
Capítulo 98
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Kyle ainda estava em seu quarto, descansando enquanto esperava o caos lá fora se acalmar.
Enquanto isso, o sistema enlouquecia com notificações.
[Total de espectadores: 9]
[Você recebeu: 200 Pontos de Alma.]
[Continue transmitindo momentos eletrizantes assim, hospedeiro, e poderá receber muito mais recompensas de seus fãs.]
— …
Ele havia arriscado a vida lá fora, até sacrificado a própria identidade, e ainda assim o sistema soava como se estivesse aproveitando o espetáculo só porque sua audiência havia aumentado.
Balançando a cabeça, Kyle perguntou:
Por que estou recebendo espectadores diferentes agora? Antes, eram sempre os mesmos cinco.
[Transmitir pelo sistema expôs o hospedeiro a um público mais amplo, pois esse modo de transmissão nunca havia sido usado antes.]
Kyle murmurou em entendimento.
Pelo que sabia, aqueles cinco espectadores familiares talvez estivessem prestando atenção demais nele, levando os outros a notá-lo também.
Agora, se aquilo era algo bom ou ruim, só o tempo diria.
Se eu me lembro bem, acho que até vi o Deus da Trapaça entre meus espectadores.
[De fato, hospedeiro.]
Então essas pessoas só me assistem e distribuem missões com base no que acontece?
[De fato, hospedeiro.]
Mas você não disse antes que receber presentes causaria problemas?
[Não com Pontos de Alma e buffs temporários, hospedeiro. No entanto, presentes e relíquias criariam atrito entre os dois reinos, causando o surgimento de mais fendas no plano mortal.]
Aquilo parecia problemático.
Pontos de Alma não eram problema, mas ele provavelmente deveria avisá-los para não enviarem armas.
Falando em presentes… como estão meus atributos agora?
[Atributos:
Força: 12 → 14
Velocidade: 11 → 15
Resistência: 15 → 19
Inteligência: 9
Afinidade: 7%]
[Habilidades: Olho de Deus (Nível 1)]
[Itens: Aquilla de Archilles]
[Elixir Vermelho: 1]
[Pontos de Alma: 1381 → 6021]
— …
Caralho.
Sério.
Caralho.
Ele havia ganhado uma quantidade absurda de pontos em uma batalha que nem tinha durado dez minutos.
Não diria que aquilo veio sem esforço, mas, para algo tão curto, as recompensas eram ridículas.
Agora também poderia desbloquear o presente de Myuri.
Foi então que seu celular começou a vibrar.
Kyle o pegou no mesmo instante, o alívio tomando conta dele ao ver o nome de Veronica.
Atendendo, disse:
— Ei — tentando manter a voz firme.
Veronica: [Onde você está?!]
A voz dela veio afiada, sobreposta a um fundo barulhento cheio de conversas e movimento.
Por que aquilo soava tão familiar?
— No resort, no meu quarto… e você?
Ela não respondeu.
A chamada foi encerrada abruptamente.
Kyle franziu a testa, os pensamentos girando.
O que aconteceu com ela?
Estava brava porque ele quebrou a promessa e usou os poderes?
Não…
Para ela sequer saber disso, Layena precisava ter relatado.
Então…
Isso significava que seu segredo não era mais segredo?
Toc.
O som veio da porta, seco e cortante.
Kyle ficou de pé num salto, os olhos presos nela.
Seu coração acelerou.
Engolindo em seco, avançou e olhou pelo olho mágico.
Sua respiração travou.
Um homem desconhecido estava do lado de fora, usando equipamentos de proteção com aparência oficial.
Então Layena finalmente o havia denunciado.
Kyle nem podia fingir surpresa.
Afinal, ela era uma oficial leal à organização.
Mas e agora?
Eles estavam ali para prendê-lo?
Sua mente disparou.
Deveria fugir?
Mas eles sabiam quem ele era.
Conheciam sua família.
Até onde ele poderia ir de verdade?
E Amanda…
Ela não seria arrastada para aquilo também?
Não… eu não posso fugir disso.
Kyle fechou o punho, obrigando a própria respiração a se estabilizar.
Sempre soubera que aquele momento chegaria, não importava o quanto fosse cuidadoso.
E, quando chegasse…
Teria de encará-lo.
Respirando fundo mais uma vez, finalmente apoiou a mão na maçaneta e a girou.
Clique.
Ao puxar a porta devagar, sua ansiedade se transformou em surpresa.
— Veronica… — ele deixou escapar, encarando a garota de cabelos prateados parada ali, de braços cruzados e olhos severos.
Kyle não processou completamente a situação, nem questionou como ela havia chegado ali.
Dando um passo à frente, envolveu-a de repente com os braços e a puxou para um abraço trêmulo.
Veronica congelou, completamente pega de surpresa.
Todas as palavras que havia preparado, cada bronca que ensaiara no caminho até ali, se dissolveram no calor daquele abraço.
— Isso… é seu jeito de escapar de uma bronca? — ela murmurou baixinho.
— E se for? — ele respondeu, a voz já sem tensão.
Seus ombros haviam relaxado, e seus olhos suavizaram.
Veronica agarrou a barra da camisa dele antes de murmurar:
— Então saiba que… está funcionando.
Kyle soltou uma risada baixa antes de guiá-la para dentro do quarto, finalmente a soltando.
Assim que entraram, Veronica o fez se sentar na cama antes de perguntar:
— Você está ferido?
Os lábios de Kyle ainda estavam curvados enquanto ele olhava para ela.
— Primeiro, me diga como você chegou aqui.
De alguma forma, com ela por perto, tudo parecia diferente.
Mais seguro.
Veronica balançou a cabeça, soltando um suspiro exasperado.
— Por causa de um idiota incompetente que não conseguiu chegar a tempo, tive que vir pessoalmente.
— E eu fico feliz que tenha vindo — Kyle respondeu, com um olhar caloroso, a tensão em seu rosto se desfazendo.
Veronica pigarreou, um leve rubor subindo às suas bochechas.
— Você não está flertando um pouco demais hoje?
Kyle balançou a cabeça.
— Não. Eu estou falando sério. Sou grato por você estar aqui. Não sei quando aconteceu, mas comecei a depender de você mais do que talvez devesse.
Veronica não conseguiu impedir o sorriso que surgiu em seus lábios.
Sentou-se ao lado dele e segurou sua mão com delicadeza.
— Não tem problema depender de mim… o problema é correr o tipo de risco que você correu hoje.
Kyle olhou para ela.
— Layena contou?
Veronica assentiu.
— Sim. Ela disse que receberam ajuda do caminhante noturno renegado. Mas também me garantiu que não era você por trás da máscara.
— …O quê? — Kyle abaixou a cabeça levemente, as sobrancelhas se erguendo em surpresa. — Ela disse isso de propósito?
Veronica murmurou, confirmando.
— Sim. Eu não te contei antes? Na nossa última conversa, Layena mencionou que ela e Ethan suspeitavam que você pudesse ser o renegado. Mas, quando conversamos mais cedo, ela deixou claro que o rastreador não registrou nenhuma perturbação, mesmo enquanto ela via o renegado lutando bem diante dela.
Assentindo, Veronica acrescentou:
— Então, sim… seu nome foi removido da lista de suspeitos.
Kyle ficou em silêncio.
Não havia como ele ter imaginado aquilo.
Ele a ouvira chamar seu nome com clareza. Seus olhos carregavam certeza absoluta quando disse aquilo.
E, se o que Veronica dizia era verdade, então o motivo de Kyle não ter encontrado o rastreador na mala de Layena era simples.
Ela estava carregando o dispositivo consigo o tempo todo.
O que significava…
Layena devia tê-lo visto usando Gênese.
— Kyle? — Veronica chamou, com um traço de preocupação na voz. — O que aconteceu?
Kyle soltou uma risada baixa antes de olhar para ela.
— Veronica… acho que sua aluna acabou de mentir para você.
Os olhos dela se arregalaram levemente enquanto ele continuava:
— A mesma mulher que nunca escondeu nada de você… acabou de escolher esconder o fato de que sabe quem é o caminhante noturno renegado.
Veronica ficou chocada demais para falar.
Uma parte dela estava feliz por Layena ter decidido esconder aquilo, pois, caso contrário, Veronica teria sido forçada a relatar o caso.
Mas uma pequena parte dela também se sentiu ferida.
Aquela pirralha realmente…