Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 28

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


A caminho da universidade, Kyle continuou sua conversa com o sistema.

Pode me falar mais sobre aqueles habitantes de Knull? O que Layena enfrentou parecia muito mais forte. O que eu enfrentei era mais fraco, mas ainda assim conseguiu feri-la.

[Sim, hospedeiro. Sua observação está correta. Majins são mais fracos que carniçais. Não apenas em autoridade, mas até mesmo a Ausência que emitem não pode ser comparada.]

[Existem cinco tipos de habitantes de Knull:

pesadelos > majins > carniçais > maldições > podridão.]

[Aqueles acima da podridão não podem atravessar uma fenda para o plano mortal, a menos que estejam dispostos a destruir a ponte espaço-temporal e iniciar uma guerra em larga escala.

Naquela ocasião, o majin não reagiu à presença do carniçal, o que permitiu que ele acertasse um ataque surpresa.]

O sistema fez uma pausa, permitindo que a informação se assentasse.

Kyle agradeceu por isso.

Então o que exatamente os diferencia? Além de força e autoridade?

[A presença deles. E a capacidade de se manifestarem fisicamente no reino humano. Carniçais são visíveis aos olhos humanos. É por isso que os governos operam em sigilo a respeito deles.]

Kyle assentiu lentamente.

O que exatamente é uma ponte espaço-temporal?

[São conexões estruturais que ligam os dois mundos.]

Kyle franziu levemente a testa.

Então por que os governos não as destroem?

[Porque as pontes são extremamente difíceis de conquistar, hospedeiro. Guardiões celestiais do outro lado as protegem.]

Kyle soltou um murmúrio baixo.

Então, basicamente… uma dungeon de alto nível.

[Essa é uma comparação aceitável.]

[Por enquanto, o hospedeiro deve se concentrar em acumular os Pontos de Alma necessários para desbloquear a recompensa pendente.]

Kyle murmurou baixo.

Certo.

A arma que Ethara havia lhe oferecido.

Ele ainda estava se perguntando onde poderia acumular Pontos de Alma quando seus passos desaceleraram.

Perto da entrada da universidade, havia uma figura familiar.

Seu humor azedou na mesma hora.

Kyle conseguiria reconhecê-la de longe.

A mulher que um dia havia sido seu mundo. Aquela que fazia seu coração acelerar com um simples olhar.

Antes, ela havia sido sua felicidade.

Agora, quando olhava para ela, tudo o que sentia era amargura.

Ele considerou passar por ela sem lhe dar atenção alguma.

— Kyle.

Ela o chamou.

Ele soltou o ar devagar e se virou.

— O que foi?

Correr não resolveria nada. Ele ouviria, suportaria o que quer que ela tivesse a dizer e iria embora.

Amanda olhou nos olhos dele.

Não havia mais calor ali.

Nenhuma ternura.

Apenas uma distância fria.

O peito dela se apertou.

Amanda baixou o olhar, incapaz de sustentar aquele encaramento.

Seus dedos apertaram a alça da bolsa enquanto falava, com a voz instável:

— E-Eu… queria te dizer uma coisa…

Kyle permaneceu em silêncio.

Alguns estudantes já começavam a olhar na direção deles. Ele queria acabar logo com aquilo.

Mas, assim que Amanda entreabriu os lábios para continuar, seu celular vibrou.

O aparelho já estava em sua mão.

Por instinto, seus olhos desceram até a tela.

Kyle também viu o nome.

Ethan.

Amanda ergueu o olhar.

Kyle já estava se afastando.

Os dedos dela se fecharam com força ao redor do celular, os dentes rangendo.

Justo quando havia reunido coragem para falar com ele…

Ethan a havia interrompido de novo.

Seus olhos escureceram.

Sempre se metendo entre eles…

Por quê?

Por quê?

Kyle…

Ele estava tão perto…

Ela poderia falar com ele de novo…

Mas, de novo…

Ethan.

Ethan.

O celular em sua mão rachou sob a pressão dos dedos. A tela quebrada cortou sua pele, deixando linhas finas de sangue escorrerem pela palma.

Ela nem sequer estremeceu.

Aquilo não importava.

O que importava era a frustração fervente arranhando seu peito.

Ela precisava descontar em alguma coisa.

E, se Ethan aparecesse diante dela naquele momento, talvez ela simplesmente…

Uma risada fraca e instável escapou dos lábios dela.


Kyle entrou na sala de aula e imediatamente avistou a pessoa que havia lhe mandado mensagem naquela manhã.

— Brian — chamou, erguendo a mão.

O garoto de cabelos castanhos ergueu os olhos e abriu um sorriso.

— Ora, se não é o cara emo.

Kyle revirou os olhos.

— Você não mandou condolências.

Brian bufou.

— Esperava isso de mim? Eu levo um fora sábado sim, sábado não. Quem é que me consola?

Kyle balançou a cabeça, escolhendo não responder.

Estaria mentindo se dissesse que Amanda não estava em sua mente.

O modo como ela havia se aproximado dele.

Os olhos úmidos dela.

A vulnerabilidade em sua voz.

Por um instante, seu coração quase cedeu.

Mas ela o havia quebrado devagar, pedaço por pedaço.

E, ao fazer isso, sem perceber, também havia fortalecido sua resistência.

Agora, ele conseguia se manter inteiro.

Pouco depois, Ethan e seu grupo entraram na sala.

Amanda não estava com eles.

Kyle conseguia sentir o olhar de Ethan perfurando suas costas, mas o ignorou e puxou o livro com calma.

Qualquer confusão que existisse entre ele e Amanda já não era mais problema seu. E, se ela escolhesse se aproximar outra vez, ele já sabia como lidaria com isso.

Ele estava cansado daquele drama.

Alguns minutos depois, a professora entrou.

Ela carregava um livro grosso nos braços e ficou atrás da mesa.

— Antes de começarmos — disse, ajustando os óculos —, preciso lembrá-los sobre a atividade. Durante esta viagem, vocês deverão observar com cuidado os monumentos antigos que visitarão.

Kyle soltou um suspiro baixo.

Então a viagem era mesmo inevitável.

Ele não queria ir.

Agora tinha coisas muito mais interessantes nas quais se concentrar. O Mundo Etéreo sozinho tinha camadas e mais camadas esperando para serem exploradas.

Mas, se faltasse a essa viagem, seu semestre seria arruinado.

E esse era um problema que não podia se dar ao luxo de enfrentar agora.

Bzzz.

Seu celular vibrou suavemente contra a carteira.

Kyle olhou para baixo e viu uma mensagem de um número desconhecido. Ainda assim, reconheceu os últimos dígitos.

Veronica.

[Salve meu número e me encontre no local anexado por volta das 17h.]

Kyle soltou o ar devagar.

Ainda precisava visitar a família mais tarde.

Ele digitou de volta:

[Podemos marcar um pouco mais cedo?]

As aulas terminavam às três. Se possível, queria resolver o que quer que ela tivesse planejado antes de ir para casa.

Não houve resposta imediata.

Por um momento, ele achou que ela talvez tivesse largado o celular.

Então a tela se acendeu de novo.

[Olha só você, todo ansioso para me ver. Tudo bem. Vamos nos encontrar às 16h.]

Kyle esfregou os olhos, mas um sorriso fraco ainda curvou os lábios dele.

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