
Capítulo 127
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Por que estou dormindo aqui? — Melissa perguntou, os olhos vazios fixos no teto enquanto permanecia enfiada sob um edredom fino.
A cama era confortável, e o quarto tinha a temperatura perfeita para uma boa noite de sono. Mas o que realmente incomodava a garota era sua companhia.
— Hehe. É claro que vamos dormir juntas — Amanda Maylith disse, abraçando a pequena boneca em seus braços enquanto esfregava a bochecha contra a dela com carinho.
Melissa gemeu.
— Já somos adultas. Vamos respeitar limites.
Amanda bufou.
— Não entre nós. Faz muito tempo desde que nos vimos pela última vez. Você não está feliz em me ver, Milli?
Melissa soltou um suspiro lento.
— Não é como se não mantivéssemos contato. A gente se liga dia sim, dia não.
Amanda costumava ligar para Melissa à noite, especialmente quando sabia que a prima não estaria trabalhando. Melissa era como um diário para ela, alguém a quem podia contar tudo sobre sua vida sem esconder nada.
Na maioria das vezes, Melissa apenas ouvia suas reclamações e histórias, mas, quando as coisas ficavam sérias, ela intervinha e oferecia conselhos.
Assim como recentemente, quando Amanda ligara chorando por causa do término. E, quando Melissa descobriu o motivo por trás daquilo, não ficou nem um pouco surpresa.
Mas agora estava.
— Como ele aceitou fazer as pazes? — ela perguntou, olhando de lado para Amanda, o olhar afiado de curiosidade.
Amanda murmurou suavemente.
— Kyle? Bem, dá para dizer que ele tem um coração mole. Então, quando continuei aparecendo na frente da casa dele várias e várias vezes, ele acabou decidindo me dar outra chance.
Amanda confiava cegamente em sua prima, isso era verdade. Mas, mesmo assim, escolheu não contar a ela o segredo de Kyle.
As pessoas muitas vezes formavam suas próprias percepções sobre as coisas, e essas percepções podiam facilmente levá-las a julgar situações de forma diferente do que Amanda queria. Por isso, mantinha certas verdades para si, trancando-as onde mais ninguém pudesse alcançar.
— Mas o que mudou tão de repente? — Melissa virou a cabeça para olhar diretamente para Amanda, os olhos se estreitando de leve. — Seu lado desesperado não acabou revelando coisas sobre o Mundo Etéreo, acabou?
Melissa sabia o quanto Amanda valorizava profundamente seu relacionamento com Kyle. Talvez fosse por ser sua primeira vez namorando, mas ela havia se tornado devotada demais a ele, a ponto de a ideia de deixá-lo ir nem parecer uma opção.
Em algum momento, Melissa temera que Amanda acabasse confessando seu segredo a ele quando as coisas começassem a ficar difíceis entre os dois. E aquela reconciliação repentina apenas apontava ainda mais para esse medo, tornando sua suspeita mais difícil de ignorar.
No entanto:
— Não, Milli. Juro que não revelei nada para ele.
Soltando um suspiro suave, Amanda contou uma mentira com o rosto perfeitamente sério.
— O motivo da distância entre nós foi a carga de trabalho que caiu sobre mim nos últimos seis meses.
— Hum? Sua carga de trabalho diminuiu por causa daquela anomalia? — Melissa perguntou, inclinando levemente a cabeça.
Amanda congelou por apenas um breve instante antes de falar:
— Você também ouviu falar dele?
— Quero dizer, qualquer pessoa envolvida ativamente com o Mundo Etéreo sabe dele.
Um caminhante noturno anômalo e não registrado que vinha causando bastante caos para os oficiais ultimamente.
— Qual é a sua opinião sobre ele? — Amanda perguntou, tentando não parecer curiosa demais, embora quisesse de verdade ouvir os pensamentos de Melissa.
Se havia uma opinião que importava para ela, era a visão de Melissa sobre Kyle.
— Hum, não tenho uma impressão muito forte dele — Melissa respondeu depois de um momento. — Na verdade, só ouvi falar dele pelo meu pai recentemente.
— Tio? — Amanda perguntou, a curiosidade aumentando. — O que ele disse?
Aberta com sua prima como sempre, Melissa respondeu com honestidade:
— Ele queria que eu criasse um rastreador que pudesse ser anexado a alguém à distância, permanecesse na corrente sanguínea por muito tempo… e detonasse quando necessário.
— !!!
Os olhos de Amanda se arregalaram no instante em que ouviu a última observação.
A raiva cresceu dentro de seu peito, subindo rápida e afiada. Seus punhos se fecharam com força ao lado do corpo enquanto perguntava:
— Meu tio aceitou criar uma arma dessas por encomenda de alguém?
Melissa assentiu.
— Sim, foi aquela mulher… ela tem aparecido bastante lá em casa ultimamente. Sabe, a ruiva que tem estado em todos os noticiários recentemente.
— Ava Klaus — Amanda soltou, e Melissa assentiu em confirmação.
A frustração de Amanda se aprofundou, apertando dentro de seu peito. Aquela mulher doente deveria rastrear o caminhante noturno renegado, mas, em vez disso, estava se preparando para matá-lo.
Matar o Kyle dela?
— Mas eu falhei em atender à exigência dela — Melissa falou de repente. — Eu não tinha motivação para fazer nada antes de vir para cá, então rejeitei o pedido.
Amanda soltou um breve suspiro de alívio, os ombros relaxando só um pouco.
Felizmente, Ava não conseguiu o que queria. Ainda assim, ela avisaria Kyle mais tarde.
O abraço de Amanda ao redor da prima se apertou um pouco enquanto ela dizia:
— Boa garota. Você não deve se envolver muito com ela.
Melissa olhou para ela por um momento antes de perguntar:
— A propósito, como você consegue não quebrar debaixo de um homem tão grande? Quero dizer… dá para perceber que ele deve ser bem intenso na cama.
Amanda parou, e então seu rosto ficou profundamente vermelho.
— Milli! Essa não é uma pergunta que você deveria fazer.
Constrangida, Amanda virou-se rapidamente para o outro lado, ficando de frente para a parede como se tentasse esconder a vergonha.
Melissa sorriu para si mesma. O plano tinha funcionado perfeitamente, e agora ela poderia dormir em paz.
— Você está bem atrasada.
Veronica Steelglade parou ao ouvir a voz no instante em que saiu do carro.
Ela não precisava se virar para saber quem era.
— Ava Klaus.
A ruiva estava do lado de fora da base, de braços cruzados.
— …por que você está aqui e não trabalhando?
A mulher sorriu.
— Ah, mas eu estou trabalhando.
Ela deu um passo mais perto antes de acrescentar:
— Encontrei uma pista muito interessante quando visitei o local do incidente.
— É mesmo? — Veronica respondeu, o tom plano e entediado.
— Sim. E sabe o que é ainda mais interessante que isso?
Ava se inclinou para mais perto e sussurrou em seu ouvido:
— Essa pista, de algum modo, está relacionada a você.
Veronica não deu a reação que ela queria. Apenas recuou e passou por ela.
— Boa sorte com sua pista, então. Espero que tenha sucesso em sua missão.
Embora dissesse aquilo, Veronica naturalmente estava bastante preocupada com toda a situação.
Felizmente, agora Blake Astortia estava envolvido. Se algo desse errado, ao menos ele se revelaria e apoiaria Kyle abertamente.
Ava soltou uma risada baixa enquanto a observava se afastar, aumentando a distância entre as duas.
Então tirou o celular. Na tela, uma transmissão ao vivo a mostrava parada à distância.
Virando-se levemente, caminhou até o carro que Veronica havia dirigido e alcançou a lanterna traseira, arrancando uma pequena câmera escondida.
Erguendo a câmera entre os dedos, murmurou para si:
— Eu sei onde você está, meu querido cordeirinho.