
Capítulo 60
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Depois de vestir uma camisa, Kyle abriu a porta e ficou paralisado por um instante, surpreso com as duas figuras marcantes do lado de fora.
À esquerda estava seu irmão, de óculos e vestindo um terno de três peças em tom vinho. Ao lado dele estava a mulher que Kyle reconheceu de alguns dias antes, quando a vira chorando ao lado de seu irmão. Ela usava um vestido do mesmo tom que o traje de seu parceiro.
Seus belos cabelos estavam presos em um coque alto, mantido no lugar por um prendedor de madeira, e um toque de maquiagem realçava seus traços naturais o bastante para fazê-lo assentir discretamente, em aprovação.
— Você está muito bonita, Corella.
A mulher sorriu de leve, os olhos se curvando suavemente.
— Obrigada, Kyle.
Kyle deu um passo para o lado, convidando-os a entrar.
Blake estreitou os olhos enquanto observava o lugar. Parecia que seu aviso havia funcionado. Seu irmão, normalmente descuidado, de fato tirara algum tempo para limpar a casa.
— Hmm, ainda dá para fazer uma limpeza mais profunda — Blake comentou, passando um dedo sobre a mesa e encontrando uma fina camada de poeira.
Kyle revirou os olhos.
— Ninguém vem aqui fazer inspeção, e eu mantenho o lugar limpo o suficiente para não ficar doente.
Cruzando os braços, acrescentou:
— Esquece isso. Me diga, por que fez Corella chorar tanto?
Corella pareceu pega de surpresa e olhou para Blake antes de perguntar:
— Meus olhos estão muito inchados?
Kyle balançou a cabeça.
— Não, mas as marcas vermelhas ainda estão aí. Imagino que você só tenha ficado feliz demais por vê-lo acordado e vivo?
A garota lançou outro olhar furtivo para Blake antes de abrir um sorriso tímido e desviar o rosto.
Blake tossiu de leve antes de perguntar:
— Enfim, por que você não foi às aulas hoje?
Kyle ergueu uma sobrancelha.
— Como você sabe disso?
— Mãe — ele respondeu de forma curta, puxando uma cadeira para Corella.
Ela ofereceu um sorriso agradecido antes de se sentar.
Kyle suspirou, resignado. Será que ela realmente ligava para os professores dele para verificar sua presença regularmente?
Quem controlava os filhos desse jeito nessa idade?
— Eu estava cansado demais para me mexer — Kyle respondeu.
O amargor em sua voz não passou despercebido por Blake.
O irmão mais velho cruzou os braços.
— Kyle, se você não quer que a gente se meta na sua vida, então faça algo para nos mostrar que consegue sobreviver sozinho, mesmo se pararmos de monitorar você.
Kyle permaneceu em silêncio.
Ele não se considerava imprudente nem irresponsável, mas Blake também não estava errado. De que adiantava não ser um filhinho mimado se não conseguia tirar boas notas nas provas nem ganhar a própria vida?
Precisava encontrar uma forma de ganhar dinheiro logo. No mínimo, isso lhe daria a liberdade que perseguira a vida inteira.
— Eu entendo — ele disse por fim.
Blake conseguia perceber que seu irmão havia mudado recentemente, e aquela resposta era prova suficiente.
Talvez algo bom tivesse saído de seu acidente, afinal.
— Aonde vocês dois estão indo? — Kyle perguntou. — Digo, não consigo imaginar você chamando Corella para um encontro.
Blake o fuzilou com o olhar, enquanto Corella soltou uma risadinha tímida.
— É uma reunião de família. Blake concordou em me acompanhar.
Kyle inclinou a cabeça.
— Reunião de família, hein…
Será que tinha algo a ver com o Mundo Etéreo? Afinal, os dois eram caminhantes noturnos. Mas, é claro, ele não podia perguntar aquilo em voz alta.
Depois de conversarem por um tempo, Blake disse:
— Corella, pode esperar no carro? Já vou descer.
Ela balançou a cabeça com delicadeza e se levantou com um sorriso suave.
Caminhando até Kyle, deu-lhe um abraço leve e sussurrou:
— Não ligue para as palavras dele. Ele só está muito preocupado com você.
Kyle riu internamente. Ela já tinha adivinhado do que se tratava.
Corella não demorou e logo saiu, deixando os dois irmãos sozinhos.
Assim que a porta se fechou, Blake soltou um suspiro baixo. Enfiou a mão no bolso e tirou algo de lá.
— Aqui, pegue.
Ele estendeu um cartão prateado, fazendo Kyle perguntar:
— O que é isso?
— Tem cerca de cinco mil lumir nele. Deve ser o suficiente para a viagem.
Kyle ergueu uma sobrancelha.
— Você lembrou disso?
Então balançou a cabeça.
— Não preciso. Economizei o bastante para cobrir algumas despesas básicas.
Blake estalou a língua, colocou o cartão sobre a mesa e disse:
— Você representa a família Astortia. Não posso deixar você parecer medíocre e comprar refeições baratas.
Kyle revirou os olhos.
— Tanto faz.
Pouco antes de sair, Blake parou na soleira da porta e disse:
— E… durante a viagem, se acabar preso em alguma situação, me ligue.
E, com isso, foi embora.
Dessa vez, Kyle riu do quão ridículo aquele cara podia ser de vez em quando.
Blake simplesmente não conseguia ser honesto com os próprios sentimentos, e Kyle normalmente não apontava isso, sabendo o quanto aquela conversa seria inútil.
Mas era um fato que, em sua família, se havia alguém que não tentava forçá-lo a ser um prodígio e cuidava dele sem esperar nada em troca, esse alguém era Blake.
Pegando o cartão, Kyle murmurou:
— Se você continuar gastando comigo desse jeito, como eu vou aprender a importância de ganhar meu próprio dinheiro?
Depois de sair da casa, Blake voltou para o carro, onde Corella já o esperava.
— Como foi? — ela perguntou enquanto ele colocava o cinto de segurança.
— O quê? — Blake respondeu, lançando-lhe um breve olhar.
Corella sorriu de leve.
— Você está preocupado com essa viagem. Foi por isso que pediu à universidade dele para cancelá-la um mês atrás. Claro, você nunca conseguiria dizer isso diretamente para ele… mas se importa muito com Kyle, não é?
Blake balançou a cabeça, o tom seco.
— Você fala demais.
Corella riu baixinho, claramente divertida.
— Dá para perceber que Kyle respeita você. Ele também se importa com você, mesmo que não demonstre direito. Ah… eu queria ter um irmão assim. Tudo que recebi da minha família foram problemas e responsabilidades.
Blake virou o volante, guiando o carro suavemente para a estrada.
— Você é a herdeira principal da família secundária mais forte de Fortis. É natural que carregue esse fardo.
Corella soltou um gemido suave, afundando um pouco no banco.
— Quando você fala desse jeito, parece ainda mais pesado.
Por um momento, o silêncio se instalou entre eles, preenchido apenas pelo ronco baixo do motor e pela paisagem passando lá fora.
Então ela voltou a falar, dessa vez com um tom mais cuidadoso.
— Blake… tudo bem mesmo você aparecer nessa reunião dos clãs? Eu não me importo, claro, mas você disse que havia alguém entre eles conspirando contra você.
Os olhos de Blake se estreitaram levemente, um brilho afiado passando por eles antes que ele assentisse de leve.
— Sim, tenho certeza.
Seus dedos bateram de leve no volante enquanto seu olhar permanecia fixo na estrada à frente.
— Esconder-me é a forma mais segura de ajudá-los por enquanto — ele continuou. — Se eu ficar fora de vista, eles permanecem adormecidos. Mas, no momento em que eu aparecer… serão forçados a agir.
Corella virou a cabeça, observando-o atentamente.
— E isso — Blake acrescentou, um leve sorriso surgindo em seus lábios — cria uma abertura que eu posso usar.
Havia uma confiança silenciosa em sua voz, uma que fez até Corella corar um pouco.
Depois de uma breve pausa, ele falou outra vez, com o sorriso se aprofundando só um pouco.
— Além disso… há alguém que preciso agradecer naquela reunião.