
Capítulo 842
Getting a Technology System in Modern Day
A risada de Aron durou bastante tempo, ecoando pela simulação. Ele a sentia bem no fundo de si—a escalada estava quase no fim. Tinha lutado até o topo de uma montanha impossível, mas agora, finalmente, o cume estava ao seu alcance. Tudo o que restava era a descida, muito mais fácil do que a subida.
Sua euforia gradualmente se transformou em foco.
"Hora de arregaçar as mangas," murmurou, sua voz carregada de determinação.
A simulação ao seu redor mudou, transformando-se nas confinadas paredes de seu laboratório. Conhecimento, por si só, não era suficiente; informações brutas eram inúteis sem que se assimilasse o conteúdo.
Ao seu lado, Nova se materializou em sua forma física, desta vez vestida com o uniforme de pesquisadora—símbolo da função que queria desempenhar. Ela ajustou as mangas com prática, mas Aron falou sem olhá-la.
"Precisaremos dedicar bastante tempo a isso," disse. "Não só nós, mas também os pesquisadores da Cidade-Lab."
Ele fez uma pausa, ponderando a dimensão do que vinha pela frente. "Assimilar totalmente essa tecnologia e colocá-la em prática não será fácil, mas depois de concluído…"
Seus olhos dourados brilharam com expectativa.
"…as coisas que criaremos vão mudar tudo."
Ambos sabiam—era um ponto de virada.
Quando essa tecnologia estivesse completamente integrada, o Império se tornaria uma força ainda mais formidável.
………….
Três meses depois.
Num espaço esquecido, uma vastidão tão absoluta que parecia que o próprio universo a tinha abandonado, não havia nada—nenhuma luz, movimento ou matéria.
Uma escuridão além da própria escuridão.
Quem se encontrasse ali questionaria se tinha perdido a visão ou se a própria existência havia cessado ao seu redor.
Mas essa quase-nada não durou.
Uma distorção ondulou pelo vazio—sutil a princípio, quase imperceptível, como um pontinho se formando no tecido do espaço. Então, cresceu.
Era como se uma caixa perfeitamente selada tivesse sido perfurada, permitindo que o mais tênue brilho de luz escapasse. E, paradoxalmente, aquela luz não revelava nada—pois não havia nada dentro para refletir, nada para interagir com os fótons dispersos que passavam livremente pelo rasgo crescente.
O pontinho se expandiu, crescendo até formar um círculo imenso, com bordas cintilantes cobrindo-se de algo que parecia glitter cósmico. Mas, no centro, nada—nenhum indício do que havia do outro lado, como se uma cortina invisível o ocultasse, deixando apenas as menores lascas de luz passarem pelas suas bordas.
Sem um ponto de referência, sua escala permanecia incompreensível. Era menor que uma moeda? Ou grande o bastante para eclipsar um planeta?
Então, sem aviso, algo atravessou o véu.
Como uma faca cortando papel, um objeto empurrou-se para dentro, forçando passagem no vazio.
Era elegante, metálico, e de forma não identificável, mas inegavelmente feito pelo homem. Um instante depois, outro veio, e depois mais um.
Por uma hora inteira, o processo se repetiu.
Conforme o tempo passava, o tamanho e a quantidade de objetos aumentavam, empurrando os limites do rasgo em expansão.
Então, o último objeto chegou.
Era colossal, quase igual ao tamanho do buraco. Ao passar por ele, raspou as bordas cintilantes, mas justo ao atingir a metade—
O buraco desabou.
Num piscar de olhos, o rasgo se fechou, cortando o colossal objeto ao meio.
A superfície partida reluziu, lisa e refletiva como um espelho—um corte perfeito, impossível, impossível de se fazer de outra forma.
Um instante depois, uma voz ressoou pelo vazio:
{TESTE #LDWHT263847 CONCLUÍDO.}
Com essa declaração, os objetos dispersos tremularam, suas formas se desfezendo em nada—desconstruídos, como se nunca tivessem existido.
O vazio retomou o silêncio.
Mas nem isso durou.
Aquela instância foi encerrada.
{Com isso, finalmente podemos dizer que entendemos todos os requisitos para uma viagem segura por buracos de minhoca de Longa Distância,} afirmou Nova, com voz firme, enquanto analisava a montanha de dados coletados do teste.
Aron, de braços cruzados, observava as últimas transmissões de dados com a cabeça pensativa. "Os resultados estão quase opostos ao que eu esperava inicialmente."
{Quer dizer, o gasto de energia?} perguntou Nova, já prevendo sua linha de raciocínio.
Aron concordou. "Sim. Mas agora que vejo os números, faz sentido."
Outra voz se integrou, quebrando o clima analítico com uma ponta de divertimento.
"Quer me atualizar na explicação, querida?"
A falante esteve ali o tempo todo—uma observadora silenciosa—mas agora, a curiosidade tomou conta.
Aron riu da pergunta, voltando-se para Rina, que tinha o hábito de aparecer em suas pesquisas—às vezes para passar um tempo, outras apenas para observar. Ele não se importava; na verdade, até gostava.
"Antes de mais nada," começou, "eu achava que, desde o momento em que um buraco de minhoca era aberto até seu fechamento, você precisaria fornecer uma quantidade fixa de mana para mantê-lo. Mas os resultados reais foram bastante diferentes."
"Descobri que a maior parte do consumo de energia ocorre na criação do buraco de minhoca—e quanto mais distantes estiverem suas extremidades, maior o custo de mana. Mas, uma vez aberto, só uma fração daquela energia é necessária para sustentá-lo. O maior gasto seguinte ocorre quando um objeto passa, com o custo variando conforme o tamanho dele. Um objeto pequeno praticamente não consome energia, enquanto um gigante exige muito mais."
Rina demorou um momento para digerir a explicação de Aron antes de falar. "Então, por que os Trinairanos—ou qualquer outra civilização que tenha essa tecnologia—não a estão usando assim?"
Mesmo com uma explicação breve, ela já conseguia perceber como essa descoberta revolucionaria a tecnologia de buracos de minhoca. Com base no que ela sabia—graças ao seu alto nível de acesso aos Registros Akáshicos—nenhuma civilização conhecida usava essa tecnologia em seu potencial máximo.
Aron hesitou por um breve instante, sentindo uma leve dor na peleira ao admitir a meia-verdade que estava prestes a contar.
"Porque esta é a nossa versão aprimorada—construída usando o conhecimento deles como base e depois refinada muito além do que eles alcançaram," disse. Não era uma mentira, mas tampouco toda a verdade.
O motivo real? Ele havia usado seus últimos pontos de SP para elevar todo o conhecimento deles ao verdadeiro Tier 1. Muitas peças de conhecimento especializado que adquiriram estavam incompletas, apenas faltando um passo para alcançar aquele limiar. Esse empurrão final o drenou completamente, consumindo quase tudo que tinha, deixando-o com apenas alguns centenas de SP.
Mas esse era um detalhe que não tinha intenção de compartilhar.
"Então, podemos dizer que estamos um passo à frente do Trinairano em tecnologia espacial?" perguntou Rina, claramente surpresa que eles tivessem alcançado esses resultados em apenas três meses de tempo real.
"Isso seria verdade," respondeu Aron com cautela, "se o que eles nos deram fosse realmente o conhecimento mais recente, e não uma versão desatualizada." Ele evitou um 'sim' definitivo—confirmar de cara poderia complicar as coisas mais do que o necessário.
"Uau," exalou Rina, ignorando o ceticismo de Aron. Ao invés disso, deu um passo à frente e o abraçou apertado.
"Parabéns," disse calorosa. Ela sabia o quanto Aron havia investido de tempo e energia nessa pesquisa. Nos últimos três meses, ele mal teve um momento para respirar, se esforçando ao máximo. Agora que os resultados finalmente chegaram, ele poderia respirar um pouco mais tranquilo—pelo menos por enquanto. Isso a deixava feliz, tanto por ele quanto por ambos.
Aron sorriu simplesmente, retribuindo o abraço sem receios.
Enquanto isso, Nova, percebendo que de repente virou uma terceira roda, silenciosamente se desfez, deixando os dois apaixonados curtirem o momento. Assim, ela reorganizou o interior do laboratório, transformando-o em um lar aconchegante—a um espaço onde poderiam relaxar após meses de esforço incessante.