Dominação do Abismo

Volume 2 - Capítulo 94

Dominação do Abismo

Em um quarto escuro, um jovem gritou e acordou coberto de suor frio. Os lençóis estavam rasgados e as palmas de suas mãos estavam sangrando, com o sangue escorrendo para os dedos.

— Demônios! — O homem segurou a cabeça com dor e depois bateu em sua própria testa. — Por que eu sonhava com essas coisas?

Ele podia ouvir insetos assobiando, mas não se importava. Ele saiu de seu quarto.

Sua casa era uma mansão de tamanho moderado, e parecia que sua família tinha uma riqueza considerável. Com apenas um pijama fino, o homem estava sob a lua, a brisa que soprava era um pouco fria, mas ele não parecia nem um pouco afetado. Ele respirou fundo, acalmando-se.

O homem olhou para a palma da mão.

— Huh?

Ele percebeu que o ferimento já havia sido curado, deixando para trás apenas uma leve cicatriz. Ele não conseguia acreditar e ergueu a palma da mão para dar uma olhada melhor, estava se recuperando e, quando observado de perto, até mesmo a cicatriz estava diminuindo gradualmente.

— Como isso é possível?

O homem chocado de repente percebeu que podia ver claramente na noite escura. Embora ele tivesse algum grau de visão noturna antes, sua visão não era tão clara quanto agora.

Sem saber o que estava acontecendo, ele balançou a cabeça e murmurou incrédulo:

— O que está acontecendo? O que aconteceu comigo…?

Em um convento distante, os gritos reprimidos de uma mulher podiam ser ouvidos. Uma freira de idade considerável entrou na sala de onde vinham os gritos e começou a lançar um feitiço imediatamente. Um brilho fraco irradiava das pontas de seus dedos enquanto ela olhava preocupada para a adolescente deitada na cama.

A garota usava roupas simples de linho e era delicada e bonita, no entanto, atualmente, ela estava se contorcendo de dor.

— Lianna, qual é o problema?

A freira idosa abraçou a menina e a sacudiu, mas isso teve pouco efeito, pois a menina ainda estava vivenciando o pesadelo, com o rosto ficando gradualmente mais pálido.

— Proteção contra o Mal!

A velha freira lançou rapidamente outro feitiço, e uma luz divina purificadora envolveu suavemente a garota. Ela se acalmou com o feitiço e abriu os olhos lentamente. Talvez ainda com medo, ela soltou um grito antes de mergulhar no peito da velha freira.

— Irmã Isara, eu… Eu… vi demônios novamente!

A velha freira Isara segurou os punhos com força e disse:

— Ore para a Alteza da Lua Prateada. Ela protegerá seus seguidores!

A adolescente tremeu ao se ajoelhar na cama e orar. Enquanto orava, os grãos de puro e santo poder divino dentro do convento se reuniram em seu corpo. Sua expressão de medo desapareceu lentamente.

Era um convento dedicado à Alteza da Lua Prateada. Depois que ela assumiu parcialmente o papel de abençoar as mulheres, muitos conventos que só aceitavam freiras começaram a adorá-la. Suas igrejas também passaram por mudanças consideráveis, com a adesão de mais fiéis do sexo feminino. O número de Sacerdotisas cresceu. Em algum momento, o leite materno se tornou o símbolo da feminilidade e da maternidade. Ela também desempenhava um papel fundamental em muitos rituais.

Essas mudanças foram benéficas para a Alteza da Lua Prateada, pois ela pôde ganhar mais papéis de divindade. Se ela combinasse esses papéis, era muito provável que se tornasse uma divindade poderosa mais uma vez.

As partículas brilhantes de luz divina se dissiparam, e a mente da adolescente finalmente ficou em paz. Ela olhou para a freira idosa e perguntou:

— No final, ainda não consegui me livrar dos demônios que atormentam meu coração. Eles plantam medo em mim. Irmã Isara! Será que é porque minha fé na Alteza da Lua Prateada não é suficientemente firme?

A velha freira abraçou a menina e deu um tapinha gentil em suas costas.

— Minha querida Lianna, você é a crente mais devota da Alteza da Lua Prateada. Acredite em mim, a deusa não permitirá que os demônios lhe façam mal. Ela sempre cuidará de você e a amará, como uma mãe que cuida de sua filha!

Cenas semelhantes ocorreram em câmaras subterrâneas, vilarejos remotos, castelos antigos e muitos outros locais. Muitos tiveram pesadelos e acordaram, apenas para descobrir que o mundo não era mais o mesmo de antes, pelo menos para eles.

Em um cânion escuro, um homem sinistro estava sob a luz da lua. Ele olhou para a distância e sorriu.

— Oh, meus queridos irmãos e irmãs! Vocês finalmente acordaram! Esperei por esse momento por muito tempo.

Ele pulou do penhasco que tinha dezenas de metros de altura. Quando a sua silhueta se tornou nebulosa, ele se afastou rapidamente.

Havia um lugar mais ao norte das regiões setentrionais onde o terreno era composto de geleiras e montanhas geladas. O mar podia ser visto, mas estava congelado devido ao clima frio. Em um ambiente tão frio, havia uma torre que perfurava os céus, com uma altura completamente além da imaginação humana. Se Soran estivesse aqui, ele duvidaria que seu mundo original, onde a tecnologia era extremamente avançada, pudesse construir uma estrutura como essa. A estranha torre havia resistido ao ambiente hostil por milênios, mas não havia nem mesmo o menor sinal de desgaste.

— Professor. — Disse um adolescente com um rosto esculpido ao subir no topo da torre. Era uma antiga plataforma de adivinhação astrológica. O adolescente ficou atrás de seu professor e continuou: — O Senhor do Medo começou a espalhar o caos e o medo. Eles também despertaram os Descendentes de Deus mais cedo do que o esperado. Talvez precisemos fazer algo desta vez?

Um homem idoso, cujos cabelos brancos e barba longa quase chegavam ao chão, virou-se. Ele usava uma túnica cinza e disse lentamente ao seu aprendiz:

— Miyatole, você precisa se lembrar de que somos meros observadores, o tempo todo. Nossa missão é observar as mudanças do mundo, não interferir nelas.

O aprendiz hesitou por um momento antes de responder:

— Mas, professor, se não interferirmos, o Senhor do Medo reviverá no corpo de seu descendente e o mundo será novamente envolto em medo. Ele é um deus demônio poderoso, e talvez não haja uma chance melhor de fazê-lo cair se perdermos essa oportunidade.

O velho suspirou e disse lentamente:

— Miyatole, você precisa se lembrar de que somos neutros, não estamos do lado da justiça, nem do lado do mal. Foi somente dessa forma que os deuses permitiram que existíssemos, além disso, não é tão fácil para um deus ressuscitar.

O aprendiz parecia recusar a observação final de seu professor.

— Se é assim, por que o Deus da Tirania conseguiu ressuscitar?

O ancião não viu nenhuma saída para a situação sem explicar tudo ao seu aprendiz.

— Para ressuscitar, há muitos requisitos que um deus precisa atender. Os corpos dos mortais não podem conter os poderes divinos dos deuses, mesmo que eles fossem filhos dos deuses. Dessa forma, um deus terá que distribuir seus poderes divinos entre seus filhos antes de tentar ressuscitar, tornando os filhos Descendentes de Deus. Quanto mais poderoso for o deus, mais filhos serão necessários para carregar seus poderes divinos. Após a morte do deus, o poder divino deixado para trás começaria a convergir, muitas vezes fazendo com que os Descendentes de Deus lutassem entre si em busca de poder. No final, o número de crianças deixadas para trás será apenas algumas, mas elas também são muito mais poderosas do que costumavam ser.

Ter filhos poderosos e convergir ao poder divino é apenas uma parte do processo de ressurreição. O que mais importa é o poder da crença. Todos os poderes divinos existem porque havia crentes que se dedicavam a seus deuses. O ato de adorar deuses dá a eles seu poder, e essa é a parte mais importante da ressurreição de um deus. Os Descendentes de Deus detêm o poder divino, mas não são o alvo de adoração dos fiéis. Assim, seus poderes não podem crescer, pois eles não são adorados. A alma do deus poderia ser realocada em um corpo que contivesse seus poderes divinos originais, basicamente um de seus filhos. O deus poderia então consertar sua própria alma usando o poder divino trazido por seus fiéis e, em seguida, usurpar os poderes divinos de seu filho, já que a autoridade de sua alma sobre o poder divino é maior. Isso completa o processo de ressurreição.

A razão pela qual o Deus do Massacre falhou em sua ressurreição foi porque seus bispos o traíram. Os fiéis não mais oravam e o adoravam. O Deus da Tirania conseguiu ressuscitar porque seus fiéis ainda mantiveram a fé quando ele desapareceu durante o processo de ressurreição.

O adolescente parecia ter entendido a situação. Ele levantou a cabeça e perguntou:

— Professor, isso significa que é impossível para o Senhor do Medo ressuscitar com sucesso desta vez?

O velho bateu na cabeça do aprendiz com seu cajado.

— Lembre-se de que somos meros observadores neutros. Ninguém pode prever o futuro, mas os deuses não permitirão que os seguidores do Senhor do Terror espalhem o caos e o medo. Não deve demorar muito para que os fiéis do Senhor do Medo sofram grandes golpes. Se o número de fiéis diminuir, as chances da ressurreição do Senhor do Medo também diminuirão proporcionalmente. Se não houver crentes suficientes que o adorem, mesmo que um de seus filhos atenda aos requisitos de ressurreição, ainda assim é impossível que ele ressuscite.

O aprendiz não entendeu completamente o que seu professor havia dito, mas ele podia dizer que seria improvável que o Senhor do Medo ressuscitasse. Com um sorriso, ele disse alegremente ao professor:

— Vou fazer um chá para o senhor. Usarei suas folhas de chá sulistas favoritas.

O velho suspirou mais uma vez. Ele olhava ao longe, como se sua visão pudesse atravessar o próprio espaço.

Ele viu uma deslumbrante tela de luz descendo do céu, e foi de fato uma visão espetacular e esplêndida.

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