
Capítulo 16
Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!
Tradutor/Revisor: miggigibe
De algum modo, a conversa dos dois havia sido interrompida, e Rena não conseguiu terminar a frase. Ambos se viraram para o grupo que se aproximava rapidamente.
— Pelo menos, se vocês querem morrer, podem simplesmente pedir uma forma rápida de morrer, em vez de ficarem espreitando pelo vale a noite inteira esperando um monstro rasgar vocês em pedaços. Acreditem, os monstros desta parte do vale são muito amigáveis — disse o homem que parecia ser o líder do grupo quando se aproximou.
— Ninguém aqui queria morrer — disse Roman.
— Eu não pedi para você falar, fracote. Todos conhecemos seu Padrão Acadêmico, e tenho certeza de que você teria morrido no instante em que entrou no vale se não fosse por esta jovem aqui. Tenho certeza de que ela ficou te protegendo — disse o líder, voltando-se para Rena.
— Não vou tolerar que o insulte.
A resposta veio de Rena, e era claramente uma defesa a favor de Roman.
— Por quê? Porque ele é um fracote patético? — perguntou o líder, o rosto se retorcendo de raiva.
Mas Rena apenas balançou a cabeça.
— Não. — Ela se virou para Roman. — Porque ele é meu amigo.
Naquele ponto, a única reação que o líder conseguiu ter foi rir alto. Não apenas por desprezo, mas também por pura incredulidade.
Ela? Uma Entrante de potencial excepcional transformando um ninguém de Quarta Classe em amigo? Nenhum deles conseguia engolir aquilo.
— Você sequer sabe o que está dizendo, Rena? Mestre Norman colocou o quadro de Padrões Acadêmicos no centro do vilarejo hoje, e adivinha só, ele ficou em último no ranking. Você ficou em primeiro, Rena. Primeiro — outro rapaz se manifestou.
— E daí? — Rena franziu a testa.
— Vou explicar de forma simples. Ele nem é mediano como nós. Está muito abaixo da média. Padrão Acadêmico de Quarta Classe. É com isso que você quer fazer amizade? Acha que algum dia vai progredir assim?
— Existem pessoas como Karl, Jordan, Octavia e Arnold. Eles são tão bons quanto você. Esse é o tipo de pessoa com quem deveria andar. Caçar. Fazer amizade — disse outro rapaz, dando um passo à frente.
— Esse sujeito aí só vai te atrasar. Só vai depender de você para crescer e sobreviver, e isso vai te afetar muito.
Depois de suas reclamações, todos esperaram que Rena considerasse. Sorriram entre si, confiantes de que ela acabaria enxergando o que estavam apontando.
E a verdade era que ela entendia o que estavam destacando.
Mas entender não significava que estavam certos.
Eles subestimavam Roman porque nunca o tinham visto em ação. Era exatamente o mesmo erro que ela própria cometera quando o encontrou naquela noite, e agora que vira do que ele era realmente capaz, não havia versão disso em que ela se afastaria dele.
— Bem, obrigada pelo conselho, veteranos. Mas, como eu disse, Roman continua sendo meu amigo. Meu único amigo.
Ela se virou para Roman e lhe ofereceu um olhar de completa sinceridade. Roman, que observava a troca inteira em silêncio, estava achando aquilo mais divertido do que esperava.
O fato de Rena ter mudado completamente sua perspectiva sobre ele ainda era algo que ele processava. Mesmo assim, estava curioso para ver aonde aquilo levaria.
As mandíbulas dos veteranos caíram no instante em que ela recusou o conselho pela segunda vez.
Alguns começaram a suspeitar que Roman de algum modo a havia enfeitiçado, porque simplesmente não havia explicação racional para ela escolher se aproximar de alguém sem perspectiva.
— Terminaram, veteranos? — ela perguntou então.
O líder hesitou antes de assentir com relutância, e isso foi tudo de que Rena precisava.
— Então, meu amigo e eu vamos nos retirar — disse Rena, caminhando embora.
Roman não desperdiçou o momento. Deixou o sorriso permanecer tempo suficiente para que os veteranos vissem, antes de segui-la.
— Para onde vocês vão? Mestre Norman pediu que levássemos vocês de volta ao Posto! — um deles gritou atrás dos dois.
— É exatamente para lá que estamos indo! — Rena respondeu, sem se dar o trabalho de olhar para trás.
Os dois desapareceram de vista, e, atrás deles, o líder ficou observando até sumirem.
— Inacreditável — murmurou.
Na caminhada de volta ao Posto, Rena puxou conversa, embora não tenha voltado ao assunto que discutiam antes de os veteranos interromperem.
— Obrigada por me acompanhar quando saí. Me poupou de uma situação constrangedora — disse Rena, sorrindo para ele.
— Eu não ia ficar ali parado deixando eles me afundarem no chão, ia? — Roman deu de ombros.
Rena riu baixo e assentiu.
— Sua família. Sua vida antes das Badlands. Como foi o Zênite Vermelho para você. Quero saber — disse ela, com a expressão aberta e direta.
Roman olhou de lado para ela.
— E se eu não quiser contar?
— Então eu ficaria triste — disse Rena, a mandíbula se tensionando levemente.
Roman concluiu que ela merecia pelo menos aquilo, especialmente depois do que fizera ao defendê-lo contra os veteranos.
— Bem, venho de uma família que nunca conseguiu entrar nas Badlands. Meu pai quebrou depois de não conseguir entrar, e meu avô… bom, ele nem se esforçou quando percebeu que não teria sucesso.
— Minha vida antes das Badlands? Eu tinha um amigo. Alguém que considerava meu melhor amigo, praticamente família. Acontece que ele mostrou as verdadeiras cores depois da Cerimônia. Me chamou de perdedor. Disse que eu não passava de um saco de azar.
Rena piscou. Era o que qualquer um esperaria para alguém com o Padrão Acadêmico dele, não era? Quase todos o teriam descartado, e ela imaginou que devia ter sido ainda pior antes do Zênite Vermelho, quando a Convocação ainda não havia começado.
Tinha certeza de que ninguém esperava que ele fosse convocado.
Mas ali estava ele, mesmo assim.
Roman não tinha intenção de mencionar Tessa. Queria aquilo o mais longe possível de sua mente.
— Vou ser honesto. Eu desisti depois dos anúncios. Achei que não tinha chance nenhuma. Minha mãe também. Eu estava prestes a dormir quando, de repente… — Roman parou.
Devo contar a ela sobre o sistema?
Segurou o pensamento por um momento, então o deixou ir. Eles ainda não eram próximos o suficiente para aquele tipo de segredo.
— Então, de repente, eu estava na Estação de Teleporte — concluiu.
— Uau — Rena exalou baixinho. — Isso não é pouca coisa.
— É. Mas não é algo para ficar remoendo — Roman assentiu.
— E você? Como eram as coisas antes de chegar aqui? Deve vir de uma família prestigiada.
— Não. Nossas histórias são até parecidas. Ninguém da minha família jamais esteve nas Badlands. Eu só acabei conseguindo um Padrão Acadêmico decente e não tive sorte suficiente para ser escolhida por uma comunidade melhor — respondeu Rena.
Roman assentiu, embora achasse genuinamente difícil acreditar. Guardou aquilo sem pressionar.
— Bem, parabéns por liderar o quadro. É impressionante — disse Roman.
— Ah, esquece isso — Rena dispensou com um gesto.
— Por quê?
— Porque acabei de perceber que nem todo mundo que começa no fundo permanece lá. Pode haver uma ascensão enorme vindo dos lugares mais inesperados — disse ela, os olhos se fixando diretamente nos dele.
Roman não respondeu. Sustentou o olhar dela por um momento, então desviou.
O portão do Posto surgiu à frente, e com ele veio o entendimento silencioso de que estavam quase de volta.
Rena decidiu aproveitar o tempo restante.
— É por isso que eu precisava fazer esta proposta, Roman.
Ela parou de andar, virou-se para ele e estendeu as mãos, segurando as duas mãos dele nas suas.
— Roman.
— Quero que você seja meu namorado.