Dominação do Abismo

Volume 1 - Capítulo 34

Dominação do Abismo

Sua ferida abriu novamente. No momento em que o Soran soltou a lança, o sangue escorreu pela ferida de sua coxa.

A batalha foi tranquila de início, mas os ataques com saltos pioraram sua ferida e rasgou o tecido que a mantinha fechada. Ele estava mancando quando ficava de pé e não teve outra escolha que não fosse ser carregado de volta aos mercadores, a cavalo.

Valeu a pena. Soran tinha recebido 1800 pontos de experiência de abate e agora poderia subir a classe de Ladino para o nível 6, se quisesse.

— Diga a esquadra mercante para vir aqui, — Soran olhou para o guarda líder e depois de confirmar que ele estava prestando atenção, continuou —, esses monstros valem bastante. Será difícil retirá-los do solo, então nós precisaremos de alguma ajuda para cavar, suponho que vocês precisem de um pouco de dinheiro, depois de tudo isso.

Após terminar o raciocínio, Soran avaliou os guardas. Uma ferida grave e seis feridas leves, esse foi o custo dessa batalha, aqueles que estavam com feridas leves receberam alguns arranhões e suas feridas se recuperariam em um ou dois dias, mas o guarda que foi gravemente ferido perdeu seu braço.

Isso significava que a carreira dele como guarda tinha acabado. Era impossível para um plebeu pagar para regenerarem um membro, custava 3000 derahls de ouro para receber tratamento divino de alto nível através do feitiço Regeneração de Membros, sem mencionar que o sacerdote precisaria consumir parte de sua própria força vital para executá-lo. Durante o jogo, por esse motivo, Soran demorou meio mês para encontrar alguém que o tratasse com o feitiço Restauração Maior, após ser ferido severamente.

Segundo a prática comum, o saque de monstros adquiridos durante a jornada pertencia aos guardas da esquadra, que venderiam os materiais por dinheiro e usariam os fundos para compensar os feridos e mortos. Foi muita sorte ninguém morrer durante a batalha dessa vez, derrotar ankhegs que tinham níveis superiores não era um feito fácil.

— Mark — o guarda líder disse a outra pessoa, enquanto acenava com a cabeça —, chame-os, vamos arrastar esse inseto para fora. Enrolem suas mãos com roupas e sejam cautelosos, não toquem no sangue ácido.

Soran não os ajudou e ficou no cavalo.

— A concha na cabeça é a parte mais valiosa, a parte mais dura do ankheg, e pode ser usada para fazer armaduras. Você está vendo as escamas ao lado da boca? Podem ser facilmente vendidas, pois serve para fabricar manoplas, e a peça principal da escama da cabeça é um escudo encantado natural. Só é preciso descascar, polir um pouco e poderá ser vendido por 150 derahls de ouro na maioria das cidades. Alguém, remova as escamas da calda também, podem ser usadas para fabricar armadura de meia placa, oh, deixem as escamas das costas e a carne para lá. As escamas das costas são basicamente inúteis, pois apenas ferreiros muito hábeis podem usá-la para forjar escudos-torres, e ninguém come essa carne. O sangue de ankhegs pode ser vendido nos pântanos, mas ninguém nessa região precisa disso, e o coração pode ser vendido aos magos por cerca de dez Derahls de ouro cada, então pega essa parte também.

Soran deu instruções sobre como dissecar os ankhegs e retirar suas partes valiosas. Os guardas sentiram cada vez mais respeito por ele, não apenas por finalizar os dois ankhegs, ele também tinha conhecimento sobre as coisas e de boa vontade estava compartilhando-o. Companheiros de time conhecedores eram sempre bons de se ter, até mesmo no jogo, eles poderiam otimizar os lucros da batalha colhendo todas as partes rentáveis.

De fato, os guardas precisavam de dinheiro agora. Eles tinham que preparar a pensão para o guarda ferido que seria forçado a se aposentar, e comprá-lo uma porção de terra. O mínimo que eles podiam fazer era dar a ele uma fonte de renda estável para o resto de sua vida.

A esquadra chegou rapidamente e os mercadores começaram a dar ordens aos trabalhadores. Eles cavaram os ankhegs da terra, colheram as partes valiosas e as carregaram em suas carroças. Um pequeno time de guardas se manteve alerta, enquanto os outros estavam ocupados ajudando.

Após uma batalha intensa, os guardas finalmente mostraram sorrisos em seus rostos, conforme o que Soran disse, esses três ankhegs lhes dariam um enorme lucro de 1.500 Derahls de ouro. Deduzindo a quantia reservada para o guarda que perdera seu braço, ainda teria dinheiro suficiente para que cada um recebesse dez ou mais Derahls de ouro, o que era equivalente ao pagamento inicial por esse serviço.

O guarda líder discutiu como distribuiria o lucro antes deles começarem a limpar os monstros. Ele receberia 10%, o Castro, que fora severamente ferido, receberia 15% como pensão, os seis guardas feridos dividiriam 20%, os outros nove guardas que tinham lutado dividiriam 15%, os dezoito guardas que não tinham participado da luta dividiriam 10% e os últimos 30% iriam para Soran.

Embora uns recebessem mais que outros, todos concordaram que a partilha de lucros foi justa. Soran, que receberia 30% do lucro, sem dúvida alguma tinha contribuído muito nas duas lutas, sendo que não teria sido tão fácil combatê-los sem a sua ajuda. Foi realmente um milagre ninguém ter morrido.

Distribuir os lucros de forma justa era algo crucial para um time, era até mais importante do que a amizade, em certo sentido.

Adicionando 200 Derahls de ouro do lucro com suas economias passadas, o ferido Castro poderia comprar uma fazenda de cem acres e viver sua vida como um kulak

, contratando fazendeiros para arar os campos em seu lugar. Isso asseguraria que ele tivesse uma fonte de renda estável e não cairia desesperadamente para a pobreza ao perder um braço.

De fato, a maioria dos aventureiros estavam cientes desse problema, eles sempre estavam expostos ao perigo e nunca sabiam quando seriam forçados a se aposentar por lesões.

Os guardas mercadores tinham alta consideração por Soran, outros trabalhadores também começaram a mostrar respeito e curiosidade por ele.

Ladinos, ou eles eram ladrões mesquinhos, ou aventureiros lendários, aqueles que viajavam sozinhos pela selva eram qualificados a se tornarem personagens principais de canções nas histórias dos bardos.

Na larga carruagem, a senhora pôde sentir a intensidade da batalha apenas olhando para os corpos dos ankhegs. Ela então ordenou a um de seus servos.

— Diga aos mercadores para reservarem algum dinheiro para a pensão. Eu vou levar 20% dos lucros dessa vez.

O servo rapidamente saiu da sala e foi discutir o assunto com os mercadores. Aparentemente, a senhora não tinha percebido que Soran tinha maximizado os lucros colhidos da batalha.

A misteriosa senhora olhou para Soran e notou o sangue escorrendo em sua cocha. Ela franziu a testa.

— Suba na carruagem. Essa ferida precisa ser costurada, ou então não se recuperará.

Sabendo da severidade do ferimento, Soran saiu do cavalo e foi em direção à carruagem.

O interior da carruagem era espaçoso, o chão era coberto de lã fofa e pano, e qualquer um poderia dizer que esse era um lugar muito confortável de se estar. No centro da sala havia uma mesa pequena com um queimador de incenso de metal sobre ela, além de um baralho da casualidade e cartas de tarô. Havia uma fragrância suave na sala, mas Soran não conseguia discernir o que era. Tudo que ele poderia dizer é que esse cheiro ajudou a limpar a sua mente, similar aos incensos usados por magos, que ajudavam a focar quando memorizavam feitiços.

A senhora se curvou procurando alguma coisa. Sua bunda grande e bem arredondada parecia uma lua cheia e Soran não conseguia conter seus olhos, ele estava atraído por essa vista maravilhosa. Sabendo que era desrespeitoso espiar a bunda de uma dama, especialmente quando ela estava se preparando para tratar suas feridas, Soran desviou o olhar. Enquanto ele a esperava, colocou sua camisa embaixo da coxa para prevenir que o sangue manchasse o tapete de pele precioso que estava sentado.

— Você fará ou eu farei?

Ela pegou uma agulha curva de prata e alguns fios semitransparentes, que eram feitos de um material especial que prevenia infecções.

Soran levantou sua cabeça.

— Ah, deixa que eu mesmo faço, então.

— Certo. — Ela disse enquanto acendia uma vela e esterilizava a agulha de prata, aquecendo-a com a chama por um tempo. Após colocar o fio na agulha, ela a entregou a Soran.

Soran pegou a agulha e removeu o curativo. Ele furou a coxa com a agulha e começou a dar pontos no ferimento, ponto a ponto, apertando seus dentes pela grande dor que estava sentido. Essa não era uma ferida que poderia ser curada simplesmente com poções, dar pontos era o único jeito para parar o sangramento e não permitir que ela ficasse reabrindo. Mesmo que as poções tivessem efeitos semelhantes a feitiços divinos, elas não eram onipotentes.

Quando Soran terminou de fechar a ferida de 15 centímetros, ele estava pálido e encharcado de suor frio.

A senhora misteriosa silenciosamente olhou para ele.

— Parece que você aprendeu sobre tratamentos médicos, hm?

— Isso é necessário para sobreviver na selva. — Soran respondeu.

Ele aplicou um pouco de pomada no curativo e cuidadosamente enrolou-o na ferida.

Um registro de dados apareceu:

[Você realizou uma sutura com sucesso em uma lesão e diminuiu o ferimento.]

[Curar +2.]

Foi só então que Soran percebeu que tinha recebido uma nova habilidade útil, sendo a mais básica delas.

[Nome: Soran.

Raça: Meio-Elfo.

Atributos: Força 14 (+2), Destreza 20 (+1), Constituição 19, Inteligência 18 (+1), Sabedoria 15, Carisma 16.

Alinhamento: Leal e Mau.

Classes: Plebeu nível 10 (Max)/ Ladino nível 5 (0/3000) [Grau 2].

Pontos de saúde (PS): 52/52.

Pontos de experiência (EXP): 3650 Abate EXP, 100 Classe EXP [Não atribuído].

Pontos de habilidades: Nenhum.

Pontos de atributos: Nenhum.

Estado: Normal.

Habilidade da Classe: Furtividade 103, Roubar 35, Destravar 45, Armadilha 55, Diplomacia 3, Avaliação 1, Trapaça 3, Alfabetização 1, Evasão (Rolamento) 5, Escutar 3, Curar 2, Feitiçaria 1, Performance 1.

Habilidades lendárias: Mãos onipotentes [selada] (Estado enfraquecido)

Aptidões Pessoais: Mão esquerda ágil, Memória Eidética, Perseverança.

Aptidão da Classe: Compreensão das Sombras, Armamento Marcial [proficiente].

Habilidade de combate: Golpe Sombrio.]

Além das habilidades básicas, ele ganhou três pontos em Escutar e cinco pontos em Evasão (Rolamento) durante a luta com os ankhegs e dois pontos em Curar, por dar pontos em sua ferida, sem considerar o ponto adicional em Diplomacia.

Parecia que as classes básicas poderiam ser elevadas através do treinamento!

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