Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 165

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Dentro do carro, Kyle estava sentado ao lado da motorista, a própria comandante, que o conduzia naquele momento até uma fenda.

Enquanto dirigiam, a curiosidade surgiu em sua mente.

— Como vocês localizam fendas? Funciona de modo parecido com sentir Gênese? Tipo algum sensor de Ausência?

Veronica balançou a cabeça.

— Não existe nenhum dispositivo capaz de detectar Ausência diretamente. Sim, temos medidores que conseguem estimar o nível de uma fenda, mas, quando se trata de detectar o surgimento de uma fenda, dependemos de sensores de Gênese.

Kyle murmurou, pensativo.

— Então os sensores reagem de um certo jeito que permite saber que uma fenda apareceu?

Veronica assentiu.

— Eles falham ou são suprimidos pela Ausência esmagadora no ar.

— E se não houver um sensor por perto?

— As chances de isso acontecer são extremamente baixas, já que cobrimos todos os locais acessíveis. Mas, mesmo que aconteça, recebemos imediatamente relatórios do Departamento de Proteção Civil sobre incidentes anômalos.

— Ah… certo. Eles são aliados de vocês.

Soltando um suspiro, ele acrescentou:

— Ainda assim, isso parece pouco confiável. Carniçais são visíveis a olhos humanos normais, não são?

— É por isso que muitas vezes precisamos nocautear pessoas e apagar as memórias delas — disse Veronica, sombria.

Kyle abriu um sorriso torto.

— Vocês são mesmo determinados a manter tudo escondido.

Veronica murmurou baixo.

— É necessário. O caos desnecessário só faria as pessoas temerem aquilo contra o qual não têm poder para lutar. E essa também é uma das razões pelas quais o governo mundial consegue manter relações pacíficas entre os países.

— Unidade para manter o sigilo, e o sigilo criando segurança — Kyle concluiu, recebendo um aceno de concordância de Veronica.

Kyle se recostou no banco e perguntou, curioso:

— Qual foi o maior nível de ameaça que você já enfrentou até agora?

Os dedos de Veronica se apertaram levemente ao redor do volante enquanto ela murmurava:

— Um sentinela.

As sobrancelhas de Kyle se ergueram.

— Quer dizer o guardião de uma ponte?

Veronica assentiu.

— Eu nunca pretendi desafiar um, mas as circunstâncias me forçaram a enfrentar aquela coisa de frente. Mesmo agora, ainda não consigo esquecer o quanto me senti impotente naquele dia.

Kyle ficou surpreso.

Ele já vira o quão poderosa Veronica era. Mesmo através da consciência turva, lembrava-se da maneira como ela destruíra Ava por completo. E o fato de ter se tornado comandante tão jovem apenas provava que possuía força e uma mente capaz.

E ainda assim… alguém como ela tremia de medo só por recordar um único inimigo.

Kyle não levou o assunto adiante.

Mas, por um breve momento, fugaz como fosse, a curiosidade surgiu dentro dele.

O que realmente significava ficar diante de um sentinela?


O carro finalmente parou em frente a um complexo industrial abandonado espalhado por uma área vasta. A entrada era grande o bastante para Veronica dirigir o carro diretamente para dentro do prédio.

— Então, aqui estamos. E a primeira coisa que você vai fazer é usar isto.

Ela tirou um dispositivo parecido com um distintivo, com uma luz fraca piscando na parte superior.

— Um localizador, imagino? — perguntou Kyle, pegando o objeto.

Veronica assentiu.

— Sim. Vai ajudá-lo a localizar a fenda com facilidade.

Kyle abriu um sorriso torto.

— Tenho um método melhor… a fenda está ali.

Ele apontou para trás deles.

— Segundo andar… e temos companhia.

Veronica franziu a testa.

— Perto da fenda? As criaturas já atravessaram?

Kyle balançou a cabeça.

— Acho que não. Há humanos lá em cima. Dois, na verdade.

A testa de Veronica se franziu ainda mais. A fenda surgira na noite anterior, o que significava que eles deveriam ser os primeiros caminhantes noturnos a chegar, especialmente porque aquela fenda estava sob a jurisdição deles.

— Fique atrás de mim — disse Veronica, subitamente muito mais cautelosa enquanto caminhava até a escada.

Kyle a seguiu em silêncio, atento aos próprios passos para não pisar em entulho e anunciar acidentalmente a chegada deles.

Os dois chegaram lentamente ao segundo andar. Veronica avançou primeiro, dizendo para ele permanecer perto da escada enquanto ela se aproximava da fonte de Ausência.

Mas, no instante em que a fenda entrou em seu campo de visão, os ombros dela relaxaram um pouco.

— Pode sair, Kyle — chamou ela, caminhando até o homem parado diante da fenda.

As sobrancelhas de Kyle se ergueram.

— Aquele não é… o diretor?

Veronica assentiu.

— Agora vamos descobrir por que ele está aqui.

Quando os dois se aproximaram, o garoto parado ao lado do velho estreitou os olhos.

— Vovô?

— Fique tranquilo — disse o homem com calma, sem sequer se virar para olhar para a dupla.

Ele já havia sentido a chegada deles.

— Quando o senhor disse que tinha alguns assuntos em Montclair, pensei que passaria tempo com sua família — disse Veronica.

O diretor podia comandar a Academia, mas normalmente ficava em Fortis por causa do trabalho. Então, quando retornou a Montclair sem ir para a Academia, Veronica naturalmente presumiu que estivesse visitando parentes.

Mas agora…

— Estou passando tempo com minha família. Aqui, conheça meu neto, Charles — disse Christopher, repousando a mão no ombro do jovem de cabelos negros.

Charles manteve os olhos vermelhos fixos em Veronica ao perguntar:

— A senhorita é Veronica, comandante da divisão de Montclair e a aluna que meu avô considera minha concorrente?

Christopher gemeu.

— Você não deveria dizer essa última parte.

Veronica soltou uma risada discreta.

— Acertou. E este aqui é um estagiário, Kyle.

Ela o apresentou aos dois.

O olhar de Christopher se deslocou para o jovem em silêncio ao lado dela.

Ele já vira Kyle antes, quando estava inconsciente, mas agora que o rapaz estava de pé em sua altura total, Christopher podia avaliá-lo adequadamente.

— Não consigo sentir nem um fiapo de Gênese vindo dele… — murmurou Christopher. — Como está suprimindo tão bem? Ou isso é algum tipo de habilidade?

Kyle quase riu. Se eles soubessem…

— Pode dizer que é natural — respondeu ele, casual.

Não que revelasse algo mesmo se realmente possuísse uma habilidade de ocultar Gênese.

— Bem arrogante, não é? — murmurou Charles antes de estreitar os olhos um pouco. — E… estagiário? Nessa idade?

Kyle sentiu imediatamente a facada atingir exatamente seu ponto vulnerável.

Lá vinham as complicações.

— Sim, circunstâncias atrasaram a entrada dele na associação — disse Veronica, a voz carregando uma leve ponta de aspereza.

Por algum motivo, ela já começava a achar o moleque irritante.

— Diretor, por que está aqui? — perguntou Veronica, mudando de assunto. — Há algo incomum nesta fenda?

Com base nas leituras da primeira inspeção, ela parecia apenas uma ameaça de grau dois, com a maior possibilidade sendo a emergência de um único majin.

O homem murmurou antes de dizer:

— Bem, você vê a leitura?

Ele ergueu o medidor de ameaça, cujos números variavam entre 300 e 500.

— Hm… não entendo — Veronica franziu a testa.

As leituras correspondiam perfeitamente ao relatório. Nada parecia incomum ou alarmante.

Christopher gesticulou para a fenda.

— Alimente-a com um pouco de Gênese bruta. Uma grande quantidade, se puder.

Veronica ficou ainda mais confusa, mas não o questionou. Erguendo a mão, reuniu Gênese na palma.

— Uau… — os olhos de Charles brilharam ao ver a energia radiante cercando a mão dela. — …você consegue manipular Gênese à vontade… isso é muito legal.

Kyle cruzou os braços.

Então isso era realmente difícil, hein?

Veronica não deu atenção a Charles e estendeu a mão em direção à fenda.

No instante em que sua Gênese a atingiu, os números no medidor se alteraram violentamente.

1200-1500.

Ou, em termos mais simples…

Uma ameaça de grau especial.

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