Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 18

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


Roman levou um tempo para descansar, e já era tarde quando percebeu que estava morrendo de fome.

Decidiu visitar o restaurante para encher o estômago, considerando que talvez fosse caçar de novo naquela noite.

Mal havia saído de seu espaço quando ouviu passos se aproximando pela trilha principal.

— Roman.

Ele se virou. Norman Kons caminhava em sua direção com a mesma compostura sem pressa que parecia carregar para todo lugar, as mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta, os olhos já lendo a situação antes mesmo de qualquer palavra ser trocada.

— Mestre Norman — Roman cumprimentou.

Norman parou diante dele e o observou uma vez, daquele jeito de quem já sabe a resposta, mas quer dar à pessoa a chance de se explicar primeiro.

— Você entrou no vale ontem à noite — disse. Não era uma pergunta.

Roman sustentou o olhar dele.

— Entrei.

Norman ficou quieto por um momento, então assentiu devagar, como se tivesse decidido algo internamente.

— Para onde está indo agora?

— Ao restaurante — disse Roman.

— Caminhe comigo — disse Norman.

Os dois passaram a caminhar juntos pelas trilhas estreitas do Posto, enquanto a atividade da tarde ao redor começava lentamente a ganhar força. Norman não se apressou em dizer o que queria, e Roman não o pressionou. Ele já havia entendido que aquela conversa viria no instante em que Norman chamou seu nome.

— Como foi? — Norman perguntou depois de algum tempo.

— Bom — disse Roman. — Melhor do que eu esperava.

— Hm. — Norman assentiu novamente. — Geralmente é assim na primeira vez. E é exatamente isso que torna a segunda perigosa.

Roman olhou para ele, o rosto pedindo mais explicações.

— O vale não entrega a mesma noite duas vezes — Norman continuou, o tom calmo, mas deliberado. — Na primeira vez que você sai e volta respirando, começa a acreditar que entendeu. Que conseguiu ler o lugar. E essa crença mata mais gente do que qualquer monstro.

O peito de Roman se apertou, mas ele não disse nada e deixou que Norman continuasse.

— O chefe mal piscou quando dissemos que dois novatos tinham desaparecido durante a noite — disse Norman, baixando ligeiramente a voz. — Quer saber qual foi a primeira pergunta dele? Perguntou quais eram seus Padrões Acadêmicos. Quando contei, ficou claramente mais preocupado com uma pessoa do que com a outra. — Norman fez uma pausa.

— Isso deveria te dizer alguma coisa sobre o nível de urgência que existe por aqui quando se trata de pessoas como você e aquela garota.

A mandíbula de Roman se tensionou em silêncio, mas ele continuou andando.

— Eu tinha dois amigos — disse Norman depois de um instante. — Ambos boas pessoas. Ambos lutadores sólidos para o nível que tinham. Saíram uma noite na segunda semana, convencidos de que tinham encontrado o padrão do vale, convencidos de que sabiam quais zonas eram seguras depois do anoitecer.

Ele exalou devagar pelo nariz.

— Encontraram um Chefe Lobo Atroz perto da cordilheira norte. Grande, rápido. À primeira vista, acharam que era um monstro de Rank Extraordinário e o relataram assim quando conseguiram enviar o aviso. — Parou um instante para deixar um grupo de novatos passar antes de continuar. — Acontece que era Ordinário. A equipe de caça que voltou para eliminá-lo confirmou. Um Monstro Ordinário de Nível 75, simplesmente sentado no escuro fazendo o que Monstros Ordinários de Nível alto fazem.

Ele olhou para Roman.

— Os dois já estavam mortos antes que alguém soubesse onde procurar.

O peso daquilo se instalou entre eles sem precisar de comentário adicional.

Roman sabia aonde aquilo levaria.

— Ordinário não significa simples — disse Norman. — Nunca significou. O Rank indica a categoria à qual um monstro pertence. O Nível diz se você volta para casa ou não. E a maioria dos novatos descobre isso tarde demais.

A essa altura, já estavam quase na entrada do restaurante, e o cheiro do que quer que o cozinheiro estivesse preparando saía pela porta aberta, misturando-se ao ar frio da tarde.

Norman parou e se virou para encará-lo de frente.

— Não estou dizendo o que você deve fazer, Roman. Você não é criança, e isto aqui não é a academia. Mas estou dizendo que o vale à noite não se importa com potencial. Não se importa com determinação. Não se importa com aquilo que você vai se tornar. Ele só se importa com o que você é agora. E agora você é um novato Rank F em um Posto em dificuldades, onde ninguém vai largar tudo para sair procurando você.

Roman encontrou os olhos dele e sustentou o olhar. Levou um momento para digerir tudo antes de finalmente responder.

— Eu ouvi, Mestre Norman — disse Roman. — E digo isso de verdade. Cada palavra.

Fez uma pausa, não para encontrar algo a dizer, mas porque o que queria dizer já estava claro e ele queria dar o peso certo àquilo.

— Mas também sei do que sou capaz. Sei o que senti lá fora ontem à noite. E sei que ficar dentro dessas muralhas, jogando seguro, não vai fechar a distância entre onde estou e onde preciso estar.

Ele encarou Norman com firmeza.

— Vou ficar bem.

Norman o estudou por um longo momento, com o tipo de olhar de alguém que já ouviu aquelas exatas palavras antes e sabe que às vezes elas estão certas, e às vezes são a última coisa que uma pessoa diz.

Então assentiu.

— Está bem, Roman. Só posso te desejar boa sorte — disse baixinho.

Deu a Roman um último olhar, depois se virou e seguiu seu caminho.

Roman o observou ir embora por um momento, então se virou e entrou no restaurante.

Não era como se Roman não o entendesse. Na verdade, acabara de aprender algo valioso. Às vezes, duas pessoas podiam não ser suficientes para derrubar um Chefe de Território, porque, se números bastassem, os amigos de Norman não teriam morrido para o Chefe Lobo Atroz.

Aquilo ficou com ele, e Roman pretendia levar essa lição para sua próxima caçada.


Roman demorou um pouco para encher o estômago antes de sair do restaurante, e o que tinha em mente agora era visitar a ferraria de novo.

Decidira fabricar uma arma a partir do Fragmento de Mandíbula da Rainha-Lâmina, e planejava fazer isso antes de entrar no vale novamente.

— Se eu conseguir criar uma espada tão afiada quanto a lâmina da Rainha Formiga-Lâmina, pode ser algo e tanto.

Havia aprendido certa vez que a mandíbula do chefe das formigas-lâmina era um dos materiais mais afiados que um Entrante podia encontrar, e que a lâmina da Rainha Formiga-Lâmina era consideravelmente mais afiada e letal do que a melhor espada do mundo real.

Só isso já mantinha a esperança de Roman alta.

Ele estava a caminho da ferraria quando alguns rapazes surgiram de repente e o cercaram.

Roman reconheceu imediatamente que eram novatos como ele, e, fosse lá o que aquilo fosse, não parecia uma abordagem amigável.

Ele permaneceu firme, composto e despreocupado.

Então outra figura se aproximou.

Roman o viu de relance e quase riu. Era o mesmo rapaz que havia abordado Rena no restaurante na primeira noite.

Arnold. O segundo novato com maior Padrão Acadêmico no Posto. Tinha o mesmo Padrão Acadêmico que Rena, mas havia sido superado por apenas um ponto de Chance de Convocação.

Roman ficou genuinamente curioso para saber por que estava sendo cercado.

Arnold não perdeu tempo.

— Vou manter isso amigável — disse Arnold, a voz baixa e calma, um sorriso relaxado no rosto que não chegava aos olhos.

— Fique longe dela. É tudo que estou pedindo.

— Quem? — perguntou Roman. Não parecia confuso. Apenas calmo.

— Nós dois sabemos de quem estou falando — Arnold respondeu.

Roman o encarou por um momento sem responder, e Arnold interpretou o silêncio como convite para continuar.

— Eu gosto de você, cara. Gosto mesmo. Sem ressentimentos, nada pessoal. Só estou avisando cedo para não haver mal-entendido depois.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Da próxima vez que eu tocar no assunto, não vai ser uma conversa.

— Vai ser algo bem mais duro do que isso.

Com isso, Arnold foi embora, e os outros o seguiram, cada um lançando a Roman um olhar severo de aviso enquanto partia.

E, é claro, Roman sabia exatamente de quem Arnold estava falando.

Falava da garota que já havia pedido para ser sua namorada.

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