Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 10

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


Roman e Rena se aproximaram do Castelo de Pedra e Osso caminhando separados, com uma distância deliberada entre eles que nenhum dos dois fazia questão de encurtar. Repetidas vezes, trocavam breves olhares de lado, apenas para desviar os olhos logo em seguida, como se a outra pessoa não merecesse atenção prolongada.

Os goblins ainda não os haviam notado, e isso se devia puramente à cobertura da escuridão. Uma aproximação durante o dia teria sido uma história completamente diferente. Eles teriam sido vistos no instante em que entrassem no alcance, e as saraivadas de pedras começariam antes mesmo de chegarem perto.

Pelo menos tinham descoberto uma vantagem de caçar depois do anoitecer.

Mas a janela não durou.

Quando se aproximaram o suficiente, um dos Goblins Azuis empoleirado na torre virou a cabeça bruscamente na direção de Roman e soltou um guincho agudo que atravessou a noite.

Rena se virou para ele com um olhar frio.

— Eu sabia que você ia estragar isso — disse. — É claro que o monstro ficaria animado ao avistar primeiro um fracote. Por que não ficaria? Alvo fácil.

Uma onda rápida de irritação subiu pelo peito de Roman, mas ele a conteve.

— Vamos ver quem é o fracote — disse, controlado.

— Ah? — Os olhos dela se estreitaram. — Isso é um desafio?

— Nem perto disso — Roman respondeu. — Vou fazer o que vim fazer, pegar o que puder e sair. Só isso.

— Ótimo. Porque nós não estamos juntos — disse Rena, um sorriso afiado cruzando seu rosto enquanto os goblins acima entravam em frenesi e as primeiras pedras começavam a cair.

Ela já estava se movendo, avançando direto para uma das torres no extremo da muralha sem dizer mais nada.

As pedras vinham rápidas e pesadas. Do tamanho de punhos, irregulares, lançadas com força suficiente para derrubar um Entrante novato com um acerto limpo. As formas, os ângulos, a velocidade implacável de tudo aquilo deixavam muito claro que ser atingido uma única vez não seria pouca coisa.

Roman tomou uma decisão rápida. Não iria na mesma direção que Rena.

Já havia percebido que ela era mais rápida do que ele, não que precisasse medir com precisão para saber. Então disparou até a extremidade oposta da muralha externa, longe o suficiente para que os goblins nas torres o perdessem de vista na escuridão e presumissem que ele havia recuado.

No momento em que alcançou a muralha e se encostou nela, deu a si mesmo alguns segundos para respirar.

Só aquela corrida, debaixo de uma chuva de pedras que poderia ter afundado seu crânio, já havia exigido mais dele do que queria admitir. Mas também sabia que aquilo ainda era a parte mais fácil do que viria pela frente.

Começou a escalar.

A superfície de pedra era áspera e irregular, o que trabalhava a seu favor. Não foi rápido, nem limpo, mas, com paciência e apoio cuidadoso, Roman se ergueu até o topo, passou por cima e desceu com cautela do outro lado, entrando nos terrenos do castelo.

Mal havia se equilibrado quando o problema o encontrou.

Um grupo de goblins já o havia notado, os olhos vermelhos presos nele antes mesmo que ele percebesse que estavam ali.

GHAAAK!

GHAAAK!

Roman ficou imóvel, avaliando rapidamente o espaço ao redor. Estava em uma seção fechada do pátio, com apenas um caminho de saída, e esse caminho já estava bloqueado por mais de uma dúzia de goblins que se aproximavam com a confiança tranquila de criaturas que já haviam decidido como aquilo terminaria.

Merda.

[Nome do Monstro: Goblin Azul Raso.]

[Rank: Ordinário.]

[Nível: 2.]

[Traços: Nenhum.]

[Vida: 98%.]

Esse era o status da maioria deles, e havia bem mais de uma dúzia.

Encará-los todos de frente era uma aposta. Goblins não eram inteligentes individualmente, mas, em grupo, tinham o instinto de enxamear. Ser cercado em um espaço fechado não era uma situação que Roman pudesse se permitir.

Mas ficar parado também não era opção.

Rena não estava à vista. E, embora uma parte dele reconhecesse que aquele seria um momento razoável para ter apoio, calou esse pensamento antes que se formasse por completo.

Esquece. Eu dou conta.

Ergueu a mão e ativou [Bola de Fogo].

FWOOSH!

BAAM!

O goblin mais próximo recebeu o golpe diretamente no rosto, e o impacto não foi sutil. O que restou dele caiu no chão sem emitir som algum.

[Você matou um Monstro Ordinário de Nível 2, Goblin Azul Raso. +30 EXP adquirida.]

[Nenhum drop concedido.]

No instante em que os outros viram um dos seus cair, a decisão foi tomada por todos ao mesmo tempo. Avançaram em uma massa de pele azul, dentes expostos e agressividade selvagem, alguns agarrando pedras, outros simplesmente jogando o corpo para a frente com a intenção bruta de despedaçá-lo.

GRAAAK!

GRAAAK!

GRAAAK!

Estavam se aproximando rápido.

Roman esperou até que estivessem quase sobre ele, então varreu os dois braços em um arco amplo e ativou [Antiequilíbrio].

WHOOOOSH!

Uma rajada controlada de ar comprimido detonou para fora a partir de sua posição, e cada goblin do grupo foi erguido e lançado em direções diferentes ao mesmo tempo. Bateram contra paredes e contra o chão duro do pátio, alguns caindo de um jeito que encerrou tudo ali mesmo.

[Você matou um Monstro Ordinário de Nível 2, Goblin Azul Raso.]

[Você matou um Monstro Ordinário de Nível 2, Goblin Azul Raso.]

[Você matou um Monstro Ordinário de Nível 2, Goblin Azul Raso.]

[Você…]

As notificações se empilharam rapidamente, mas o foco de Roman estava na barra de EXP.

[Nível: 2 {930/1250}.]

Goblins Rasos daquele Nível nunca concederiam um drop, então não havia motivo para esperar por um. O único objetivo ali era limpar o caminho e continuar avançando.

Ele terminou os sobreviventes com [Bola de Fogo], abatendo os que resistiram ao impacto de [Antiequilíbrio]. Quando o último caiu, deu um passo à frente e emergiu no amplo pátio aberto do Castelo de Pedra e Osso.

A primeira coisa que fez foi localizar Rena.

Não precisou procurar muito.

No extremo distante do pátio, ela já estava no meio de alguma coisa, e a palavra devastando não parecia exagero.


— Prontos para uma dança?

Rena lançou um olhar frio ao círculo de Goblins Azuis Rasos ao redor dela, e, em vez do nervosismo que uma pessoa sensata talvez sentisse, o que se instalou em seu rosto foi um sorriso lento e silencioso. Não o tipo que vinha de diversão, mas de apetite.

Aquilo não era pressão para alguém como ela. A Profissão de Assassina não era algo em que tropeçara por acaso. Era algo que perseguia desde que tinha idade suficiente para entender o que significava, e passara anos se afiando até se tornar exatamente aquilo.

Ela aproveitaria cada segundo.

[Deslocamento Fantasma ativado.]

Ela se moveu.

Ou, mais precisamente, deixou de ser visível.

Em um instante estava no centro do círculo. No seguinte, simplesmente desapareceu, deixando os goblins congelados no lugar, as cabeças girando em todas as direções com um pânico que eles não tinham como processar.

Então um deles caiu. Sem aviso. Sem som. Apenas estava ali, e depois não estava mais.

Segundos depois, outro.

Depois outro.

Depois outro.

Cada um caiu sem jamais ver o que o matara, a única evidência da presença de Rena sendo o som suave de movimento que chegava uma fração tarde demais para significar alguma coisa.

O último Goblin Raso sobrevivente finalmente cedeu, girando nos calcanhares e fugindo com um grito estrangulado.

— RAAAAK!

Não foi longe.

Rena reapareceu atrás dele em um movimento fluido, e a questão foi resolvida antes que o goblin completasse três passos. Ela se endireitou, limpou a lâmina e observou a interface do BSP atualizar na periferia de sua visão.

[Você subiu de nível! Nível 2 » Nível 3.]

[Nível: 3 {1275/2000}.]

Ela estalou a língua baixinho.

— Muito bem — murmurou para si mesma.

A primeira torre estava limpa. Voltou a atenção para a segunda, onde um novo grupo de goblins já começava a descer em sua direção em estado de frenesi.

Seus olhos percorreram o pátio por um instante, e ela captou a comoção do outro lado da muralha. Não demorou para identificar a fonte.

Os olhares deles se encontraram à distância, e o que passou entre os dois naquele único olhar compartilhado não foi reconhecimento nem camaradagem. Foi uma declaração silenciosa e mútua de algo muito mais competitivo do que qualquer um dos dois diria em voz alta.

Rena voltou-se para seus alvos e sentiu o fogo no peito subir um grau.

— Se esse garoto de Padrão Acadêmico baixo matar mais do que eu esta noite — murmurou, já se movendo — nunca vou me perdoar.


Do lado dele no pátio, Roman abria caminho pela própria parcela de caos, e o pensamento que se formava no fundo de sua mente se afiava em algo próximo de um objetivo.

Preciso provar que ela está errada. Preciso mostrar que não sou o que ela pensa.

Ele deu um passo à frente, os olhos fixos no caminho, o interior do castelo se erguendo mais fundo na escuridão além do pátio.

E o único jeito de fazer isso…

Fechou o punho.

…é chegar ao Rei Goblin antes dela.

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