
Capítulo 55
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Com o tempo, você vai entender.
Essa foi a resposta de Aleda quando Kyle perguntou como poderia escolher as duas opções.
Ele não teve chance de perguntar mais nada. A mulher o apressou, empurrando-o para a próxima fase do treinamento: a primeira interação consciente com a Gênese.
— Você deixou o controle do Olho de Deus a cargo do seu auxiliar, não deixou? — Aleda perguntou.
Kyle assentiu.
O motivo era óbvio para ela. O controle dele sobre a Gênese era terrível.
— Deixe-me perguntar uma coisa, Kyle. — Ela se virou para ele, de braços cruzados. — Qual é a sua percepção da Gênese até agora? Como você a enxerga?
Kyle parou, pensou por um momento e respondeu com sinceridade:
— Como uma arma? Digo, ela me ajuda a lutar contra habitantes de Knull.
Aleda suspirou.
— Essa resposta me decepciona. Pense de novo. Considere tudo o que seu poder lhe deu.
Kyle foi obrigado a pensar com mais profundidade. Como ela havia dito, o Olho de Deus não era útil apenas em batalha. Depois de um breve silêncio, ele falou de novo:
— Hmm… talvez como uma função? O Olho de Deus me ajuda a acompanhar o que acontece ao meu redor.
Aleda pressionou os dedos contra a testa.
— Você está confundindo a Gênese com a sua bênção, cadete. Sua Gênese não é tão limitada.
Kyle murmurou, pensativo:
— Então… ela é combustível? Algo que alimenta minhas habilidades?
Aleda soltou outro suspiro baixo antes de finalmente revelar a verdade.
— Ela é parte de você. Não uma função, não apenas combustível. Assim como seus braços ou seu cérebro, ela existe dentro de você e funciona como qualquer outro órgão. Então, antes de tudo, pare de tratá-la como algo separado.
Kyle assentiu devagar.
Certo… ele era um desperto agora. Precisava aceitar isso.
Então ela continuou:
— Você percebe que o método que está usando agora é parecido com arquearia?
Kyle esperou em silêncio.
— Quando treinava arquearia, sua mira melhorava naturalmente, não melhorava? Neste momento, usar o Olho de Deus deveria funcionar da mesma forma.
As sobrancelhas de Kyle se ergueram.
— Então não é assim que eu vou aprender a mirar?
Por mirar, ele queria dizer usar a Gênese corretamente.
Mas havia uma falha no entendimento dele.
— Você consegue mesmo aprender a mirar se seu professor fica ajustando sua postura e corrigindo a direção da sua flecha o tempo todo?
Kyle ficou em silêncio.
Com a assistência do sistema, aquilo parecia menos um aprendizado e mais um jogo: apertar botões e deixar a habilidade agir sozinha.
Aleda se aproximou.
— Deixe-me mostrar como melhorar sua mira por conta própria.
Ela fez uma pausa e então disse:
— Estenda a mão.
Kyle piscou antes de erguer a mão esquerda.
Aleda a segurou com delicadeza. Seus dedos macios envolveram os dele, mas não foi o toque em si que prendeu sua atenção.
— O que é… isso? — ele murmurou.
Uma sensação quente e formigante se espalhou por sua mão, cheia, viva e quase esmagadora.
Era como se ele estivesse sendo massageado por algo divino, muito além de qualquer coisa criada por mãos humanas.
Era… reconfortante demais para querer soltar.
— Sente isso? Esta é a minha Gênese. Quanto mais controle alguém ganha sobre a própria Gênese, mais suave e natural ela se torna.
Kyle abriu um sorriso torto.
— Já consigo imaginar a minha arranhando como uma lixa.
Não era que ele tivesse pouco controle. Ele simplesmente ainda não tinha nenhum.
— Por que não descobrimos? — ela disse.
Aleda ergueu a outra mão. No mesmo instante, os dedos se contorceram e se transformaram em garras grotescas e corrompidas. O calor que envolvia Kyle desapareceu, devorado pela energia fria que irradiava daquele membro transformado.
Kyle enrijeceu.
— Que diabos…
— Vamos, toque — ela disse em tom provocador. — Não se preocupe, eu não mordo.
Ele não riu.
Em vez disso, olhou para ela com cautela evidente.
O que exatamente era aquela mulher?
Ainda assim, Kyle ergueu a mão devagar e a estendeu na direção da garra.
No momento em que se aproximou, a aura fria e sufocante que escorria daquela mão inumana encontrou outra coisa.
Calor.
Ele brotou da própria pele de Kyle, empurrando o frio para trás.
Os olhos dele se arregalaram.
Ele conseguia ver.
Uma fina camada dourada cintilava sobre sua mão, calma, silenciosa, mas firmemente protetora.
Kyle a encarou, maravilhado, antes de perguntar:
Você não está me ajudando, está?
[Não, hospedeiro. Você está por conta própria.]
Aleda falou com um leve sorriso nos lábios:
— Esse é o seu Membro Dourado em ação. Ele sente que você está se aproximando da Ausência sem perceber o perigo, então ergue uma barreira protetora para manter o equilíbrio.
De alguma forma, Kyle começou a gostar do Membro Dourado, atraído pela forma instintiva e incansável com que ele se movia para protegê-lo.
— E pronto… aí está. — A mão de Aleda voltou ao normal de repente.
Kyle soltou um suspiro baixo de decepção quando o calor desapareceu junto com ela.
— Agora sei exatamente como treinar você — ela disse. — Fazer você se acostumar com essa sensação não vai levar muito tempo. Então, vamos começar.
Ela colocou a mão no ombro dele.
No instante seguinte, o mundo ao redor mudou.
A transição durou apenas um instante.
— Hã? O quê? — Kyle ofegou.
Ele se viu de pé em um ambiente cinzento.
Não… desta vez, aquilo realmente parecia uma caixa.
Conseguia ver as paredes com clareza, junto das arestas marcadas onde elas se encontravam, enclausurando-o dentro de um lugar confinado e artificial.
Foi então que—
— Gaaah! — ele gritou em agonia.
Seu corpo desabou de joelhos quando uma força esmagadora caiu sobre seus ombros, fazendo sua visão embaçar e escurecer.
Kyle cerrou os dentes e suportou.
Aos poucos, a dor começou a diminuir, como se algo o cobrisse por cima, protegendo-o daquela pressão avassaladora.
A voz de Aleda ecoou pelo espaço.
— É assim que alguém se sente ao ficar em uma sala cheia de habitantes de Knull de alto grau. A Ausência aqui poderia ter despedaçado você se não fosse pelo seu Membro Dourado.
Kyle soltou uma risada tensa.
— Você tem um jeito bem extremo de testar o Membro Dourado, não tem?
Aleda murmurou, com uma nota brincalhona na voz:
— Bem, você precisava de um curso intensivo. Então aqui está.
Kyle gemeu.
A pressão havia diminuído desde o impacto inicial, mas ainda pesava muito sobre ele. Era como sustentar uma barra carregada sobre os ombros, preso em um agachamento do qual não conseguia escapar.
E, como se aquilo não bastasse—
Grrr…
Uma fera surgiu à distância.
Parecia um cão de caça, mas sua forma era distorcida e antinatural, e seus olhos vermelhos brilhavam com intenção assassina.
Kyle a encarou por um segundo antes de murmurar:
— Ah, que merda de vida.