Getting a Technology System in Modern Day

Capítulo 885

Getting a Technology System in Modern Day

Após reunir todos os corpos do destroço e acomodá-los no hangar, Dreznor finalmente quebrou o silêncio.

— Vocês têm alguma maneira de cobri-los para o funeral? — perguntou.

{Posso imprimi-los para você, se quiser,} respondeu suavemente o Pequeno Protagonista.

— Faça isso, por favor — disse ele, com a voz Serious, enquanto se abaixava diante do corpo de seu filho, pequeno, imóvel e frio, com um buraco aberta no peito onde a bola de energia havia levado sua jovem vida. Dreznor abaixou a cabeça e colocou um pano sobre o rosto do garoto com mãos trêmulas.

— Descanse em paz. Eu vou me juntar a você depois que acabar com todos eles — sussurrou.

Ele se virou para sua esposa, depois para sua mãe, repetindo as mesmas palavras, o mesmo gesto, cada vez mais lentamente. Cada vez parecia mais difícil deixá-los ir.

Onze horas depois, a impressora 3D apitou suavemente, indicando que os panos fúnebres estavam prontos. Um a um, ele envolveu os corpos com as capas impressas, cada dobra feita com reverência e cuidado. O processo foi lento, doloroso — seis horas se passaram até que o último corpo fosse finalmente envolto.

Então, sem dizer uma palavra, seguiu até a sala de comando.

Era um caos destrutivo, sangue salpicado por todos os painéis, vidro quebrado espalhado pelo chão, fios arrancados que faiscavam. Bastou um olhar para ele saber que a nave nunca mais vooaria.

— Há alguma maneira de redirecioná-la para a estrela mais próxima? — perguntou.

{Sim,} respondeu o Pequeno Protagonista sem hesitar.

— Faça isso, por favor.

Ele voltou pelo corredor, dando uma última olhada no hangar onde os corpos agora jaziam cobertos. Seu olhar ficou fixo na sua família. Então virou-se e entrou na nova nave pelo mesmo buraco aberto na parede do hangar, resultado da batalha.

À medida que sua nave se desprendia, ela ativou o feixe tractor. Lentamente, puxou a nave destruída, agora uma espécie de caixão flutuante, para uma nova direção. Com um último pulso, o feixe se desconectou, enviando-a na direção de uma estrela solitária, em um sistema sem planetas e inabitável.

{Levará uma semana até chegar ao destino final,} disse o Pequeno Protagonista, mostrando uma quieta visualização em 3D do sistema estelar, com a nave marcada em silêncio rumo à sua última chama.

— Eu vou lamentar por uma semana antes de começarmos nosso plano — respondeu Dreznor, retirando o traje espacial. Sentou-se com as pernas cruzadas, costas ereta, mãos descansando sobre os joelhos. Seus olhos estiveram fechados.

Essa era sua cerimônia de luto cultural: uma semana de silêncio, meditação e lembrança. O rito final.

E, depois disso, só sobraria uma coisa:

Vingança.

O Pequeno Protagonista não disse mais nada. Ela entendeu. Permaneceria em silêncio até que as chamas consumissem a nave e os mortos desaparecessem, deixando apenas Dreznor e o que ele viria a se tornar.

……………..

O setor diplomático do Hub Comercial havia mergulhado em caos silencioso.

Após uma série inesperada de propostas individuais da parte do Império para os representantes do Conclave, mensagens confidenciais e transmissões criptografadas voltaram aos planetas natais, sedes de facções e patronos políticos. Sussurros de uma mudança iminente ecoavam em todos os cantos, alguns cautelosos, outros esperançosos, e muitos desconfiados.

Dentro de um cruzador diplomático ancorado em um hangar, o representante da Elara estava diante de quatro hologramas flutuantes, já na metade do seu relatório.

— É algo que sonhávamos desde a fundação do Conclave — afirmou, sua voz um misto de admiração contida e inquietação. — E agora eles nos oferecem a chance de realizá-lo, mas suspeito que há mais do que eles estão deixando transparecer.

— Qual seria a motivação deles, além de lucros e influência dentro do Conclave? — perguntou o primeiro holograma, com uma voz claramente cética, mas aberta à análise.

O representante da Elara não hesitou.

— Sim, influência é um fator. Mas mesmo que eles ganhem influência com esse acordo, nós também ganharíamos, afinal, o acesso compartilhado à rede de caminhos estelares significa controle compartilhado. E, embora possam fechar os buracos de minhoca ao reterem as pedras de mana, nós também teríamos poder nessa relação, pois poderíamos fazer o mesmo, simplesmente fechando-os completamente, caso tentassem usar o sistema contra nós.

— Isso, claro, se ainda conseguirmos — retrucou o segundo holograma, com uma voz mais aguda e desconfiada. — Uma vez construídas as rotas de buracos de minhoca e elas funcionando, uma vez que nossas economias se ajustem à logística instantânea e nossos setores se reorganizem em torno dessa infraestrutura, como você propõe fechá-la sem desmoronar tudo em que dependemos?

Silêncio se instalou por um momento, as palavras se acomodando no ar.

— Não seria apenas uma rede de transporte — continuou o segundo holograma. — Tornar-se-ia as veias da nossa civilização. E eles segurariam o coração: as pedras de mana. Quando isso acontecer, toda ameaça, toda sugestão, toda pressão deles deixaria de ser política e passaria a ser um ultimato econômico. Não seríamos mais iguais. Estaríamos entrelaçados.

O representante da Elara estreitou um pouco os olhos.

— Se não aceitarmos, alguém vai aceitar no nosso lugar. Isso é um fato.

E essa era a verdadeira fonte da turbulência. O Império, sabiamente, abordara cada lado individualmente, deixando-os ali, às vezes analisando, às vezes assustados, mas também temerosos de ficar para trás.

— Acho que você está enxergando tudo de uma forma bem negativa — disse o holograma Quatro, interrompendo antes que o clima caísse ainda mais. Sua intervenção inesperada imediatamente chamou atenção.

— Como você diz isso? — perguntou o holograma Dois, com um tom de insatisfação. Parecia que ele achava que o holograma Quatro era excessivamente otimistamente ingênuo.

— Vocês estão vendo isso do ponto de vista de uma civilização poderosa do Conclave, com centenas de sistemas estelares sob seu comando e frotas à altura — respondeu Quatro calmamente. — Vocês não consideram a perspectiva de uma civilização que possui apenas um sistema estelar.

Ele fez uma pausa, dando aos demais um momento para processar suas palavras. Quando ninguém falou, prosseguiu.

— Eles estão com medo — disse. — Com medo de que, quando pegarmos essa tecnologia, retornemos mais tarde com frotas capazes de destruí-los. A única forma de assegurar seu futuro é tornar nossa relação mútua, até um ponto em que atacar eles se torne demasiado arriscado e contraproducente. Por isso, apresentaram suas tecnologias mais avançadas e ofereceram implementá-las em nossos territórios. Tudo o que precisamos fazer é erguer torres.

Ele se inclinou um pouco, aproximando-se.

— E, então, eles fazem uma oferta ainda maior: controle conjunto de um negócio de buracos de minhoca. E sejamos honestos: é, talvez, mais vantajoso para nós do que para eles. Eles garantem sua sobrevivência ao amarrar nossos interesses aos deles. Visto dessa perspectiva, suas intenções ficam claras.

O holograma Quatro continuou detalhando seu raciocínio, parecendo ter informações internas do Império, mesmo sem nunca ter pisado em seu território.

Quando terminou, as discussões entre Dois e Quatro começaram.

Durante toda troca de argumentos, a maior projeção, o holograma Três, permaneceu em silêncio. Observando. Ouvindo.

E, após uma breve discussão, foi ele quem falou.

— Basta.

Todos ficaram em silêncio de imediato.

— Aceitaremos as duas propostas — declarou — mas precisaremos de concessões adicionais para resolver as preocupações sobre vigilância. Quanto às rotas de buracos de minhoca, aceitaremos a oferta deles, desde que honrem o acordo e não tentem tomar o controle da tecnologia central.

— Entendido, senhor — respondeu o representante, então perguntou: — Devo verificar se outros representantes também estão inclinados a aceitar? Poderíamos coordenar uma lista conjunta de demandas, isso talvez aumente nossa força de negociação.

— Faça o que achar melhor — respondeu Triunfante. — Mas garanta que consigamos os maiores benefícios possíveis. Mantenha-me informado sobre a proposta final antes de assinar.

— Farei o possível, senhor. — disse o representante.

Momentos depois, os hologramas piscarem e desaparecermos, deixando a sala em silêncio.

— Whoooooooooooooo… — exalou pesadamente, finalmente deixando a tensão sair de seus ombros. O custo de mana para facilitar aquela comunicação fora altíssimo, e ele mostrava isso.

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