Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 40

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


Os novatos se reuniram e partiram para realizar sua primeira negociação como Entrantes, pois aquele era o sexto dia desde o Dia do Zênite Vermelho.

A caravana estava barulhenta do jeito que só um grupo de adolescentes exaustos consegue ser.

Depois de seis dias nas Badlands, os novatos haviam visto monstros suficientes, situações quase mortais suficientes e uns aos outros por tempo suficiente para uma vida inteira. Mesmo assim, espremidos na mesma caravana de madeira, com rodas que gemiam a cada solavanco, ainda tinham energia para gastar.

Alguns discutiam sobre quem havia conseguido o melhor drop. Outros contavam seus itens em silêncio, tentando parecer casuais. Alguns dormiam encostados nas paredes, as cabeças balançando a cada sacudida da estrada.

Mestre Norman estava sentado perto da frente, braços cruzados, observando todos com a expressão calma de um homem que já fizera aquilo cem vezes e estava plenamente preparado para fazer cem vezes mais.

Seis dias nas Badlands significavam quase seis dias de caça para alguns. Isso significava que todos tinham algo. Mesmo o novato mais fraco do grupo havia conseguido juntar alguns drops de monstros dignos de venda.

Amanhã seria o Dia do Privilégio, e ninguém queria chegar lá de bolsos vazios. O mercado estaria aberto naquele dia, e Mestre Norman reunira todos naquela manhã com um anúncio simples.

— Vamos à Cidade da Cidadela. Vendam o que quiserem vender. Guardem o que quiserem guardar. Estejam prontos para amanhã.

Foi tudo que disse, e a caravana deixou o Posto Rastro de Sangue vinte minutos depois.

Roman estava no fundo.

Escolhera aquele lugar por ser menos cheio, e Rena o seguira sem precisar ser chamada. Sentaram-se lado a lado, as costas contra a parede de madeira, observando o restante do grupo à distância.

Arnold e seus garotos estavam em algum lugar no meio da caravana, barulhentos como sempre, mas ficando na deles. Não haviam tido um único confronto real com o lado de Roman desde o outro dia, e Roman tinha quase certeza de que isso se devia inteiramente à intervenção de Mestre Norman. O homem tinha um jeito de fazer a coordenação parecer natural, como se o conflito simplesmente não tivesse espaço para crescer.

Roman não se importava. Já tinha coisas demais em mente.

Olhou para Rena por um momento, vendo-a encarar as árvores passando pela pequena abertura lateral da caravana. Ela parecia relaxada, despreocupada, mas ele vinha querendo perguntar algo havia alguns dias.

— Ei — disse.

Ela olhou para ele.

— O quê?

— Aquele dia. Quando o Chefe chamou você. — Ele manteve a voz baixa, tranquila. — O que ele queria?

Rena piscou uma vez. Então deu de ombros, voltando a olhar para as árvores.

— Ele só queria falar sobre tomar cuidado no Vale. Como planejávamos caçar naquela noite, queria garantir que eu não fosse imprudente. — Fez uma pausa e suspirou. — Acho que é porque sou Primeira Classe. Pessoas assim costumam prestar atenção demais em você, querendo ou não. — Ela fez uma careta sutil, mas visível.

— Eu não gosto muito disso.

Roman assentiu devagar. Fazia sentido. Também combinava com o pouco que sabia sobre como o Chefe agia. Novatos de Primeira Classe tinham peso, e pessoas com autoridade levavam isso em conta.

— Justo — disse ele, assentindo.

Rena se virou para ele.

— E você? Ele também chamou você.

— Rankings — Roman disse simplesmente. — Disse que eu estava indo bem. Falou para eu continuar avançando. — Encostou a cabeça na parede. — O tipo de coisa que alguém diz quando quer ver se você desacelera depois de receber um elogio.

Rena sorriu um pouco.

— E você vai?

— Desacelerar?

— É.

Roman pensou por exatamente um segundo e balançou a cabeça sem hesitar.

— Nem pensar…

Ela assentiu como se aquela fosse a única resposta que esperava. Os dois ficaram quietos depois disso, não em um silêncio desconfortável, mas no tipo de silêncio que se acomoda entre duas pessoas que passaram tempo suficiente próximas para não precisarem preencher cada espaço.

A caravana seguiu avançando.

Então, depois de muitas horas…

Roman percebeu antes de qualquer anúncio.

As árvores começaram a rarear. A estrada se alargou. O terreno dos dois lados se achatou e o horizonte se abriu, e então ela estava ali, à distância, como se sempre tivesse esperado pela chegada deles.

A Cidade da Cidadela.

Roman nunca a havia visto antes, mas sabia que só podia ser ela.

Ouvira o nome muitas vezes. Vira nos mapas, ouvira pessoas descrevendo, imaginara conforme sua mente entendia uma “cidade grande”. Mas a imaginação não bastava.

A cidade se estendia ampla e distante, prédios reunidos em uma expansão densa e organizada, com estradas cortando-a como veias. Muralhas cercavam a borda externa, altas e sólidas, erguidas do jeito que se ergue algo quando quem constrói leva a segurança a sério. Bandeiras pendiam das torres de vigia. Pessoas se moviam pelas estradas que levavam aos portões, mercadores, caçadores e viajantes se misturando à distância.

E, no centro de tudo, erguendo-se acima do resto como se tivesse sido colocado ali por alguém que quisesse tornar a mensagem impossível de ignorar, estava a fortaleza.

Era massiva, exatamente o tipo de estrutura que não apenas ocupava espaço, mas o comandava. Muralhas de pedra que pareciam existir havia séculos, torres que captavam a luz do fim da tarde e a devolviam em todas as direções. Roman a encarou por um longo momento.

Sem perceber, Rena também encarava.

A caravana desacelerou depois de um tempo, e Mestre Norman se levantou do assento perto da frente, apoiando-se com uma mão quando as rodas atingiram um trecho irregular. Virou-se para todos, examinando o grupo da esquerda para a direita, e então olhou adiante, para a cidade além da abertura nos painéis laterais da caravana.

Sua voz saiu como sempre. Calma, uniforme, com peso suficiente para fazer todos prestarem atenção sem que precisasse elevá-la.

— Chegamos à grande Cidade da Cidadela.

Ninguém falou por um segundo. Apenas olharam ao redor, observando pelas pequenas aberturas.

— Finalmente! — alguém disse do nada, num tom que misturava três partes de alívio e uma de admiração, e a caravana voltou a se encher de ruído, todos se inclinando para a frente, esticando o pescoço, tentando ver melhor.

Roman não se inclinou.

Apenas continuou olhando pela abertura, observando a fortaleza à distância. Não era apenas a venda dos itens que ocupava sua mente. Também estava ansioso pelo dia seguinte.

Dia do Privilégio.

Mal podia esperar para voltar para casa.

Mal podia esperar para rever sua família.


Uma caravana seguia em ritmo constante pela ampla estrada que cortava as bordas externas da Fronteira, as rodas zumbindo contra a superfície lisa de pedra pela qual as principais rotas eram conhecidas.

Dentro dela, três figuras estavam sentadas frente a frente no compartimento acolchoado, o tipo de caravana em que apenas pessoas com muito dinheiro ou muita autoridade viajavam.

Dois homens e uma mulher.

O mais velho dos dois homens, Crest, era largo de ombros e fazia tudo sem pressa, inclusive falar. Tinha uma cicatriz grossa que ia da mandíbula esquerda até a clavícula, e nunca a explicara a ninguém. Trazia no porte a calma específica de alguém que fizera coisas difíceis muitas vezes e esperava fazê-las de novo.

Diante dele estava o homem mais jovem, Dax, mais magro e consideravelmente menos paciente. Vinha batucando dois dedos no joelho desde que deixaram o último ponto de controle, um hábito que Crest já mandara parar duas vezes.

Entre eles estava a mulher, Sera Vane, de longe a pessoa mais perigosa no compartimento e também a mais silenciosa. Tinha os braços cruzados e os olhos na janela, observando o terreno passar com a atenção focada de alguém que está sempre trabalhando, mesmo quando parece não fazer nada.

Os três trabalhavam a serviço direto do Imperador Jonah Ironcrown, do Império de Aço.

E os três tinham uma missão.

— Ele enviou mais de cem de nós — Dax disse, quebrando um silêncio que durara quase uma hora inteira. — Cem! Por uma garota.

— Ela não é apenas uma garota — Crest disse sem levantar os olhos do documento em suas mãos. — É a filha única do Imperador, herdeira do Império de Aço, e está desaparecida há vários dias. Cem até é um número modesto, considerando a reação dele quando a primeira busca voltou vazia.

— Ouvi dizer que ele mandou cinquenta na primeira vez — Dax disse.

— Cinquenta e oito — Sera disse da janela, ainda sem virar a cabeça. — E nenhum voltou com algo útil.

Dax ficou quieto por um momento.

— Cinquenta e oito Rankers A e nenhum encontrou rastro dela?

— Ela planejou isso com cuidado — Sera disse. — Ela não simplesmente fugiu. Apagou cada rastro antes que pudesse ser seguido. Quem a ensinou a fazer isso fez um excelente trabalho.

— O próprio Imperador a ensinou — Crest disse, baixando o documento. — E é exatamente por isso que ele está tão frustrado. Ele a treinou para ser excepcional, e ela usou tudo que ele lhe deu para sumir das vistas dele.

Dax balançou a cabeça devagar.

— Então o que o faz pensar que nós vamos nos sair melhor que o primeiro grupo?

— Porque não estamos procurando alguém que ainda tenta não ser encontrada — Sera disse, finalmente se virando da janela. — Estamos procurando alguém que, com base na atividade mais recente do BSP que acessamos, tem caçado na Fronteira. Ativamente. Consistentemente. E com desempenho suficiente para aparecer em rankings públicos.

— Ela não está mais se escondendo — Crest disse. — Está vivendo. E isso significa que deixa um rastro, querendo ou não.

A caravana seguiu por mais alguns minutos em silêncio.

— O Imperador a quer de volta por quaisquer meios necessários — Dax disse por fim, a voz carregando menos leveza do que antes. — O que isso significa exatamente? O que estamos autorizados a fazer se ela se recusar?

Nem Crest nem Sera responderam na hora.

Crest olhou de novo para o documento em mãos.

Sera voltou a olhar pela janela.

— Significa que vamos trazê-la de volta — Sera disse finalmente. — O método fica a nosso critério.

Dax assentiu devagar e não disse mais nada.

A caravana começou a desacelerar quando a estrada subiu numa curva e o terreno se abriu em uma vista mais ampla. Pela janela, o horizonte mudou.

O que surgiu era enorme. Uma cidade vasta atrás de muralhas construídas para enviar uma mensagem, não apenas para defesa, torres erguidas em intervalos medidos, o distrito externo do mercado já visível à distância como uma concentração densa de movimento e cor.

— Aquela é a Cidade da Cidadela — Crest disse, inclinando-se um pouco para a janela.

— Dia de Comércio no Alcance — Sera disse, os olhos avaliando as muralhas distantes com olhar treinado. — Toda comunidade de novatos desta região envia seus novos Entrantes ao mercado no Dia de Comércio. Postos e Refúgios de diferentes partes da Fronteira terão gente aqui hoje.

— O que significa que, se ela estiver em qualquer ponto da Fronteira — Dax disse, inclinando-se para frente —, pode estar naquele mercado agora.

Sera já assentia antes mesmo que ele terminasse.

— Então não perdemos tempo — disse.

A caravana atravessou o portão externo da Cidade da Cidadela e foi imediatamente absorvida pelo ruído organizado do Dia de Comércio, vendedores, compradores e Entrantes se movendo em todas as direções, uma multidão perfeita tanto para se esconder quanto para encontrar pessoas que achavam estar escondidas.

Crest ajeitou a jaqueta e se levantou quando a caravana parou.

— Vamos nos separar — disse. — Cubram o mercado a partir de três pontos. Se ela estiver aqui, saberemos em menos de uma hora.

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