Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 47

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


Depois de algum tempo no caminho de volta, eles chegaram ao entroncamento que desviava para a Estrada da Liberdade.

A Estrada da Liberdade não se parecia em nada com a rodovia principal. Claro, levava à famosa Cidade da Liberdade, mas não podia ser comparada à Grande Passagem.

Era mais estreita, mais silenciosa, e as árvores dos dois lados cresciam tão próximas da estrada que os galhos quase se tocavam acima deles em certos trechos, bloqueando a maior parte do céu e dando a toda a viagem a sensação de atravessar um túnel longo que nunca terminava por completo.

A luz que passava vinha em fragmentos irregulares, deslizando pelo piso enquanto a caravana se movia, e o som das rodas contra a estrada também era diferente ali, mais suave, como se a própria estrada tivesse sido usada menos vezes e ainda não tivesse endurecido completamente sob anos de tráfego pesado.

A caravana avançava em ritmo constante, e, lá na frente, os três mensageiros ficaram em silêncio depois de concordarem com a mudança de rota, cada um mergulhado no próprio foco.

Crest mantinha os olhos na estrada adiante. Dax estava de braços cruzados, a cabeça voltada para a janela de seu lado. Sera parecia verificar algo no BSP, sua expressão a mesma de sempre, ou seja, ilegível.

No fundo, Roman e Arnold estavam sentados frente a frente, os pulsos acorrentados e o mesmo silêncio entre eles, aquele que vinham carregando pelas últimas horas.

E, depois do que pareceu uma eternidade, foi Arnold quem o quebrou.

— Perdemos o Dia do Privilégio — disse.

Ele não olhava para Roman ao falar. Olhava para o piso da caravana, e sua voz carregava aquele tom apagado de alguém dizendo em voz alta algo que vinha revirando na cabeça havia muito tempo.

— Nunca, na minha vida, pensei que não conseguiria voltar para minha cidade depois de sete dias. Minha família vai estar lá, esperando e esperando, até finalmente decidir que eu não sobrevivi.

Ele suspirou e fez uma pausa.

— Que eu morri.

Roman olhou para ele por um momento.

— O mesmo comigo — disse, e um pequeno sorriso cruzou seu rosto sem que ele pretendesse totalmente.

Arnold percebeu e franziu a testa.

— Como você está sorrindo agora?

— Não estou sorrindo especificamente por isso — Roman disse.

— Então por que está sorrindo? Estamos sentados aqui acorrentados, perdemos o único dia em que deveríamos voltar para casa, e você está aí com uma cara como se estivesse indo para algum lugar onde realmente quer estar.

Roman não respondeu diretamente, e Arnold o encarou por tempo suficiente para que o próprio silêncio se tornasse uma espécie de resposta. A testa de Arnold franziu ainda mais, e então ele balançou a cabeça e voltou a olhar para o chão.

— Você é estranho — Arnold disse.

— Você não é a primeira pessoa a dizer isso — Roman respondeu.

Ficaram quietos de novo por um tempo. A estrada lá fora continuava seu trecho firme, ladeado por árvores, e a caravana balançou suavemente em uma parte irregular antes de voltar a deslizar.

— Por que você entrou naquela hora? — Roman perguntou por fim. — No mercado. Você nunca fez nada que sugerisse querer coisas boas para mim. Então, de repente, está partindo para cima de Rankers A em meu favor.

Arnold ficou quieto por tanto tempo que Roman achou que a pergunta ficaria sem resposta.

— Não sei — Arnold disse finalmente. — Não foi uma decisão que eu tomei. Simplesmente aconteceu.

— Coisas assim não simplesmente acontecem — Roman disse.

— Essa aconteceu — Arnold respondeu, e o tom deixou claro que aquela conversa específica terminaria ali.

Roman encostou a cabeça na parede da caravana e olhou para o teto. Lá fora, as árvores continuavam passando em seu movimento quieto e contínuo.

— Imagino que sua família seja rica — Roman disse depois de um tempo.

— É — Arnold respondeu.

— Então vão descobrir que você está vivo antes da maioria das famílias. Dinheiro move informação. Eles terão gente procurando em poucas horas depois que a janela de chegada se fechar.

Arnold olhou para ele de novo, e algo em sua expressão mudou muito levemente. Não era afeto. Mas a dureza que estava ali desde a primeira semana no Posto Rastro de Sangue ficou um pouco menos afiada.

— E a sua? — Arnold perguntou.

— Minha mãe vai manter tudo de pé — Roman respondeu sem hesitar. — Ela sempre mantém. Seja o que for que esteja acontecendo em casa agora, ela é quem segura tudo.

— E seu pai?

Roman ficou quieto por um momento, e, quando respondeu, sua voz era estável, mas pensativa.

— Sinceramente, eu não sei. Ele está quebrado há muito tempo, e uma notícia dessas pode ir para qualquer lado com ele. Ou termina de apagar algo nele, ou desperta algo. Não consigo prever.

Arnold assentiu devagar. Não insistiu, e Roman não ofereceu mais nada. O silêncio que se instalou entre eles depois disso era diferente dos anteriores.

Ainda não era confortável.

Mas a aspereza havia desaparecido, e o que restava eram apenas duas pessoas sentadas em uma situação difícil, sem nada útil a fazer sobre isso.

Roman olhou para os pulsos acorrentados.

Vinha pensando em King, Queen e Alpha no Banco de Almas, esperando com a paciência particular de almas que não tinham conceito de tempo.

Pensou no Lago do Terror. No que North escrevera no chat do grupo naquela primeira noite, indo para o Lago do Terror com sua equipe. Pensou no tipo de criaturas que viviam em águas tão escuras e profundas, na quantidade de EXP que carregavam, e em como suas Almas pareceriam listadas no Banco de Almas depois que ele terminasse.

Pensou na ferocidade do Lobo Atroz Alfa na Ravina dos Ossos, no brilho âmbar se intensificando, naquele lento virar da cabeça em sua direção.

Ainda passava por tudo isso quando a voz de Crest veio da frente da caravana, dirigida aos outros dois, mas alta o bastante para chegar ao fundo.

— Estamos quase no Refúgio Fogo Dourado. A Cidade da Força fica a menos de quinze quilômetros.

Roman sorriu na hora, e Arnold pareceu notar mais uma vez.

— E agora?

— Nada — Roman disse.

— Você vive dizendo nada e continua sorrindo como se fosse alguma coisa.

— Eu só gosto de ouvir esse nome, “Cidade da Força” — Roman disse. — Só isso.

Arnold o encarou por um momento com a expressão de alguém fazendo contas devagar e não gostando totalmente do resultado. Então voltou a olhar pela janela.

— Você é genuinamente uma das pessoas mais estranhas que já conheci — Arnold disse.

— Provavelmente — Roman concordou.

Lá fora, as árvores começaram a rarear conforme a estrada se alargava um pouco, e, pelos vãos na linha de árvores, o contorno distante do Refúgio Fogo Dourado ficou visível no horizonte, pequeno e quieto visto dali, um aglomerado de construções situado na terra plana entre a estrada e a cidade mais adiante.

A Cidade da Força estava a quinze quilômetros.

Roman se recostou na parede da caravana e deixou o sorriso ficar.

Arnold não disse mais nada e voltou a olhar pela janela.

E a caravana continuou avançando pela Estrada da Liberdade, estável e sem pressa, enquanto a luz da tarde prosseguia sua lenta mudança rumo ao entardecer pelos vãos entre os galhos.

Roman continuou sorrindo.

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