
Capítulo 567
Getting a Technology System in Modern Day
"Você está certo", disse Aron com um sorriso. "Tanto por ainda não estar completo, quanto pelo fato de ainda faltarem duas partes."
{Quais seriam as outras duas partes? Não consigo encontrar nada na minha base de dados que pareça encaixar nesse segmento,} perguntou Nova. Pela primeira vez em muito tempo, ela não conseguiu compreender os processos mentais de Aron. Ela tinha algumas teorias, mas não se sentia confiante em nenhuma delas; todas eram igualmente possíveis, ou igualmente improváveis, dependendo do ponto de vista.
Aron ficou imóvel por um momento, depois, com um resmungo, levantou-se da cadeira. Ele caminhou de um lado para o outro do cômodo com as mãos atrás das costas, como se fosse um sábio antigo prestes a dar um conselho ou compartilhar uma anedota de sua juventude.
Era uma comparação justa, também, já que sua maturidade mental estava muito além de sua idade física devido ao tempo que passou no ambiente dilatado no tempo, que era a simulação universal.
"Após a inicialização do Projeto Loki, eu e todos do meu círculo mais próximo chegamos à conclusão de que tudo o que temos feito são medidas preventivas. E, como nenhum de nós pode garantir se nossos visitantes serão amigáveis ou hostis, também não podemos nos comprometer totalmente com um único curso de ação."
"Por isso que isto", ele apontou para a tela, onde o compilador ainda estava rodando, "é a solução. É uma semente que pode tanto fazer uma civilização prosperar, quanto infectá-la com uma praga que a destruirá com o tempo. Se ela germinar ou se espalhará dependerá de se os visitantes serão amigáveis ou não."
E não importa se eles são baseados em carbono, mana ou outro elemento, esse é o núcleo de uma arma que pode atacar qualquer um deles.
"Eu chamo isso de Projeto Protagonista."
Aron falou num tom calmo, como se estivesse comentando sobre a prevalência de gatos na internet, e não sobre armas capazes de acabar com civilizações.
"O Projeto Protagonista não é uma arma que causará destruição instantânea, como uma bomba ou algo assim. Como eu disse, ela pode ajudar uma civilização ou destruí-la. Tive essa ideia há alguns meses, e só recentemente consegui descobrir como concretizá-la."
"O código é só a parte mais fácil do projeto. Nem sei se vou conseguir escrever com sucesso as duas partes restantes, e só descobrir se é viável vai custar muitos bilhões de SP. Mesmo assim, isso só aumentará um pouco as chances de ela ser uma possibilidade real, ao invés de uma certeza."
"E mesmo que eu consiga criá-la com sucesso, só precisarei fazer algumas unidades. Isso, por si só, já é algo positivo. Se houver bilhões delas, nenhuma terá valor, e podem até se voltar contra a humanidade. Principalmente porque, com suas capacidades, a arma pode sair do controle se eu precisar usar mais de uma dezena delas."
"Isso é tudo que posso dizer por enquanto. Ainda é cedo para saber se vai dar certo ou não, então vou me abster de fazer mais comentários. Mas estou ansioso pelas suas apostas enquanto o projeto evoluir", concluiu com uma sobrancelha arqueada de forma arrogante.
Ele retornou à sua cadeira, sentou-se e minimizou o compilador, que ainda exibia uma referências visual do seu código na tela. Depois, abriu o banco de dados de pesquisa da Cidade Laboratório, digitou algo na busca e pressionou Enter.
A tela mudou para um layout semelhante ao de uma revista científica, contendo um artigo de pesquisa publicado internamente sobre a última geração de nanites com os quais a Cidade Laboratório estava trabalhando. Desde que tiveram tempo para avançar depois de ele ter feito o download do conhecimento de nanotecnologia, os pesquisadores já tinham chegado à 2846ª geração de nanites.
Aron franziu a testa por um momento, depois fechou a janela com um suspiro e comentou: "Parece que levará alguns séculos para a pesquisa em nanotecnhologia alcançar o nível que preciso."
Nova anotou isso e elaborou um plano de ação para acelerar a construção de novas superclusteres quânticas, aumentando a dilatação do tempo sob a qual a Cidade Laboratório operava. Como seus habitantes eram totalmente digitais e não tinham limitações físicas, não havia limite para a dilatação temporal que podiam suportar sem prejudicar sua existência contínua.
O único fator limitante era a capacidade do seu servidor.
Ela também configurou um lembrete para si mesma de avisar Aron após cada século que passasse na Cidade, ou a cada cem novas iterações da nanotecnologia. Em cada marco, ele poderia revisitar o progresso para verificar se a tecnologia tinha atingido o nível necessário de avanço.
Esse era o nível de comodidade ao qual Aron se acostumou desde o nascimento de Nova, alguns anos antes. Ela era o alicerce que lhe permitia focar na visão geral enquanto cuidava das milhões de tarefas complexas — ou sequer enervantes, às vezes — necessárias para alcançar seus objetivos.
{Pelo que você disse, as duas partes restantes têm a ver com formas de vida baseadas em carbono e mana, certo?} perguntou Nova. Ela já tinha dedicado uma pequena parte do seu processamento para tentar entender o que Aron planejava. Então, ao vê-lo recostar e relaxar na cadeira, achou o momento perfeito, em sua opinião, para perguntar.
Afinal, ele não estava fazendo nada além de girar na cadeira enquanto aguardava o compilador terminar sua tarefa.
"Sim. Vou precisar de algumas coisas do sistema para isso. Além disso, aposto que o que eu precisar também nos dará uma boa visão sobre formas de vida alienígenas", ele disse, parando de girar na cadeira.
Ele abriu a loja do sistema e concedeu acesso ao vivo de sua visão para Nova, para que ela pudesse "ler por cima do ombro dele", por assim dizer. E lá estava, listado em texto facilmente legível flutuando na visão de Aron, a cortesia da loja do sistema dele.