Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 42

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


O silêncio que se seguiu durou cerca de dois segundos.

Então a expressão de Rena mudou de congelada para algo consideravelmente mais duro.

— Eu não vou a lugar nenhum — disse. Sua voz era baixa e controlada, mas o fio em suas palavras era afiado o bastante para cortar. — Eu disse ao meu pai para não vir me procurar. Deixei isso muito claro.

O homem de uniforme cinza se endireitou da reverência e sustentou o olhar dela com a paciência de alguém que havia sido informado exatamente sobre aquela resposta.

— Jovem Senhorita…

— Não me chame assim aqui — Rena disse entre os dentes.

A multidão ao redor começara a desacelerar e se juntar daquele modo casual, mas deliberado, que multidões de mercado adotam quando algo merece ser assistido. Barracas próximas ficavam mais silenciosas. Pessoas que passavam encontravam motivos para parar.

Mais duas figuras surgiram da multidão, uma mulher e um homem vestidos com o mesmo uniforme cinza, posicionando-se de cada lado do primeiro mensageiro com a facilidade treinada de quem chega exatamente na hora certa.

A mulher olhou para Rena e soltou um suspiro baixo de alívio.

— Sim — disse aos outros. — É ela.

O homem ao lado assentiu uma vez.

Mestre Norman já havia avançado, posicionando-se entre os mensageiros e seu grupo com o instinto de alguém responsável pelas pessoas atrás dele.

— Quem são vocês e que assunto têm com minha Entrante? — Norman perguntou, a voz carregando a autoridade de quem não perguntava por curiosidade.

A mulher enfiou a mão na jaqueta e tirou um documento selado, estendendo-o para Norman.

Ele leu, e sua expressão não mudou de forma dramática, mas algo atrás de seus olhos se alterou como acontece quando alguém lê algo que confirma o que já suspeitava.

O documento carregava o selo oficial do Império de Aço, uma declaração detalhada de identidade confirmando que Rena Ironcrown era a filha desaparecida do Imperador Jonah Ironcrown, e que os três portadores do documento eram representantes imperiais autorizados, agindo sob ordens diretas do próprio Imperador.

Norman abaixou o documento devagar.

Ele já sabia.

Sylvester lhe contara na noite seguinte à reunião do Chefe com Rena, em voz baixa e sem transformar aquilo em assunto público. Mas saber e ser confrontado com documentação imperial no meio do mercado da Cidade da Cidadela, em pleno Dia de Comércio, eram duas coisas muito diferentes.

Ele olhou para os três mensageiros, depois para a multidão reunida, depois para o documento em sua mão.

Não havia nada que pudesse fazer. Ninguém na Fronteira escolhia brigar com representantes oficiais do Império de Aço. Não um assistente de Posto. Não um comerciante da Cidade da Cidadela.

Ninguém com bom senso.

— Pedimos que nos acompanhe de volta ao Coração, Jovem Senhorita — a mulher disse, voltando-se para Rena. — Seu pai está esperando.

— Não — Rena disse simplesmente.

— Entendo que isso é difícil, mas…

— Eu disse não — Rena repetiu. — Eu não quero ir. Isso deveria encerrar o assunto.

O primeiro mensageiro, aquele que havia se curvado, inclinou levemente a cabeça.

— Infelizmente, Jovem Senhorita, as instruções do Imperador não dependem da sua preferência. Se escolher não vir por vontade própria, estamos autorizados a levá-la por outros meios.

A mulher assentiu uma vez em confirmação.

— Correto. Pedimos desculpas pelo desconforto, mas não temos autoridade para voltar de mãos vazias.

A multidão já havia crescido bastante. O mercado basicamente parara naquela seção, dezenas de Entrantes, comerciantes e moradores da cidade observando a uma distância respeitosa.

— Então estou dizendo agora — Rena falou, a voz subindo apenas o bastante para a multidão ouvir com clareza — que qualquer pessoa que puser as mãos em mim sem meu consentimento vai se arrepender.

O primeiro mensageiro avançou.

— Com licença.

A voz veio de trás de Rena.

Roman atravessou o grupo, passando por Norman, e se posicionou diretamente entre Rena e os três mensageiros.

Ele não era alto nem imponente do jeito que naturalmente comanda uma multidão. Era um novato de dezoito anos, Rank F, em uma cidade cheia de pessoas significativamente mais fortes do que ele por qualquer medida possível.

Mas firmou os pés e encarou os três mensageiros sem se mover.

— Ela disse que não quer ir — Roman falou. — Essa é a resposta dela. Vocês já a têm.

O primeiro mensageiro olhou para ele com a expressão particular de quem encontra um obstáculo inesperado e ainda não decidiu como classificá-lo.

— Isso não diz respeito a você — disse com cuidado. — Saia da frente.

— Diz respeito a mim — Roman respondeu. — Ela é minha parceira. Se quiserem chegar até ela, passam por mim primeiro.

O ruído da multidão aumentou perceptivelmente.

A mulher de uniforme cinza encarou Roman por um longo momento, olhou para os dois colegas e depois voltou a olhá-lo, sua expressão já deixando a paciência para trás e entrando em algo muito menos tolerante.

— Garoto — disse baixo —, vou lhe dar um aviso. Um só. Afaste-se dela agora, porque você não entende em que está se envolvendo.

— Entendo perfeitamente — Roman disse.

A mulher sustentou o olhar dele por três segundos. Então ergueu a mão, e uma bola de fogo se formou em sua palma, larga o suficiente para cobrir uma pessoa adulta inteira.

No Rank A, o calor que emanava dela era visível como uma distorção no ar ao redor do punho, e várias pessoas na multidão recuaram por instinto.

Roman olhou para aquilo.

Então ergueu as duas mãos e ativou [Antiequilíbrio].

A rajada de ar comprimido atingiu a bola de fogo antes que ela fosse lançada, desfazendo a formação e espalhando a energia em uma dispersão que fez a multidão recuar com gritos de surpresa.

A mulher encarou o espaço vazio onde a bola de fogo estivera.

Então olhou para Roman.

— De novo — disse, formando uma segunda mais rápido que a primeira.

Roman enviou outra rajada de ar imediatamente, sem desperdiçar um segundo, sabendo o quanto precisava ser rápido.

E outra.

E outra.

Ela era uma Maga de Rank A com anos de experiência em combate, e Roman era um novato de Rank F sem nenhum direito de estar em seu caminho. Mas [Antiequilíbrio] não tinha tempo de recarga, e cada bola de fogo que ela produzia era desestabilizada antes de alcançá-lo, a Mana ilimitada alimentando a Habilidade sem pausa. A multidão nas bordas do mercado parou de recuar e voltou a se aproximar para ver o que acontecia.

— Como ele está fazendo isso?

— Ele deveria ser Rank F. Olha esse rosto de novato.

— Um Rank F está segurando uma Maga de Rank A? Eu devo estar maluco!

A mulher mudou de tática, reunindo um ataque de compressão de vento que lançou rente ao chão, criado para varrer as pernas dele em vez de atingi-lo diretamente.

Roman saltou por cima e respondeu com uma varrida ampla de [Antiequilíbrio], empurrando-a dois passos para trás e interrompendo o golpe seguinte que ela preparava.

O primeiro mensageiro e o mensageiro homem trocaram um olhar, atônitos.

No instante seguinte, não puderam mais permitir que aquela cena continuasse. Os três se moveram de uma vez.

A multidão explodiu.

Três Rankers A convergindo contra um único Entrante de Rank F no meio do distrito do mercado da Cidade da Cidadela, em pleno Dia de Comércio, era o tipo de coisa que não acontecia. Jamais.

E ainda assim acontecia, e o mercado parara completamente, cada pessoa ao alcance da visão observando com a atenção concentrada de quem entendia estar vendo algo que seria comentado por muito tempo.

Roman sobreviveu ao primeiro ataque combinado com reação pura e sorte em igual medida, usando [Antiequilíbrio] para interromper os ataques da Maga enquanto recorria ao trabalho de pés para se manter fora do alcance físico dos outros dois.

Recebeu um golpe de palma do mensageiro homem no ombro, que o fez cambalear, e uma raspada da arma do primeiro mensageiro abriu um corte raso em seu antebraço.

Mas quer saber? Ele continuou de pé.

Rena observou pelo exato tempo que conseguiu suportar. No instante seguinte…

Puxou a adaga e entrou pela lateral, seu movimento de Assassina pegando a mulher de surpresa o bastante para criar uma abertura que usou para forçar o mensageiro homem a recuar com dois golpes rápidos que ele mal bloqueou.

E, de repente… a pessoa que Roman viu surgir do outro lado fez seus olhos brilharem de surpresa.

Arnold apareceu de algum ponto da multidão. Quando Roman o viu, genuinamente não soube como reagir.

Arnold olhou para os três mensageiros, olhou para Roman, olhou para Rena e tomou uma decisão que sua expressão sugeria que ele já se arrependia de tomar.

Ele entrou.

— Eu odeio isso pra caralho — Arnold murmurou, e lançou um golpe contra a guarda do primeiro mensageiro, comprando três segundos de respiro para Roman.

A luta era barulhenta, confusa e completamente desigual em termos de poder bruto, mas Roman, Rena e Arnold juntos criavam desordem suficiente para que os mensageiros não conseguissem simplesmente encerrar aquilo de forma limpa sem causar uma cena que nem eles queriam elevar a esse nível no meio de uma grande cidade.

Durou mais quatro minutos antes que a maré mudasse de forma decisiva.

A mulher acertou um golpe comprimido em Rena que a lançou contra uma barraca do mercado com força suficiente para derrubá-la por completo, e Rena não se levantou na hora.

Arnold recebeu golpes simultâneos dos outros dois, caiu de joelhos e depois foi ao chão.

Roman era o único ainda de pé.

Sangrava pelo antebraço, o ombro disparava dores agudas toda vez que levantava o braço direito, e sua barra de Vida marcava quarenta e um por cento.

Os três mensageiros estavam diante dele, respirando um pouco mais pesadamente do que no início, as expressões carregando aquela frustração específica de pessoas que foram atrasadas por muito mais tempo do que deveriam.

A multidão ao redor estava completamente silenciosa.

A mente de Roman se movia rápido.

Ele olhou para Rena, ainda caída na barraca destruída. Olhou para os três mensageiros. Olhou para a multidão comprimida de todos os lados.

Então ativou [Antiequilíbrio] no maior raio possível, diretamente para baixo, contra o chão do mercado.

A onda de choque atingiu todos os objetos soltos nas barracas próximas ao mesmo tempo, lançando produtos, expositores, placas e equipamentos de vendedores em todas as direções.

A multidão que se amontoava perto se espalhou em uma onda de ruído e movimento, e os três mensageiros se viraram por instinto para avaliar o caos ao redor.

Durou cerca de quatro segundos.

Mas quatro segundos eram o bastante.

Roman cruzou a distância até Rena, agarrou o braço dela e a puxou de pé.

— Corra — gritou. — Agora. Vai.

— Roman… — Rena murmurou, a voz trêmula e aterrorizada.

— Vai, Rena. Estou falando sério. Corre.

Ela olhou para ele por exatamente um segundo, e, naquele segundo, algo passou pelo rosto dela que Roman não teve tempo de ler direito.

Então ela correu, desaparecendo na multidão agitada com a velocidade que apenas uma Assassina conseguiria, e, em instantes, sumiu.

O caos se acalmou, e os três mensageiros se voltaram.

Roman estava parado no espaço aberto, sozinho, Queenfang ao lado, com quarenta e um por cento de Vida e absolutamente nenhum lugar para ir.

A mulher olhou brevemente ao redor do mercado, depois voltou os olhos para Roman.

— Onde ela está? — perguntou.

Roman não disse nada.

O primeiro mensageiro avançou e agarrou Roman pelo colarinho. Roman não resistiu, porque não havia sentido.

Arnold ainda estava no chão próximo, tentando se levantar, e o mensageiro homem o puxou pelo braço com a eficiência de alguém completando uma tarefa.

Mestre Norman e o restante dos novatos do Posto Rastro de Sangue haviam desaparecido, de algum modo, e Roman não via um único rosto familiar na multidão que se reorganizava além do de Arnold. Arnold parecia ainda tentar entender como havia acabado naquela situação.

A mulher de uniforme cinza olhou para Roman mais uma vez.

— Você comprou tempo para ela — disse. — Reconheço isso.

Roman retribuiu o olhar com um sorriso, mas não soltou uma única palavra. Àquela altura, nem era necessário.

— Eles vão conosco — ela disse aos outros. — Levem-nos.

E, assim, Roman e Arnold foram retirados do mercado da Cidade da Cidadela sob custódia de três mensageiros imperiais de Rank A.

— Agora que ela se foi, o que dizemos ao Imperador? — Dax perguntou.

— Levamos esses dois ao Imperador. Dizemos que a ajudaram a escapar. Seja qual for a reação dele, sei que não vai pegar leve com eles.

— Eles não sabem com quem se meteram… — Sera disse.

— Vão enfrentar a ira do Aço.

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