
Capítulo 100
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Sim, eu entrei em contato com eles — Mathew respondeu com calma, sem sequer uma ponta de desconforto ou surpresa no rosto.
Muito menos arrependimento.
Blake franziu a testa, seu olhar tomado apenas por nojo.
— Então você estava pronto para entregar seu clã, nossos segredos, só porque não quer que Kyle lidere nossa família.
Mathew zombou.
— Você sabe melhor do que eu que tipo de pessoa ele é. Sempre brincando, nunca levando a própria vida a sério.
Com um rosnado, acrescentou:
— Se ele tivesse vivido do jeito que eu ensinei, talvez eu tivesse considerado por um instante. Mas agora ele não passa de um vagabundo do tipo que desviamos no caminho, porque gente assim só sabe desperdiçar nosso tempo.
Blake não conseguia acreditar que aquele homem carregava tanto veneno pelo próprio filho.
Sim, Kyle não compartilhava o mesmo sangue que eles, mas qualquer pessoa se afeiçoaria a uma criança que criou desde antes de ela sequer saber falar. No entanto, aquele homem parecia tão distante e indiferente em relação a Kyle que chegava a ser assombroso.
Blake pegou o arquivo que Mathew estava lendo, arrancou-o de suas mãos e o jogou de lado.
— Blake! — Mathew o encarou com fúria.
— Eu também estou sendo indisciplinado. Vá em frente, descarte-me também — ele desafiou.
Mathew ficou em silêncio, mas sua expressão deixava claro o quanto estava furioso.
Blake não se importou.
Enfiou as mãos nos bolsos e disse:
— Deixe-me quebrar essa fachada que você construiu ao redor de si mesmo.
Ele deu um passo mais perto e disse:
— Kyle não estava vivendo nesta casa. Ele estava morrendo todos os dias. E você, Mathew Astortia, era quem o matava. Não de uma vez, nem de forma direta, mas devagar e dolorosamente.
— Você chama disciplina de morte? Você, Blake?
Blake balançou a cabeça.
— Nós dois sabemos que todo mundo comete erros. Mas Kyle evitava até os menores deles, chegando a extremos só para conquistar sua aprovação. E, ainda assim, você usou cada chance que teve para torturá-lo, para traumatizá-lo.
Mathew soltou uma risada debochada.
— Bem, ele pagou o preço por não ser bom o bastante.
— Ah, e você era? — Blake desafiou, sem o menor traço de hesitação nos olhos. — O mundo sabe que tipo de erro colossal Mathew Astortia cometeu. As pessoas ainda culpam você por aquele erro. Aquele único erro que manchou nosso nome, arruinou nossa reputação e nos transformou em alvo fácil para qualquer um.
— Blake! Você está passando dos limites! — Mathew rugiu, quebrando o braço da cadeira sob sua fúria.
— Você começou. Eu só segui seu exemplo — Blake respondeu com calma. — Você cruzou uma linha ao mexer em algo que não deveria. E eu juro por Deus, pai, se isso de alguma forma chegar aos ouvidos de Kyle, eu vou destruir este clã pedaço por pedaço.
A Gênese irrompeu de repente, fazendo Mathew ficar tenso e pálido na cadeira.
Blake se inclinou para mais perto, encarando-o diretamente nos olhos para que não restasse dúvida.
— Nem pense em machucar meu irmão de novo. Ou tudo aquilo a que você se apega com tanto desespero… tudo será reduzido a cinzas.
Deixando aquelas palavras para trás, Blake se virou e saiu da sala.
Ao fechar a porta atrás de si, soltou o ar e balançou a cabeça.
Tinha ficado um pouco emocional, e havia uma grande chance de o patriarca tentar alguma idiotice agora.
Mas Blake já estava preparado.
Daria algum trabalho, mas ele sabia que poderia derrubar Mathew daquela posição a qualquer momento.
Ele pegou o celular, pretendendo ligar para sua secretária, quando encontrou várias mensagens e imagens enviadas para ele.
Franziu a testa e abriu as mensagens mais recentes…
E congelou no mesmo instante.
Exatamente o que temia.
O resort tinha sido atacado.
E não apenas atacado.
Tinha sido um massacre.
Sem perder um segundo, Blake saiu às pressas.
Ele precisava ver Kyle.
— Haaa…
Kyle bocejou enquanto esticava os braços e se sentava na cama.
Finalmente havia voltado para casa por volta das oito da noite. Tinha sido uma viagem longa e cansativa. Ainda assim, poderia ter sido pior se não tivesse uma companhia tão animada ao seu lado.
— Falando em Amanda… — murmurou, pegando o celular e desbloqueando o contato dela.
Como os dois haviam feito as pazes, parecia injusto obrigá-la a continuar usando números diferentes só para falar com ele.
Ainda assim, Amanda havia insistido para que ele comprasse um segundo celular, só por precaução, caso o Corpo de Supressão Paranormal decidisse rastrear ou gravar suas ligações.
Parece que estou vivendo como um espião ou algo assim.
Ele balançou a cabeça e foi pedir comida, mas o sistema o interrompeu.
[Hospedeiro, você já quebrou sua sequência, e agora quer comer algo tão calórico…]
— …
Ele havia pedido um sistema, não um treinador fitness.
Ainda assim, o sistema não estava errado. Kyle preferia fazer um sanduíche simples a depender das pizzarias perto de casa.
Ele se levantou, pretendendo procurar algo na geladeira, quando de repente—
Toc.
Virou-se para a porta.
Kyle suspirou.
Devia ser Blake.
Eles tinham acabado de conversar, e Kyle havia garantido que estava bem e já em casa.
E, mesmo assim, o cara ainda tinha vindo verificar como ele estava.
Que cara inconveniente.
Balançando a cabeça, caminhou até a porta e a abriu devagar—
— Hã?
Um chute acertou seu peito.
Kyle foi arremessado para trás.
— Ghuk!
O ar foi arrancado de seus pulmões quando suas costas bateram contra a parede. Sua visão girou, e a respiração se recusou a voltar.
Que tipo de força era aquela?
Através da visão turva, ele viu um homem.
Familiar.
Parecido com os dois que havia visto no resort.
O mesmo tipo de bigode, embora a bandana tivesse um tom diferente.
Os punhos do homem estavam cerrados, a mandíbula rígida, os olhos vermelhos queimando de fúria.
Ele deu um passo lento e pesado para a frente, então murmurou:
— Você cometeu um erro grave ao achar que poderia escapar depois de matar meus irmãos.
Kyle rosnou e tentou se levantar, mas o homem avançou, agarrou seu colarinho e o puxou para cima.
— Seu filho da puta!
A Gênese explodiu do homem enquanto ele esmagava Kyle contra a parede com um baque pesado.
Kyle estalou a língua e agarrou o pulso dele.
— Eu não faço a menor ideia do que você está FALANDO!
Ele lançou a cabeça para a frente, batendo-a contra a do homem.
O impacto jogou a cabeça do sujeito para trás, e os ouvidos de Kyle também zumbiram, mas o aperto dele não afrouxou.
Aquilo era ruim.
O bastardo de bigode inclinou lentamente a cabeça para a frente de novo, encarando Kyle com pura intenção assassina.
— Eu sei que foi você… eu vi você… matando meus irmãos. Ouvi os gritos deles, mas não pude fazer nada.
Sua voz tremia de raiva.
— Mas não mais… NÃO MAIS!
Suas mãos começaram a brilhar fracamente enquanto ele puxava o punho para trás.
Kyle reagiu no mesmo instante.
Chutou o joelho do homem com toda a força, obrigando-o a cambalear. Aquilo deu a Kyle tempo suficiente para se soltar.
Mas, no momento em que se afastou, tentando correr para fora, o tapete sob seus pés foi puxado.
Kyle caiu de cara no chão.
Rolou de imediato, tentando encarar o atacante, mas o homem já estava perto demais.
— MORRA—
— Khuk!
Antes que o homem pudesse descer os dois punhos sobre ele, algo atingiu sua testa.
Todo o corpo dele estremeceu.
— Porra! — Kyle xingou, se arrastando para trás enquanto o homem desabava exatamente onde ele estivera deitado.
A faca se enterrou ainda mais fundo no crânio do homem quando seu corpo atingiu o chão.
Kyle se virou para olhar para a pessoa que acabara de matar aquele homem…
E, na entrada, estava um homem de olhar afiado.
Ajustando os óculos, Blake murmurou:
— Você tem algumas perguntas a responder.