Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 9

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


O vale havia ficado silencioso de novo.

Depois de destruir o Terreno Dilacerante com sucesso, Roman decidiu descansar perto de uma árvore e pensar se continuaria caçando ou se voltaria para o Posto pelo próprio bem.

Seus olhos ainda vasculhavam a escuridão ao redor, o Fragmento de Mandíbula da Rainha-Lâmina estava em seu status de Pertences, e seus nervos ainda não tinham se acalmado por completo depois da silhueta que desaparecera sem responder.

Ele esperou e observou, torcendo para captar outro sinal e garantir que, dessa vez, correria sem olhar para trás.

Mas nada.

Nada apareceu por um bom tempo, e, depois de observar repetidas vezes a área onde havia visto a silhueta, finalmente se convenceu de que ela tinha ido embora.

Deve estar com medo de mim, hehe.

Mas então, justamente quando estalou a língua e tentou ir embora, uma voz veio diretamente de trás dele.

Quase familiar. Como se já tivesse ouvido aquele tom em algum lugar.

— Você sabe que quase se matou agora há pouco.

Roman parou, congelado.

Virou-se devagar, e lá estava ela. Uma garota de cabelos vermelhos vestindo um traje de combate ajustado.

Ele a reconheceu imediatamente. Era a garota do restaurante, parada a poucos metros de distância, com os braços cruzados e uma expressão que dizia que ela não tinha o menor interesse em ser simpática sobre nada daquilo.

Roman a encarou por um momento.

— Você estava me observando?

— Infelizmente — ela disse, seca.

Roman a encarou por mais um segundo, então virou-se outra vez e continuou andando.

— Legal.

Ela passou a caminhar ao lado dele, aparentemente não porque quisesse andar com ele, mas porque estava indo na mesma direção, e nenhum dos dois estava disposto a ser quem mudaria o passo.

— Você é o que ficou em último — ela disse, como se aquilo nem precisasse de confirmação.

— E você é a garota que mandou aquele sujeito se catar no restaurante — Roman respondeu. — Que bom que nos conhecemos.

— Eu não conheço você.

— Ótimo. Eu também não conheço você.

Um breve silêncio se estendeu entre eles, preenchido apenas pelo som dos passos no chão do vale.

— Você foi aconselhado a não caçar à noite — ela disse.

— Você também.

— Eu faço o que quero.

— Engraçado — Roman disse, soltando uma risada curta e olhando de lado para ela por um instante. — Eu também.

Ela emitiu um som pequeno, algo entre uma zombaria e uma risada, só que sem nenhum calor que uma risada normalmente teria.

— Você é Mago — disse em seguida.

— Você definitivamente estava me observando.

— Eu estava passando. Era difícil não notar você jogando bolas de fogo numa torre de formigas como se ela te devesse dinheiro.

Roman apenas assentiu e não respondeu. Mas estaria mentindo se dissesse que não ficou envergonhado ao descobrir que alguém o observara o tempo todo.

— Quarta Classe — ela acrescentou depois de uma pausa.

O jeito como disse não foi exatamente cruel, mas também não foi gentil. Apenas um fato colocado sobre a mesa.

A mandíbula de Roman se contraiu levemente, e ele já começava a se irritar. Parecia que ela estava ali apenas para informá-lo de que sabia tudo sobre ele e não tinha medo de usar isso.

— Isso te incomoda? — Roman perguntou, encarando-a.

— Não — ela respondeu. — Só estou observando que você não tem motivo nenhum para estar aqui fora à noite. Ou aqui fora, para começo de conversa.

— E ainda assim aqui estou — Roman disse. — Vivo. Com uma Rainha abatida e um nível a mais. Então…?

Ela olhou para ele e balançou a cabeça de leve, mas não disse nada. Bem, provavelmente não queria responder, porque ele claramente estava orgulhoso do resultado, e seria difícil arrancá-lo daquele tipo de confiança.

Continuaram andando, e ficou claro que nenhum dos dois estava indo para perto do Posto. Estavam entrando mais fundo no vale e, surpreendentemente, nenhum traço de nervosismo aparecia em seus rostos.

— Você deveria voltar — ela disse depois de observá-lo por algum tempo.

— Você deveria cuidar da sua vida — Roman respondeu.

— Estou tentando — ela disse. — Você é que continua existindo perto de mim.

— Então anda mais rápido.

— Talvez você ande mais devagar — ela rebateu.

Roman parou de andar.

Ela parou um passo depois dele e se virou. Os dois se encararam na escuridão com aquela irritação mútua que duas pessoas compartilham quando decidem, de forma independente e simultânea, que a outra é um problema.

— Qual é o seu nome? — Roman acabou perguntando.

— Por quê?

— Para eu saber como te chamar quando estiver contando essa história depois.

Ela sustentou o olhar dele por um momento e revirou os olhos como se não se importasse.

— Rena — disse.

Roman assentiu uma vez, como se a informação mal tivesse utilidade.

— Roman.

— Eu não perguntei — disse Rena.

— Eu sei.

Outro silêncio caiu entre eles, e os dois trocaram um olhar breve e estranho antes que Roman decidisse quebrá-lo.

— Os Pântanos de Podridão ficam por ali — disse Roman, gesticulando vagamente para a esquerda. — Se é para lá que está indo.

— Eu sei onde ficam os Pântanos de Podridão.

— Só estava tentando ajudar — ele murmurou.

— Não tente — ela disse simplesmente, encarando-o.

Roman ergueu as duas mãos por um instante em sinal de rendição, depois as abaixou e virou à direita, seguindo por outro caminho sem olhar para trás.

— Toma cuidado aqui fora, seu pobre coitado — Rena gritou atrás dele, e havia algo na voz dela quase genuíno por baixo de todo aquele gelo.

Roman não parou de andar e se recusou a levar aquelas palavras a sério.

— Você vai morrer antes de mim — gritou de volta. — Estatisticamente.

— Trinta e seis por cento — ela disse, seca. — Você não está em posição de falar sobre estatísticas.

Roman não tinha resposta alguma para aquilo, porque sim, ela claramente sabia tudo sobre ele, e continuar trocando farpas com alguém daquele tipo estava ficando constrangedor.

Ele apenas continuou andando, torcendo para não precisar vê-la de novo. Pessoas como ela seriam uma tremenda dor de cabeça.


Roman não estava feliz consigo mesmo por não tê-la percebido quando ela surgiu atrás dele. Sabia que aquilo teria terminado em completo desastre se fosse uma figura hostil, porque Entrantes podiam matar Entrantes.

No entanto, uma norma moral estabelecida pelo Governo Mundial determinava que um Entrante não podia matar outro Entrante sem justificativa vital.

Ou era por autodefesa, ou como punição autorizada por um crime mortal.

Dizia-se que matar outro Entrante concedia grandes benefícios, comparáveis aos de um Chefe ou Monstro de Rank alto, e muitos Entrantes haviam sido consumidos pela ganância, dispostos a qualquer coisa para ascender.

E agora era difícil afirmar que as Badlands ainda obedeciam plenamente a essa regra.

Roman sabia que precisava aumentar sua Percepção para ter uma chance melhor de sobreviver a um encontro daquele tipo na próxima vez.

Ao verificar o BSP, percebeu que a morte da Rainha Formiga-Lâmina havia lhe recompensado com cinco Pontos de Atributo. Pensou com cuidado e decidiu gastar quase todos em Percepção.

— Quatro em Percepção. Um em Agilidade.

[PER: 6,0.]

[AGI: 5,0.]

Não diria que estava satisfeito, mas estava melhor do que antes. Visivelmente melhor.

Decidiu que trabalharia no resto quando tivesse mais Pontos de Atributo, de preferência antes de retornar ao Posto.

Acreditava que, se conseguisse fazer isso, sair no escuro claramente não teria sido perda de tempo.

Então continuou andando, percorrendo algo em torno de trezentos metros, até chegar a um ponto que o fez parar na mesma hora.

Diante dele erguia-se um castelo enorme, construído de pedra cinzenta e ossos pálidos, emergindo do chão escuro do vale como algo que a terra tivesse empurrado para fora e se recusado a engolir de volta.

Suas muralhas eram grossas e irregulares, feitas de lajes ásperas de pedra unidas por uma argamassa que parecia osso triturado e lama seca, dando à superfície uma textura recortada e desigual que captava a luz da lua em fragmentos quebrados.

Várias torres se elevavam das muralhas, com o topo fortificado de modo grosseiro usando mais ossos e destroços reaproveitados. Crânios de diversos tamanhos haviam sido montados ao longo das ameias, organizados em fileiras deliberadas, como decoração… ou aviso. Na base de cada torre, tochas rudimentares queimavam com uma chama azulada e doentia, lançando sombras instáveis sobre as figuras que se moviam acima.

As figuras observavam e protegiam o que havia dentro daquelas muralhas.

Era a definição perfeita de um Território de Monstros, e Roman estava ali sozinho, longe de estar pronto para se aproximar.

[Localização: Castelo de Pedra e Osso.]

[Habitantes: Goblins Azuis.]

[Chance de Sobrevivência: 36%.]

Roman balançou a cabeça diante da notificação, já pensando em voltar. Não fazia ideia do que espreitava dentro daquele castelo, e suas chances de sobrevivência não o incentivavam nem um pouco.

Concluiu que seria melhor visitar outro território ou simplesmente voltar ao Posto.

Mas então, assim que começou a se mover…

— Ei, Mago! Estou surpresa que você ainda esteja vivo!

Uma voz familiar cortou o silêncio a curta distância, e, quando Roman se virou, era a mesma garota de cabelos vermelhos que já havia esgotado sua paciência uma vez naquela noite.

Rena.

Roman a encarou por um segundo e desviou o olhar, sem vontade de interagir. Ela não pareceu se importar.

— Não estou implorando para você vir comigo. Consigo fazer isso sozinha com facilidade — disse ela, e isso puxou imediatamente a atenção de Roman de volta.

— Há mais de duzentos goblins naquele castelo. Acho que seria muito melhor voltar depois de limpar o Castelo de Pedra e Osso do que só com o Terreno Dilacerante.

Ela disse isso com um olhar afiado de lado, depois avançou, seguindo direto para o castelo sem esperar resposta.

Roman pensou no assunto e concluiu que, em dupla, o risco cairia consideravelmente, e a chance de sobreviver seria muito maior.

Mesmo que ela fosse, de fato, uma encrenqueira, ele teria de aguentar. Pelo menos por aquela última vez.

— Droga…

Com um longo suspiro, Roman a seguiu rapidamente.

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