Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Capítulo 3

Despertar do Talento: A Ascensão do Mestre Multiclasse Subestimado!

Tradutor/Revisor: miggigibe


[Entrante 456100. Bem-vindo às Badlands.]

No instante em que Roman abriu os olhos, foi tomado por uma incredulidade absoluta.

A primeira coisa que sentiu foi o ar seco e áspero batendo contra sua pele. Logo depois vieram os sons agitados de uma multidão ali perto.

Ele tentou observar rapidamente onde estava, mas, antes que conseguisse, um braço enorme o agarrou pelos ombros. No segundo seguinte, Roman se viu caindo de cara no chão alguns passos à frente.

— Anda logo, novato. Que vergonha o último Entrante desta sessão parecer um coelho assustado.

Ainda no chão, Roman se virou depressa para ver quem estava falando e avistou um homem de ombros largos e expressão severa. Ele estava vestido como um soldado e segurava um chicote na mão direita.

Sem nenhuma vontade de descobrir como aquele chicote seria usado, Roman se levantou rapidamente e continuou andando.

Foi conduzido até um lugar parecido com um terminal de atendimento. De um lado, havia outros homens também vestidos como soldados, com olhares afiados, examinando cada rosto novo que passava. Do outro, Roman viu pessoas de roupas variadas, todas com expressões ansiosas. Pelo jeito delas, pareciam estar esperando havia bastante tempo, mas não demorou para Roman entender o motivo.

Na academia, ele aprendera que figuras importantes de várias regiões das Badlands se reuniam na Estação de Teleporte todos os anos, no dia do Zênite Vermelho. Por quê? Porque procuravam Entrantes novos, promissores e de grande potencial.

Aquilo tinha relação com a necessidade de reforçar grupos de Aventureiros e Guildas, aumentando suas chances de crescimento e sucesso.

Resumindo: apenas os estudantes com as melhores notas eram recrutados pelos melhores grupos.

A Estação de Teleporte era o local onde os convocados chegavam. Embora eles não aparecessem ali por meio dos sistemas de teletransporte modernos, aquele setor era conhecido como Unidade de Chegada dos Novatos, o mesmo lugar onde os Pioneiros, as primeiras pessoas convocadas para as Badlands, haviam surgido.

Quando os Pioneiros chegaram às Badlands cerca de três séculos antes, não tinham ideia de como sobreviver ou se adaptar.

Eles acreditaram que estavam presos, e a maioria entrou em pânico. Os que cederam ao pânico ficaram vulneráveis o bastante para morrer diante de monstros de Rank baixo. E os que tentaram manter a coragem? Os monstros mais fortes se tornaram seus pesadelos.

Foram os poucos sobreviventes, depois de enfrentarem várias provações e dominarem um punhado de conhecimentos mágicos, que descobriram como retornar ao mundo real criando o Sistema de Teletransporte.

Esses poucos Pioneiros sobreviventes ensinaram ao mundo exterior sobre as Badlands e sobre como sobreviver nelas de forma prática. Depois de diversas confirmações, o Governo Mundial decidiu estabelecer Academias especiais, inicialmente administradas e governadas pelos próprios Pioneiros.

Afinal, desde a primeira convocação, todos os anos uma quantidade considerável de pessoas aos dezoito anos era chamada para lá. Para impedir que os novos jovens enfrentassem o mesmo inferno vivido pelos Pioneiros, todo adolescente de quatorze anos passou a ser matriculado na Academia.

Com essa lembrança voltando à mente, Roman soltou um suspiro profundo.

— Para onde será que eu vou acabar indo? — murmurou para si mesmo.

— E, por fim, temos o último Entrante!

Um dos soldados no balcão gritou, puxando Roman em sua direção como se ele não pesasse nada.

— É melhor que seja bom, garoto!

— Padrão de Primeira Classe, por favor!

— Que seja bom, e eu transformo você no meu Tesoureiro pessoal!

Murmúrios explodiram do outro lado, e Roman ouviu quase todos.

Mas ele sabia. Sabia que estava prestes a decepcionar aquelas pessoas também.

Ding! Ding! Ding!

Algo parecido com um estetoscópio foi colocado em sua testa e, de repente, informações começaram a surgir na tela do dispositivo conectado a ele.

Ding! Ding! Ding!

— Padrão Acadêmico Final, Quarta Classe! — anunciou o soldado, a voz alta o suficiente para cortar a multidão. No mesmo instante, Roman viu o rosto de todos escurecer.

— Opa.

— Droga.

— Alguém vai querer este jovem?! — perguntou o soldado em seguida.

Os murmúrios recomeçaram, e, aos poucos, a multidão começou a se dispersar. Como ele era o último Entrante disponível, não havia mais motivo para ninguém ficar ali, certo?

O soldado esperou, mas ficou claro que ninguém se aproximaria.

Então se virou para Roman com uma expressão de pena.

— Ah, cara. Parece que você vai ter que começar sua vida por conta própria. Nem sei como alguém de Quarta Classe conseguiu entrar nas Badlands.

— Isso é… raro — acrescentou outro soldado ao lado dele.

No entanto, bem quando o caso parecia encerrado, um jovem apareceu diante do balcão.

— Eu fico com ele!

O soldado se virou e viu um rapaz usando uma jaqueta preta folgada, as mãos casualmente enfiadas nos bolsos, como se não tivesse acabado de fazer algo inesperado.

— Senhor Norman? Sério? Quer levar esse garoto só para ele morrer no Vale? — perguntou o soldado.

— Com a melhor orientação possível, ele vai ficar bem. Confie em mim.

O soldado hesitou e olhou para Roman, que continuava parado, sem expressão alguma no rosto.

Depois suspirou e assentiu.

— Está bem, então. Se você diz.

Ele pegou um livro e registrou alguma coisa. Roman deduziu que o soldado estava anotando a transferência do último Entrante, que era ele.

Pouco depois, Roman foi levado para fora do terminal, onde encontrou o homem que havia pedido para ficar com ele.

— Ei, eu sou Norman. Norman Kons — o rapaz se apresentou assim que Roman saiu.

— Roman Rings — ele também se apresentou, com o rosto ainda bastante inexpressivo.

— Certo, Roman. Sou assistente do chefe do Posto Rastro de Sangue, que fica a cerca de trinta e cinco quilômetros daqui. Talvez você esteja se sentindo péssimo agora porque os outros não te escolheram, mas confie em mim: acredito que você ainda tem algo grande a oferecer às Badlands — disse Norman.

Roman apenas assentiu, achando que aquela era a melhor coisa que podia fazer.

Naquele momento, a única coisa em sua mente era o sistema que acabara de levá-lo até ali. Precisava descobrir como aquilo havia acontecido, por quê e de onde aquela coisa tinha vindo.

— Venha comigo.

Norman o conduziu até algo parecido com uma caravana estacionada não muito longe da Estação de Teleporte. Ali, Roman viu dezenas de outros novos Entrantes que Norman trouxera consigo.

Nas Badlands, todo indivíduo era chamado de Entrante, e esse era o termo adequado usado entre eles. Eram as pessoas do mundo exterior que os chamavam de Despertos, e esse termo só era usado fora das Badlands, já que não fazia parte da cultura local.

A caravana faria uma viagem de trinta e cinco quilômetros. Roman já sabia que seria um trajeto longo, mas ficou satisfeito por ter tempo suficiente para acessar a estranha tela azul que aparecia no canto de sua visão.

— Tenta não morrer cedo, garoto!

— Muito importante!

Quando estavam prestes a entrar na caravana, algumas vozes familiares soaram atrás deles. Ao se virarem, perceberam que eram os soldados no portão da estação.

— Não deixe isso te assustar, Roman. Os homens do Exército da Ira às vezes agem como palhaços — disse Norman, sorrindo.

Depois que todos entraram, a viagem até o Posto Rastro de Sangue começou.

As Badlands eram um mundo vasto e, como era de se esperar, um assentamento importante podia ficar a quilômetros de outro. Entre esses lugares, podia haver florestas, terras devastadas ou até mares inteiros.

Roman já sabia de tudo isso, por isso não entrou em pânico quando ouviu que o Posto Rastro de Sangue ficava a trinta e cinco quilômetros de distância.

Quando a viagem começou, fez questão de encontrar um lugar quieto e adequado na caravana, acomodando-se longe dos outros.

Então encarou a interface, e as perguntas vieram em sequência.

— O que você é?

— De onde você veio?

— Como me trouxe até aqui?

— Por quê?

— Se você consegue ajudar perdedores como eu, por que não ajudou meu pai?

Todas essas perguntas vieram, e, no fim, a única resposta que recebeu o deixou insatisfeito.

[O hospedeiro entrou nas Badlands com sucesso.]

[O hospedeiro agora pode visualizar seu status.]

[Se o hospedeiro fizer perguntas demais, será jogado de volta ao Mundo, e nunca mais retornará às Badlands.]

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