
Capítulo 123
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Parada diante do resort, Ava Klaus cruzou os braços.
Seus olhos varreram o chão, observando as fraturas, os cortes profundos e as manchas carbonizadas gravadas na superfície.
Atrás dela, vários oficiais do Departamento de Proteção Civil permaneciam em silêncio, a equipe local que havia chegado depois que as fendas foram derrubadas.
— V, fale comigo — ela disse, sem olhar para ninguém em particular.
O fone em seu ouvido chiou em resposta.
V: [Revisei todas as filmagens que você pediu. Não há sinal de adulteração.]
A comunicação tinha sido bloqueada durante o incidente, mas as câmeras do resort permaneceram ativas. Ela mandou alguém revisar tudo, esperando encontrar até o menor vestígio da anomalia.
— Hmm. E os outros oficiais? Alguma coisa incomum no comportamento deles? — perguntou, aproximando-se da cratera mais profunda no centro do local.
O ponto exato onde a erupção havia ocorrido, onde aquela onda de Gênese eliminara todas as quatro fendas de uma só vez.
V: [Nada fora do comum… exceto pelos movimentos de uma garota. Clara. Ela estava indo para os fundos do resort. Possivelmente para ajudar a colega de equipe.]
— Ah, eu li o relatório dela — Ava respondeu. — Ela ouviu a colega gritar e correu direto para o perigo. Imprudente, mas esperado de uma pirralha tola… embora, no caminho, tenha encontrado a anomalia.
V: [É mesmo? E ele não a matou?]
A suposição de V não era irracional.
A anomalia havia demonstrado poder esmagador onde quer que aparecesse. E, ainda assim—
— Por mais inacreditável que pareça, aquela garota conseguiu encurralá-lo, mesmo que só por um momento.
V: [O quê?!]
Um arquejo agudo veio pela linha.
V: [Como isso é possível? Temos certeza de que ela não está exagerando para salvar a própria imagem?]
— Quem sabe? Estou planejando pedir permissão ao Círculo de Julgamento.
V: [A chefe não vai permitir, especialmente contra oficiais que trabalham sob aquela mulher. Você sabe que isso pode virar uma disputa interna.]
Ava sorriu. Por algum motivo, a ideia de desafiar Veronica Steelglade colocando seus oficiais sob suspeita parecia empolgante.
Mas, por enquanto, ela disse:
— Bem, vamos presumir que ela estava dizendo a verdade e realmente conseguiu acertar a anomalia. Então… isso não prova alguma coisa?
V: [Uma de duas coisas: ou ele é fraco contra algo que não seja um residente de Knull, ou hesita em atacar uma mulher.]
O sorriso de Ava se alargou.
— Ah, espero que seja a segunda opção. Eu adoraria brincar com a compaixão dele e depois enfiar algemas naquele desgraçado.
V: [Cuidado, Ava. Tudo isso pode ser um erro de cálculo, e você pode acabar com uma flecha no rabo.]
Ela rosnou:
— Cale a boca, nanico. Por enquanto, organize as ferramentas que pedi e mande entregarem para mim até amanhã.
V: [Você é mesmo ardilosa. Deixá-las para trás de propósito só para enganar a comandante… sinceramente…]
Ava soltou uma risadinha.
— Sem algum poder de fogo, esta caçada seria entediante. Então pare de me incomodar e envie tudo imediatamente.
Com isso, encerrou a comunicação e se virou.
— Quem estiver no comando, dê um passo à frente — ordenou.
Um homem parcialmente calvo, com um pequeno bigode, avançou.
— Oficial Charlson, senhora.
Ava foi direto ao ponto.
— Você estava presente durante a limpeza?
O oficial assentiu.
— Cheguei junto com a equipe de caminhantes noturnos. Também participei da checagem completa do resort em busca de sobreviventes.
O Departamento de Proteção Civil sempre manteve coordenação próxima com o Corpo de Supressão Paranormal. Sempre que ocorria uma emergência envolvendo civis e o Mundo Etéreo, o Departamento de Proteção Civil também intervinha.
Exatamente como naquele dia.
Ava cruzou os braços e perguntou:
— Notou alguma coisa estranha ou fora do lugar?
O oficial levou um momento para pensar.
Tinha sido um desastre. Caos por toda parte. Eles haviam chegado tarde, com pouquíssimas informações para seguir.
Os oficiais que já estavam em serviço estavam gravemente feridos, e uma explosão enorme havia rasgado o complexo.
Os que permaneciam conscientes estavam visivelmente abalados, traumatizados pelo que tinham visto. Se não fosse pela droga de apagar memória que o Corpo de Supressão Paranormal sempre carregava, aquelas pessoas—
Ah.
— Sim, lembro de uma coisa — o homem disse de repente. — Entre os poucos que ainda estavam conscientes e tinham visto coisas que não deveriam, havia uma pessoa que foi para casa em vez de ir ao hospital.
Os olhos de Ava se afiaram.
— O que quer dizer?
— Depois que todos receberam a droga de apagar memória, foram enviados ao hospital para uma checagem de segurança de rotina. Mas um jovem, que definitivamente não era um caminhante noturno, recebeu permissão para entrar no ônibus e ir embora.
O olhar de Ava escureceu.
— Quem era?
O oficial balançou a cabeça.
— Não sei o nome. Mas ele tinha cabelos verde-escuros… e era bastante alto.
Ava franziu a testa. Aquelas características…
Ela pegou o celular e rolou pelas imagens enviadas pela organização profundamente envolvida no caso da anomalia.
Não demorou para encontrá-lo. O mesmo desgraçado que ousara insultá-la no shopping.
— Era ele? — perguntou, virando a tela para o oficial.
Ele se inclinou, analisou a imagem e então assentiu.
— Sim. É ele.
Os dedos de Ava se apertaram ao redor do celular.
A curva de seus lábios fez o homem se encolher, dando instintivamente um passo para trás.
Seus olhos ardiam com propósito. Com expectativa.
Era exatamente isso que ela estava esperando.
Um motivo para atormentar aquele desgraçado.
— Sim, eu entendo — Amanda Maylith disse com um aceno.
Sua mãe a chamara porque alguns convidados ficariam hospedados, incluindo os pais de Melissa e a própria Melissa.
Por isso, Amanda havia recebido a tarefa de instruir as empregadas a prepararem a casa de hóspedes para eles.
— Não é urgente, então volte para seus amigos por enquanto — sua mãe acrescentou com um sorriso gentil.
Amanda assentiu. Era exatamente o que pretendia fazer.
Ela se virou para voltar ao salão de recepção quando uma voz a deteve.
— Amanda.
Ela não precisava se virar para saber quem era.
— Ethan — disse. — O que você quer agora?
— Hum… você deixou isto cair.
Ela se virou e o viu segurando seu brinco.
Levando a mão à orelha, Amanda verificou. Um deles estava faltando.
— Obrigada — disse, pegando-o dele.
Assim que estava prestes a sair, Ethan Lockhart falou de novo.
— Ei… hum, eu queria me desculpar.
Amanda franziu a testa.
— Pelo quê?
— Pelo modo como tratei você durante a reunião dos clãs. Acredite, eu me arrependo.
Naquela época, ele tinha ficado irritado porque ela apareceu depois de dizer que não iria. Ele queria que chegassem juntos, mas ela mentiu.
Frustrado, falou com ela de forma dura.
Balançando a cabeça, Amanda respondeu:
— Na verdade, você deveria pedir desculpas ao Kyle. Se o que você fez com ele durante a pausa da nossa viagem vier à tona, sua reputação será destruída.
Ethan soltou outro suspiro.
— Eu não queria que as coisas fossem tão longe. Mas, se você acredita nisso, então vou me desculpar com ele. Só… pode me fazer um favor? Volte comigo para a Academia neste fim de semana.
Amanda franziu a testa.
— Para a reunião?
— Sim. Todos estarão lá, incluindo Layena. Você faz parte da nossa equipe, então…
Amanda permaneceu em silêncio por um momento antes de responder:
— Vou pensar nisso.
sar nisso.