reverter duas delas, ela repete B e C novamente, anulando A. Em seguida, repete C mais uma vez, anulando B também. Nesse caso, o efeito ocorre de forma inversa ao padrão normal da habilidade, anulando as duas primeiras frases em vez das duas últimas. Porém, isso não permite acusar alguém de mentir caso as três frases originais fossem verdadeiras.
  6. Tanto os efeitos quanto o próprio nome da habilidade a tornam simples, mas extremamente enganosa. O primeiro efeito pode ser deduzido pelo nome, mas as alucinações não.

O PLANO ELABORADO PELO CHEN RAN VERDADEIRO E O CHEN RAN A SÃO DIVIDIDOS EM DUAS PARTES

A primeira consiste em fazer o Falso Geng Hao A mentir para que ele possa utilizar sua habilidade na terceira sala.

Isso é realizado fazendo o Falso Geng Hao A proferir uma mentira na quarta sala enquanto eles permanecem na terceira. Em seguida, cada participante entra na quarta sala individualmente e abre mão da oportunidade de julgá-lo usando suas próprias habilidades.

O objetivo é impedir que alguém elimine imediatamente o Falso Geng Hao A após sua mentira.

Eles fazem uma promessa futura de que, dentro da quarta sala, ninguém o julgará.

Em troca, o Falso Geng Hao A aceita cooperar com base em outra promessa futura: o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A não interferirão no conflito entre os Geng Haos.

Ao mesmo tempo, ambos os Geng Haos abrirão mão da oportunidade de eliminar outras versões de si mesmos ou de Chen Ran, permitindo que qualquer Chen Ran que sobreviva por último vença o jogo com a maior contagem de eliminações.

Para Geng Hao, isso é aceitável, pois seu objetivo é sobreviver, não derrotar Chen Ran, cuja superioridade intelectual ele reconhece.

Eles então aguardam a chegada dos Falsos Chen Rans B e C para iniciar a armadilha.

  1. Os quatro participantes, verdadeiro Chen Ran, Falso Chen Ran A, verdadeiro Geng Hao e Falso Geng Hao A, escondem-se na terceira sala.
  2. Assim que os Falsos Chen Rans B e C entram, o Falso Geng Hao A ativa Três Avanços, Dois Recuos.

Enquanto a sala escurece devido à ativação da habilidade, o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A entram na quarta sala para evitar seus efeitos.

  1. Quando as luzes retornam:

O Falso Geng Hao A e o verdadeiro Geng Hao escondem-se na quarta sala.

O verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A retornam à terceira sala, permanecendo junto dos Falsos Chen Rans B e C.

Esses passos conduzem os Falsos Chen Rans B e C exatamente à linha de raciocínio prevista por Chen Ran.

Eles concluem que:

A escuridão indica que uma habilidade foi usada.

Como a habilidade de Chen Ran apenas anula outras habilidades, ela não seria útil naquele contexto.

Portanto, a habilidade utilizada deve pertencer a um dos Geng Haos.

Os Geng Haos foram trancados na quarta sala para impedir que alguém os julgasse e encerrasse o efeito da habilidade.

Como Chen Ran jamais mentiria apenas para usar uma habilidade, deve ter sido Geng Hao quem mentiu.

Os Chen Rans bloqueiam a entrada da quarta sala.

Os sons das portas sugerem que houve uma troca deliberada de posições entre Chen Rans e Geng Haos.

O verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A provavelmente não foram afetados pela habilidade.

Como desconhecem completamente o efeito da habilidade, os Falsos Chen Rans estão em enorme desvantagem.

Descobrir ou neutralizar esse efeito torna-se a prioridade absoluta.

Eles também observam que a arma de Geng Hao possui a coloração típica de habilidades de nível Id.

Habilidades desse tipo costumam envolver:

Alucinações.

Ilusões.

Cognição.

Memória.

Fenômenos mentais semelhantes.

Após alguns testes, concluem que a memória não foi alterada.

Mas não conseguem descartar cognição, alucinações ou ilusões.

Quando tentam recuar, percebem que, após cinco passos, avançaram apenas um.

Assim, deduzem o efeito básico de Três Avanços, Dois Recuos.

O Falso Chen Ran B realiza mais experimentos usando cigarros e fala, confirmando que:

Após três ações, as duas últimas são revertidas.

Ações de uma ou duas etapas não sofrem efeito.

Ao falar três frases, as duas primeiras acabam sendo anuladas pelo mecanismo da habilidade.

Porém, ainda resta uma dúvida crucial:

A habilidade altera a realidade ou apenas a percepção dos afetados?

O ERRO FATAL

Para responder essa pergunta, os Falsos Chen Rans B e C decidem arranhar o próprio braço sempre que realizam uma ação.

Depois das reversões, eles observam três arranhões em seus braços.

Isso os leva à conclusão de que as três ações realmente ocorreram.

Entretanto, essa conclusão está errada.

Os arranhões são apenas alucinações/ilusões produzidas pela habilidade.

Na realidade, eles nunca arranharam os braços.

O funcionamento real é o seguinte:

Ao falarem três frases e anularem duas delas, a habilidade ativa uma alucinação adicional.

Eles passam a acreditar que arranharam o braço durante a conversa.

Porém, isso seria logicamente impossível, pois arranhar o braço durante a fala contaria como uma ação intermediária e alteraria toda a sequência.

Na realidade:

Eles apenas falaram.

As frases foram revertidas.

Os arranhões jamais existiram.

Mas eles veem os arranhões como se fossem reais.

O verdadeiro Chen Ran queria exatamente que eles escolhessem esse método de verificação.

Isso porque os Falsos Chen Rans desconheciam completamente o componente de alucinação da habilidade.

Além disso:

As marcas são ilusórias.

Eles não sentem nada vindo delas.

Antes de entrar nesse jogo virtual, Chen Ran havia usado um sedativo durante a primeira câmara.

Um efeito colateral desse sedativo era reduzir drasticamente as sensações físicas por seis a doze horas.

Tanto o verdadeiro quanto os falsos Chen Rans já estavam acostumados a essa diminuição sensorial.

Por isso, não conseguem perceber a ausência de sensação nas marcas ilusórias.

Agora convencidos de sua interpretação equivocada, os Falsos Chen Rans B e C acreditam estar prontos para enfrentar o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A.

Mas, na realidade, já caíram completamente na armadilha.

O passo final consiste em fazê-los afirmar que realmente arranharam os próprios braços.

Como os arranhões nunca existiram, essa afirmação será uma mentira.

Quando o Falso Chen Ran C pede para definir as regras do confronto, o Falso Chen Ran A sugere jogar uma moeda.

No entanto, o verdadeiro Chen Ran e o Falso Chen Ran A permanecem afastados, dificultando a visualização da moeda.

Então o Falso Chen Ran C reclama:

“Vocês venham para cá. É muito problemático para nós dar três avanços e recuar dois.”

O verdadeiro Chen Ran aproveita essa frase para plantar uma dúvida.

Ele sugere a possibilidade de que eles nunca tenham realmente dado três passos e voltado dois, mas apenas um único passo à frente.

Se isso fosse verdade, a fala do Falso Chen Ran C seria uma mentira de senso comum.

Embora Chen Ran utilize expressões como “e se” para evitar mentir diretamente, seu objetivo é apenas gerar incerteza.

Em seguida, ele começa uma manipulação verbal ainda mais agressiva.

Sorrindo, diz:

“Vocês sabem por que usamos a habilidade do Geng Hao para preparar essa armadilha para vocês? A razão é simples: porque eu mesmo a testei. Eu sabia que definitivamente cairia nela. E se eu, a versão original, cairia nela, então vocês Chen Rans também cairiam.”

Essa declaração possui múltiplos objetivos:

Revelar que ele próprio testou a habilidade.

Criar pressão psicológica sobre o Falso Chen Ran A.

Demonstrar uma vantagem de informação.

Fazer os Falsos Chen Rans acreditarem que encontraram uma falha em seu raciocínio.

O verdadeiro Chen Ran continua insistindo que os afetados estão complicando demais as coisas e sugere que os efeitos existem apenas em suas mentes.

Os Falsos Chen Rans rejeitam essa ideia imediatamente.

Afinal, acreditam possuir provas físicas.

Os dois apontam suas armas para Chen Ran.

O Falso Chen Ran B declara:

“Você ainda não percebeu, não é? Toda vez que falo, arranho ferozmente meu braço com a unha.”

Mentira.

Trata-se de uma mentira de senso comum.

Os arranhões nunca existiram.

Eram apenas alucinações/ilusões.

O Falso Chen Ran C comete exatamente o mesmo erro:

“As manchas de sangue no meu braço provam que a habilidade de Geng Hao realmente possui o efeito de Três Avanços, Dois Recuos. E você acabou de fazer uma promessa futura. Se eu e este Chen Ran morrermos, essa promessa se tornará uma mentira real.”

Também é mentira.

Não existem manchas de sangue.

São apenas alucinações/ilusões provocadas pela habilidade.

O verdadeiro Chen Ran então vence a aposta feita com o Falso Chen Ran A e ganha seu cigarro.

Em seguida, o Falso Chen Ran A utiliza Reino Eterno, sacrificando sua oportunidade de julgamento garantida sobre o Falso Chen Ran B.

A habilidade remove todos os efeitos ativos.

Quando as alucinações desaparecem, os Falsos Chen Rans B e C percebem que não há qualquer arranhão em seus braços.

Nesse instante, ambos são identificados como mentirosos e mortos a tiros.

DESTRUINDO A MENTE

Destruindo a Mente

Indo para a última façanha, aqui mostra a estratégia que Chen Ran utiliza para matar o Falso Chen Ran A.

Até o confronto contra os Falsos Chen Rans B e C, o verdadeiro Chen Ran possuía uma clara vantagem de informação. Porém, entre ele e o Falso Chen Ran A existe apenas uma diferença de cinco minutos de experiência.

Por isso, Chen Ran decide explorar outra fraqueza de sua própria estratégia de Forma Militar: a instabilidade emocional. Seu objetivo é abalar emocionalmente o Falso Chen Ran A até que isso prejudique sua capacidade de raciocínio.

Trata-se de uma armadilha parcialmente aberta. O alvo consegue perceber que está sendo manipulado, mas mesmo assim continua vulnerável ao plano.

1.

Até aquele momento, o verdadeiro Chen Ran já havia revelado ao Falso Chen Ran A que estava bastante familiarizado com a habilidade Três Avanços, Dois Recuos de Geng Hao.

Isso já havia deixado o Falso Chen Ran A em estado de alerta.

2.

Para a próxima etapa do plano, o verdadeiro Chen Ran passa a utilizar seu Matador de Mentirosos de forma ativa na primeira sala, eliminando novas versões dos Falsos Chen Rans e dos Falsos Geng Haos a cada cinco minutos.

Enquanto isso, o Falso Chen Ran A pergunta como Chen Ran pretende matá-lo.

3.

O verdadeiro Chen Ran então faz algumas observações cuidadosamente escolhidas para conduzir o raciocínio do Falso Chen Ran A ao pior cenário possível.

Ele pergunta:

“Você acha que existe a possibilidade de o número de grupos gerados ser limitado? Ou que a duração do jogo seja limitada?”

Depois acrescenta:

“No Jogo do Herdeiro, se existe uma aposta, existe vitória e derrota. O que você acha que determina a vitória e a derrota?”

Essas frases levam o Falso Chen Ran A ao seguinte raciocínio:

  1. Existem duas possibilidades:

O número de versões é limitado.

O tempo do jogo é limitado.

  1. Em ambos os casos, o número de eliminações provavelmente determina o vencedor.
  2. Se o número de versões for limitado, o verdadeiro Chen Ran precisará matá-lo para encerrar o jogo.
  3. Se houver um limite de tempo, o verdadeiro Chen Ran vencerá automaticamente.
  4. Nesse cenário, como Chen Ran já possui mais eliminações que Geng Hao, o fim do jogo significaria também o fim da existência do Falso Chen Ran A.
  5. Então por que Chen Ran se preocupou em eliminar os Falsos Chen Rans B e C?
  6. Talvez para impedir uma aliança entre eles e Geng Hao e garantir controle absoluto da primeira sala.
  7. Se existe um limite de tempo, ele provavelmente está próximo de expirar, já que muito tempo já se passou.

Esse raciocínio começa a abalar profundamente o Falso Chen Ran A.

Pela primeira vez, ele considera a possibilidade de não ter tempo suficiente para derrotar o verdadeiro Chen Ran.

Chen Ran aumenta ainda mais a pressão ao dizer:

“Para mim, qualquer possibilidade serve. Se for a primeira, eu simplesmente lutarei com você novamente. Se for a segunda, eu e Geng Hao seremos teleportados para fora daqui. Você acha que um jogo sem jogadores ainda precisa continuar existindo?”

4.

Cinco minutos depois, novas versões surgem.

O verdadeiro Chen Ran elimina o Falso Chen Ran Y, mas deliberadamente demora para matar o Falso Geng Hao Y.

O Falso Chen Ran A imediatamente percebe que isso é uma tentativa de intimidar Geng Hao para forçá-lo a usar sua habilidade.

Mas já é tarde.

O Falso Geng Hao Y ativa:

Três Avanços, Dois Recuos

E foge para a segunda sala durante a escuridão provocada pela habilidade.

5.

O Falso Chen Ran A rapidamente conclui que o verdadeiro Chen Ran ordenou ao verdadeiro Geng Hao que não eliminasse o Falso Geng Hao Y.

Assim, tanto ele quanto o verdadeiro Chen Ran ficam presos aos efeitos da habilidade.

Ele também deduz que o Falso Geng Hao A deve estar escondido na terceira sala para evitar ser morto pelo Falso Geng Hao Y.

Avançar para a próxima sala para julgar e matar o Falso Geng Hao Y significaria sofrer ainda mais alucinações e ilusões provocadas pela habilidade.

Por isso, o Falso Chen Ran A decide esperar mais cinco minutos para usar Reino Eterno.

Mesmo percebendo que o verdadeiro Chen Ran está tentando quebrar sua determinação psicológica, ele continua temendo que o limite de tempo esteja próximo.

6.

Cinco minutos depois, o Falso Chen Ran A tenta usar sua habilidade.

Para ativá-la, ele precisa:

  1. Tocar a arma.
  2. Sacá-la.
  3. Apontá-la para o teto.
  4. Disparar enquanto pronuncia o nome da habilidade.

Porém, ao chegar à terceira etapa, os efeitos de Três Avanços, Dois Recuos revertem suas ações.

Na realidade, ele volta a apenas tocar a arma.

Mas ele sofre uma alucinação/ilusão.

Nela:

A sala escurece.

Ele ouve o verdadeiro Chen Ran pronunciar “Reino Eterno”.

O Falso Chen Ran A não considera que a escuridão possa ser uma alucinação porque:

  1. Seu estado emocional já está comprometido.
  2. Ele não está analisando detalhes cuidadosamente.
  3. Acredita que a alucinação seja a voz de Chen Ran, mas que a escuridão tenha sido causada por outra habilidade real.

Antes que consiga refletir melhor, o verdadeiro Chen Ran:

Elimina as duas novas versões que acabaram de aparecer.

Começa a interromper continuamente seus pensamentos.

Ele faz perguntas como:

“Você está muito confuso?”

“Eu sempre fui quem projetou você.”

“Por que você não tenta me projetar?”

Essas provocações servem a dois objetivos:

Perturbar seu processo de raciocínio.

Impedir que ele organize corretamente as etapas necessárias para usar sua habilidade.

O resultado é uma sobrecarga cognitiva constante.

Isso leva o Falso Chen Ran A a uma conclusão equivocada:

Como o verdadeiro Chen Ran não poderia usar Reino Eterno durante uma hora, então quem ativou a habilidade deve ter sido o verdadeiro Geng Hao.

A partir daí ele passa a acreditar que duas habilidades semelhantes estão sobrepostas.

Consequentemente, imagina que suas próximas três ações poderão gerar duas camadas diferentes de alucinações e ilusões.

Assim, torna-se ainda mais urgente usar Reino Eterno.

7.

Sob pressão constante, ele tenta novamente.

Executa:

  1. Sacar a arma.
  2. Apontá-la para o teto.
  3. Disparar enquanto pronuncia o nome da habilidade.

8.

Mais uma vez, Três Avanços, Dois Recuos entra em ação.

O Falso Chen Ran A sofre outra alucinação/ilusão.

Ele vê:

A sala escurecendo.

Sua habilidade funcionando com sucesso.

Na realidade, nada disso aconteceu.

Como o verdadeiro Chen Ran já havia eliminado as novas versões, o Falso Chen Ran A não possuía nenhuma Oportunidade de Julgamento Garantida para sacrificar.

Portanto, Reino Eterno jamais foi ativado.

Mesmo assim, acreditando ter finalmente se libertado da situação, ele:

Abaixa a arma.

Se agacha parcialmente.

Olha para o verdadeiro Chen Ran para recuperar o fôlego.

Mas isso também desencadeia o efeito da habilidade.

Outra alucinação/ilusão surge.

Dessa vez ele vê o verdadeiro Chen Ran também agachado e recuperando o fôlego.

Convencido de que aquilo é real, pergunta:

“Por que você está agachado aqui?”

O problema é que ele fez uma afirmação implícita:

Ele confirmou que Chen Ran estava agachado.

Na realidade, Chen Ran nunca esteve.

Era apenas uma alucinação.

Portanto, o Falso Chen Ran A acabou de mentir.

9.

Conforme combinado anteriormente, o verdadeiro Geng Hao encerra os efeitos de Três Avanços, Dois Recuos.

Como versões diferentes compartilham a mesma habilidade, uma versão pode cancelar a ativação feita por outra.

Essa era parte do acordo entre Geng Hao e Chen Ran.

Em troca, Chen Ran permitiria que o verdadeiro Geng Hao deixasse o jogo vivo caso sobrevivesse ao seu próprio confronto.

10.

Após a vitória, o verdadeiro Chen Ran reflete sobre os erros cometidos pelo Falso Chen Ran A.

Ele conclui que, sempre que estiver emocionalmente abalado, seja por habilidades, ilusões, alucinações ou adversários extremamente inteligentes, deverá revisar suas deduções pelo menos três vezes antes de agir.

Além disso, decide que, sempre que não houver pressão de tempo, é melhor permitir que outra pessoa resolva o quebra-cabeça da câmara para reduzir o risco de vieses emocionais.

Por fim, toma a decisão de obter o mais rápido possível o Manual de Cultivo do Coração, uma técnica que lhe permitiria cortar seletivamente suas emoções quando necessário.

Não se trata de um poder absoluto, mas de um método relativamente legítimo para reduzir a influência emocional sobre seu processo de raciocínio.

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