Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 52

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Kyle se sentou devagar na cama e inclinou a cabeça.

— Sistema?

Mesmo enquanto falava, algo parecia estranho. Aquilo não era o sistema de sempre. A voz era diferente, e até a caixa de notificação tinha uma tonalidade ligeiramente diferente.

[Eu não sou o seu sistema habitual, mas uma observadora. Recebi a função de ajudá-lo a se adaptar à sua nova condição.]

Kyle piscou, surpreso.

— Por quem?

[Por alguém entre seus espectadores diários. Você poderá perguntar diretamente quando interagir com eles. Por enquanto, por favor, diga se está no meio de algo urgente.]

Kyle se recostou um pouco antes de perguntar:

— Onde está o meu sistema?

[Estou bem aqui, hospedeiro!]

A familiar caixa dourada e preta apareceu, junto com a voz que ele reconhecia.

Kyle soltou um suspiro baixo de alívio.

— Sistema… isso é legítimo?

[De fato, é, hospedeiro. Seu espectador WarHorse a designou para ajudá-lo a treinar o uso da Gênese de maneira mais eficiente.]

Kyle cruzou os braços. Então tinha sido WarHorse.

Fazia sentido. Até ele sabia que, no momento, tinha pouco ou nenhum controle sobre a Gênese. Na maior parte das vezes, ela só era ativada por acidente e, sempre que isso acontecia, algo inevitavelmente dava errado.

Kyle desviou o olhar para o relógio. Eram apenas três da tarde. Ele não tinha nada para fazer.

Então…

— Sim, estou livre.

[Iniciando transferência…]

O mundo mudou diante de seus olhos.

No breve instante em que se levantava da cama, antes mesmo de apoiar os pés no chão, seu quarto desapareceu por completo.

— Hã?

Uma exclamação baixa escapou de seus lábios quando ele se viu de pé em um espaço vazio.

Um silêncio absoluto o cercava, como se ele tivesse sido colocado dentro de uma caixa lacrada, com uma tampa pesada pressionando tudo ao redor.

— Alô? — ele chamou.

Sua voz não ecoou.

— Hmm.

Ao ouvir o leve murmúrio, Kyle se virou imediatamente na direção da fonte.

Uma mulher estava ali. Os cabelos verde-escuros repousavam sobre um ombro, óculos redondos emolduravam seus olhos dourados, e uma leve ruga de concentração marcava sua testa.

Era uma mulher inegavelmente bonita, vestida com um traje justo e um jaleco apoiado sobre os ombros.

— Com licença? Foi você quem me trouxe para cá? — Kyle perguntou, cauteloso, mantendo uma distância calculada.

Nesse momento, o sistema o notificou:

[Não se preocupe, hospedeiro. Essa pessoa é confiável.]

Kyle abriu um sorriso torto. Certo. Arrastá-lo para ali sem aviso não era exatamente a melhor maneira de construir confiança. Ainda assim, decidiu não discutir e voltou a se dirigir a ela.

— Com licença, senhorita…

— Pode me chamar de Aleda — ela disse, finalmente erguendo os olhos do que parecia ser um bloco de notas.

Kyle não tinha certeza absoluta do que era.

— Você tem um corpo muito interessante, Kyle — ela disse, estudando-o como se enxergasse além de seu rosto.

Ele não fazia ideia do que exatamente ela estava observando.

— O que quer dizer? — ele perguntou, erguendo as sobrancelhas.

A mulher levantou a mão e, no mesmo instante, uma projeção apareceu. Era um corpo humano, sem carne nem pele.

Uma vasta rede se revelou. Nervos, órgãos internos, cérebro e, entre tudo aquilo, as veias etéreas.

— Este é o corpo de um desperto normal — ela explicou. — Como pode ver, o cérebro, responsável por coordenar a Gênese, se adapta gradualmente para controlar as veias etéreas e os Circuitos Arcanos.

Ela apontou para vários nós arredondados dentro do holograma, junto das veias douradas que se espalhavam pelo corpo como um segundo sistema nervoso.

— O produtor, o regulador e o executor. Os três trabalham em perfeita harmonia para formar um desperto. Sem necessidade de cálculos conscientes, a pessoa consegue usar Gênese para ativar habilidades, reforçar o corpo e muito mais.

Kyle assentiu devagar, absorvendo as palavras dela. Era a primeira vez que via o funcionamento interno da Gênese ser explicado com tanta profundidade.

Aleda acrescentou:

— Isso só acontece quando alguém desperta o núcleo ainda jovem e recebe tempo para se adaptar. Mas você… é diferente.

Kyle não ficou surpreso. Graças a One-eyed, ele havia sido despertado à força, sem passar pelo processo comum. A menos que usasse suas habilidades ativamente, não era diferente de um humano comum.

Aleda murmurou baixinho e voltou a inspecioná-lo da cabeça aos pés.

Kyle se sentiu um pouco desconfortável sob aquele olhar intenso, mas permaneceu calado e deixou que ela o observasse.

— Certo, tenho uma teoria para testar. Vai me ajudar?

Kyle assentiu.

— Sim, claro.

Aleda ergueu a mão direita. O bloco de notas desapareceu, substituído por um arco simples de madeira e uma flecha.

Ela os entregou a Kyle.

— Vou ficar ali. Atire uma flecha em mim com toda a sua força. Mire em qualquer lugar abaixo do pescoço.

Kyle ficou paralisado por um instante.

— Mas você vai se machucar.

Ele tinha confiança suficiente na própria mira para saber que, se quisesse acertar, o disparo acertaria.

Especialmente com aquela arma.

Aleda abriu um sorriso discreto.

— Não se preocupe, querido. Nenhum de nós está fisicamente presente aqui. Apenas nossas consciências existem neste espaço, então você não precisa se preocupar em me matar.

Kyle piscou, surpreso. Então não estava fisicamente ali? Aquilo era… estranho. Interessante, mas estranho.

Aleda se afastou até ficar a cerca de dez metros dele.

— Certo, pode ir. Atire.

Kyle respirou fundo e encaixou a flecha.

Sistema… isso é seguro?

[Sim, hospedeiro. Aleda é extremamente confiável quando o assunto é orientação. Siga as instruções dela.]

Kyle soltou o ar devagar e puxou a corda. O arco de madeira se curvou sob a tensão, a flecha esticada até o limite. Um leve tremor percorreu sua estrutura.

Ele fechou o olho esquerdo.

Um suspiro escapou.

Ele soltou.

SWISH.

SNAP.

Os olhos de Kyle se arregalaram.

Seu corpo se moveu sem aviso e, no instante seguinte—

Choc.

Algo perfurou a região logo abaixo de seu ombro direito.

Ele olhou para baixo.

Era a mesma flecha que acabara de disparar.

Aleda agora estava parada no lugar onde ele estivera um momento antes.

Ela me passou para trás… Kyle gemeu, segurando a flecha cravada em sua carne.

Aleda caminhou até ele.

— Quer ajuda para tirar?

Kyle apertou a mandíbula.

— Que tipo de piada doentia é essa— agh!

Ele arrancou a flecha, e uma sensação aguda de queimação rasgou o ferimento.

Aleda inclinou a cabeça.

— Você esperava que fosse tranquilo e indolor?

Kyle estalou a língua.

— Não, mas você poderia pelo menos ter me avisado antes de mudar as coisas desse jeito.

Ela deu de ombros.

— Se eu tivesse contado, isso não teria acontecido.

Kyle franziu a testa, seguindo o olhar dela.

No momento em que seus olhos pousaram em seu ombro, eles se arregalaram.

A ferida já estava cicatrizando. Rapidamente.

Aleda sorriu.

— Exatamente como eu pensei… você despertou um corpo muito interessante, Kyle.

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