
Capítulo 53
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Não acredito que estou fazendo isso de novo — Kyle murmurou para si mesmo, parado no meio do espaço vazio, sem nenhum sinal de Aleda.
Por que ele estava fazendo aquilo? Bem, ela tinha outro teste para realizar e, para isso, disse que voltaria em instantes.
Aproveitando o tempo que tinha, ele perguntou ao sistema:
— Existe alguma forma de eu me conectar com meus espectadores através de você? Digo, quando eu estiver na viagem da faculdade, não vou poder levar meu computador comigo.
[De fato, há uma forma, hospedeiro. No entanto, para desbloquear essa função, o sistema precisaria obter permissão de todos os seus espectadores. E, antes que o hospedeiro pergunte por que eles não fariam isso, além da escolha pessoal, também é necessário considerar o risco envolvido nessa ação.]
Kyle murmurou, pensativo:
— Consequências de quê? De eles me assistirem por você, ou de eu ler os comentários deles?
[Hospedeiro, quanto mais interferências eles realizam, maior é a interação com você. Quanto maior a interação, mais atenção você atrairá do lado sombrio.]
Kyle soltou um suspiro pesado.
— Então sugira uma forma. Não quero deixá-los tristes desaparecendo por alguns dias durante a viagem.
[A intenção é apreciada e foi transmitida, hospedeiro. Fique tranquilo, uma decisão será tomada até amanhã de manhã.]
Kyle assentiu, entendendo. Ele estava prestes a perguntar quando Aleda voltaria quando—
CLANG.
— Ai…
Algo atingiu sua cabeça. Não chegou exatamente a doer, mas ele sentiu claramente o impacto.
Ele se virou e, de fato, um pedaço de sucata metálica rolava por perto, claramente arremessado contra ele.
— Maravilhoso! — uma voz ressoou na direção de onde o objeto havia vindo.
Sistema… se bem me lembro, você garantiu que ela era confiável, Kyle murmurou internamente, esfregando a nuca.
— Você realmente superou minhas expectativas, garoto. Ah, estou tão encantada por ter um aluno excepcional depois de tanto tempo — ela cantarolou, como se Kyle fosse o pagamento que havia recebido depois de meses presa a um expediente das nove às cinco.
— Se já terminou de comemorar a própria descoberta, se importaria de me dizer o que exatamente há de diferente em mim?
Não, ele não duvidava que era diferente. Mas o que exatamente ele era, e como poderia controlar a forma como usava Gênese, era o que mais importava para Kyle.
— Hmm, vamos ver. Tenho algumas explicações a oferecer.
Ela fez um gesto na direção de algo.
Kyle se virou e encontrou uma cadeira de metal posicionada ali.
Ele se sentou sem dizer nada.
Um quadro verde apareceu, flutuando no espaço vazio, e a mulher assumiu o papel de professora.
O jaleco não combinava exatamente com a atmosfera, mas tanto fazia.
— Certo. Gênese. Se falarmos da Gênese apenas como combustível, então ela pode fazer algumas coisas:
Curar.
Ampliar.
Acelerar.
Fortalecer.
E agir em autodefesa.
Ela concluiu.
Virando-se para Kyle, acrescentou:
— No entanto, nem todos os humanos conseguem usar Gênese bruta como combustível. São poucos, e hoje em dia eles se chamam de… hum…
— Grau especial? — Kyle completou.
— Isso. Grau especial. Essas pessoas desbloquearam uma forma de usar Gênese bruta como fonte para uma das funções que eu listei. No entanto, ninguém realmente depende disso quando a situação exige foco em sua habilidade principal.
Ela soltou uma risadinha.
— Quero dizer, você não exibiria suas habilidades com faca diante de um assaltante. Você usaria a faca para esfaqueá-lo, não usaria?
Kyle não disse nada e apenas esperou que o assunto chegasse até ele.
Aleda não o fez esperar por muito tempo.
— Você, por outro lado…
Ela virou o quadro, e dois diagramas já estavam esperando por ele.
Um era parecido com o holograma que ele havia visto antes, mostrando um cérebro conectado a nervos que se espalhavam pelo corpo e alcançavam todos os órgãos internos. O outro retratava um coração dourado com incontáveis nervos dourados, como se um ser inteiro tivesse sido formado por aqueles fios.
— Os dois residem dentro de você — Aleda explicou. — Este fica ativo quando você não está usando suas habilidades.
Ela apontou para o diagrama humano à esquerda.
— E este desperta quando você as usa.
Seu dedo pressionou a estrutura dourada.
Kyle franziu a testa, confuso.
— Então está dizendo que eu tenho uma estrutura separada para a Gênese, que desperta quando escolho usá-la?
Aleda balançou a mão de um lado para o outro.
— Você está meio certo. Deixe-me explicar melhor.
Ela jogou o marcador para o lado, bateu as mãos uma na outra para tirar a poeira e continuou:
— Seu corpo tem dois sistemas nervosos, sim, mas ambos fazem parte de você. Quando usa Gênese, o outro entrega o controle a você. Isso significa que esse sistema dourado está sob o seu comando. E, quando isso acontece, você ganha controle total sobre uma quantidade imensa de Gênese.
Agora aquilo começava a fazer mais sentido para ele.
Uma quantidade absurda de poder, colocada inteiramente em suas mãos sempre que usava aqueles dons.
Aleda acrescentou:
— É por isso que você sequer conseguiu arranhar a superfície do que possui. Você não tem uma medida para saber quanta água é necessária para nutrir as plantações. Por isso acaba inundando o campo todas as vezes. Você tem os recursos, mas não o método adequado para distribuí-los. Estou certa, senhor Kyle?
Kyle assentiu.
— Está certa.
Não havia vergonha em aceitar seus erros. Afinal, todo aquele conceito, a própria ideia de Gênese, ainda era algo estranho para ele até dez dias atrás.
Mas ele não usaria isso como desculpa para se acomodar. Não se daria por satisfeito até encontrar ao menos uma forma de parar de virar uma bomba de Gênese toda vez que usasse suas habilidades.
E, para isso—
— Por favor, me ensine a melhorar nisso. Não, não só a melhorar. Me ensine a controlar a Gênese de verdade, porque acredito que você já sabe o quanto eu sou perdido nesse assunto.
A mulher sorriu e cruzou os braços sobre o peito.
— Um aluno curioso e desesperado é sempre bem-vindo. Vamos começar a aula agora.