
Capítulo 30
Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!
Tradutor/Revisor: miggigibe
Roman saiu do quarto mais tarde, no início da noite, fechando a porta com cuidado atrás de si. O ambiente estava mais quieto que o normal, e a única visão marcante eram as lanternas acesas em diferentes construções. Para uma comunidade de baixo nível como aquela, não havia eletricidade à vista, já que não possuíam um Entrante com a Profissão de Engenheiro.
Uma brisa suave cruzava os espaços abertos do Posto, trazendo consigo o som distante de conversas e do tilintar de pratos no restaurante.
Ele soltou o ar devagar e começou a caminhar.
Ele e Rena haviam combinado de se encontrar lá, e, por algum motivo, não queria se atrasar. Não naquele dia. Não depois de tudo o que acontecera entre eles.
As mãos deslizaram casualmente para os bolsos enquanto seguia pelo caminho que descia dos alojamentos residenciais. A mente vagou um pouco, revivendo momentos de mais cedo. A caçada. A luta. O jeito como ela o olhara. O modo como dissera sim a ser dele e, principalmente…
O momento que tiveram na caverna.
Um sorriso fraco tocou seus lábios.
— É… acho que as coisas mudaram mesmo — murmurou.
Ele se divertia bastante lembrando de tudo, exceto pelo fato de ter arriscado se tornar pai.
Roman não via aquilo como um problema enorme. Só não queria que acontecesse.
Agira como um idiota em sua primeira vez, e não podia negar.
Mas, assim que virou por um caminho mais estreito que levava diretamente ao restaurante, seus passos desaceleraram.
Figuras surgiram do nada.
Várias delas, paradas bem no meio do caminho como se o esperassem.
A expressão de Roman não mudou muito, mas seus olhos se afiaram quando os reconheceu.
Arnold… e seus garotos.
Eles não estavam encostados casualmente como da última vez. Também não brincavam nem fingiam estar relaxados. Desta vez, estavam firmes, bloqueando o caminho, os rostos sombrios e os olhares fixos nele.
Roman parou a alguns metros de distância, enquanto o silêncio se estendia entre eles por um breve momento.
Parecia que aquilo continuaria por um tempo até Arnold dar um passo à frente.
— Eu te avisei.
Sua voz era baixa, pesada, carregando um peso que não havia ali antes.
— Sobre o quê?
Roman ergueu levemente uma sobrancelha, como se não entendesse o contexto.
Arnold bufou, balançando a cabeça como se não acreditasse no que ouvia.
— Não se faça de idiota comigo. Eu te disse para ficar longe dela — falou, o rosto ficando mais sombrio à medida que despejava aquelas palavras de raiva.
Roman soltou uma pequena respiração, quase uma risada, embora não houvesse humor nela. Já esperava que a conversa fosse sobre aquilo, e, bem, estava curioso para ver onde terminaria.
— Olha, Arnold, vou ter que te dizer uma coisa… Eu não recebo ordens suas.
A mandíbula de Arnold se contraiu ao ouvir isso, o punho fechando de fúria. A raiva que vinha segurando parecia não caber mais dentro dele, e sentia vontade de descontá-la.
— Você acha que isso é piada? — perguntou, dando mais um passo. — Acha que pode sair andando com ela como se tivesse conquistado esse direito?
Roman inclinou a cabeça de leve, o olhar calmo, mas afiado.
— Ela escolheu andar comigo. Isso não é algo que você possa controlar.
Um murmúrio veio dos garotos atrás de Arnold, exceto do sujeito que fora enviado para espioná-los no vale. Arnold, por sua vez, não se moveu.
Seus olhos endureceram.
— Você não entende, não é? — disse. — Não sabe quem ela é. Não sabe com que tipo de pessoa está se metendo.
Roman zombou e deu de ombros, achando graça do que aquele cara furioso pensava saber.
— E você sabe?
Aquilo pareceu acertar algo, e a expressão de Arnold se distorceu.
— Sei o bastante para dizer a um lixo onde ele pertence.
Os olhos de Roman se estreitaram levemente, mas ele não perdeu a compostura. Por que perderia, quando sabia que estava completamente por cima naquela discussão?
Fosse o que fosse que acontecia ali… ele era quem mandava.
Por quê? Porque a garota pela qual Arnold lutava era a namorada dele.
— Engraçado — respondeu com calma. — Porque, pelo que vi, ela não dá a mínima para você.
Dessa vez, as palavras bateram forte, e, por um breve segundo, Arnold congelou. No instante seguinte, seus lábios se curvaram em algo feio.
Ou algo muito pior do que isso.
— Você acha que ela se importa com você? — perguntou, a voz subindo um pouco. — Acha que é especial?
Roman sorriu e não hesitou.
— Eu não acho nada — disse. — Só vejo o que está na minha frente. E agora, ela está comigo. Não com você.
O ar ficou mais pesado, e não demorou para a tensão subir.
Um dos garotos atrás de Arnold avançou, estalando os dedos.
— Esse cara está pedindo por isso — murmurou.
Arnold ergueu uma mão, interrompendo-o na hora, e seu olhar não deixou Roman.
— Você teve uma chance — disse em voz baixa. — Uma chance de ficar fora disso. Mas precisava bancar o esperto.
— É — Roman disse simplesmente. — Precisava.
Ele disse aquilo sem se mover, e a frase apenas provocou ainda mais caos.
Foi o bastante.
Algo se rompeu, e a expressão de Arnold se fechou por completo quando se virou de leve.
— Peguem ele.
No momento em que as palavras saíram de sua boca, os garotos avançaram, prontos para dar a Roman a surra de sua vida.
Vieram todos de uma vez, o que poderia tornar a situação esmagadora. Roman, porém, continuou parado, mantendo a compostura, parecendo pronto para o que vinha.
Mas antes que qualquer um deles alcançasse Roman…
— ARGHH!
TUM!
Um deles caiu na hora após um grito que fez todos se encolherem.
Sem aviso. Sem som de impacto antes.
Apenas um corpo atingindo o chão.
— Mas que…?!
Outro avançou, confuso, olhando para cima como se algo tivesse caído do alto.
Então…
CRACK!
Ele caiu em seguida.
Depois outro.
E outro.
Eles nem tiveram chance de reagir direito, e a tensão entre eles começou a crescer, como se aquele que tentavam atacar estivesse vencendo a luta sem nem lançar um soco.
Algo… alguém… se movia entre eles rápido demais para acompanharem.
Uma sombra.
Um borrão.
Aparecia atrás deles.
Golpeava.
Desaparecia.
Roman não se moveu. Apenas ficou ali, observando com calma enquanto sorria, como se fosse o único que fazia ideia do que estava acontecendo.
E, na verdade, era mesmo.
Em poucos segundos, o grupo que havia avançado já estava no chão, gemendo, incapaz de se levantar.
O silêncio voltou, e apenas Arnold permaneceu de pé diante de um Roman livre e tranquilo.
Sua respiração estava irregular, os olhos varrendo ao redor, tentando descobrir o que acontecia.
— Mostre-se! — gritou.
Por um momento, não recebeu resposta… até que recebeu.
Um som suave veio em seguida.
Um passo. Depois outro.
E, atrás dele, uma figura apareceu.
Arnold congelou no instante em que viu quem era, a boca entreaberta.
Roman não precisou olhar duas vezes, porque já sabia que era Rena.
Ela estava ali casualmente, limpando os dedos de leve como se tivesse acabado de fazer algo trivial. Sua expressão era calma, mas seus olhos… seus olhos eram frios.
— Sério? — ela disse, a voz baixa, mas afiada. — Você ainda está fazendo isso?
Arnold se virou devagar, o rosto pálido por um segundo antes que a raiva retornasse.
— Rena… eu…
— Não — ela o cortou na mesma hora.
Seu olhar se fixou nele.
— Eu estou ficando cansada disso. Não, já estou cansada.
Arnold cerrou os punhos, tentando acreditar que aquilo não estava acontecendo.
— Você não entende — disse. — Ele não é…
— Eu disse não — ela repetiu, mais firme.
Arnold se calou, e era absurdo como ela apagava a fúria dele. O Arnold daquele momento era uma sombra completa de si mesmo.
Rena deu um passo à frente e continuou.
— Vou deixar isso muito claro para você não se envergonhar de novo — disse.
— Roman é meu namorado.
Os olhos de Arnold se arregalaram levemente, atônitos.
Não conseguia acreditar.
Ela escolheu um Zé-ninguém em vez dele???
— E eu gosto dele — ela acrescentou. — Muito mais do que você imagina.
Roman permaneceu quieto, observando, e o tom de Rena não suavizou nem um pouco.
— Se você tem problema com isso, guarde para você. Porque quanto mais age assim, mais patético parece.
O rosto de Arnold se contraiu enquanto tentava falar.
— Você está escolhendo ele em vez de…
— Estou escolhendo o que eu quero — ela o cortou. — E isso não é você.
Aquela frase acertou mais fundo do que qualquer outra coisa.
Ela se aproximou ainda mais, baixando a voz o suficiente para torná-la mais afiada.
— Pare de perseguir algo que nunca foi seu para começo de conversa.
Os olhos de Arnold ficaram vermelhos. Não de lágrimas, mas de raiva. De frustração…
Mas ele não se moveu. Não conseguia.
Rena sustentou o olhar dele por mais um instante antes de se virar como se Arnold não valesse nem mais um segundo.
Caminhou direto até Roman, e sua expressão se suavizou quase na mesma hora.
Sem hesitar, pegou a mão dele.
— Vamos, bebê.
Roman olhou para Arnold uma última vez, depois voltou-se para ela, um leve sorriso surgindo.
— Vamos.
E, assim, passaram por ele.
Deixando Arnold parado como uma estátua.
Sozinho.
Mas a raiva que ele sentia… daquela vez…
Era algo que realmente podia explodir.
— Roman!!!