
Capítulo 1
18LOH
Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent
Chen Ran morreu.
Ele foi atropelado por um carro e morreu.
Ele apareceu em uma sala secreta. A sala não tinha portas nem janelas, era muito iluminada, mas não havia nenhuma fonte de luz, o que era muito estranho.
Havia cerca de dez pessoas alinhadas em uma longa fila, e alguém na frente da fila estava sendo registrado em algo.
A pessoa responsável pelo registro era um homem corpulento, com barba cheia, vestindo uma jaqueta de couro preta, mas a parte inferior de seu corpo estava escondida por uma divisória de mesa.
Uma folha de papel A4 estava colada na divisória da mesa, com três palavras chamativas escritas nela: Portão do Inferno.
Em ambos os lados da longa fila, Cabeça de Boi e Cara de Cavalo patrulhavam de um lado para o outro, cada um carregando um porrete cravejado de espinhos, mantendo a ordem.
Ao ver Chen Ran parado ali, atônito, Cara de Cavalo virou-se para ele e disse: “Tem um novato aqui. Diga a ele onde estamos.”
No fim da fila, uma senhora idosa se virou, o rosto pálido, o corpo inteiro tremendo, e gritou em terror: “Esta é a Estrada das Fontes Amarelas.”
N/T: Estrada das Fontes Amarelas é uma expressão da mitologia chinesa derivada de Huangquan (黄泉), que se refere ao submundo ou mundo dos mortos. O termo designa o caminho percorrido pelas almas após a morte, sendo equivalente, em sentido cultural, a conceitos como o caminho para o Hades na mitologia grega.
“Vá e entre na fila.”
O demônio com rosto de cavalo apontou o porrete cravejado de espinhos para Chen Ran, como se o estivesse avisando de que seria espancado se não entrasse na fila.
Chen Ran ficou no final da fila, com uma expressão amarga, pensando consigo mesmo que provavelmente estava realmente morto.
…
“Nome?”
“Li Qiang.”
“Idade?”
“30 anos.”
“Local de origem?”
Shaanxi do Norte.
“Você cometeu algum ato maligno em sua vida?” O homem corpulento responsável pelo registro revelou um sorriso arrepiante, exibindo duas fileiras de dentes. Talvez, para ele, as diversas fofocas sobre a vida passada das almas fossem a única fonte de relaxamento em seu longo trabalho.
“N-não,” Li Qiang gaguejou, os olhos desviando de um lado para o outro.
“Vá ficar de frente para aquela parede ali,” disse o homem corpulento, desapontado, apontando casualmente para a parede oposta.
Nesse momento, Chen Ran percebeu que havia várias pessoas diante da parede diretamente oposta à fila. Todas estavam de frente para a parede, agachadas, com a cabeça entre as mãos.
“Próximo!”
“Reportando à organização, meu nome é Matthew, tenho 35 anos, sou de Sichuan e Chongqing. Antes de morrer, fui condenado por roubo e peculato e cumpri trabalhos forçados.” Antes mesmo de o grandalhão começar a questionar, Matthew confessou tudo de uma vez. Sua atitude era reta e firme, claramente a de um veterano experiente
N/T: Peculato é quando um funcionário público se apropria, desvia ou usa indevidamente dinheiro, bens ou valores públicos (ou particulares sob sua guarda) para benefício próprio ou de terceiros.
“Você é bem interessante.” O homem corpulento disse com uma expressão satisfeita, e então acrescentou: “Você gostaria de ir para o céu?”
“Sim, sim, com certeza!” Matthew assentiu vigorosamente.
“Ok, então me responda uma pergunta. Você fez tudo isso voluntariamente?”
Matthew hesitou por um momento, mas ao ver o sorriso nos olhos do grandalhão, imediatamente entendeu que o juiz pretendia aliviar sua situação e disse indignado: “Foi tudo culpa do supervisor que me forçou a fazer isso!”
“Ah, quando se está no mundo real, não se controla o próprio destino. Eu também era assim naquela época…” Nesse ponto, o grandalhão parou e disse: “Vá, fique de pé.”
Ele foi mandado ficar de pé, não para se agachar com as mãos na cabeça. O rosto de Matthew se iluminou de êxtase. Ele se curvou repetidamente para o homem corpulento e para os demônios Cabeça de Boi e Cara de Cavalo, dizendo: “Obrigado, líderes! Obrigado, organização! Prometo recomeçar no céu!”
Essa cena, testemunhada pelos que estavam na fila, aliviou suas ansiedades, pois pensaram secretamente que, se confessassem seus pecados em vida, o juiz mostraria clemência.
Como esperado.
Em seguida, contanto que confessassem seus crimes, o grandalhão perguntava se queriam ir para o céu.
“Minha mãe me obrigou a fazer isso!” disse com total sinceridade o homem de meia-idade que matou a esposa.
“O valentão da escola me obrigou a fazer isso!” O garoto que intimidou um colega até a morte parecia inocente e confuso.
Sem exceção.
Aqueles que confessavam e jogavam a culpa em outros eram deixados em pé, de frente para a parede.
Eles conversavam e riam com Matthew diante da parede, enquanto olhavam com desdém para aqueles que estavam agachados, com a cabeça entre as mãos. Pareciam ter se transformado nas pessoas mais virtuosas do mundo, julgando criminosos hediondos a partir de sua superioridade moral.
Nesse momento, no final da fila, uma mulher apareceu do nada na sala secreta, igualmente confusa.
Cabeça de Boi caminhou até ela e repetiu o que Cara de Cavalo havia dito antes: “Tem uma novata aqui. Diga a ela onde estamos.”
Chen Ran virou a cabeça e, talvez devido ao medo excessivo, abriu a boca várias vezes antes de finalmente conseguir dizer: “Esta é a Estrada das Fontes Amarelas.”
“Entre na fila,” disse o homem com cabeça de boi, apontando o bastão para a mulher.
Ao ver os espinhos afiados no porrete, a mulher obedeceu e ficou no fim da fila, mas lançou um longo olhar para as costas de Chen Ran.
Com o passar do tempo.
Chen Ran percebeu que nenhuma pessoa nova havia aparecido na sala secreta por um bom tempo.
Incluindo o homem corpulento responsável pelo registro e os guardiões Cabeça de Boi e Cara de Cavalo encarregados de manter a ordem.
Há um total de 18 pessoas na sala secreta.
Logo, chegou a vez de Chen Ran.
“Nome?”
“Chen Ran”.
“Idade?”
“26 anos.”
“Local de origem?”
“Jiangsu e Zhejiang”.
“Você cometeu algum ato maligno durante sua vida?”
Antes, eles estavam bem distantes, mas quando ouviram o grandalhão dizer essas palavras, embora suas expressões fossem de expectativa, seus olhos revelavam uma atitude displicente.
Chen Ran reuniu brevemente seus pensamentos e disse: “Eu briguei com minha namorada antes de morrer…”
Talvez por estar um pouco preocupado em revelar seus atos malignos aos outros, ele fez uma pausa antes de continuar: “Eu a enterrei, e até hoje a polícia não encontrou o corpo da minha namorada.”
Ao ver o homem corpulento franzir levemente a testa, como se fosse continuar questionando, ele retrucou rapidamente: “Já que nenhum corpo foi encontrado, então eu não cometi um crime, então nunca matei ninguém na minha vida!”
“Você é um ótimo orador. Assassinato é assassinato, pra que todo esse papo?” A expressão do homem corpulento suavizou bastante, e ele não demonstrou intenção de aprofundar o assunto.
Ao ver isso, Chen Ran ficou ansioso.
Ele olhou para os guardiões Cabeça de Boi e Cara de Cavalo de ambos os lados: “Eu não quero ir para o inferno, eu realmente não matei ninguém!”
“Você matou alguém.” Cabeça de Boi não demonstrou emoção alguma, mas seu tom era gélido.
“Isso mesmo, a gente devia simplesmente matá-los. As pessoas que vieram para cá não eram boas em vida.” Cara de Cavalo acrescentou, talvez porque só restassem Chen Ran e a mulher.
“Muito bem, vá para o canto e reflita sobre suas ações.”
Chen Ran quis argumentar, mas ao ver o rosto do grandalhão escurecer, não teve escolha a não ser obedecer e ir encarar a parede.
Era a vez da última mulher.
“Nome?”
“Não quero falar sobre isso,” disse a mulher com desdém.
Com um estrondo, o homem corpulento se levantou.
Ele gritou furiosamente: “Comporte-se! Não traga seus costumes mundanos para cá. Responda às minhas perguntas.”
A súbita explosão de raiva do grandalhão assustou a todos. Cabeça de Boi e Cara de Cavalo correram para apaziguar a situação: “Chefe, chefe, acalme-se, não leve isso a sério com a novata.”
“Diga-me, você cometeu algum ato maligno em sua vida?”
“Por que eu deveria responder? Que benefício eu teria com isso? Se você fosse um juiz do submundo, minha história de vida estaria no Livro da Vida e da Morte. Vá conferir você mesmo.” A mulher parecia ter percebido algo estranho nisso e disparou uma enxurrada de palavras.
Enfurecido pelo desafio à sua autoridade, o homem corpulento sacou uma pistola e a pressionou contra a testa dela.
“Vai falar ou não?”
Sentindo a intenção assassina emanando do homem corpulento, todos recuaram inconscientemente.
Ao ver a arma de fogo, Matthew não pôde deixar de se maravilhar com o quão moderno o submundo era, agora até usando pistolas para aplicar a lei.
Seus olhos se moveram rapidamente, e ele trotou para a frente como um capacho, repreendendo a mulher:
“Você acha que ainda está no mundo mortal? Apenas diga o que o juiz mandar você dizer!”
O homem corpulento o ignorou, semicerrando os olhos para a mulher como se estivesse pronto para matá-la.
A mulher não falou, mas ergueu o queixo, exalando uma atitude de “vá em frente, atire se tiver coragem”.
Justo quando todos pensavam que a mulher seria morta, o grandalhão junto de Cabeça de Boi e Cara de Cavalo começaram a rir.
A risada dos três ecoou na sala secreta, estranha e arrepiante.
O homem corpulento virou-se para contar o número de pessoas de frente para a parede, murmurando: “Então são treze.”
Antes que Matthew pudesse dizer qualquer coisa, o grandalhão de repente virou a arma, apontou para a cabeça de Matthew e disse calmamente:
“Você está mentindo.”
Bang!
Com o som do disparo, a expressão bajuladora de Matthew congelou em seu rosto enquanto ele caía no chão.
Nota do Autor: Este livro segue os princípios da detecção de mentiras e não envolve suposições subjetivas. Simplificando, como você determina se alguém está mentindo ou não?