
Capítulo 63
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Então, o verdadeiro problema era Layena.
Se ela estaria na viagem procurando pelo caminhante noturno renegado, Kyle só precisava fazer uma coisa: não usar seus poderes. Nada de Olho de Deus, nada de Gênese, nada de heroísmo idiota.
Simples assim.
Sim, Kyle sabia que aquilo era praticamente agitar uma bandeira vermelha para o destino, mas ele apenas fingiria ser o mesmo garoto desconhecido que vivera mais de vinte anos acreditando que magia não passava de fantasia otimista para otakus.
Nada poderia forçá-lo a usar suas habilidades. E, se ele não as usasse, não havia chance de ser pego.
— Hm… qual eu devo comprar?
No momento, ele estava procurando roupas em um shopping, usando o cartão que Blake havia lhe dado. É claro que não era idiota o bastante para devolvê-lo por orgulho. Se a outra pessoa estava tão ansiosa para gastar, por que Kyle deixaria a oportunidade passar?
— Hm?
Quando estendeu a mão para pegar uma jaqueta, outra mão fez o mesmo. As duas pararam a poucos centímetros de distância.
Kyle olhou de lado e então congelou por um instante, surpreso ao vê-la ali.
Aqueles olhos lavanda, aquele rosto pequeno… não havia dúvida. Era a famosa princesa espinhosa da universidade, Layena.
— Estou de olho nela desde que entrei aqui — ela disse, puxando a jaqueta antes que ele pudesse reagir.
Kyle quase soltou uma risada diante de tanto entusiasmo por uma peça de roupa simples que claramente nem era do tamanho dela. Ainda assim, ficou calado.
Em vez disso, caminhou até os moletons, colocando alguma distância entre si e a garota que havia se tornado a fonte de suas dores de cabeça.
Se não fosse por ela, ele não estaria atraindo tanta atenção ultimamente.
Era óbvio que ela era uma caminhante noturna de alto nível, considerando a frequência com que Veronica a mencionava. Ainda assim, por curiosidade, Kyle murmurou internamente:
Avaliar.
[Ativando Olho de Deus…]
[Alvo fixado…]
[Atributos:
Força: 25
Velocidade: 36
Resistência: 27
Inteligência: 18]
[Para melhor compreensão dos atributos, hospedeiro: cada ponto de Força permite que uma pessoa levante dez quilos usando o corpo inteiro. Cada ponto de Velocidade equivale a aproximadamente 2 km/h. Resistência abrange fôlego, defesa e tolerância, exigindo métodos variados de treinamento para melhorar com o tempo. Inteligência governa reflexos, sentidos e a capacidade de manipular Gênese. Para perceber um oponente com clareza, sua Inteligência precisa ser pelo menos metade da Velocidade dele.]
[O alvo diante do hospedeiro possui um equilíbrio quase perfeito entre Velocidade e Inteligência. Inteligência excessiva pode se tornar um obstáculo em combates de ritmo acelerado, enquanto Velocidade além do próprio controle cria um descompasso entre o comando mental e a execução física.]
[Para examinar as habilidades ligadas à Gênese do alvo, é necessário que ele as use em combate, hospedeiro.]
Ficar parado no meio de um shopping, com uma enorme tela do sistema surgindo de repente diante de seus olhos… sim, provavelmente parecia que ele tinha se desligado enquanto encarava o nada.
Mas aquilo deixou as coisas mais claras.
Então… o peso máximo que consigo levantar é cem quilos?
[Sim, hospedeiro. Sem o auxílio da Gênese, você consegue levantar cem quilos confortavelmente.]
Kyle ficou em silêncio, digerindo a informação.
Quem imaginaria que aquela suposta princesa conseguiria levantar cerca de duzentos e cinquenta quilos? Ela devia ser um monstro completo na academia.
— Por que está me encarando? Você me conhece?
A voz de Layena o tirou de seus pensamentos. Ela claramente havia notado seu olhar demorando um pouco demais.
Kyle abriu um sorriso torto.
— Estamos no mesmo ano, Layena.
Ela franziu levemente a testa, então sua expressão mudou.
— Certo… o cara da Amanda.
Kyle soltou uma risada baixa. Eles já tinham conversado algumas vezes na universidade, mas ela ainda se lembrava dele por outra pessoa. Bem, não importava.
Ele nem se deu ao trabalho de responder e simplesmente se afastou.
Layena estreitou os olhos para as costas dele, irritada. Por outro lado, ela também não era exatamente educada.
No fim, deixou para lá e continuou comprando.
— Ah—
Uma careta de dor escapou dela quando algo atingiu sua lateral, bem onde havia sido ferida.
Seu olhar baixou imediatamente, a irritação surgindo—
Só para vacilar no instante seguinte.
Um menininho estava parado ali, congelado, o rosto pálido de medo.
— E-eu…
— Nigel! Quantas vezes eu já disse para você não sair correndo desse jeito?
A mãe do garoto veio às pressas, a voz afiada enquanto o segurava. Então se virou rapidamente para Layena e se curvou.
— Sinto muito pelo que ele fez.
Layena balançou a cabeça.
— Não, tudo bem.
Na verdade, ela mal conseguia se segurar para não morder o lábio. A dor era mais aguda do que esperava.
Assim que os dois se afastaram, ela levou lentamente a mão por baixo da camisa.
Exatamente como ela temia.
A ferida havia começado a sangrar de novo.
Ela olhou ao redor.
O banheiro ficava longe demais, e a camisa que usava era fina e clara. Se o sangue atravessasse o tecido, as pessoas perceberiam. Isso só chamaria atenção desnecessária.
Seus olhos se moveram para o lado, encontrando um provador logo depois da esquina.
Sem desperdiçar um segundo, ela foi até lá e se trancou dentro.
— Aquele… maldito majin.
Ela praguejou baixo enquanto tirava a camisa com cuidado e olhava para o próprio reflexo.
As bandagens estavam completamente encharcadas. Se não cuidasse daquilo agora, a ferida pioraria.
Devo ligar para alguém pedindo ajuda?
Ela odiava depender dos outros, mas a situação estava ficando séria.
Então—
Toc
Um som seco ecoou na porta.
Seu olhar endureceu.
— Quem é?
— Olhe para cima.
Os olhos dela se estreitaram ao reconhecer a voz familiar, mas, por instinto, fez o que ele mandou.
Uma sacola plástica foi jogada por cima da porta.
Ela ergueu a mão e a pegou no ar.
Dentro… havia suprimentos médicos. Bandagens, antisséptico…
Seus olhos se arregalaram.
Ele… a viu sangrando?
Ela abriu a porta rapidamente e se inclinou para fora.
— Ei.
Chamou por ele, avistando sua figura se afastando.
O rapaz de cabelos escuros olhou por cima do ombro.
— Qual… é o seu nome? — Layena perguntou.
Um leve sorriso tocou os lábios dele.
— Kyle. Espero que se lembre na próxima vez que nos encontrarmos.
— Kyle… Kyle… Kyle… — ela repetiu baixinho, como se gravasse o nome na memória. — Vou me certificar disso. E… obrigada.
Kyle não respondeu. Apenas se virou e foi embora.
Ele tinha treino para fazer.