Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 64

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Kyle estava parado ao lado de uma caixa de correio, os braços cruzados e a cabeça baixa.

Eram quase oito horas. O céu já havia perdido o brilho, e a lua cheia surgia e desaparecia por trás das nuvens em movimento.

Ele usava um capuz que cobria sua cabeça, mas, por enquanto, não havia colocado máscara. Estava apenas esperando. Mas sim, o que estava prestes a fazer exigiria que escondesse o rosto também.

Ele tinha acabado de terminar sua corrida e pretendia testar seus poderes. Antes disso, porém, precisava encontrar alguém.

[Hospedeiro, uma autorização foi concedida.]

O sistema o notificou de repente.

[O hospedeiro agora pode realizar transmissões ao vivo através do sistema.]

Kyle murmurou, surpreso.

Onde estão as câmeras?

[Não se preocupe, hospedeiro. Seus espectadores receberão os melhores ângulos possíveis durante a transmissão. O hospedeiro também poderá visualizar os comentários e os desafios enviados por eles.]

Desafios?

[De fato, hospedeiro. Seus espectadores podem atribuir missões, que o recompensarão com Pontos do Sistema.]

Aquilo parecia interessante. Mas, ainda assim…

— Qual exatamente é a utilidade dos Pontos do Sistema além de subir de nível?

[O hospedeiro desbloqueará recursos adicionais nos quais os Pontos do Sistema poderão ser usados. Esses recursos ficarão disponíveis ao subir de nível.]

[Para subir de nível, o hospedeiro precisa de 1000 Pontos do Sistema.]

[Pontos de Alma: 1861]

Kyle murmurou, entendendo. Interessante.

No momento, tinha cerca de mil e oitocentos Pontos de Alma, graças ao carniçal que havia caçado antes. Conseguiria subir de nível facilmente agora, mas preferia forçar seus limites mortais primeiro e fortalecer um pouco mais sua afinidade antes de avançar.

Sim, o novo recurso do sistema definitivamente o ajudaria, mas, considerando o quanto havia progredido em apenas uma semana, sabia que não levaria mais de um mês para alcançar o próprio limite atual.

Então era melhor esperar e depois aproveitar a recompensa.

Não muito depois, um carro preto se aproximou.

Kyle ergueu a cabeça devagar. O veículo parecia elegante e caro. O emblema de uma serpente erguida na frente do capô deixava claro que o carro valia milhões.

Ele não conseguiu deixar de comentar:

— Você é rica, hein?

Veronica balançou a cabeça com um sorriso.

— Isso é só uma necessidade. Preciso manter a reputação de comandante, sabe?

Ela fechou a porta e caminhou até ele.

— Como estão seus ferimentos? E o que aconteceu para você dormir por dois dias?

Kyle esfregou a nuca.

— Passar por uma vida inteira de mudanças em poucos dias… é natural ficar um pouco cansado. Desculpa por preocupar você.

Veronica hesitou.

Ela viera preparada para repreendê-lo, ensaiando as palavras durante todo o caminho, apenas para tropeçar no momento em que viu aquele sorriso sem jeito.

Resmungando, ela murmurou:

— Pelo menos deixe uma mensagem da próxima vez que decidir entrar em hibernação.

Kyle sorriu.

— Então? Por que queria me ver com tanta urgência?

Quando ele perguntara mais cedo onde poderia usar Gênese sem ser alvo do Corpo de Supressão Paranormal, ela apenas dissera para esperá-la.

Veronica permaneceu em silêncio. Voltou até o carro e tirou uma pequena bolsa do banco de trás.

— Aqui.

Ela a entregou a ele.

— Há pequenos dispositivos aí dentro. Funcionam como pulsos eletromagnéticos contra câmeras e sensores de Gênese. Eles criam um campo temporário que dá a você uma janela para agir sem se segurar. Mas não dependa demais deles. Mantenha os olhos e ouvidos atentos.

Ela continuou:

— E não os use perto de nenhum ponto crítico. O departamento de vigilância enviará tropas imediatamente para investigar. Já mandei uma lista dos lugares menos monitorados para você.

Kyle assentiu, espiando dentro da bolsa. Várias cápsulas grandes estavam organizadas ali dentro.

— Você veio preparada desta vez, hein? — ele disse com um sorriso.

Veronica bufou.

— Eu sabia que você não me ouviria e não ficaria em casa. Faz um tempo que estou pensando em entregá-los a você.

Kyle suspirou antes de erguer o olhar.

— Eu… causei muitos problemas para você, não causei?

Ela havia apagado filmagens dele vagando por aí e causando confusão. Tinha arriscado sua posição, talvez até sua liberdade, por causa dele. E agora ainda havia tirado um tempo para trazer aqueles dispositivos de alta tecnologia, só para que ele pudesse treinar em segurança.

Veronica deu de ombros.

— Você pode me compensar me levando para jantar.

Kyle se animou.

— Sim, claro. O que prefere? Comida ocidental, tradicional ou outra coisa? Conheço alguns dos melhores lugares da cidade.

Veronica balançou a cabeça.

— Sinceramente, estou cansada de comida chique. Prefiro comer macarrão artesanal a algum prato refinado com nome impronunciável.

Kyle riu.

— Isso nem é um prato.

Veronica resmungou:

— Com os nomes ridículos que dão aos pratos, eu não ficaria surpresa se algo assim realmente existisse.

Kyle achou aquele lado de Veronica estranhamente adorável. Estava claro que ela não tinha amor algum pela comida pretensiosa servida em lugares de alto padrão.

Murmurando, ele disse:

— Então eu cozinho para você. Que tal amanhã? Não tenho aula, então você pode vir aqui.

Veronica balançou a cabeça.

— Sua casa está sob vigilância rígida desde esta manhã. É arriscado demais.

Então, um pouco hesitante, acrescentou:

— Que tal você vir à minha casa…?

Kyle piscou, surpreso.

— Tem certeza? Eu não me importo, mas… você não mora com sua família?

Veronica abriu um sorriso discreto.

— Não. Eu moro sozinha.

Kyle percebeu que havia cometido um erro ao mencionar a família dela. Aquele sorriso não combinava com a emoção em seus olhos.

Em vez de insistir ou oferecer uma solidariedade vazia, ele disse em tom leve:

— Então vou virar o segundo morador temporário da sua casa amanhã. Chego por volta das onze com todos os ingredientes. Mande seu endereço e se prepare para bagunça e barulho. Não no sentido errado, claro…

Ele riu ao perceber como aquilo soava.

Veronica soltou uma risadinha, balançando a cabeça.

— Tudo bem, então. Vejo você amanhã. Vou esperar por você.

Ela deu um passo à frente e ergueu a mão por hábito.

Kyle suspirou.

— Não é exatamente assim que dois amigos agem, é?

Ele se aproximou e lhe deu um abraço leve.

— Pronto. Volte para casa em segurança, está bem?

— Mm… — Veronica respondeu baixinho.

Assim que se separaram, ela voltou apressada para o carro, sem querer que ele visse seu rosto.

Kyle acenou para ela enquanto Veronica se afastava.

Então colocou a bolsa sobre o ombro e deixou o lugar.

Vamos ver o quanto eu melhorei.

Comentários