
Capítulo 39
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Kyle estava ligeiramente constrangido naquele momento.
Dentro do próprio quarto, ele estava sentado na cama, praticamente nu. Uma mulher extremamente bonita estava ajoelhada diante dele, limpando seu ferimento com cuidado e precisão.
A pele do joelho havia sido quase arrancada, deixando o tecido interno à mostra.
Sinceramente, se qualquer garota comum visse aquilo, teria coberto os olhos na mesma hora.
Mas não aquela mulher.
Sim, ela estava claramente preocupada com ele, mas também sabia que ficar sentada se lamentando não resolveria nada.
Veronica havia prendido o cabelo em um coque improvisado para que não atrapalhasse seu trabalho. Porém, por causa da pressa, alguns fios prateados rebeldes haviam caído sobre sua testa, dando a ela um encanto do qual Kyle mal conseguia desviar o olhar.
Seus lábios estavam levemente entreabertos enquanto soprava sobre o ferimento sempre que aplicava o antisséptico.
Mais abaixo, a camisa branca realçava suas curvas de um jeito perigoso, especialmente quando ela se inclinava daquele jeito.
Kyle precisou ocupar a mente com outra coisa, então perguntou:
— Hm… aliás, o quanto você conhece meu irmão?
Veronica murmurou e ergueu os olhos.
— Blake? Nós nos encontramos algumas vezes durante conferências. Temos algumas ao longo do ano, onde todos os caminhantes noturnos de alto escalão se reúnem para compartilhar dados e informações importantes sobre quaisquer mudanças recentes que tenham encontrado.
Kyle assentiu.
— Meu irmão é um oficial de alto escalão?
Ele havia ouvido do sistema que Blake era um caminhante noturno forte, mas ainda não conhecia toda a estrutura de classificação.
Veronica explicou com calma:
— Existem cinco grandes graus entre nós, começando pelos aprendizes, que também são considerados de grau comum. Normalmente, enviamos esses agentes para limpar áreas depois de batalhas ou eliminar grandes concentrações de pesadelos em uma região.
Ela fez uma pausa e jogou o algodão ensanguentado no lixo antes de pegar outro, borrifar antisséptico nele e aproximá-lo do joelho ferido de Kyle.
Kyle mal conseguiu impedir um chiado de dor quando o ardor veio, enquanto Veronica continuava:
— Depois vêm os de grau dois, aqueles que possuem habilidade e experiência para lutar contra majins ou habitantes de Knull da mesma faixa.
— Faixa… como assim? — Kyle perguntou, confuso.
— Bem, majin não é o nome de um único monstro, mas de uma classe inteira de criaturas combatentes. Eles não possuem uma habilidade especial como os seres acima deles, mas são muito mais fortes que pesadelos e também podem se unir a outros majins para encurralar alguém.
Kyle assentiu em compreensão.
Como ela havia dito, os monstros que enfrentou antes da chegada do carniçal tinham inteligência de combate suficiente para quase fazê-lo recuar. Felizmente, não haviam aparecido ao mesmo tempo, ou as coisas teriam ficado feias muito antes.
— Depois vêm os de grau um, como a garota que você enganou naquele dia. Embora não seja um fato comprovado, geralmente se acredita que são necessários cinco caminhantes noturnos de grau dois para derrotar um de grau um. E um grau um consegue enfrentar um habitante de Knull no nível de um carniçal.
Kyle murmurou em reconhecimento.
Layena era uma caminhante noturna forte.
Não havia dúvida quanto a isso.
Quando ela derrotou um carniçal, pareceu quase como se aquela criatura fosse tão fraca quanto um majin. No entanto, quando Kyle enfrentou um sozinho, sendo marcado diretamente por ele, percebeu o quanto Layena havia lidado com aquela batalha com calma e o quanto havia dominado o campo com facilidade.
— Depois vêm pessoas como eu e seu irmão. Somos considerados de grau especial. Ficamos acima dos graus comuns não apenas por causa de nossas habilidades e experiência, mas também porque conseguimos usar isto.
Ela estalou os dedos de repente, e uma luz azul envolveu sua mão.
— Uau… o que é isso?
Kyle conseguia perceber que era Gênese, mas a forma como ela a manipulava com tanta naturalidade e controle o deixou surpreso.
— Isso se chama Centelha. É a manifestação física da Gênese, capaz de transformar alguém em um veneno ambulante para habitantes de Knull.
Ela se levantou e mandou que ele se deitasse.
Empolgado, Kyle nem perguntou o motivo e simplesmente obedeceu.
Veronica se inclinou por cima dele, fazendo a respiração de Kyle falhar, e começou a limpar o ferimento no ombro dele.
Kyle poderia ter pensado que ela estava completamente imune à intimidade entre os dois, se seus olhos não tivessem notado a leve vermelhidão tingindo a ponta das orelhas dela.
Ela pigarreou e murmurou:
— Isso só pode ser alcançado quando você possui domínio absoluto sobre a própria Gênese. E então vêm os Arcontes…
Kyle mal conseguia prestar atenção ao que ela dizia, considerando o quão próximos estavam.
O perfume suave dela invadia seus sentidos, envolvendo-o com sua presença.
Veronica olhou para baixo, o coração batendo forte e rápido enquanto perguntava em um sussurro baixo:
— Você está ouvindo?
Kyle respirou fundo e disse:
— Veronica… isso está ficando perigoso. Acho melhor você parar agora.
Veronica sentiu como se o coração fosse saltar para fora do peito ao ver aquele olhar intenso.
Kyle ainda controlava as próprias emoções, mas, pelo rumo que as coisas estavam tomando, sabia que tudo poderia se tornar muito constrangedor com um único erro.
Veronica, porém, não se afastou.
Em vez disso, perguntou:
— Por que isso seria um problema? Pensei que você estivesse solteiro agora.
Kyle estreitou os olhos.
— E como você sabe disso?
Veronica congelou no lugar. Desviando o olhar, gaguejou:
— I-Isso…
— Como imaginei. A mulher que ocupa uma posição tão digna, na verdade, é uma stalker nos bastidores.
As bochechas de Veronica ficaram vermelhas enquanto ela protestava, constrangida:
— Eu não estou te stalkeando… só perguntei um pouco por aí e consegui a informação facilmente.
Kyle sorriu.
— Isso não é considerado stalkear alguém?
Veronica gemeu.
— Você… está exagerando demais, ah!
Kyle a puxou de leve, fazendo-a tombar de costas na cama, e subiu por cima dela.
Os joelhos dele ficaram dos dois lados do corpo dela, e as mãos dele se apoiaram dos dois lados do rosto de Veronica enquanto ele dizia:
— Você confia demais em mim para alguém que só me conheceu anos atrás, quando eu ainda era criança. Está sendo ingênua agora, Veronica.
A mulher de cabelos prateados olhou diretamente nos olhos dele e disse:
— Você acha que eu não conseguiria me proteger se você tentasse alguma coisa comigo?
Kyle riu baixo e balançou a cabeça.
Ele ergueu a mão direita e a levou devagar até o rosto dela.
Veronica apertou os lábios e fechou os olhos.
— Não se trata de você conseguir ou não fazer alguma coisa…
Ele passou delicadamente o dedo pela têmpora dela, deixando-o deslizar pela bochecha antes de murmurar:
— A questão é… você realmente faria alguma coisa, mesmo que eu tentasse?
Veronica abriu os olhos devagar. Seu olhar normalmente severo agora estava enevoado enquanto ela murmurava:
— V-Você…
Kyle soltou um suspiro e se levantou.
Sentado na beira da cama, percebeu que seu coração também batia rápido, não apenas porque a situação havia saído do controle… mas porque, agora há pouco, o modo como ela o chamou o fez lembrar de alguém.
Ding.
Os dois estremeceram quando a campainha tocou.
Kyle olhou para Veronica antes de se levantar e se aproximar da porta.
Respirando fundo, perguntou:
— Quem é?
Uma voz hesitante respondeu:
— S-Sou eu.
Os olhos de Kyle se arregalaram.
Não havia dúvida.
Amanda.