Getting a Technology System in Modern Day

Capítulo 523

Getting a Technology System in Modern Day

Poucas horas depois, fora do escudo de defesa do planeta.

Não havia som no espaço, tudo estava silencioso. E havia um ritmo quase hipnótico na dança de satélites quase invisíveis no vazio entre o escudo e o belo planeta azul, que servia de pano de fundo.

A única perturbação eram os rastros azuis brilhantes dos propulsores iônicos, que viajavam em comboio que se estendia do escudo até a superfície da lua, onde Aron havia construído uma base automatizada de logística e distribuição.

Se um observador estivesse no topo da Estação Ceres e olhasse para cima, veria naves enormes, modeladas e coloridas como tábuas de madeira queimada, cada uma delas se fundindo ao preto do espaço, exceto pelo brilho de seus propulsores iônicos. Milhares delas navegavam em linha, rumo ao porto de entrada do escudo agora permanentemente ativo.

A nave mais à frente parou a poucos centenas de quilômetros fora do escudo, enquanto o comandante do comboio reportava sua chegada à Estação Ceres e solicitava permissão para passar pelo escudo e ingressar na Órbita da Terra.

"Aprovado, comandante. Sua entrada é no portão 32A. Abaixe os escudos e atravesse a Mach 1 para permitir varredura de segurança ao passar pelo campo de inspeção," transmitiu o operador de controle pelo canal de comunicação da frota.

"Entendido, controle. Frotas HHIS 15, encerrada," respondeu o comandante da frota, então sinalizou que o comboio seguisse seu caminho conforme ordenado.

Uma a uma, as naves passaram pelo portal de entrada designado, e o comandante não sabia se estava imaginando coisas, mas achou que poderia ter sentido as varreduras atravessando seu corpo.

Ele observou o túnel no escudo através de sua visão de realidade aumentada e ficou admirado com as medidas de segurança que conseguia ver; nem sequer conseguia imaginar as que eram tão invisíveis quanto o próprio escudo.

Ele sacudiu a cabeça e se recobrou, batendo as palmas contra as bochechas para se reorientar. Tinha uma tarefa importante: entregar sua carga na superfície para que pudesse começar a construção das novas cidades-fortaleza.

……

"ARES devia ter guardado todo o equipamento militar antigo, ao invés de só uns poucos para museus. Mas aqueles idiotas descartaram quase tudo!" tartamedeou uma menina.

Ela estava sentada no bar de um prostíbulo no meio da tarde, com uma fila de copinhos de shot vazios virados para baixo diante de si.

Apesar de sua aparência deslumbrante, ela estava vestida como se fosse dia de lavar roupa: calça de moletom larga e desbotada, uma camiseta antiga do Meu Pequeno Poney com a maioria das estampas descascadas, e um jaquetão militar de camuflagem antigo, duas numeração maior do que ela precisava, com um bolso rasgado. Seu cabelo estava desalinhado e ela usava meias do Deadpool, complementando seu visual com um par de Crocs.

Parecia que ela não dormia há um bom tempo — e, na verdade, não tinha dormido mesmo. Também não tinha tomado banho.

Desde que o império "roubou" todo o hardware militar que ela tanto amava, ela ficou deprimida, o que explicava por que estava ali, bebendo durante o dia. Ela era uma otaku militar e uma ammosexual convicta; ao invés de revistas de moda ou um kit de maquiagem extenso, assinava Guns & Ammo e tinha um armário de armas.

Sua coleção de jogos, vasta, era composta por obras de tiro em primeira pessoa realistas, incluindo até os jogos do exército dos EUA, o America's Army — agora extinto — que ela exibia orgulhosamente como se fosse um altar em um cantinho do seu apartamento de um quarto.

(Nota do editor: Acredite ou não, essa franquia existiu de 2002 a 2022. O exército dos EUA achou que lançar um FPS realista seria uma boa forma de evitar que recrutas falhassem no treinamento básico e desistissem.

Personalmente, colocaria isso no mesmo nível de alimentar estrogênio para Hitler fazer seu bigode cair ou enviar charutos explosivos para Castro — em termos de besteiras que o governo dos EUA achou que valia a pena gastar dinheiro.)

Sim, um altar. Com velas, incenso e tudo mais.

Ela tinha curiosidade sobre a ARES, embora o único motivo pelo qual ainda não tinha se inscrito era que... ela não sabia se as armas e demais equipamentos deles eram realmente f*didos o bastante. Por isso, decidiu esperar e ver pelo menos um pouco antes de se jogar de cabeça, de olhos bem fechados.

Moradora da cave, NEET, otaku, hikikomori... Ela já foi chamada de muitas coisas por causa de sua obsessão tão peculiar. Mas, apesar disso, geralmente era uma pessoa bastante sociável e tinha uma rede de amigos que eram igualmente viciados em tudo que fosse insano. Um deles era o homem do bar, suspirando enquanto ela continuava sua diatribe alcoolizada.

Eles adoravam citar fatos sobre qualquer arma, desde o rifle Sharps até discutir se as espingardas de concha eram realmente tão ruins quanto dizem.

E, com o Registro Akáshico tendo tornado disponíveis todas as especificações confidenciais daquele hardware militar, ela virou quase uma historiadora militar, e não apenas uma pessoa que ficava de olho em fóruns como o War Thunder esperando que vazassem material classificado.

Na verdade, sua IA assistente, a maid de batalha Alita, tentou convencê-la a candidatar-se a professora de história militar na escola imperial.

"Não sei por que você está tão chateada. Eles não vão disponibilizar tudo em VR em alguns meses? Aquela... como é o nome dela, a moça da GAIA Tech? Enfim, ela não anunciou que logo vão lançar um jogo onde dá pra usar o hardware deles? Então relaxa."

"Tome outra dose, mas essa será a última de hoje. Tenho que te cortar, senão o bar vai fechar," disse o barman, observando as linhas de copinhos vazios à frente dela, contando-os mentalmente e comparando o peso aparente dela com a quantidade de copos.

A conversa foi interrompida abruptamente quando os copos e os celulares deles receberam uma notificação de push. Não era uma notificação prioritária, mas ambos tinham ativado buscas constantes por certas palavras-chave, e uma delas acabou de ser acionada.

Os olhos do barman ficaram vidrados enquanto ele começava a ler algo só visível para ele, através de seus óculos de RA, e a menina, ainda bastante embriagada, tentou pegar seu celular na bancada. E eles não eram os únicos; mais dois habitués do bar, que também bebiam durante o dia, estavam na mesma situação.

Os quatro receberam uma transmissão ao vivo da Hephaestus Heavy Industries, que estava em alta no Pangea. O barman clicou no link e ficou chocado ao ver uma vista do chão, com pontos crescendo rapidamente no céu.

Logo, os outros três se juntaram a ele em sua expressão de boca aberta, ao também clicarem no link da transmissão ao vivo que gerar as notificações de interesse em seus dispositivos.

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